sábado, 21 de maio de 2016

Especial Cannes: 10 comédias imperdíveis

MaDame Listas
Especial Festival de Cannes
por Cristiane Costa




A maioria dos filmes em competição nas edições do Festival de Cannes são dramas, entretanto, o toque inusitado da surpresa é quando os realizadores alcançam o desafio de unir o drama à comédia e surgem com excelentes  filmes que transitam entre o riso, a angústia, a tristeza e demais emoções que atravessam a via crucis dolorosa da jornada existencial mais reflexiva, intimista. Tão inerente à natureza humana, são estas situações dramáticas que arrancam gargalhadas e lágrimas, tudo junto e misturado, afinal, reconhecer que há um pouco de riso no drama é reconhecer que podemos tirar algum aprendizado de situações difíceis. Por isso, deixamos aqui esta seleção de 10 comédias imperdíveis para você rir e chorar, pensar, sonhar e delirar.

Um abraço,

MaDame Lumière 




 
Dir: Matteo Garrone . Cannes 2012.
Nominado à Palma de Ouro
Vencedor do Grande prêmio do Júri 

 "Uma celebração contemporânea da comédia Italiana com personagens comuns e do povo se entrecruzam com espírito sonhador de um homem e um reality show."
 





Dir: Guillaume Galienne . Cannes 2013.
Nominado à Câmera de Ouro e a Queer Palm
Vencedor dos prêmios C.I.C.A.E e SACD


 "Uma comédia dramática espirituosa sobre um homem que relata sua identidade e sua declaração de amor à mãe e as mulheres"




8º A ovelha Negra (Rams)
Dir:  Grímur Hákonarson. Cannes 2015. 
Vencedor Melhor Filme - Un Certain Regard

"Uma inusitada e minimalista dramédia que reúne a ambição e a possibilidade de reconciliação familiar"




7º Confissões de Schmidt (About Schmidt)
Dir: Alexander Payne. Cannes 2002. 
Nominado à Palma de Ouro

" Chegando à velhice, um homem com sentimento de fracassado inicia uma jornada cômico- dramática de reflexão existencial que vale muito mais do que ele imagina."




6º As invasões bárbaras (Les invasions Barbares)
Dir: Denys Arcand. Cannes 2003. 
Nominado à Palma de Ouro
Vencedor de melhor roteiro
Vencedor de melhor atriz para Marie- Josée Croze


"Uma comovente comédia sobre a morte e a vida, e que atravessa, com louvor, as mais belas e complexas vivências humanas como o amor, a amizade, a lealdade. "



5º Sinédoque, New York (Synecdoche, New York)
Dir: Charlie Kaufman. Cannes 2008. 
Nominado à Palma de Ouro
Nominado à Câmera de Ouro

"Entre a ficção e a realidade, o espírito criador e a criação, a depressão e a ação, a  mente de um diretor de teatro é explorada com um apelo intimista,nonsense e delirante."



4º Barton Fink - Delírios de Hollywood (Barton Fink)
Dir: Joel Coen e Ethan Coen . Cannes 1991. 
Vencedor da Palma de Ouro
Vencedor melhor diretor 
Vencedor ator (John Turturro)

"Com uma atuação crível de Turturro, Barton Fink é a mostra de que escrever um roteiro de sucesso em Hollywood em meio à uma crise criativa é uma hilariante experiência que também carrega em si uma incontrolável angústia."



3º ED Wood
Dir: Tim Burton. Cannes 1995. 
Nominado à Palma de Ouro


"A comédia dramática mais imperdível da seara Burtonesca entrega uma história metalinguística sobre Hollywood com uma performance brilhante de Johnny Depp"




2º Tudo sobre minha mãe (Todo sobre mi madre)
Dir: Pedro Almodóvar. Cannes 1999. 
Nominado à Palma de Ouro
Prêmio de Melhor Diretor
Prêmio Melhor filme pelo Júri ecumênico


"Uma comovente história com o toque de humor Almodovariano, mais trágica que cômica, que concilia encontros e desencontros, pais, mães e filhos e a revelação das identidades e das verdades."






Dir: Damián Szifron. Cannes 2014.
Nominado à Palma de Ouro


"Dizem que o ser humano é naturalmente vingativo e mesmo o mais pacífico dos mortais pode perder o controle a qualquer momento. Relatos Selvagens prova isso da forma mais insana e divertida."

