domingo, 26 de fevereiro de 2012

MaDame batendo o Bolão do Oscar 2012 : Expectativas e Apostas




Dia de Oscar. Dia de Expectativas e Apostas. Dia de Bolão do Oscar 2012. Madame está aqui para bater esse bolão e contar quais são minhas expectativas e apostas. Nos últimos anos, tenho tido o prazer de me divertir com os estimados cinéfilos e apreciadores da Sétima Arte para acompanhar e comemorar a tão aguardada festa da Academy Awards que, esse ano, tem um charme todo especial na categoria de melhores longas - ficção: A nostalgia do Cinema e da Arte, evocada em filmes como o longa mudo Francês O Artista, de Michel Hazanavicius, que conta a história de um ator em crise durante a passagem do Cinema Mudo para o Cinema Falado na Hollywood dos anos 20; outro sublime trabalho de metalinguagem com uso eficaz de 3D é o do Mestre Martin Scorsese e seu A Invenção de Hugo Cabret, que reune o encontro de um personagem fictício da obra homônima de Brian Selznick, o orfão Hugo, com o mestre do Cinema de Invenção, o saudoso Georges Mélies. O resultado é pura emoção em uma homenagem às memórias da Origem da sétima Arte e uma bela história na qual o cineasta e o garoto têm uma segunda chance para um recomeço. O brilhante Woody Allen volta à cena do Oscar e concorre também às principais categorias dignas do seu talento como melhor filme, melhor direção e melhor roteiro original com Meia Noite em Paris, que tem a atmosfera nostálgica de um retorno à Paris nos anos 20 e o encontro com uma gama de artistas influentes como Salvador Dalí, Luis Buñuel, Pablo Picasso, Scott Fitzgerald etc. Para incluir ainda mais cinefilia saudosista através das imagens, Steven Spielberg realiza seu emotivo Cavalo de Guerra, sobre o amor de um garoto por seu cavalo e um reencontro entre eles após anos de guerra. O experiente cineasta recupera imagens em planos bem abertos que recuperam os clássicos de John Ford e outros que evocam fotografias provincianas e de guerra como as de E o Vento Levou.


Jean Dujardin e Bérénice Bejo: Carisma


Em continuação à política da boa vizinhança exercida pelos Acadêmicos do Oscar, esse ano temos 9 filmes concorrentes à melhor longa de ficção para agradar todos os gostos de público, iniciativa que já é previsível pois nos últimos anos nem todos os filmes são realmente incríveis. Temos Cavalo de Guerra, O Artista, O homem que mudou o jogo, os Descendentes, a Árvore da vida, Meia-noite em Paris, Histórias Cruzadas, A invenção de Hugo Cabret e Tão perto e tão forte. Embora bons entretenimentos, poucos são dignos de uma estatueta de melhor do ano e a maioria são dramas bastante apreciados pela Academia como Os Descendentes, de Alexander Payne que é uma dramédia sobre um viúvo traído (George Clooney) que tem a esposa em coma e precisa seguir sua vida com perdão e superação para criar suas filhas. Outros dois filmes que combinam com a Academia e falam de superação e esperança são Histórias Cruzadas, de Tate Taylor e O homem que mudou o jogo, de Bennett Miller. O primeiro conta uma bela história sobre um grupo de empregadas domésticas negras que contam suas histórias secretas de convívio com suas patroas brancas. Além de terem uma voz no livro escrito pela aspirante à jornalista Skeeter (Emma Stone), elas lidam com o preconceito racial da época. O segundo tem o astro Brad Pitt como o gerente de um time de baseball, o Oakland A , que consegue montar um time sem orçamento e com a ajuda de um programa de computador.


Dentre os filmes, minha preferência é por A invenção de Hugo Cabret, mais pela maneira que foi dirigido, dos movimentos de câmera altamente sofisticados e experientes de Scorsese à realização nostálgica de um Cinema que honra o trabalho de Georges Melies, assim como traz à reflexão a perpetuidade da obra de um diretor, a questão da passagem do tempo se um cineasta será esquecido ou não. Na concorrência acirrada, deve competir com Hugo o Artista, que é um filme mudo, belo, poético, simpático, com protagonistas carismáticos (Jean Dujardin e Berenice Bejo) e com uma direção concisa que não deixou de fazer referências claras à História do Cinema e que teve uma dose de coragem ao trazer o não sonoro à contemporaneidade. Se der alguma zica e a tradição falar mais alto, ganham estatuetas filmes como Os descendentes e Histórias Cruzadas, que também têm atores como George Clooney e Viola Davis, que realizam uma ótima atuação. Na categoria de filme estrangeiro, torcida geral para o Iraniano a Separação, de Asghar Farhadi, vencedor do Urso de Ouro em Berlim e do Globo de Ouro e um dos melhores filmes do ano. Me surpreendeu como um realista drama familiar, de alta qualidade em roteiro, atuação e direção, que coloca o expectador para dentro da tela.


Martin Scorsese: mestre genial e apaixonado por Cinema



Na direção, quem deve levar é Michel Hazanavicius (O Artista) ou Martin Scorsese (Hugo), porém essa é uma categoria que divide o meu coração porque Martin Scorsese merece esse prêmio pelo requinte e magia nas telas, e também por, após ter dirigido filmes brutos e de tema muito adulto e violento, se rende a um trabalho que é uma poesia cinematográfica para toda a família, porém não se pode esquecer que Terrence Malick fez um genial A árvore da vida, que é praticamente um exercício existencialista, de investigação sobre o homem e seu lugar no mundo, com uma fotografia incrível que é realista e onírica ao mesmo tempo. Dessa forma, Martin Scorsese e Terrence Malick são as minhas preferências. Para melhor ator e atriz, prefiro que ganhem, respectivamente Jean Dujardin (O Artista), que é expressivamente um Gene Kelly moderno e Francês, bonito, envolvente e dançante e, a poderosamente dramática Viola Davis (Histórias Cruzadas), que é uma atriz muito diferenciada e que merece prêmios pela sua veia natural para atuação, sua humildade em cena que é engradecida na tela. Não desprezo os trabalhos de George Clooney (Os descendentes) e Meryl Streep (A dama de Ferro), mas é hora de colocar sangue novo nessas premiações, além disso, Gary Oldman em O espião que sabia demais seria o meu 2º candidato caso Jean Dujardin não ganhe. Embora o personagem de Gary Oldman não seja o mais inesquecível dos competidores, a atuação é concentrada, enigmática e experiente. Já como coadjuvantes femininas, minhas preferências são para Jessica Chanstain (Histórias Cruzadas) e Bérénice Bejo (O Artista), por iluminarem a tela com suas simpáticas personagens e darem o ar da graça de uma forma muito especial, porém Octavian Spencer (Histórias Cruzadas) é uma forte candidata em um dedicado papel que aproveita seu jeito despojado e bem humorado no papel de uma empregada desbocada. Como ator coadjuvante, vencerá Christopher Plummer (Toda forma de amor), que é o queridinho da categoria ao intepretar um idoso com câncer que assume ser homossexual, porém eu prefiro que ganhe Max von Sydow e seu personagem que não fala em Tão forte, tão perto. Ainda que seja um papel muito pequeno, é um belo trabalho de Max que, através do olhar e das expressões de melancolia e de carisma, faz jus a me lembrar que ele era um dos favoritos do gênio Ingrid Bergman.




