quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Creed: Nascido para lutar (Creed - 2015), de Ryan Coogler




Por Cristiane Costa, Owner, Editora e Crítica de Cinema MaDame Lumière e Especialista em Comunicação Empresarial 




Através de lançamentos como MAD Max Estrada da Fúria e Star Wars : o despertar da força, ficou mais nítido que os realizadores têm investido em um elemento bastante afetivo  no Cinema: a nostalgia. Resgatar aspectos nostálgicos de filmes anteriores têm sido eficiente para conectar o público com histórias e personagens marcantes, como por exemplo, rever o diretor George Miller em ação e boa forma em um dos filmes mais eletrizantes de 2015, trabalho que lhe garantiu 11 indicações ao Oscar 2016 inclusive de melhor diretor e melhor ator, assim como ter o privilégio de rever Harrison Ford, Carrie Fisher e Mark Hamill revivendo seus personagens icônicos na poderosa e atemporal franquia de George Lucas. Com Creed: Nascido para lutar não é diferente. Sob a direção de Ryan Coogler, o emblemático personagem Rocky Balboa ( Sylvester Stallone) retorna à cena, agora como treinador de Adonis Johnson (Michael B. Jordan),  filho de Apollo Creed (Carl Weathers, no filme "Rocky: um lutador" de 1976).







Um dos destaques das estreias de Janeiro nos cinemas Brasileiros, o filme é resultado de uma grande e excelente sacada dos produtores: retomar a simplicidade e o poder de emocionar de "Rocky: um lutador", porém com outros personagens e contexto, entrelaçando o presente e o passado desta comovente história. Quem ganha são o público que acompanhou a trajetória de Rocky e poderá ver Sylvester Stallone em excelente atuação, mas também, a jovem geração que está aprendendo mais sobre Cinema e que tomará contato com estrelas emergentes como Michael B. Jordan e o quão inesquecível é rever Rocky em ação.







Com uma história contemporânea que envolve confiança, determinação, superação e perdão, o roteiro reproduz uma agradável momento do legendário Rocky , agora com uma missão diferente: ser um "coach". E logo de quem? Do filho de um dos lutadores que mais o desafiaram no ringue. Realmente o mundo dá muitas voltas, inclusive no Cinema. O filme surpreende mesmo pela presença de Sylvester Stallone, merecidamente  vencedor do Globo de Ouro 2016 de melhor ator coadjuvante por este papel e indicado ao Oscar 2016 na mesma categoria. O ator e o seu jeitinho de velho amigo comove exatamente por recuperar este personagem tão querido na história do Cinema. Um homem comum, simples, sincero e bem humorado, um lutador que teve músculos fortes e força física durante anos e anos ,mas também é vulnerável, se sente sozinho e com saudades da falecida esposa, um vencedor  que foi um grande ícone do boxe mas não usa este fato para obter privilégios egoístas ou usar sua glória passada como exibicionismo. Rocky é umas das figuras mais legais do Cinema e, graças ao carisma de Stallone, ele se torna mais especial e autêntico.








De forma muito bem acertada, a narrativa reconfigura o protagonista lutador (Jordan) com problemáticas semelhantes a ocorridas quando Rocky Balboa começou a carreira. Adonis Johnson é um jovem que gosta de lutar, decide viver na  Philadelphia para ser treinado pelo campeão e precisa acreditar em si mesmo. Assim como o experiente lutador, ele não tem muitos amigos ou referências masculinas e ter Rocky como um treinador é apenas parte da bela jornada. Rocky será um novo amigo e uma figura paterna.



O elemento do romance não é deixado de lado e o coração do lutador tem uma garota. Adonis conhece  Bianca (Tessa Thompson) assim como Rocky conheceu Adrian (Talia Shire) e a ideia não é ver fogos de artíficio no relacionamento, mas o desabrochar de um amor jovem. No geral, uma infância pobre e com a ausência do pai Apollo é parte importante da história de Adonis com a qual ele tem que lidar, assim como perseverar no boxe , ter seu brilho próprio e alcançar reconhecimento como lutador é o objetivo. O maior desafio está fora do ringue , mais na mente do que nos pulsos e nas mãos, mais no amadurecimento pessoal: saber tirar a força que vem do sangue lutador dos Creeds, mas sem viver à sombra da imagem e reputação do falecido pai. Neste ponto, Michael B. Jordan realiza um bom e equilibrado trabalho  entre a sua preparação e vigor físico e a ligeira inexperiência do personagem.