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Especial Cannes: 10 Dramas com crianças e adolescentes em foco

MaDame Listas
Especial Festival de Cannes
por Cristiane Costa




"Amar as pessoas não a salvam" (Mommy)



Abordar filmes que enfocam dramas intensos e contundentes com crianças e adolescentes  está entre um dos trabalhos que mais compensam na Arte cinematográfica. Trazem em si um olhar honesto sobre essas fases iniciais da formação de um ser humano, fases que nem sempre são fáceis de lidar. Os filmes permitem que tenhamos um olhar próximo e, também, distanciado para observar como se dá essas relações no seio familiar ou fora dele, em ambientes sociais que influenciam a psicologia e comportamento das crianças e jovens, como a escola e demais entornos que enfatizam diferentes realidades econômicas, sociais e étnicas. 

Pensando na importância desta complexa reflexão, o MaDame Lumière realizou uma seleção especial com 10 dramas imperdíveis que colocam o foco em diferentes histórias de crianças e jovens e foram destaques nas edições do Festival de Cannes.  Temas de inegável relevância como bullying, delinquência juvenil, transtornos afetivos, adoção, relacionamento com pais, entre outros, fazem parte do post. 

Não são apenas temáticas contemporâneas e universais da infância e da adolescência que são produtivamente reflexivas nestes dramas, mas é a experiência de pais, filhos, educadores, amigos etc que deixamos aqui para você pensar a respeito. 

Bons filmes e um abraço,

MaDame Lumière





10º Garotas (Bande de filles)
Dir: Céline Sciamma. Cannes 2014
Nomeado ao Palm Queer

"Um jornada autêntica à periferia Francesa  e o drama vivido por meninas negras em formação de suas identidades. Entre o sonho e o violento entorno, há uma ponta de esperança de dias melhores"





O garoto da biclicleta (Le gamin au vélo)
Dir: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne. Cannes 2011
Vencedor Grande Prêmio do Júri
Nomeado à Palma de Ouro

"Sentimentos contraditórios podem surgir durante a projeção de "O garoto da bicicleta" e esta experiência cinematográfica é muito alinhada com a dolorosa e contundente realidade de crianças e jovens rejeitados. "





8º Precisamos falar sobre  Kevin 
(We need to talk about Kevin)
Dir: Lynne Ramsay. Cannes 2011
Nominado à Palma de Ouro


Um filme assustador sobre uma criança assustadora que se torna um jovem violento e perturbado e que leva à reflexão: Todas as mulheres nascem para ser mães? Todos os filhos nascem para ser filhos? Nem todos. Precisamos falar sobre isso."




7º Elefante (Elephant)
Dir: Gus Van Sant. Cannes 2003
Vencedor Melhor diretor 
Vencedor da Palma de Ouro


"Através de uma tragédia escolar, Elefante é um realista mergulho na análise do espaço e relações educacionais e seus  impactos no comportamento do adolescente."


6º De cabeça erguida (La tête haute)
Dir: Emmanuelle Bercot. Cannes 2015
Filme de Abertura do festival

"Bercot entrega uma direção segura, que ressalta o realismo de um drama sobre um deliquente juvenil em recuperação. Boa parte das cenas explora bem o aspecto físico da agressividade do jovem protagonista interpretado pelo talentoso  Rod Paradot."




5º Depois de Lúcia (Después de Lucía)
Dir: Michel Franco. Cannes 2012
Vencedor do Un Certain Regard


"Com uma direção minimalista, seca e precisa, Michel Franco mostra o tema bullying em uma história impactante que, dolorosamente, expõe a humilhação provocada por essa violência.




4º Entre os muros da escola (Entre les murs)
Dir: Laurent Cantet. Cannes 2008
Vencedor da Palma de Ouro

"Um belíssimo filme sobre o exercício transformador na educação e a diversidade étnica no espaço escolar." 




3º Quando meus pais não estão em casa (Ilo Ilo)
Dir: Anthony Chen. Cannes 2013
Vencedor da Câmera de Ouro


"Uma genuína, simples e linda história sobre a amizade além da instituição familiar e  em um contexto de decadência  da classe média asiática que, pode ser aplicada universalmente em outras realidades globais. Belíssima direção, digna da Câmera de D'Or de Cannes."