Na torcida por A invenção de Hugo Cabret, uma ode de amor ao Cinema


Abaixo, o resumo das minhas expectativas, apostas e surpresas:

Desejo um excelente Oscar a todos!


Melhor Filme
Preferência: A invenção de Hugo Cabret
Quem deve levar: O Artista
Quem pode surpreender: Os descendentes

Melhor Direção
Preferência: Martin Scorsese, A invenção de Hugo Cabret
Quem deve levar: Michael Hazanavicius, O Artista
Quem pode surpreender: Alexander Payne, Os descendentes

Melhor ator
Preferência: Jean Dujardin, O Artista
Quem deve levar: Jean Dujardin, O Artista
Quem pode surpreender: George Clooney, Os descendentes

Melhor atriz
Preferência: Viola Davis, Histórias Cruzadas
Quem deve levar: Meryl Streep, A Dama de Ferro
Quem pode surpreender: Michelle Williams, Sete Dias com Marilyn

Melhor atriz coadjuvante
Preferência: Jessica Chanstain, Histórias Cruzadas
Quem deve levar: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas
Quem pode surpreender: Berenice Bejo, O Artista

Melhor ator coadjuvante
Preferência: Max von Sydow, Tão forte tão perto
Quem deve levar: Christopher Plummer, Toda forma de amor
Quem pode surpreender: Jonah Hill, o homem que mudou o jogo


Melhor roteiro original
Preferência: Meia-noite em Paris
Quem deve levar: Meia-noite em Paris
Quem pode surpreender: Margin Call


Melhor roteiro adaptado
Preferência: A invenção de Hugo Cabret
Quem deve levar: Os descendentes
Quem pode surpreender: Tudo pelo poder


Melhor animação
Preferência: Rango
Quem deve levar: Rango
Quem pode surpreender: Não há,
com a exclusão de As Aventuras de TiTin na competição.


Melhor filme em lingua estrangeira
Preferência: A separação
Quem deve levar: A separação
Quem pode surpreender: Não há


Melhores Efeitos Visuais
Preferência: Planeta dos macacos
Quem deve levar: Planeta dos macacos
Quem pode surpreender: Harry Potter e as Relíquias da morte - P2


Melhor Edição de som
Preferência: A invenção de Hugo Cabret
Quem deve levar: A invenção de Hugo Cabret
Quem pode surpreender: Cavalo de Guerra


Melhor Som
Preferência: A invenção de Hugo Cabret
Quem deve levar: Cavalo de Guerra
Quem pode surpreender: A invenção de Hugo Cabret


Melhor Edição
Preferência: A invenção de Hugo Cabret
Quem deve levar: O Artista
Quem pode surpreender: A invenção de Hugo Cabret


Melhor Fotografia
Preferência: A árvore da Vida
Quem deve levar: A árvore da Vida
Quem pode surpreender: Não há


Melhor Direção de Arte
Preferência: A invenção de Hugo Cabret
Quem deve levar: O Artista
Quem pode surpreender: Meia-Noite em Paris


Melhor Figurino
Preferência: A invenção de Hugo Cabret
Quem deve levar: O Artista
Quem pode surpreender: W.E

Melhor Maquiagem
Preferência: Harry Potter - As relíquias da morte - p2
Quem deve levar: A Dama de Ferro
Quem pode surpreender: Harry Potter - As relíquias da morte - p2

Melhor Trilha Original
Preferência: O Artista, Ludovic Bource
Quem deve levar: O Artista, Ludovic Bource
Quem pode surpreender: A invenção de Hugo Cabret, Howard Shore


Melhor Canção Original
Preferência: Man or Muppet, The Muppets, Bret McKenzie
Quem deve levar: Man or Muppet, The Muppets, Bret McKenzie
Quem pode surpreender: Real in Rio, Rio, Siedah Garrett



Melhor Documentário (longa-metragem)
Preferência: Pina
Quem deve levar: Paradise lost 3: Purgatory
Quem pode surpreender: Pina

Melhor Documentário (curta-metragem)
Preferência: Saving Face
Quem deve levar: God is bigger than Elvis
Quem pode surpreender: Saving Face


* as categoris de curtas de animação e curta - metragem não foram analisadas, pois não tive a visão geral de todos os concorrentes para poder emitir um julgamento.

Ganhadores do Blog de Ouro 2012



Foram divulgados ontem os ganhadores do Blog de Ouro 2012, organizado pela Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos. O evento foi belíssimo, premiando grandes nomes do Cinema dignos de receber uma estatueta de reverência e reconhecimento pela Sétima Arte. O Madame Lumière agradece mais uma vez a participação e parabeniza todos os blogueiros e equipe organizadora dessa fantástica premiação, realizada através da dedicação e amor dos apaixonados por Cinema. Confira o resultado:

Melhor Filme
CISNE NEGRO

Melhor Diretor
Terrence Malick , A árvore da Vida

Melhor Ator
Ryan Gosling, Namorados para sempre

Melhor Atriz
Natalie Portman, Cisne Negro

Melhor Ator Coadjuvante
Christian Bale, O Vencedor

Melhor Atriz Coadjuvante
Charlotte Gainsbourg, Melancolia

Melhor Elenco
Meia Noite em Paris

Melhor Roteiro Original
Meia Noite em Paris, Woody Allen


Melhor Roteiro Adaptado
A pele que habito, Pedro Almodóvar e Agustín

Melhor Direção de Arte
Harry Potter e as relíquias da morte: parte 2
por Stuart Craig, Stephenie McMillan

Melhor Fotografia
A árvore da Vida, Emmanuel Lubezki

Melhor Figurino
Um sonho de amor, Antonella Cannarozzi

Melhor Montagem
Cisne Negro, de Andrew Weisblum

Melhor Maquiagem
Harry Potter e as relíquias da morte: parte 2

Melhor Trilha Musical,
A árvore da vida , Alexandre Desplat

Melhor Mixagem de Som
SUPER 8

Melhor Efeitos Visuais
Planeta dos macacos: a Origem

Melhor Canção
Enrolados, “I See the Light”

Melhor Filme de Animação
Rango, Gore Verbinski

Melhor Filme Nacional
O Palhaço, Selton Mello

Melhor Documentário
Lixo Extraordinário, Lucy Walker

sábado, 25 de fevereiro de 2012

MaDame Retrospectiva : Top 10 Melhores Filmes Ficção - 2011 - Cinema Nacional


Por que esses são os vencedores do top 10 - Nacional
por Madame Lumiére?




10 - Meu país, de André Ristum


"Uma belo longa sobre o retorno à família, o perdão e a união entre irmãos. Um emocionante retrato de que laços de sangue podem ser renovados."


9 - Transeunte, de Eryk Rocha

"Um olhar sobre a solidão do anonimato na selva urbana. Silêncios que um olhar de um idoso confessa, em uma cidade que grita."





8 - O céu sobre os ombros, de Sergio Borges

" Um experimento dramático e bem humorado de que estamos todos no mesmo barco da existência, com nossos sonhos e frustrações de pessoas comuns."


7 - Amor?

"Belíssimo híbrido ficção e documentário de relatos intimistas, verdadeiramente dolorosos de quem ama e já sofreu e provocou as violências psicológica e física que podem acometer o amor."






6 - O homem do futuro

"Comédia romântica futurista que cativa pelo tom nostálgico e apaixonado. Passado, presente e futuro unidos com uma linda história de amor."