O longa tem um ótimo trabalho de direção, com destaque para a fotografia de Maryse Alberti  (De "O lutador", de Darren Aronofsky) que agregou bastante valor aos enquadramentos e estabeleceu frescor visual em cena. Diferente de Nocaute ( "Southpaw", de Antoine Fuqua) que não soube explorar muito bem a mise en scène do ringue, as virtudes técnicas de roteiro, montagem, direção de atores e fotografia colocam "Creed" em um patamar mais elevando de qualidade cinematográfica para um filme desportivo, principalmente nas cenas de luta  e os diferentes enquadramentos bem executados com forte realismo e emoção. Além disso, sob o ponto de vista do valor e impacto da fotografia para a construção da narrativa, ela é bem explorada em cenas chave como Michael B Jordan nas ruas do bairro ou durante seus treinos com Rocky, desta forma, o longa conquista por uma boa escolha das cenas, locações, cortes e trilha sonora, criando uma conexão afetiva crescente com os personagens e um excelente entretenimento. No final da sessão, o desejo cinéfilo é bem previsível: assistir de novo a "Creed" ou todos os filmes anteriores de Rocky, em especial, o saudoso "Rocky: um lutador".








Ficha técnica do filme Imdb  Creed
Distribuição: Warner Bros Pictures
Estreia no Brasil: 14 de Janeiro de 2016


domingo, 10 de janeiro de 2016

MaDame Retrospectiva : To 20 melhores filmes - 2015


MaDame Retrospectiva 
por Cristiane Costa


20. A lição (Urok) 
 [Dir: Kristina Grozeva e Petar Valchanov]

"Nunca diga: Desta água não beberei! Quando você menos espera, você ultrapassa seus limites morais e é testado."



19. Sabor da Vida (An) 
 [Dir: Naomi Kawase]

" A vida é bela e merece contínuas degustações, mas  uma constatação é clara: seu sabor também é amargo quando existe abandono, preconceito e intolerância."



18. Ponte dos espiões (Bridge of Spies) 
 [Dir: Steven Spielberg]

" Você pode escolher um caminho e uma jornada, por justiça ou por acreditar que alguém é inocente e merece uma segunda chance. Poucos homens são nobres com outros, entretanto, ainda encontraremos heróis."



17. Divertidamente (Inside out) 
 [Dir: Pete Docter , Ronnie del Carmen]

"A natureza humana é assim mesmo: louca, contraditória, alegre, triste, agressiva. Ainda assim, é possível se aceitar, ser feliz e conviver melhor com os variados humores."



16. O Clube  (El Club) 
 [Dir: Pablo Larraín]

"Se os pecados realmente existem, eles nunca serão pagos por determinada fé ou religião. A consciência é algo que o outro não pode mudar em uma pessoa."



15. Perdido em Marte (The Martin) 
 [Dir: Ridley Scott]

" Se tiver água em Marte, podemos viver por lá e não faltarão batatas. Vai ser  mais divertido do que na Terra, com certeza!"



14. O ano mais violento (The most Violent year) 
 [Dir: J.C Chandor]

"Por mais que alguém queira fazer as coisas certas, a ambição é um caminho sem volta, com alguns obstáculos difíceis, escolhas contundentes e uma dose de violência."



13. Dois dias, uma noite (Deux Jours, une nuit) 
 [Dir: Jean-Pierre Dardenne , Luc Dardenne]

" Já imaginou tendo que pedir uma ajuda ao seu colega de escritório, sendo que ele será prejudicado em algum aspecto se ele te ajudar? Não lhe peça!  Assistir a este filme antes já é suficiente para você desistir da ideia."



12. Leviatã (Leviafan) 
  [Dir: Andrey Zvyagintsev ]

" O mundo é corrupto e se você não tomar cuidado, ele te suga até o fundo do poço. Não é preciso ir à Rússia para notar que esta é uma história universal capaz de jogar qualquer homem comum em uma espiral destrutiva."



11. O clã (El Clan) 
  [Dir: Pablo Trapero ]

" O sistema ajuda a criar seus próprios monstros e ditadores que estão disfarçados de disciplina, moral e bons costumes. É a tradicional família universal, seja na Argentina, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo."



10. 45 anos ( 45 years) 
  [Dir: Andrew Haigh ]

"manter um casamento há anos é também abrir mão de certos dramas quando segredos  conjugais são revelados. O sofrimento existe e amar também é perdoar, tolerar, superar."