2º Mommy (Mommy)
Dir: Xavier Dolan. Cannes 2014
Vencedor do Prêmio do Júri
Nomeado à Palma de Ouro e Palm Queer

"Uma relação de uma mãe solteira com seu intenso e problemático filho demonstra que o amor está acima de qualquer desafio."



Pais e filhos (Like father, like son)
Dir: Hirokazu Koreeda. Cannes 2013
Nominado à Palma do Ouro
Vencedor do Prêmio do Júri 
Vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico

"O delicado drama aborda a troca de bebês e a controversa decisão da troca das crianças biológicas, o que impacta a vida de duas famílias. "Pais e Filhos" é singular pois o diretor toca nas emoções sem dilacerar as feridas e aumentar os sangramentos."

terça-feira, 17 de maio de 2016

Especial Cannes: O Amor e o Desejo em 15 filmes

MaDame Listas
Especial Festival de Cannes
por Cristiane Costa



Laura Dern e Nicolas Cage em "Coração Selvagem".
"O desabrochar de um amor jovem, passional, violento e erótico se transforma em um road movie dirigido por um dos mestres do Cinema Cult, David Lynch"





Amor e Desejo, duas belas palavras que  podem andar juntas ou separadas. O desejo vem com amor? O amor tem desejo? Tudo é possível! No Cinema, elas encontram variadas formas de manifestação através, em sua maioria, de dramas sedutores, passionais, violentos e contundentes. Não há limites para elas.  Entram pelos poros, seduzem os amantes, mexe com a mente e o coração, traz alegria e tristeza, gozo e dor. Esse universo narrativo é denso e complexo e, transitando entre os extremos do amor e do desejo, o público é convidado a observar suas delícias e dissabores.

O amor e o desejo sempre caminharam juntos nas competições do Festival de Cannes, por isso, grandes clássicos que abordam o amor e o desejo em toda, ou parte específica da narrativa, foram nomeados ou premiados merecidamente. São histórias que exploram as relações interpessoais, seja dentro ou fora de um casamento ou de uma relacionamento estável, com uma gama de abordagens que vão do erotismo fetichista ao drama familiar , realista e disfuncional.

Essa seleção de filmes especialmente preparada para você vai te seduzir e você vai amá-la! É o que espero!


Abraço e boa sessão!

MaDame Lumière




15º Mon Roi  (My King)
Dir: Maïwenn . Cannes 2015.
Prêmio de melhor atriz para Emmanuelle Bercot


"O que é o amor destrutivo na história de Tony? Colocar seu marido como rei da relação? Esperar um trono de paz no casamento? Gerar filhos? Ser o objeto de posse dele? Entre altos e baixos, Tony amou Georgio e ele foi seu rei."




14 º Azul é a cor mais quente (La vie d'Adèle)
Dir: Abdellatif Kechiche . Cannes 2013.
Vencedor da Palma de Ouro e prêmio FIPRESCI



"No começo era apenas o cabelo azul de Emma que atraiu o olhar de Adèle, depois, a paixão arrebatadora entre elas. Como amar é um risco e um aprendizado, essa é a sedutora (e sofredora) jornada de amadurecimento, de amor e prazer de Adèle, com uma das cenas de sexo mais  intensas entre lésbicas."



13º As canções de amor (Les Chansons d' amour)
Dir: Christophe Honoré. Cannes 2007.
Nominado à Palma de Ouro

"O encontro do Amor com o Desejo, da Música com o Cinema, da canção com o roteiro, com um filme terno e frágil sobre os encontros e desencontros do amor, a solidão, a busca de afeto e as dificuldades de expressar os sentimentos."




12º Carol(Carol)
Dir: Todd Haynes. Cannes 2015.
Prêmio de melhor atriz para Rooney Mara.
Prêmio Queer Palm

"O amor simplesmente acontece, por mais óbvia que seja essa citação. Assim foi com Carol e  Therese. Olhares e gentilezas trocadas, o desejo irresistível, uma aventura na estrada. Para amar de verdade, não é  possível olhar para trás."