5 - VIPS

" Uma história divertida sobre um mentiroso que podia ser odiável por mentir mas que é envolvente e deliciosamente um mentiroso."





4 - Bróder


"Uma declaração de amor ao Capão Redondo, um das periferias mais populares e comunitárias de São Paulo. Um belo trabalho de identidade, uma ode de afeto à família e à amizade."


3 - Trabalhar cansa


"Tema contemporâneo, elenco competente e narrativa que se intensifica em uma estranha e convidativa tensão sobre as relações trabalhistas. Fazendo jus ao título, trabalhar é preciso e definitivamente cansa."




2 - Riscado

"Um sublime e realista trabalho de amor à profissão de ator, com seus percalços e poesia, com uma interpretação fascinante de uma bela atriz. Uma verdadeira declaração de amor ao Cinema, realizada com um ótimo filme Brasileiro."


1 - O Palhaço


"Toda crise de identidade requer melancolias e uma boa dose de riso quando a vontade é chorar. O Palhaço é esplêndido em sua proposta transformadora, com lágrimas e sorrisos, com a magia de uma jornada na estrada do circo onde o palhaço é cada um de nós."

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Rapidinhas no MaDame: Contágio (Contagion) - 2011

Rapidinhas no Madame:
Porque o que importa é o prazer da Cinefilia





Sobre a história: Contágio é um suspense internacional sobre uma apavorante e incontrolável epidemia no qual um vírus letal se espalha no ar e mata as pessoas rapidamente.Nesse cenário de desespero no qual a morte é iminente, o medo também se espalha como um vírus a medida que tentativas da comunidade médica e de cidadãos comuns são em vão.

Opinião Geral sobre o filme: Com direção de Steven Soderbergh (de Traffic) e roteiro de Scott Z Burns, Contágio é um thriller que provoca um olhar degustativo muito mais em função do elenco estelar do que pela sua história já usada em outros longas. É um elenco bastante convidativo que tem Marion Cotillard, Matt Damon, Kate Winslet, Laurence Fishburne, Jude Law, Gwyneth Paltrow, cujos personagens têm suas vidas cruzadas por essa mortal epidemia. O diretor que desde Traffic já havia adotado um elenco com papeis de pessoas comuns cujas histórias se interligam, aqui a fórmula é semelhante. Considerando o cenário instável de um vírus que se espalha e que afeta a sociedade como um todo, a escolha por Sodenbergh faz sentido. Ele tem prática de enquadrar e recortar situações vivenciadas por cada personagem, em seu drama e desespero, e parece gostar de fazer esse tipo de filme, além disso usa locações em diversas cidades do mundo que oferecem uma jornada internacional ao público e demonstram que o vírus não respeita fronteiras, que a epidemia é globalizada. Se por um lado é excelente ter um elenco de honra como esse, por outro lado o desenvolvimento dos personagens é muito raso. A própria forma como o roteiro é estruturado dá pouco espaço para que cada um desempenhe um papel mais denso, por isso, não era preciso um elenco tão surpreendente para realizar um filme lugar comum como esse. Além do mais, o expectador é conduzido a ver os esforços humanos para conter o vírus, assim como as perdas são inevitáveis; um exemplo disso é quando a personsagem de Kate Winslet é contaminada. Sendo uma especialista médica dedicada a combater o vírus, ali as esperanças se perdem, logo o ingrediente do medo e de permanecer sem ação perante tal virulência é muito interessante e é um conteúdo comportamental muito pertinente que transparece na fita. Outros planos bem agregados, já previsíveis e necessários que lembram filmes como Epidemia, Ensaio sobre a cegueira e todos que lidam com narrativas pós-apocalípticas ou epidêmicas, são os relacionados ao caos social, quando pessoas se desesperam para obter vantagem sobre o outro, como um remédio ou uma vacina. Também é incluído um elemento relevante que é o sensacionalismo midiático, seja jornalista seja blogueiro, como o do personagem de Jude Law que polemiza a questão, enfim, todos esses comportamentos são típicos da sociedade de obter a vantagem sobre o outro, custe o que custar e salvar a própria pele ou aparecer na internet ou na TV. No mais, a narrativa é tensa e dividida em planos que dependem bastante de uma boa montagem, que atende satisfatoriamente para provocar esse entrelaçamento das histórias que se convergem até o golpe final, quando sabemos, enfim, como começou o vírus através de uma ótima sequência de acontecimentos que ficaram em suspense, aguçando a curiosidade do público, e que ressaltam que um vírus pode iniciar e se alastrar na situação mais simples e cotidiana possível. No geral, pior do que um vírus é o medo. Filmes americanos como esse são ótimos em evocar a cultura de medo tão popular nos USA.

O prazer: O elenco, as locações (Macau, Hong Kong, Chicago, Atlanta, São Francisco, Abu Dhabi, Londres e Geneva) e a experiência cinematográfica de medo e/ou repulsa que o filme transmite: nojo de tocar qualquer superficie, ter alguém tossindo por perto, comer alguma comida exótica, entre outros.


O desprazer: Um argumento já utilizado em outros filmes, a mesmice em tratar o tema com algumas situações que sempre se repetem.


Por que vale a rapidinha? É um entretenimento para quem gosta de suspenses sobre epidemias, caos, medo e afins. É um tema que sempre deixa os nervos tensos e faz refletir sobre a saúde no mundo.


Rendimento:

Informações sobre o filme, acesse ImdB

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Rapidinhas no MaDame: Late Bloomers - O Amor não tem fim (2011)


Rapidinhas no Madame:
Porque o que importa é o prazer da Cinefilia






Sobre a história: Mary (Isabella Rosellini) e Adam (William Hurt) são casados há mais de 30 anos e estão avançando na terceira idade, tendo que lidar com novas experiências, sentimentos e realidades da passagem do tempo. Ingressam em uma separação e cada um segue o seu rumo, reagindo de diferentes maneiras à velhice. Ele aceita menos, age como um jovem e investe tempo em ter dinheiro na profissão. Ela aceita um pouco mais, vê que não tem mais o mesmo viço da juventude e surgem as aparentes perdas de memória.

Opinião Geral sobre o filme: Dirigido por Julie Gavras (de A Culpa é de Fidel), o longa é uma comédia dramática sobre a velhice de um casal, um tema muito interessante e contemporâneo e, infelizmente, pouco aprofundado no roteiro. O script trabalha com situações cotidianas como a perda da autoestima e da memória, o desafio de manter o casamento e provar que o amor ainda existe, os flertes e casos extraconjugais, a intervenção dos filhos que não sabem como lidar com pais idosos, o sentimento de transitoriedade da vida e do fracasso após anos de trabalho, a negação do envelhecimento. Ele recorre às velhas fórmulas comuns que surgem com a velhice como, por exemplo, Adam que não aceita a passagem do tempo, começa se vestir como um jovem de 25 anos, envolve-se com uma mulher que tem idade para ser sua filha. Embora situações como essa possam acontecer, o filme tem na narrativa esses exemplos estereotipados que empobrecem a dramédia e que desperdiçam talentos como Rossellini e Hurt. Além do mais, ao desfecho, fica a impressão que a intenção dos realizadores foi recortar várias situações do dia a dia que surgem com a velhice e expô-las, não necessariamente, trabalhar um roteiro mais conciso e sólido para contar uma história de um casal que envelhece, com uma evolução dramática que joga o espectador a prever a experiência de envelhecer. Seria mais válido e bem vindo uma forma diferente de tratar a velhice, em um apelo mais existencial e com um roteiro desenvolvido a partir dessas contradições da passagem do tempo. Existem méritos também; o filme é mais convidativo somente por conta do casal de protagonistas cuja experiência e química elevam o longa para uma melhor categoria. Rossellini tem carisma, beleza natural e articula bem o drama com a comédia, preenchendo a tela com sua preciosa versatilidade. Hurt é mais concentrado em um personagem mais racional, sério e dramático e, igualmente, agrega valor a cada cena, até as mais estereotipadas. No geral, o filme proporciona um momento para pensar um pouco na velhice, que é inevitável a todos que sobrevivem até essa fase.