9.  De cabeça erguida (La tetê haute) 
  [Dir: Emmanuelle Bercot ]


"Existe esperança para os jovens deliquentes? Pelo menos, no Cinema Francês.



8.  Timbuktu ( Timbuktu) 
 [Dir: Abderrahmane Sissako ]

"O inferno não é bem aqui, há lugares piores onde a intolerância e o extremismo religioso não vêm sozinhos, eles são como uma prisão a populações de inocentes."



7.  Whiplash : Em busca da perfeição (Whiplash)
 [Dir: Damien Chazelle ]

"Quem nunca teve um professor carrasco, seja de música, de dança , de teatro etc  e se viu dividido entre a paixão pelas Artes e o  desejo de esganá-lo? 
É por aí! Mas no final , todos se entendem e a emoção da Arte é o que fez valer a pena."



6 .  Birdman  (ou a inesperada virtude da ignorância) 
  [Dir: Alejandro Iñarritú ]

"Não dá para ser bem sucedido para sempre. Não existem super heróis no cotidiano , apenas homens que vivem os devidos ciclos da vida, no sucesso e no fracasso, na solidão, com colegas ou família."



5.  Quando meus pais não estão em casa (Ilo Ilo) 
 [Dir: Anthony Chen ]

"Amadurecer é perceber que há coisas no dia a dia que não funcionam como queremos e não mudam de uma hora para outra. Lidar com a falta de dinheiro, de tempo e de afeto faz parte das famílias modernas em um mundo onde cada vez mais as pessoas se sentem solitárias e com contas a pagar."



4.  Norte - o fim da história (North - hangganan ng kasaysayan 
[Dir: Lav Diaz]

" A violência está nos mínimos detalhes e, assim, ela continuamente machuca e adoece a sociedade."



3.  Sono de inverno (Winter sleep/ Kis Uykusu)
  [Dir: Nuri Bilge Ceylan]


" Entre o silêncio e os desabafos, existe muita tormenta interior e conflitos de relacionamentos. Quando  eles explodem, são um soco na alma."



2.  Star Wars: O despertar da força ( Star Wars: The force awakens 
 [Dir: J. J Abrams]


"Existe uma força maior que foi despertada em Star Wars:  a combinação de memórias cinematográficas, lealdade à história e a comovente emoção da nostalgia."



1. Mad Max: Estrada da Fúria ( Mad Max : The fury road) 
 [Dir: George Miller]

"Testemunhamos! É possível fazer um filme  ação com paixão, profissionalismo e criatividade e agregar a ele a especial fusão da tradição Mad Max , com a modernidade cinematográfica e a atemporalidade de uma história universal de sobrevivência."



sábado, 9 de janeiro de 2016

MaDame Retrospectiva: Top 20 - melhor diretor - 2015

MaDame Retrospectiva 
por Cristiane Costa




Emmanuelle Bercot dirigindo o  jovem ator 
Rod Paradot em "De cabeça erguida (la tetê haute)"


Dirigir filmes é uma Arte e é um dos aspectos mais relevantes na avaliação dos longas no MaDame Lumière. Muito mais do que escolhas técnicas, dirigir é como dançar uma valsa e conseguir fazer a diferença mesmo em uma dança que pareça mais do mesmo. 

Assim, uma das listas mais bacanas e desafiadoras para esta Retrospectiva foi avaliar quem combinou vários elementos na construção da narrativa, com estilo, um olhar atento, uma orquestração segura  ou que trouxe algum diferencial ao filme no processo de decupagem, direção de atores, gênero e cortes finais, fazendo a diferença no bom resultado.

Para esta lista, prioriza-se bastante diretores que não dependam apenas de efeitos visuais como muleta. São levados em consideração direções mais realistas, independentes, vigorosas, entretanto, diretores de grandes filmes comerciais entregaram ótimas produções sem deixar cair  a qualidade e importância da direção. 

O mais importante é que o cineasta tenha tido uma visão bem articulada na intencionalidade da direção e decisões e ações equilibradas para compor o longa e finalizar o processo criativo, principalmente levando em conta a proposta do argumento,  a história como um todo.

Vale lembrar que para esta seleção foram considerados apenas filmes lançados oficialmente no Brasil em 2015, seja nos cinemas ou Netflix.

Esperamos que curtam e prestigiem os diretores e seus filmes!




