domingo, 30 de outubro de 2011

Mostra 2011: A Ilusão Cômica (L'Illusion Comique) - 2010



Após ganhar o prêmio de melhor Diretor no Festival de Cannes em 2010 por Tournée, Mathieu Amalric retorna à direção com o seu segundo longa, A Ilusão Cômica, baseada na homônima obra clássica (1635) de Pierre Corneille, que conta a história de um pai, (Prindamante, o ator Alain Lenglet) que procura seu filho desaparecido (Clindor) com o qual tem uma relação distante. Para encontrá-lo, contrata um mágico (Alcandro), que com sua bola de cristal acompanha a tragicômica vida do jovem. A aventura metalinguística de Amalric em unir o teatro e o Cinema cria um resultado bem interessante, que causa um inevitável estranhamento do espectador com a narrativa milimetricamente rimada em Alexandrinos em pleno cenário de uma Paris contemporêa, assim como provoca substancialmente o ilusionismo cinematográfico, levando o público a pensar se aquilo que se vê está realmente acontecendo. Para lançar luz à magia narrativa feita por Amalric, o mago Alcandro, intepretado por Hervé Pierre, um porteiro metido à detetive que usa as câmeras de uma sala de segurança como bola de cristal, lança a seguinte frase: "Acredite somente no que você vê".





Financiado pela Comédie Française em uma iniciativa que adapta peças da comédia do repertório teatral Francês para o audiovisual, primeiramente, a obra foi feita para a TV, por isso mantém uma identidade com esta plataforma como uma série televisiva. Visualmente, seja pela agilidade do registro, seja pelo suporte da TV, é fácil imaginar a película na TV5 Monde, contudo, o que se sobressaí nesta produção é que ela ainda é um bom e surpreendente filme dadas as condições rígidas de se manter a fidelidade ao texto de Corneille e o estranhamento de se acompanhar um filme cujo texto é teatral, com atores pronunciando rimas em clima solene como se estivessem no período Renascentista.




Ainda que a narrativa pareça confusa, de difícil assimilação como um jogo de espelhos movido por tramas de paixão, ciúmes, traição e assassinato, Amalric demonstra que tem controle sob a direção e muito talento por conseguir rodá-lo em 12 dias, prazo imposto pelo programa. Realizou um filme dinâmico, com ritmo que mantém a curiosidade do público como uma brincadeira de um ilusionista com a plateia, como um convite ao voyeurismo realizado pelas câmeras de segurança. Por outro lado, o filme ainda se prende muito ao texto de Corneille como se fosse um teatro em 35 mm, o que limitou explorar melhor outros recursos narrativos e linguísticos na adaptação e até mesmo o trabalho com os atores que tinham que decorar um texto original e proclamá-lo independente de suas demais reações intepretativas ao fazer Cinema. Felizmente, o elenco que faz parte do triângulo amoroso principal é jovem, bonito e tem intimidade com o texto teatral, o que desperta interesse em apreciá-los não só pelo romance e sedução da obra como pela disciplinada atuação pautada em uma experiência prévia com o teatro. Uma parte são atores provenientes da Sociedade de Comédia Francesa, e os protagonistas deste trio convencem: Loïc Corbery é Clindor, o filho procurado pelo pai, Suliane Brahim é Isabelle, sua amada rica, Lyse (Julie Sicard), a amante rejeitada.




Muito mais do que uma obra na qual o pai tenta se aproximar do filho e saber o que se passa com ele com a ajuda de um mágico, A Ilusão Cômica é um filme que faz refletir sobre como o Cinema cria uma ilusão que facilmente o expectador aceita, compra a ideia, mesmo que o que se vê lhe seja claramente uma ilusão, um espetáculo mágico, uma estranha imitação. A todo o momento de projeção, o que se vê é mais um teatro cinematográfico, do que um Cinema que usa o teatro como inspiração e o espectador tem como desafio unir estas duas Artes, entre o registro imagético contemporâneo de Amalric e um texto de séculos atrás. Verdadeiramente, a sensação é a de que aquilo é um anacrônico faz de conta Cornelliano pelos corredores do Hotel do Louvre que está ali para um entretenimento voyeurista ou, no mínimo, que os atores enlouqueceram e decidiram recitar religiosamente Corneille. Isto não torna a obra de Amalric menor, pelo contrário, o filme tem uma dose cômica pelo próprio estranhamento do texto com o registro, tem frescor com uma pegada moderna e elegante e um final surpreendente que só reforça a ilusão criada na mente do público. O longa confirma que Amalric é um inventivo diretor, aberto a novas ideias que aproximam as fronteiras entre as distintas linguagens.