O prazer: Isabella Rossellini e William Hurt


O desprazer: Um roteiro que nasce de uma ótima ideia sobre velhice e não sabe como desenvolvê-la em melhor completude dramática tal que as emoções genuínas do envelhecimento fossem catalisadas na Tela Grande.


Por que vale a rapidinha? Pelo prazer de ver Rossellini e Hurt juntos em cena.


Rendimento:

Informações sobre o filme, acesse ImdB

Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes) - 2011




Planeta dos Macacos : A origem, sob a direção de Rupert Wyatt, marca o retorno da clássica franquia dos símios com uma roupagem mais mainstream, moderna. É um filme politicamente correto com uma bela lição de moral, pautada na escolha pela liberdade, o encontro do lar. Isso não chega a ser um problema, porém fica claro que a intenção do diretor não foi resgatar os primórdios da franquia desde Charles Heston e sim contar uma bonita história trazendo alguns elementos éticos importantes na questão a ciência - o primitivo. O resultado é muito bom, maduro a ponto do roteiro evoluir fluído e dramaticamente com o desenrolar da história, portanto, é um blockbuster que deve ser conferido e que tem de tudo para ganhar a estatueta de melhores efeitos visuais no Oscar 2012 que se aproxima. Na história, Caesar (Andy Serkis) é um chimpanzé que, após perder a mãe em uma experiência de laboratório, é criado por uma família de humanos, o cientista Will Roadman (James Franco) e seu pai Charles (John Lithgow) que sofre de uma doença degenerativa, o Mal de Alzheimer. Caesar desenvolve uma inteligência excepcional, porém, por um infortúnio, acaba ficando longe da família Roadman e é preso com outros macacos em um terrível centro de reclusão. A partir daí, ele liderará o seu grupo em uma luta pela liberdade, contra a exploração e o abuso.




O longa é um ótimo blockbuster que traz 5 qualidades bem harmônicas em sua narrativa e técnica: bom roteiro, excelentes efeitos visuais, uma emocionante temática sobre a liberdade e contra o abuso de animais, uma tensão entre homens e macacos, a opinião ética entre ciência e a natureza primitiva. Com esses cinco pilares, um bem estruturado roteiro, uma direção na qual prevalece as ricas sutilezas do visual que traz emoção e uma dose de afeto, que é evocado pela relação dos Roadman e Caesar, a película é cativante e, no seu desfecho, desmonta em lágrimas o espectador mais sensível. De maneira geral, a história de Caesar é triste e inspiradora. Triste porque foi criado como orfão, fora de seu habitat e em uma família humana que, ao mesmo tempo que o ama, também têm interesses bem particulares pois Caesar é uma cobaia para Will que procura testar uma nova droga e curar a doença incapacitante de seu pai. Nesse aspecto, o filme já divide as emoções do espectador que vai desejar a liberdade de Caesar e a cura de Charles. Por outro lado, a inspiração advém da luta contra a exploração e abuso contra os símios. Eles são inteligentes e, portanto, merecem reinvindicar às suas liberdades individuais e coletivas. Ao estar enjaulados, o filme trabalha muito bem como são prisioneiros, mal tratados e aquém da raça humana, usados comercialmente para atender interessses de grandes corporações científicas. A figura de atitude de líder de Caesar vem a inspirar e abrir caminho para essa liberdade, um direito que vai além do filme e ganha o espectador por mostrar que todos podem escolher e lutar pela liberdade. Nisso está o livre-arbítrio.



Convém ressaltar que Planeta dos Macacos sem esse Caesar não seria o mesmo, ou seja, Andy Serkis é um ponto alto do filme. A expressiva atuação do talentoso e dedicado ator que, desde o Gollum (O Senhor dos Anéis), tem o dom de interpretar personagens digitais via motion-capture é um deleite. Caesar é todo trabalhado em pixels que o tornam um magnífico trabalho visual. Sua atuação rende à fita um realismo impressionante de como o macaco se sente em sua jornada de perdas, adversidades e superações, desde as sutis atitudes de estratégia e liderança até os expressivos olhares de distintas emoções. Destaque também para James Franco, em um papel equilibrado entre a razão e a emoção do cientista e, principalmente, para John Lithgow em uma atuação curta, porém impregnada de sensibilidade e maturidade. Seu estado frágil e instável perante a enfermidade vem a dividir eticamente a opinião do espectador, pois afinal, também se deseja a cura de uma doença para um ente querido, mas a sociedade sabe que, na ciência, muitos animais são usados como cobaias e sacrificados para experimentos.


Esse é um conflito gerado pela dicotomia ciência - natureza, razão - emoção e que, no filme, não passa desapercebido por isso que o longa é uma ótima diversão com reflexão. Indiretamente, ainda que o filme não tenha um propósito militante de levantar bandeiras, outras reflexões são inevitáveis e também virão após a sessão como: o que é afinal evoluir para o homem? Perder a liberdade? Fazer com que outros seres sejam sacrificados e percam essa liberdade? Oprimir para seguir com interesses financeiros e nada coletivos? E a evolução moral, onde fica? Será que o homem evoluiu em sua liberdade , a sua e a do outro, ou continua minando sua própria evolução?


Avaliação MaDame Lumière




Informações sobre o filme, acesse ImdB

Os premiados do II Prêmio Kino Brasil - O Prêmio do Cinema Brasileiro


Nesse mês saiu o resultado do Prêmio Kino Brasil, com o melhor do Cinema Brasileiro selecionado por jurí acadêmico e popular. O Prêmio tem como diferencial o reconhecimento do Cinema Nacional por acadêmicos que são blogueiros especializados, em uma escolha mais justa, plural e bem embasada em quem realmente ama e consome Cinema de qualidade. Nesse prêmio, Madame Lumière agradece imensamente pelo convite para fazer parte da Academia, o que é uma honra, e prestigia os votantes e o público pelas excelentes escolhas, assim como os vencedores.

Com esse resultado, excelentes realizações no Cinema Nacional foram reconhecidas como finalistas e/ou premiados, como O Palhaço, Riscado, Trabalhar Cansa, Amor?, VIPS, Bróder, entre outros, demonstrando claramente o nível de qualidade das produções Brasileiras e como os amantes do Cinema as aprovaram. Confira o resultado acessando a home page do Kino Brasil.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Rapidinhas no MaDame: As Aventuras de TinTin: O Segredo do Licorne ( The Adventures of TinTin) - 2011




Rapidinhas no Madame:

Porque o que importa é o prazer da Cinefilia



Sobre a história: O reporter Tintin (Jamie Bell) e o capitão Haddock (Andy Serkis) partem em uma aventura em busca de um tesouro deixado pelos ancestrais de Haddock. Para encontrá-lo e desvendar o segredo do Licorne que o cerca, terão que enfrentar a vilania de Rackham (Daniel Craig) que tem contas antigas a acertar com o capitão.