20. Tommy Lee Jones
Dívida de honra

"No seu segundo longa-metragem, Lee Jones se revela um bom diretor com forte potencial para dramas que misturam uma pegada western contemporânea. Soube trabalhar a fotografia de uma forma belíssima e a direção de atores de um elenco bastante feminino. A solidão, a loucura, o desespero, a morte , a rejeição , entre outros, estão todos no filme e, com esta direção consciente e segura, a jornada corajosa de três mulheres transforma-se em uma emocionante experiência cinematográfica para o público que aprecia a combinação destes gêneros."




19. Naomi Kawase
Sabor da vida

"o filme tem a beleza da natureza humana em toda a sua perfeição e sua imperfeição. Resulta em uma narrativa na qual a cineasta explora os aspectos sensoriais das diferentes estações do ano das cerejeiras, do cuidadoso preparo do Dorayaki como um ritual cultural da gastronomia Japonesa, das emoções genuínas que são expressas através da vontade de viver, do talento e da experiência. Sem dúvidas, Kawase é uma das mais talentosas diretoras do cinema atual."



18. Alice Rohrwacher

"Vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes, As maravilhas é o segundo longa de ficção de Alice Rohrwacher em uma colaboração com produtores da Itália, Suiça e  Alemanha e resgata a tradição das famílias de fazendeiros locais da Itália e a cultura Etrusca. A narrativa tem uma mistura de fábula com realismo, assim, a jovem diretora realiza uma belo e comovente trabalho no qual dosa bem a tradição italiana de uma família de apicultores com a modernidade que lhes chega à casa e nos seus sonhos. Desta forma, ela é mais uma talentosa mulher na direção para novas produções!"




17. Jacques Audiard


"Em Deephan, temos Audiard sendo Audiard. Mesmo que o filme tenha sido vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2015, não é a a melhor direção de sua carreira. Ainda assim,  "Deephan" é um bom e impactante longa porque resgata questões recorrentes da direção dele , principalmente a construção imagética realista que adentra o dia a dia dos personagens, mais pesada e violenta e menos estilizada, além de abordar o drama da imigração ilegal, preconceito, violência no subúrbio francês e a posição periférica e estrangeira de vários imigrantes na sociedade europeia atual."



16. Céline Sciamma
Garotas

"Céline Sciamma é uma das melhores diretoras do mundo, tanto nas escolhas de projetos que realiza, voltados aos dramas da juventude/ adolescência, como também por ser uma excelente diretora de atores jovens, que compreende de uma forma sensível seus dramas e consegue projetar isso em um Cinema contemporâneo, realista, universal e que leva à compreensão destes dramas, Em "Garotas", ela explora bem o drama de Marienne e o ciclo de amadurecimento da adolescente, além de retratar o dia a dia de jovens negras na periferia."



15. Dennis Villeneuve
Sicario: Terra de ninguém

" O roteiro de Sicario não é tão bom como o de "Incêndios", sua obra prima, mas este ainda é um filme de Villeneuve na essência.  Com forte marca de estilo na direção  de dramas violentos , misturados ou não ao suspense criminal,  nesse filme o cineasta adentra o universo do tráfico de drogas e dos "hit-men", cria uma tensão forte e constantemente climática em um ambiente pesado e inseguro, dirige personagens obscuros e atiradores que, não necessariamente, sabem onde estão pisando. O resultado é um thriller de primeiro nível com um toque de vingança." 



14. Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
Dois dias, uma noite

"Como sempre, os Dardenne sabem articular um argumento e uma direção muito realista, dramática e comovente sem cair na caricatura ou no exagero sentimental. Todo o roteiro se desenrola de uma maneira natural à medida que Sandra, a protagonista, praticamente bate de porta em porta para influenciar os colegas a uma votação que decidirá o que acontecerá com seu emprego."



13. Cary Joji Fukunaga
Bests of no nation

"Depois da incrível primeira temporada da série "True Detective", Cary Fukunaga deixou mais claro que  já era um talento na direção com background na TV e no Cinema mais independente ("Sin nombre"). Seu lançamento em parceria com a Netflix, "Beasts of no nation", entrega uma direção que não teve medo de de se arriscar em um drama de guerra, com atores mirins, história contudente e um ditador sanguinário.  Além de escolhas precisas na decupagem, ele demonstrou ser um bom diretor de atores."





12. J. C. Chandor
O ano mais violento

"Chandor é um ótimo diretor e roteirista de dramas  mesclados ao suspense e ao crime. Com uma construção imagética refinada, inteligente,  envolvente e que valoriza muito a direção de atores  e o constante clima de thriller, neste filme, ele explora muito bem a mise en scène e como o discurso dos personagens está alinhado às boas escolhas visuais do ambiente, principalmente as de maior impacto."