Avaliação MaDame na Mostra

4 estrelas

Mostra 2011: O Trovador Kerib (Ashugi Qaribi) - 1988


A Retrospectiva da Mostra de SP é uma adorável caixinha de surpresas que após ser aberta provoca diferentes emoções. Existem aqueles sentimentos de contentamento e gratidão ao descobrir ou se aprofundar na obra de um cineasta que pouco se viu ou pouco se tinha acesso. Para casos como estes, a Mostra se torna uma amiga e uma aliada para que as pessoas conheçam mais sobre Cinema e desenvolvam mais repertório de distintas cinematografias. Há também os sentimentos de insatisfação quando um filme não correspondeu às expectativas. Por outro lado e, geralmente, a Retrospectiva é uma programação essencial para o tom festivo de um evento deste porte porque ela tem em sua inerente beleza o poder de despertar aqueles sentimentos de celebração e nostalgia ao assistir novamente a obra de um grande cineasta. Para a alegria de cinéfilos e potenciais novos cinéfilos, a 35ª edição da Mostra realiza as retrospectivas de Sergei Paradjanov, diretor Georgiano com origem Armênia, conhecido por obras como A lenda da fortaleza Suram, A cor da Romã e O Trovador Kerib, e também Elia Kazan, o mestre de clássicos como Vidas Amargas, Clamor do Sexo, Uma Rua chamada Pecado e Sindicato dos Ladrões.




Em O Trovador Kerib, um dos seus últimos trabalhos antes de sua morte em 1990, vítima de câncer, Paradjanov tem um trabalho de temática simples: O Amor; porém bem peculiar em sua beleza plástica, com forte característica folclórica oriental ao filmar as imagens do legado lendário e popular de origem secular Turca. Na história de temática amorosa, Achik-Kerib (Youri Mgoyan) é um jovem e pobre músico que canta em casamentos e toca a saaza (balalaica Turca). Ele se apaixona pela filha de um rico comerciante que proíbe a união do casal. Com profunda tristeza e disposto a ganhar dinheiro, Kerib parte para exílio e é dado como morto. A jornada do trovador dura 7 anos e é mágica, com altos e baixos e uma atmosfera de fábula na qual a música, a dança, o amor e a morte são matérias-prima essenciais para criar esse fantástico mundo Paradjanoviano. A sua jornada de solidão e sofrimento é encerrada com o néctar da possibilidade de ser feliz ao lado de sua amada, quando ele retorna à sua casa.


Paradjanov apresenta um filme que é um exílio do amor, um canto de sofrimento e morte, uma evocação da sublime beleza imagética Oriental. A temática vida-amor-morte faz todo o sentido para o drama de um amor jovem proibido, muito bem interpretado por Youri, que tem uma empatia com a câmera ao mostrar seu rosto entristecido mas, ao mesmo tempo, disposto a ganhar o mundo, a transitar nas fronteiras da dor e do amor. Como toda fábula amorosa que ganha os terrenos das vivências do ser humano, o amor e a morte estão mais próximos do que se possa imaginar, basta lembrar o quanto amar e não ter a chance de vivenciar um amor é doloroso. Quem foi rejeitado no amor e quis desaparecer no mundo ou voltar melhor do que antes? Quem foi impedido de viver um amor e desejou morrer nem que fosse por alguns minutos? Certamente, várias pessoas cantaram um exílio amoroso como Kerib.




Esteticamente, ainda que o filme tenha uma cópia rara e antiga, ele conquista pelo poder da exótica imagem. A direção de arte é tão peculiar, imensamente oriental como a tecer uma pintura em película, que a sensação durante a experiência cinematográfica é a de que o filme não foi produzido na década de 80, mas em tempos bem longíquos e antigos antes mesmo da existência do Cinema. Do uso de artes visuais de forte impacto cultural a músicas folclóricas sobre o amor e a morte, o longa conta com uma boa e expressiva dramatização, que exagera na atuação para tornar o plástico mais aflorado, como exemplo: a mãe desesperada que chora a morte do filho, o autoritário pai rico que não deseja um genro pobre, a jovem garota entristecida pela partida do amado. A expressividade dos atores, mesmo quando aborrecidos com seus rostos que mal expressam um sorriso, é de suma importância porque o longa é trabalhado com menos diálogos e mais imagens, além do som deixar a desejar, uma característica que poderia ser melhor aperfeiçoada, sem muitos ruídos.




No geral, O Trovador Kerib é um belo filme legado da obra de Paradjanov, um dos mais célebres cineastas Soviéticos após seus antecessores como Eisenstein e Tarkovsky e digno de receber uma Retrospectiva não somente pela sua artística cinematografia mas também por ter sido um cineasta perseguido e preso injustamente pelas autoridades Soviéticas e que sofreu preconceito por ser homossexual. Paradjanov deve ser apreciado com bons olhos pois desenvolveu uma linguagem cinematográfica muito própria, enraizada em uma narrativa de sublime expressão criativa, de inspiração mítica e poética.