Opinião Geral sobre o filme: É uma animação produzida por dois gênios, Steven Spielberg e Peter Jackson, em uma parceria que demonstra que ambos têm um trabalho impecável para trabalhar com efeitos especiais e conteúdo cinematográfico de aventuras em grandes produções. Sem dúvidas, o ponto forte do filme são suas virtudes técnicas em um trabalho de animação muito bem projetado e finalizado, absolutamente minucioso na perfeição do realismo dos personagems na tela grande. As peripécias acrobáticas da jornada de Tintin e Raddock em termos de animação são fantásticas, o que prova que o longa é um exemplo de especial homenagem a um personagem carismático dos quadrinhos de Hergé que ganha vida no Cinema. Porém, nem tudo é perfeito e, embora o filme seja esteticamente impecável , o roteiro deixa bastante a desejar e não apreende a atenção como uma história envolvente, cheia de mistério e reviravoltas. Tal fato só demonstra que tecnologia e criatividade em animação não funcionam para atingir 100% de primor cinematográfico sem uma cativante e emocionante história. Ainda assim, As Aventuras de Tintin é uma excelente diversão para toda a família e deve agradar os fãs do adorado heroi.



O prazer: A estética visual com um incrível trabalho de animação que entretém e fascina. O expectador se sentirá parte do mundo Tintin, primoroso como Arte em animação.


O desprazer: A história em si é muito regular e pouco inovativa, sem muita profundidade narrativa convertida em ações que realmente façam diferença para a relação afetiva do espectador com TinTin, além do mais, o personagem de TinTin não tem carisma no filme, nada que efetivamente o conecte emocionalmente com um espectador que não seja fã dele desde os quadrinhos, portanto é mais fácil gostar do cachorrinho dele e dar risada com o capitão Haddock e sua devoção pela cachaça. Mais adiante, em um ponto da projeção da animação, o expectador mais atento e exigente se perguntará se a história é só aquilo mesmo.


Por que vale a rapidinha? É uma animação fascinante do ponto de vista estético e criativo e que deve ser analisada e desfrutada em sua beleza. É o tipo de longa que faz o público ver como há pessoas inteligentes, inovativas e perfeccionistas em Hollywood e porque eles sabem fazer animação a um nível de excelência impressionante.

Rendimento:

Informações sobre o filme, acesse ImdB

Rapidinhas no MaDame: Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows) - 2011



Rapidinhas no Madame:

Porque o que importa é o prazer da Cinefilia






Sobre a história: O detetive Sherlock Holmes (Robert Downey Jr) enfrenta o seu inimigo Moriarty (Jarred Harris) que está disposto a iniciar uma guerra mundial em um maquiavélico jogo de sombras e nenhuma consciência. Nessa jornada de ação e suspense, acompanham o detetive o seu leal amigo Dr. Watson (Jude Law), a misteriosa cigana (Noomi Rapace) e o seu brilhante irmão Mycroft Holmes (Stephen Fry). Cabe a Sherlock Holmes deter o professor Moriarty e revelar a sombria mente do seu rival.

Opinião Geral sobre o filme: O duelo entre Sherlock Holmes e uma mente perversa e genial como o vilão Moriarty é o diferencial da película, exigindo que o detetive lide com sua própria paranóia e com um inimigo frio e calculista que não mede esforços para iniciar uma fatal guerra. Essa tensão entre ambos, que demonstra que Sherlock Holmes também é um heroi falho torna a vilania de Moriarty mais degustável. A direção de Guy Ritchie tem um frescor diferenciado, com uma bela direção de Arte e de atores que formam um ótimo elenco, virtudes que já haviam ficado bem evidentes no filme antecessor. O cineasta conduz a direção de forma dinâmica, refinada e abusa dos efeitos especiais em um roteiro que prima por bons e inteligentes diálogos, mas que peca por explicar demais cada detalhe do embate entre os inimigos. O senso de humor entre Sherlock e Watson e sua amizade garantem divertidos momentos e, no geral, embora não seja superior ao primeiro filme, o longa mantém a qualidade cinematográfica da franquia como um imperdível blockbuster.


O prazer: Um roteiro que inclui um vilão tão bom quanto Sherlock Holmes torna o jogo mais dinâmico, inteligente e assombroso. Além disso, para um blockbuster, o elenco é muito bom e eleva o longa a uma categoria diferenciada de filmes endinheirados nos quais cada ator dá um toque especial no peso interpretativo, e não somente o protagonista.


O desprazer: É um filme que poderia trabalhar mais com o mistério e suspense do personagem literário, sem dar muitas explicações no texto. No mais, abusa-se bastante de efeitos especiais que, em um plano ou outro, poderiam ser descartados para dar mais naturalidade orgânica e física ao filme.


Por que vale a rapidinha? É uma franquia que, nas mãos do cineasta Guy Ritchie, vira ouro. Há uma atmosfera obscura e elegante, mesmo nos buracos frequentados por Sherlock Holmes, há humor, ação, suspense, empatia, etc , o que apreende a atenção do expectador que só quer um bom entretenimento.




Rendimento:

Informações sobre o filme, acesse Imdb

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

MaDame Teen: Tudo por uma esmeralda (Romancing the Stone) - 1984






Antes de conquistar o Oscar em 1995 como melhor diretor pelo sublime Forrest Gump: O Contador de Histórias, Robert Zemeckis já era especial para a minha memória cinéfila desde seus filmes da década de 80, quando ficou muito conhecido por Tudo por uma Esmeralda e a trilogia De volta para o futuro. Quando Michael Douglas decidiu produzir Tudo por uma esmeralda, fazendo par romântico com Kathleen Turner, ele convidou o cineasta para fazer o filme, o que já foi uma première do talento de Robert em dirigir longas aventurescos que marcariam a adolescência de várias pessoas como eu. Se Spielberg, seu amigo e produtor em De Volta para o Futuro, era o cineasta das películas de Indiana Jones que tanto me conquistavam, Robert Zemeckis não ficava atrás e realizou essa nostálgica aventura em terras Colombianas, com senso de humor, ação e romance.








Tudo por uma esmeralda era um best-seller na minha filmografia adolescente das sessões da tarde. Era aquele filme que eu assisti váriaas vezes, na sequência ou na semana. Recordo-me que adorava ver Kathleen Turner no papel da escritora Joan Wilder, cuja obra literária sairia dos livros para se tornar realidade através de um caso de amor com um nômade desconhecido. Ela era como uma mulher independente e sonhadora que um dia amaria intensamente, da forma que todas as mulheres desejavam amar. Lembro-me que ela ficava sonhando com o seu heroi corajoso e desbravador que a levaria a lugares longíquos e a salvaria de armadilhas perigosas. Nasceria o amor entre eles, a excitante paixão ganharia força através do olhar penetrante e do calor da pele. Ela o conheceria da forma mais inusitada e necessária possível: como um misterioso homem a encantá-la e a protegê-la. Era muito divertido assistir à atriz nas cenas iniciais da película, na qual ela é uma solteirona que trata o gato como se fosse o único amor da vida dela. Ao assistir ao filme nessa década, ele se torna mais engraçado ao vê-la colocando velas como que preparando um jantar a dois, só que para alimentar o seu gato. Essa cena é tão atemporal que recorre aquele gracioso e trágico estereotipo que, na falta de um namorado ou um marido, as mulheres tendem a se apegar a um animal de estimação.