11.  Steven Spielberg
Ponte dos espiões


"Spielberg é uma escola de direção de Cinema. Mantém seu estilo único  para narrar histórias que misturam o drama, um toque de bom humor, suspense, aventura e muitas emoções. É um exímio contador de histórias que sabe o que faz! Aqui, ele usa técnicas clássicas do cinema Americano que o consagraram, realizando uma decupagem que preza por belos enquadramentos dos atores no plano a plano e domínio fotográfico, além de trabalhar muito bem com seu eterno pupilo, o excelente Tom Hanks, em mais uma jornada do herói."




10.  Ridley Scott
Perdido em Marte

"Depois do mico cinematográfico chamado " Exôdo : Deuses e Reis", o bom e velho Ridley Scott , do jeito que gostamos, está de volta com um blockbuster muito bem construído entre o sci fi, o drama, a aventura e a comédia. É um filme tão bem dirigido que, mesmo com o uso de efeitos visuais tão essenciais para uma ficção científica, dá para perceber como Scott influencia o processo criativo, desde a montagem até a direção de atores, sem perder o bom humor." 





9. Pablo Larraín
O Clube

" o diferencial de Larraín é a direção e como ele executa o roteiro de uma maneira misteriosa e em crescente clima de tensão, suspense e desconfiança. Todos os aspectos técnicos como fotografia, som, montagem e atuações caminham para uma contínua revelação de um ambiente isolado e secreto, de pessoas inquietas e silenciadas pelos erros passados e que não são confiáveis."



8. Emmanuelle Bercot
De cabeça erguida

"Bercot entrega uma direção segura, que ressalta o realismo de um drama sobre um deliquente juvenil em recuperação. Boa parte das cenas explora bem o aspecto físico da agressividade do jovem protagonista interpretado pelo talentoso  Rod Paradot. Com isso, ela também se destaca na direção de atores."




7. Cesar Acevedo
A terra e a sombra

"Vencedor do Camera D'or do Festival de Cannes, prêmio que reconhece direções diferenciadas que trazem  uma excepcional técnica na construção da narrativa, Acevedo realiza um bem orquestrado trabalho entre a direção, fotografia e montagem. Seu filme é um drama realista, cru, espontâneo, mas também existe um tom solene nas escolhas do diretor durante todo o processo de decupagem."





6. Lav Diaz
Norte - o fim da história

"Um filme longo e para poucos realizadores; apenas para aqueles que efetivamente conseguem trabalhar com extensa duração em um drama bem doloroso que, na maioria das vezes, a emoção é demonstrada de forma contida, sutil. Lav Diaz é um excelente arquiteto imagético e , aqui, divide a narrativa em três diferentes fragmentos,  realiza um preciso e rigoroso trabalho de construção narrativa com um manejo minimalista na condução dos movimentos de câmera. Tudo em longos e marcantes 250 minutos."



5. Pablo Trapero
O clã

"a orquestração plano a plano do cineasta está no topo das virtudes do longa, muito bem apoiada pela fotografia de Julián Apezteguia. É uma direção bem articulada entre a intenção do diretor sob a perspectiva dramática, emocional, mas também, ele explora a mise en scène com movimentação de câmera e enquadramentos diferenciados e que fogem do lugar comum."



4. Abderrahmane Sissako
Timbuktu

"uma realidade cruel e conflituosa em uma região de jihadistas que não medem limites para subjugar os habitantes locais, com destaque para a fluidez narrativa, o lúcido olhar do diretor para explorar emoções e técnica da cinematografia. Sissako também entregou uma boa direção de atores, considerando a diversidade linguística do filme e o uso de boa parte de atores não profissionais."





3. Anthony Chen
Quando meus pais não estão em casa

"uma direção sensível e realista como o bom Cinema asiático, a diferença é que Chen mostrou o cotidiano de uma família de classe média em dificuldades financeiras, explorando várias possibilidades de movimentação de câmera e enquadramentos de uma forma muito natural na qual apenas com o poder da imagem já é possível conectar-se com profundas emoções."




2. Alejandro González Iñárritu
Birdman ou a inesperada virtude da ignorância

"Iñarritu  tem se destacado como um dos melhores realizadores dos últimos dois anos. Além de "O regresso", que chega aos cinemas Brasileiros em 2016, Birdman foi uma das direções mais dinâmicas e vigorosas de 2015 graças à parceria do cineasta com um dos melhores diretores de fotografia do mundo, Emmanuel Lubezki."