11º Namorados para sempre (Blue Valentine)
Dir: Derek Cianfrance. Cannes 2010.
Nominado à Câmera de Ouro e ao prêmio "Un certain Regard"

"Entre a linha tênue do paraíso matrimonial e o desfecho da relação, reside uma verdade: casamentos têm problemas. Tem dores e delícias. Compreendê-las e aceitá-las faz parte do jogo. Tomar decisões também."




10º  Crash - estranhos prazeres (Crash)
Dir: David Cronenberg. Cannes 1996.
Nominado à Palma de Ouro
Vencedor do Prêmio Especial do Júri


"Cronenberg é mestre no Erotismo obscuro, fetichista, visceral. O desejo também é estranho e desconhecido. Sentir-se seduzido por "Crash" já é uma deliciosa preliminar. Mas, quando parar?"




9º Instinto Selvagem (Basic Instinct)
Dir: Paul Verhoeven. Cannes 1992.
Nominado à Palma de Ouro

"Instinto Selvagem é aquele clássico  atemporal  e provocativo que revela que, por trás da violenta natureza dos amantes, estão ocultos um  forte e incontrolável desejo sexual e um perigoso jogo de sedução e poder?"




8º Amantes (Two Lovers)
Dir: James Gray. Cannes 2008.
Nominado à Palma de Ouro

É possível escolher a quem amar? Se há duas ou mais possibilidades como em "Amantes", é possível escolher qual relação potencialmente funcionará melhor e apostar nela. Seguir a paixão ou um relacionamento mais convencional? Esse é o drama de  Leonard! Antes de escolher, ele precisa lidar com seus medos, dúvidas e inseguranças."



Dir:  Michael Haneke . Cannes 2001.
Nominado à Palma de Ouro
Vencedor de melhor prêmio do Júri
Prêmio de melhor ator para Benoît Magimel
Prêmio de melhor atriz para Isabelle Huppert

"O desejo sadomasoquista levado ao extremo. Huppert está em cena em estado de obscura graça. Com ela está todo o erotismo doloroso de uma mulher de desejos reprimidos que gosta de observar pornografia, mutilar as partes íntimas, provocar um homem sem finalizar o ato sexual, entre outras taras."





6º Cidade dos sonhos (Mulholland Drive)
Dir: David Lynch. Cannes 2001.
Nominado à Palma de Ouro
Vencedor Prêmio Diretor

"No meio da onírica e bizarra direção de David Lynch, o desejo entre Betty e Rita é uma realidade visualmente atrativa, narrativamente obsessiva e dolorosa."






5º  Ondas do destino (Breaking the Waves)
Dir: Lars von Trier. Cannes 1996.
Nominado à Palma de Ouro
Grande Prêmio do Júri

"De uma maneira devastadora, por trás de toda moralidade religiosa e a falha natureza humana, está uma angustiante história de amor  que ultrapassa as quatro paredes do casamento de Bess e Jan e explora o sexo extraconjugal, a angústia, a culpa e os limites de uma relação" 





4º Coração Selvagem (Wild at Heart)
Dir: David Lynch . Cannes 1990. 
Vencedor da Palma de Ouro






"Com uma mistura de fábula e realismo visceral, recheado de digressões, fotografias com cores esfumaçadas a la Lynch, cortes e montagem não lineares, a liberdade de amar com um "coração selvagem" , sem freios e sem responsabilidades é um dos atrativos desse clássico"





3º Adeus, minha concubina (Farewell  My Concubine)
Dir: Cheng Kaige . Cannes 1993.
Vencedor do Prêmio FIPRESCI
Vencedor da Palma de Ouro

"A exuberância da tradicional ópera de Pequim se une à tragédia dos amantes em um envolvente triângulo amoroso e um amor impossível. Como ocorrem em clássicas histórias de amor, quando há  a mistura de triângulo com amores não correspondidos, o trauma é devastador"




2º O Piano (The Piano)
Dir: Jane Campion . Cannes 1993.
Vencedor da Palma de Ouro
Prêmio de melhor atriz para Holly Hunter


"Em um dos mais belos e envolventes dramas do Cinema,  os desejos de Ada e George passam pelas vibrações e sedutora poesia de um piano. Como um encantador personagem, é ele que abraça, dinamiza e inebria essa incontrolável paixão"



1º Amor à flor da pele (in the mood for love)
Dir: Kar Wai Wong . Cannes 2000.
Nominado à Palma de Ouro. Vencedor do prêmio técnico
Prêmio de melhor ator para Tony Chiu Wai Leung

"Se há um filme que evoca o amor e o desejo tão à flor da pele com uma magnífica poesia virtual, esse é "Amor à flor da pele". Luz, enquadramentos, movimentos de câmera e cortes fluem de uma maneira sublime e em sintonia com as discretas emoções dos amantes. Uma obra de Arte que tudo diz sobre o desejo e o amor, mesmo em silêncio."