Essa aventura é simples e bacana porque tudo começa quando Joan Wilder tenta salvar a sua irmã na Colômbia, que está sendo chantageada por ter um mapa do tesouro que leva à bela e rara Esmeralda. Preocupada com a irmã e corajosa o suficiente para trazer emoção à sua vida, Joan é como uma heroína comum que saí do sossego da sua casa para se aventurar no meio da mata. Ao chegar à Colômbia, conhece Jack Colton (Michael Douglas), que a salva e o contrata como guia para tirá-la daquela região deserta e perigosa e conseguir encontrar a irmã. É muito interessante como o filme é uma aventura em um país Latino, que das páginas da Literatura ganha realismo nas telas, com muitos momentos de riso e romance. Ao ler um livro, as pessoas tendem a criar esse imaginário em lugares tropicais, silvestres, primitivos. O filme apresenta tudo isso como uma mescla de romance, comédia e aventura e a fórmula funciona muito bem, tanto que foi um sucesso na época e deixou saudades.











Para obter esse sucesso, o casal de protagonistas é crível e tem ótima química. A combinação entre eles era tão incrível que ganhou os corações dos espectadores até fora das telas, basta ver as fotos antigas. Michael Douglas não tinha sua imagem tão relacionada a um viciado em sexo e Kathleen Turner ainda tinha o frescor da juventude, naturalmente belo. No longa, Turner não faz o tipo 'mulher desesperada procura homem que a queira', pelo contrário, ela é corajosa, criativa e carismática e o relacionamento amoroso é conduzido de uma forma do 'simplesmente aconteceu' e com o homem mais improvável, sem casa e sem dinheiro, que é conquistado por ela, deixando o orgulho e machismo de lado. O local para conhecer um novo romance é também muito improvável, pois qual a mulher que gostaria de conhecer o amor de sua vida suja de lama, perdida e correndo risco de vida em uma mata densa e úmida na Colômbia, no entanto, o emocionante da história é contar que nem todo romance acontece em condições premeditadas e perfeitas, em um restaurante ou encontro às cegas. Nesse ponto, o roteiro funciona muito bem como um híbrido de ficção e realidade pois, se as aventuras de busca a um tesouro e fuga de um general mortal parecem uma jornada que só se vê em um filme, por outro lado, essa química, versátil e acrobática entre Turner e Douglas é deliciosa de ver ao ponto de dizer: "Quero vê-los felizes e com a esmeralda no final". A torcida para o Amor é tanta que, uma das cenas mais bonitas é a dança do casal em uma festa no hotel. Ambos vestidos de branco, como noivos, Turner está fascinante, com um brilho nos olhos de mulher entregue ao amor, e Douglas parece um Don Juan Latino, com sorriso abobado e cara de segundas intenções. Assistir ao longa é como reviver essas facetas de Uma aventura na África, um homem e uma mulher em uma louca aventura em terras selvagens, com uma roupagem bem anos 80 com cara de Zemeckis e Spielberg.





Os coadjuvantes contribuem para prover tensão e ritmo ao longa, pois são o time de vilões que perseguem o casal. Danny de Vito é Ralph, um atrapalhado comparsa do sequestrador de Elaine, irmã de Joan. Ele só se dá mal e é um dos personagens mais divertidos, só reforçando como De Vito era famoso na década de 80 como o baixinho com humor peculiar e que faria uma boa parceria com Michael Douglas e Kathleen Turner no vindouro A Jóia do Nilo (1985). Manuel Ojeda é o outro vilão, de caricatura ditatorial e latina, o que cria a imagem de um guerrilheiro frio e calculista que conhece as terras perigosas da Colômbia como ninguém. No geral, o ritmo do filme é muito bom para a proposta e consegue unir todos esses elementos em um entretenimento descontraído e ligeiramente despretensioso.



Tudo por uma esmeralda é diversão garantia e tem o seu valor saudosista, tem os seus méritos como obra, tanto que ganhou o Globo de Ouro de melhor filme comédia/musical em 85, assim como o de melhor atriz para Kathleen Turner. Dá uma nostalgia lembrar dele, muita mesmo, como voltar ao tempo e sentir a emoção sonhadora de como havia várias possibilidades de aventura na vida adulta. O sentimento da memória do Cinema é um dos mais gostosos de levar para o cotidiano, para aliviar os problemas da vida, afinal, a vida é uma jóia bem mais preciosa que uma Esmeralda.







Avaliação MaDame Lumière





Título original: Romancing the stone


Ano: 1934


País: USA


Roteiro: Robert Zemeckis


Diretor: Robert Zemeckis


Elenco: Michael Douglas, Kathleen Turner, Danny de Vito, Miguel Ojeda

MaDame Retrospectiva : Top 5 Filmes Mico 2011 - Cinema Nacional

Que mico!



O maior mico para um produtor, roteirista, diretor e equipe é perder tempo e energia em realizar um longa que nitidamente é um filme ruim. Será que em momento algum da produção se percebeu isso? Não é necessário nem ser especialista em Cinema para observar quando um filme não tem uma razão de ser e, quando se deseja contar uma história, não o faz de uma forma, no mínimo, inteligente, autêntica, fluída e que sirva de aprendizado ou genuína emoção para as plateias. Cabe aí o bom senso se vale a pena a produção buscar investimentos para um filme ruim, capitalizá-lo para que, afinal? E por quê o diretor não filtra o roteiro ruim ou faz uma autoanálise se é o momento certo para dirigir um filme mico ou se tem condições de torná-lo melhor do que ele se propõe? Nessas horas, o bom cinéfilo pensa: "Por que gastou-se tanto tempo, dinheiro e esforços de uma equipe para produzir algo que não dignifica o próprio valor do Cinema", uma Arte que entra na vida do espectador, faz com que ele aguarde a estreia, compre o ingresso, alugue o filme e afins. O filme mico pode até fazer o espectador derramar uma lágrima de emoção (ou de vergonha alheia), dar gargalhadas de alegria (ou do ridículo), entretê-lo por alguns minutos, ainda assim, está marcado como ruim por uma boa parte das pessoas que gostam de Cinema e já sabem julgar e separar o regular do medíocre. A seleção top 5 filmes mico do ano não tem a pretensão de depreciar o trabalho dos realizadores, mas deixar claro que sinalizar que o filme é ruim já é o começo de uma crítica construtiva para que novos filmes venham e que não tenham qualquer relação com estes. Se servir de consolo, a vantagem é que haverá outros filmes ruins na seleção de Cinema Internacional, bem ruins.







5 - Qualquer gato vira lata, de Tomás Portella




Baseada em obra de Juca de Oliveira, até que a intenção da comédia é boa. Cleo Pires se esforça com sua beleza e carisma, porém o Qualquer gato vira lata repete os nauseantes e cansativos estereotipos femininos e masculinos na busca do par ideal e seria melhor enquadrá-lo como um produto de TV, não de Cinema. Além disso, ver as caras e bocas de Dudu Azevedo como o fútil gostosão nas paradas de sucesso, como boa parte dos homens desse tipo, é de doer, pois soa artificial como boa parte da atuação do elenco e do texto que lhes é dado.