1.  George Miller
Mad Max: a estrada da fúria

"o filme é uma apoteose de fantásticos efeitos visuais, entretanto,  talento, energia, ousadia e renovação de Miller combinados com uma excelente visão do processo narrativo para um filme de ação contemporâneo o colocaram como um dos melhores diretores do ano, recentemente indicado ao Globo de Ouro 2016."

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

MaDame Retrospectiva: Top 10 - melhores filmes Brasileiros - 2015

MaDame Retrospectiva 
por Cristiane Costa



O MaDame Lumière, com uma proposta cada vez mais multicultural e humanista para falar sobre Cinema, continuamente homenageia as melhores produções do Cinema Brasil. Em 2015, participamos do Festival É tudo Verdade, no qual conhecemos documentários novos como "Sou Carlos Imperial", além de prestigiar  filmes  Brasileiros na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, como foi o caso de "Boi Neon". Ambos a serem lançados este ano.

A grande novidade desta seleção é uma boa notícia: na opinião MaDame, o melhor filme Brasileiro lançado em 2015 nos Cinemas não foi um longa de ficção, foi um documentário, o que mostra que esta é uma seara que o Cinema Nacional pode explorar cada vez mais.

Com uma lista diversificada, este top 10 é uma celebração simbólica e agradecimento a todos os produtores, diretores e equipes , distribuidores  que têm se empenhado para um Cinema Brasileiro mais independente e reconhecido internacionalmente.



10. Os últimos cangaceiros  (Dir: Wolney Oliveira) 


"Memórias de um Sertão de quem conviveu ao lado de Lampião e Maria Bonita, memórias de um Brasil emoldurado pela beleza da história Nordestina."



9. Califórnia (Dir: Marina Person) 

" Juventude, música e ritos de passagens de quem viveu os anos 80 quando jovem e sente saudades."




8.  Olmo e a gaivota (Dir: Petra Costa e Lea Glob) 

"Uma mulher grávida, distante da carreira de atriz e muitos sentimentos  e desabafos. Mais um belo mergulho na alma feminina feito com poesia e delicadeza. "



7. O último cine drive-in (Dir: Iberê Carvalho) 

"Bem vindo ao nosso último e verdadeiro cine drive-in em Brasília, que mobilizou pessoas e emociona com uma linda história sobre família, recomeços e Cinema."



6.  Últimas conversas (Dir: Eduardo Coutinho) 

"Coutinho não partiu. Ele vive através das pessoas que ele entrevistou. Últimas conversas  tem momentos tristes e engraçados com os quais o público se conectará facilmente. É autêntico como a juventude Brasileira e como Coutinho sempre será lembrado."



5. Branco sai, preto fica ( Dir: Adirley Queirós) 

" Entre a ficção e a realidade, entre uma cidade com grades e a liberdade do Cinema, o filme ocupa seu espaço e sua voz para falar da cruel realidade brasileira sobre exclusão, preconceito e diferenças sociais."



4. Casa Grande ( Dir: Fellipe Barbosa) 

" A classe média quer manter as aparências  e não quer perder privilégios, a sociedade Brasileira mantém o ranço de estruturas de casa grande e senzala em pleno século XXI, o filme é uma dramédia que fala tudo isso com ótimo senso de humor."



3. A história da eternidade (Dir: Camilo Cavalcante) 

"Uma poesia visual absoluta que atravessa as fronteiras entre tempo e espaço, envolve o público em um lugar que se faz eterno e verdadeiras histórias de mulheres que convivem com o amor, o desejo, a solidão."



2. Que horas ela volta (Dir: Anna Muylaert) 

"Um filme que destrói velhas estruturas de opressão e submissão, reconstrói novas esperanças aos que lutam por dias melhores e provoca uma bela reflexão sobre nosso lugar no espaço social Brasileiro."




1. Cássia  (Dir: Paulo Henrique Fontenelle)  

"Rock, nostalgia, provocação, arte, liberdade e muitas histórias marcantes. Cássia passou como um furacão e deixou saudades.  Um filme que valorizou a saudosa cantora de forma digna e à altura de seu valor."


*Para a elaboração desta lista, foram considerados apenas filmes lançados no Brasil em 2015 e um top 10 geral, independente se é longa de ficção ou documentário.