Avaliação MaDame na Mostra

4 estrelas

sábado, 29 de outubro de 2011

Mostra 2011: Ninguém além de você (Poupoupidou) - 2011




Truffaut deve estar se revirando no túmulo. O Cinema Francês apresentado na Mostra 2011 não tem apresentado filmes tão bons como o do último Festival Varilux de Cinema Francês, no qual era possível conferir boas opções com estrelas como Catherine Deneuve e Gerard Depardieu (Potiche), Audrey Tautou (Uma Doce Mentira), Sandrine Bonnaire (Xeque Mate) e Isabelle Huppert (Copacabana). Ainda que o Cinema evolua com a contemporaneidade de novas formas de contar uma história, novas mentes criativas, novas propostas estéticas e narrativas, faltam histórias que conquistem pela emoção que cativa ou pela razão que faz pensar e transformar, afinal, o Cinema possibilita este exercício de catarse e reflexão. A sorte é que ainda dá para encontrar alguns filmes com boas intenções, mesmo que eles não sejam espetaculares, como é o caso de Ninguém além de você.


Dirigido por Gerald Hustache-Mathieu, o filme não é de todo ruim e consegue apreender a atenção e curiosidade do espectador por ter um desdobramento investigativo em sua narrativa, porém está longe de se tornar inesquecível. A intenção foi boa e a ideia original tem um traço de peculiaridade, o que já possibilita dar um crédito à obra. Trata-se de um suspense que recria o mito de Marilyn Monroe e pode ser encarado como uma homenagem Francesa à diva Americana que faleceu em circunstâncias misteriosas, ou como um filme para deixar o público inquietado sobre como foi a morte de Marilyn e buscar saber mais sobre a estrela. A história ocorre em uma cidadezinha fria da França, Rosseau (Jean-Paul Rouve) é um escritor de suspenses que está com bloqueio criativo e decide investigar a morte de uma famosa modelo, Candice Lecoeur (a bela Sophie Quinton), que supostamente se suicidou com a ingestão de pílulas. Candice nasceu no mesmo dia de Monroe e levou uma vida de várias similiaridades: de origem humilde, pseudo-loira, bonita, desejada, solitária, amante, aparente uma suicida. Para dar mais verossimilhança ao viés narrativo adotado, o roteiro inclui alguns detalhes biográficos: o romance de Candice com o político local, um Kennedy a la Francesa, e o diário, que se refere ao hábito que Monroe tinha de escrever seus fragmentos existenciais.





A inclusão do diário é interessante pois um objeto relacionado à leitura e à escrita cria uma ponte comunicativa entre Rousseau e Candice, ambos escrevem, ambos lêem um ao outro. Quando viva, ela já o tinha como fã, embora não se conhecessem pessoalmente. Agora, ela está morta, ele está vivo e obcecado pela beleza e sentimentos da falecida e suas anotações íntimas e reveladoras. Além do mais, o diário assume uma função de personagem coadjuvante, uma testemunha, um registro cujas informações ajudam Rosseau a investigar o crime e ter alguns insights sobre a possibilidade de assassinato. Ele realmente acredita que Candice não se suicidou. O filme se desenvolve com bastante flashback e narração em off com a trajetória de Candice: da descoberta de sua encantadora beleza e o trabalho como modelo e garota propaganda para o queijo "Belle de Jura" até a sua morte. O roteiro é mediano e tem a deficiência de ter uma "viagem narrativa" do roteirista que foi misteriosamente colocar Rousseau na trilha de Candice, como um chamado sobrenatural, um amor platônico que surgiria nas fronteiras da vida e da morte, o que é bem forçado, diga-se de passagem, mas compreensível para ocupar o tempo e o coração de Rosseau. É perceptível que a recriação do mito Marilyn Monroe por Sophie Quinton não é extraordinário embora a atriz tenha o seu charme blondie e tem uma atuação regular, não comprometedora, deixando a Jean-Paul Rouve boa parte da responsabilidade por levar o filme.


A escolha de colocar uma Marilyn comum, uma garota do cotidiano que teve a chance de ser modelo é boa, pois recriar o mito aproxima o mítico do que é o real, o diário. Faz imaginar que há várias Marilyns que morrem em circunstâncias misteriosas, belas e abandonadas na solidão após serem tão admiradas, basta ver duas cenas tocantes do filme, um no início no qual ela está morta e a final que revela como foi a sua morte. Neste sentido, é de partir o coração lembrar que Marilyn brilhou na sua carreira e curta vida, mas foi uma mulher usada pelos homens, atraídos somente pela sua beleza e vulnerabilidade. O filme se encarrega de mostrar cenas com a voz de Candice narrando o próprio diário e se vê, como nas biografias de Marilyn Monroe, que ela não tinha somente um corpo e rosto bonitos, ela era uma mulher inteligente e sensível que dá vontade de simplesmente dizer: Marilyn, não havia ninguém além de você!