4 - As mães de Chico Xavier, Glauber Filho e Halder Gomes



Diferente dos longas Chico Xavier e Nosso Lar, esse filme poderia ter sido melhor desenvolvido no roteiro, na edição, na direção e na direção de atores já que a premissa de envolver questões como a maternidade, filhos e perda poderia render uma emoção à flor da alma, mais genuína e incorporada como os planos são filmados e montados, por assim dizer, menos direcionada a comover pelo aspecto comercial de emocionar e muito menos pelo aspecto religioso espírita. Certamente, Chico Xavier merecia filmes melhor produzidos, com fundo de verdade ao contar uma história. Funciona melhor como produto de TV e também panfletagem espírita, mas como Cinema, o seu desenvolvimento é muito vagoroso e abusa de trilha sonora.







3 - Assalto ao Banco Central , de Marcos Paulo



Inspirado no maior roubo ocorrido no Brasil em 2005, esse longa é uma ideia mal desenvolvida que não deu certo e que só confirma que não fazemos filmes policiais como os Americanos, exceto os tops Tropa de Elite 1 e 2, que é um caso de sucesso à parte, muito bem dirigido, montado e atuado. O roteiro de Assalto ao Banco Central é muito precário, acabou que o desenvolvimento dos planos nem deram a importancia devida de um grande roubo, pecam em dar suspense e tensão à trama, além de oferecer aos atores diálogos que não agregam nenhuma profundidade que preparam as cenas da próxima claquete, desperdiçando talentos como Lima Duarte e Giulia Gam.






2 - Cilada.Com, de José Alvarenga Jr



Cilada.com é um exemplo de produto que deve ser suportado pela TV, não pelo Cinema. Ele deveria ter ficado na TV paga, apesar que nem a TV ideal e de qualidade deveria aceitar um roteiro como o aprovado para o filme. Além de apelar para o mau gosto ao extremo com piadinhas chulas e apelações eróticas nada inteligentes, Cilada.Com é definitivamente mais um besteirol tupiniquim, que se traduz como um conjunto de cenas que reforçam a sua mediocridade como Cinema descartavel, apelativo e comercial. Funcionaria como um programa de humor que, a depender do roteiro, certamente nem os bons cinéfilos iriam assistir.









1 - As doze estrelas, de Luiz Alberto Pereira






O problema desse longa já começa no próprio trailer. Ao assistir, o cinéfilo provavelmente dirá: "De onde eles tiraram essa ideia? Que viagem!" A intenção de incluir no roteiro a Astrologia e 12 personagens, 1 para cada signo, não é de todo o mal e soa até como uma forma de pensar "diferente" e conhecer mais esse universo cósmico, mas o desenvolvimento é mal recortado e uma direção de arte tosca e de mau gosto, além de trazer a novela para dentro do Cinema que, honestamente, é uma ideia dispensável. No final, é uma viagem a 12 estrelas que o espectador não verá a hora de voltar.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Vidas Amargas (East of Eden) - 1955






Vidas amargas, clássico do talentoso cineasta Elia Kazan, um dos mestres inspiradores de Martin Scorsese, é um belo e atemporal filme que reconstrói a história bíblica de Caim e Abel, o filho rejeitado e o filho amado. Adaptado do livro East of Eden, do aclamado escritor Nobel de Literatura John Steinbeck, o roteiro carrega no seu âmgo a amargura e a inadptabilidade do filho rebelde, a ovelha negra familiar, que é ignorada pelo pai e cujos esforços para se adequar ao desejo paterno parecem em vão e nada reconhecidos. O fascinante e eterno jovem transviado, o ator James Dean, no ápice de sua meteórica carreira e prematura morte, vítima de acidente automobilístico, é o filho protagonista feito sob medida para esse catártico e maduro drama familiar, facilmente aplicável a qualquer tempo e a qualquer filho que sofre em busca de aceitação dos pais. No entanto, o filme é muito mais do que somente o drama de um filho, ele é o confronto entre a rebeldia e o tradicionalismo, entre gerações de filhos e pais, entre a negação de olhar a verdade e a revelação de obscuros segredos familiares e, por fim, a jornada de amadurecimento, redenção e perdão de um jovem que se enquadra bem mais como o filho heroi autêntico, sem máscaras e convenções, do que aquele que é brilhante em (quase) tudo.







Ambientada em Salinas, Vale na região da Califórnia, no período da 1º Guerra Mundial, Vidas Amargas conta a história do rebelde Cal Trask (James Dean) que vive com seu irmão perfeito Aaron (Richard Davalos) e seu pai Adam (Raymond Massey) em um rancho. Não tiveram a convivência com a mãe que morreu quando deu à luz aos irmãos, porém logo no inicio é sabido por Cal que Kate (Jo Van Fleet) é a mãe que está viva e os abandonou por ter uma atitude menos convencional para a época e se recusar a viver em um rancho sob as redeas de um homem tradicional e sem ambição. Adam é o homem religioso e de negócios que se empenha em produzir alface e prover uma educação rígida aos filhos. Enquanto Carl é o filho problema, a narrativa reforça o contraponto dele em Aaron, que tem o temperamento brando, diplomático, de futuro e que pretende formar família ao lado da noiva Abra (Julie Harris). Logo no início da esplêndida fita, na sequência de Overture (Abertura), o expectador vivencia o clima de suspense ao apreciar a imagem do mar, das ondas batendo nas rochas, como se aquele local fosse significativo para entender as fronteiras que separam essas vidas amargas. Mais adiante, a dramática história dos Trask não está somente na tensa relação entre Cal e Adam, mas também na verdade que está oculta com relação à Kate, a mãe rebelde, fria e imponente, cujos genes Cal herdou.











Esse é um clássico essencial na filmografia de Kazan, denso e complexo em sua verve psicológica para a época, porque afloram nele o drama na sua mais genuína veia passional, além de colocar sob o elenco a responsabilidade da verossimilhança com o cotidiano e com as emoções autodestrutivas que, enfim, também surgem como dolorosas e, depois, construtivas para evocar a valiosa humanidade intríseca aos individuos. Existem vários planos arrebatadores na película que ressaltam essa forma Elia Kazan de dirigir, ou seja, de provocar o embate ao máximo para que a catarse humana seja liberada sob fúria, violência, lágrimas, dor, sem soar como piegas e forçado. Esse olhar sob a humanidade, naturalmente dual, é tão sublime em outros filmes como Uma rua chamada pecado, Sindicato dos ladrões, clamor do sexo etc, que Vidas Amargas só vem a agregar mais valor à experiência de vida que é vivenciada com os dramas do diretor. Eles revelam as emoções que não são desejáveis revelar ou permitir sentí-las. Elas refletem como um espelho na vida do espectador, um espelho cujo reflexo é difícil de encarar porque pode ser monstruoso. É possível odiar o irmão, a mãe, o pai? É possível amá-los e odiá-los ao mesmo tempo? É possível perdoar pelo abandono? É possível liberar perdão por algo que não se aceita? Sentimentos diversos, violentos e amargos, vêm à tona e o roteiro e elenco são responsáveis por uma parte significativa da magnitude e beleza desse longa como puro Cinema, no qual também é incorporado um ingrediente de guerra que é fundamental para entender porquê Cal se esforça para ajudar o seu pai e amadurecer como homem.