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Crítíca: Um brinde à vida (2014), de Jean-Jacques Zilbermann



Por Cristiane Costa, Editora e Crítica de Cinema MaDame Lumière e Especialista em Comunicação Empresarial 


Na filmografia sobre Segunda Guerra Mundial, especificamente a que retrata as crueldades do Holocausto, muitos diretores optam por enfocar o drama pós Auschwitz de forma dramática, dolorosa, traumatizante. O diretor Francês Jean-Jacques Zilberman decidiu realizar uma homenagem à vida que emana da sobrevivência pós Nazismo e, inspirado pelas memórias de sua mãe e amigas, em "Um brinde à vida" (À la vie), ele realiza uma história solar e afetiva baseada no reencontro, amizade e segunda chance.





Protagonizado por uma das atrizes francesas mais requisitas em comédias dramáticas, Julie Depardieu, o filme também traz Suzanne Clément, conhecida por sua recorrente parceria com o cineasta Xavier Dolan em  "Laurence always", "Mommy" e "Eu matei minha mãe" e Johannna Ter Steege (de "The Vanishing"). Ambientado em uma praia de Berck, no Norte da França, em 1960, as amigas Helen (Depardieu), Rose (Clémment) e Lili (Ter Steege) foram prisioneiras em Auschwitz e, após anos de distanciamento, se reencontram para um final de semana juntas. 





Diferente de reencontros que ressaltam as mazelas ocorridas no passado e trazem dor e sofrimento, "Um brinde à vida" recupera pouquíssimas lembranças dos dramas de guerra das amigas. As tristes memórias são diluídas discretamente nas cenas. A intenção não é remover a cicatriz do Holocausto, mas transformar uma memória destrutiva em vivências construtivas como tomar um sorvete com as amigas, preparar uma refeição, flertar na praia, entre outros.  Permanecer em um campo de extermínio roubou-lhes parte significativa da juventude, portanto, é nítido perceber que o desenvolvimento dos personagens é delicado, contido nas emoções, levemente apontando para um  deslocamento natural que emula variados sentimentos que estão silenciados em suas almas abusadas pela guerra. 




Com esse trio de atrizes, experientes, elegantes e alto astral, o longa tem um humor ensolarado, alternando para a discrição das personagens que não vivenciam aventuras extraordinárias, apenas seguem o rumo de um reencontro de amigas que nem a guerra, nem a tortura, nem a morte foram capazes de separar.  O passado não pode ser modificado, mas o presente pode ser melhor vivido, essa é a dinâmica que importa aqui.  Julie Depardieu herdou do pai, Gerard Depardieu, o humor tímido e carismático e domina a cena, no mais, Suzanne Clémment, excelente atriz, ressalta seu estilo mais escancarado de falar, de sentir, de amar e de viver em cena.  Não à toa que é uma das atrizes fetiche do intenso Xavier Dolan.





Como é um filme baseado em memórias pessoais do diretor, a própria limitação do roteiro deve ser encarada como decisão mais emotiva e de caráter biográfico do que profissional.  Diante de um roteiro linear que optou por um recorte menor e convencional, sem climáticos momentos e nem arcos dramáticos bem construídos, a narrativa pena exatamente por não ter um clímax. Em sua virtude maior, ela é construída como uma homenagem e como uma memória afetiva de que, apesar de toda a crueldade de uma guerra, é possível recomeçar a vida, voltar a experimentar os prazeres da amizade, do amor, da aventura. Brindar à vida é também reconhecer a vida que existe nos outros.



Ficha técnica do Imdb Um brinde à vida
Distribuição Imovision
Data de estreia no Brasil: 12 de Maio de 2016