O elenco é muito bem desenvolvido e muito interessante no seu espectro de personalidades que, a qualquer momento, revelam quem realmente são ou não, como um mistério que pode ser o bem e o mal, ou ambos. Tudo é ao mesmo tempo nítido e passível de ser desdobrado em camadas para entender a alma humana. Jo Van Fleet, excelente atriz nesse papel, incorpora uma mulher fisicamente apavorante com o rosto marcado por uma certa malignidade, uma solidão bem resolvida, uma maternidade que nunca existiu, uma independência sem arrependimentos. Personagens como o dela provocam sentimentos dúbios e enriquecedores para reflexão pois ela abandonou os próprios filhos e o marido em troca de uma liberdade que gritava dentro de si. Também, Raymond Massey interpreta a si mesmo em cena, um homem autoritário, tradicional, religioso que, em certas cenas, demonstra sua doçura paterna assim como sua vulnerabilidade de homem abandonado. Com Massey e Dean está uma das mais dramáticas cenas de pai e filho na história do Cinema, que só confirma o quanto ele não suportava o jovem Dean na vida real. Julie Harris, em ótima atuação, exibe uma garota sonhadora, madura e nada inocente, embora a 'casca' seja de namorada amada, de nora de boa índole, de mulher para casar, há algo suspeito na jovem que parece menina mulher, ora manipuladora, ora carinhosa amiga. Ela tem uma impetuosidade dentro de si, que é liberada a medida que flerta e se envolve com o cunhado Cal. Richard Davalos também está bem como Aaron porque é pateticamente perfeito, chegando a ser o garoto que não tem voz para nada e, portanto, passaria desapercebido na película. De todos, além de Jo Van Fleet, como uma essencial coadjuvante, o protagonista de brilho é James Dean, em atuação marcante que foi indicada ao Oscar postumamente.









Dean é a expressão da 'imperfeição perfeita' pois erra e acerta em vários níveis, como o jovem que transgride qualquer regra paterna, e ainda guarda o carisma excepcional que atrai todos à sua frágil rebeldia: chora e grita pela mãe que o expulsa como a um ladrão, rouba uma calha de trem com boa intenção, beija a namorada do irmão por estar apaixonado, negocia com a mãe para ajudar o pai, enfrenta raivosamente o irmão com a verdade. As fronteiras que separam essas vidas são fragéis, mas as emoções são fortes, intensas, principalmente as que são como um pedido de socorro de Cal. Ciúme, raiva, rejeição se misturam com a esperança da aceitação e, eis que o filme é puro fascínio, expondo que o ser humano é muito mais complexo e imperfeito do que imagina ser, que o grotesco e o macabro em cada personalidade existe, mas que há a possibilidade de encontrar esse paraíso ao leste, terra de Cains regenerados, ainda que o coração tenha turbulentas emoções e amargas cicatrizes.





Avaliação MaDameLumière







Título original: East of Eden





Origem: USA
Gênero: Drama
Direção: Elia Kazan
Roteiro: Paul Osborn
Elenco: James Dean, Raymond Massey, Jo Van Fleet, Julie Harris, Richard Davalos.

MaDame Retrospectiva : Top Documentários 2011 - Cinema Nacional



A cada ano, novos documentários chegam às telas do Cinema e conquistam pela autenticidade do registro, por explorar um pouco mais da história de pessoas comuns e famosas que constroem suas realidades nesse mundo que, por si só, é um macro documentário. Nessa categoria que vem sendo muito bem apreciada por Madame Lumière, optei por selecionar os documentários cujo registro fica no campo mais não ficcional, incluindo o de Ana Rieper (Vou rifar meu coração) que obteve mais destaque na Mostra de Cinema São Paulo, CCBB e Festival de Brasília. Coincidentemente, a música foi um personagem na maioria dos documentários escolhidos, sempre inspiradora e nostálgica. Destaco também, como menções honrosas, os diretores Sergio Borges e João Jardim, respectivamente, por dirigem híbridos de documentário e ficção, respectivamente, em O céu sobre os ombros e Amor?. Eles não entraram como documentário puro, mas já demonstram que as fronteiras entre ficção e não ficção têm rendido excelentes longas, o reconhecimento do público e da crítica e uma nova forma de fazer Cinema Brasileiro.






5 - Eu vou rifar meu coração, de Ana Rieper


Um documentário que fala do amor e das canções bregas que emplacaram as histórias passionais, afetivas, eróticas no cotidiano e imaginário dos brasileiros. Além de apresentações e testemunhos de Wando, Amado Batista, Lindomar Castilho, Agnaldo Timóteo etc, essa não-ficção diverte e emociona pois demonstra que as pessoas amam de uma forma que, pouco importa se é brega ou não, doida ou não, o importante é amar muito e não ter vergonha disso.






4 - Filhos de João, o admirável mundo novo baiano, de Henrique Dantas


Um ótimo retrato de uma época marcante na música popular Brasileira: anos 60 e 70 com o grupo musical Novos Baianos em um contexto de ditadura militar. O imensurável legado cultural está no filme com temas como o tropicalismo, o futebol, a contracultura, o estilo alternativo e comunitário dos Novos Baianos. Muito mais do que fazer música boa e autêntica, com a veia da Brasilinidade, o grupo Novos Baianos é parte da História cultural do Brasil em uma época de represssão, no qual os artistas abriam os caminhos da liberdade com paixão pela Arte.







3 - Rock Brasília: Era de Ouro, de Vladimir Carvalho



Para quem viveu a geração Legião Urbana, provavelmente se emocionará muito com esse documentário que registra uma jornada nostálgica ao rock dos anos 80. Nostalgia é uma palavra essencial para essa época, cheia de significados militantes e inspiracionais em um documentário que recupera a verve de desejos e sonhos de uma juventude única existente no país.





2 - As Canções, de Eduardo Coutinho


O documentário é fascinante. É uma verdadeira declaração de amor às canções que marcam a vida afetiva de várias pessoas, através de testemunhos intimistas, impregnados de verdade e sensibilidade e músicas entoadas por elas mesmas. O diretor Eduardo Coutinho, com seu toque de Midas, experiente e cativante, faz de As canções um documentário obrigatório a todos que gostam de uma autêntica emoção amorosa através da música e da memória.




1 - Lixo Extraordinário, de Lucy Walker


Belo documentário que tem sua força no contraste com o lixo, elemento rejeitado pela sociedade e tido como fétido e descartável, aqui ele se apresenta como um meio para a beleza artística, a qual se produzirá através dele e do trabalho do artista plástico Vic Muniz. No filme, o lixo é extraordinário e assume um valor imensurável que traz trabalho e dignidade a cidadãos humildes e um espírito de mudança de vida através da Arte e da solidariedade.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Anunciados os indicados ao Blog de Ouro 2012 - SBBC


Foram anunciados hoje os indicados à 5ª edição do Blog de Ouro, organizado pela SBBC - Sociedade Brasileira dos Blogueiros Cinéfilos. No total, 62 blogueiros associados, incluindo o Madame Lumière participaram desse grande momento de celebração da blogosfera cinéfila que selecionou o que houve de melhor no Cinema 2011.
Para o Madame, foi um prazer participar dessa votação pelo primeiro ano e ver que, nós, amantes da sétima arte, prestigiamos o cinema de excelência,com amor e senso crítico que preza pela qualidade. Parabéns a toda a SBBC pela organização e comprometimento com essa premiação.
Confira os finalistas na home page da SBBC.