Avaliação MaDame na Mostra

3 estrelas


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mostra SP 2011: Jimmy Rivière



Jimmy Riviere, do realizador Francês Teddy Lussi-Modeste, faz parte da gama de longas de novos diretores. O cineasta buscou inspiração em suas origens ciganas e, no roteiro elaborado com Rebecca Zlowtowkski, criou um protagonista também cigano. O longa relata a história de um jovem em crise com suas próprias escolhas, lutando contra os desejos carnais e suas crenças espirituais. Jimmy Rivière(Guillaume Gouix) tem uma personalidade bastante passional e impulsiva, com passado movido a sexo, brigas e bebedeiras e um histórico de ter sido abandonado pelo pai. Para Jimmy, há 2 paixões: o boxe tailandês, sob a influência de sua treinadora Gina (Beatrice Dalle), e sua namorada, Sônia (Hafsia Herzi) com a qual ele aflora e coloca em prática seus intensos desejos sexuais. Ao conviver com sua comunidade local, que vive em trailers como nômades modernos e seguem uma religião cristã Pentecostal, ele é percebido como um potencial líder carismático, principalmente pelo pastor. Acaba se convertendo à religião e daí, começa a batalha espiritual. A dicotomia carne x espírito, que é inerente a muitas pessoas, será a sua principal luta, inclusive mais dolorosa do que levar uma porrada no ringue.

Jimmy Rivière tem boas intenções como Cinema Francês : boa fotografia e uma problemática que é comum ao ser humano: a dúvida entre as paixões terrenas e a vida mais sagrada, dúvida que atormenta e que pode trazer uma libertação ou simplesmente um aprisionamento; mas como diz o clichê, de boas intenções o inferno também está cheio, o roteiro é fraco, repetitivo e não evolui a narrativa para desenvolver bem o personagem. Jimmy é um jovem imaturo até para lidar consigo próprio e o roteiro não dá conta de torná-lo mais interessante, o que o empobrece como protagonista. Entre uma transa e outra com Sônia, uma ida os treinos de boxe, escondido, e algumas mentirinhas, Jimmy não aprofunda o drama existencial de seu dilema. O filme perde a chance de mostrar, com mais afinco e realismo, as desastrosas consequências emocionais de realizar algumas renúncias sem estar comprometido com uma conversão religiosa e uma esperada mudança de estilo de vida. Por outro lado, para não detonar totalmente o longa, pode-se reconhecê-lo pelo benefício de trazer à tona uma polarizante reflexão: a luta entre o carnal e o espiritual. Além do mais, abrir o diálogo para uma questão controversa: as pessoas se convertem a Deus ou aos dogmas impostos por homens? Certamente, cobranças sociais e julgamentos de toda especie serão feitos após uma conversão, e os olhos humanos atuam mais como juízes do que os de uma entidade espiritual superior, infelizmente.

Avaliação MaDame na Mostra

2 estrelas


terça-feira, 25 de outubro de 2011

MaDame na 35ª Mostra de SP

MaDame clicando e curtindo o último sabadão de Mostra


A 35ª edição da Mostra SP está a todo vapor, com cinéfilos curtindo o bom cineminha de 21 de Outubro a 03 de Novembro, com 22 salas de exibição em SP. Como de praxe, muita movimentação na cidade, ingressos esgotados para os filmes mais concorridos, maratona de Cinema com muitas pessoas assistindo um longa após o outro. A Cinefilia invade prazeirosamente o cotidiano da Pauliceia e o mundo do Cinema fica mais íntimo para o público: aparecem atores e atrizes, diretores, roteiristas, produtores, críticos e professores de Cinema, etc e é comum, emocionante e divertido dar de cara com eles em uma sala ou outra. A Mostra se torna o espaço de união de uma grandiosa família cinéfila. Tudo vale a pena porque a cidade fica ainda mais cultural, mais cinematograficamente bela.

MaDame sempre dá um jeitinho de prestigiar o evento, fazendo alguns sacrifícios inerentes a quem está trabalhando muito e envolvida em vários projetos. Mesmo com a correria do dia a dia, a paixão pelo Cinema me move a estar aqui e acompanhar esta Mostra. A delícia deste valioso evento é compartilhar e trazer a experiência cinematográfica aqui no blog para que vocês possam conhecer e se inspirar em explorar novas cinematografias. É isso que farei: falarei sobre uma seleção de filmes, em pequenas doses, para o deleite e uma memória que não pode ser esquecida.

Esta edição da Mostra não está tão movimentada como a do ano passado. Nem todos os filmes que estão em exibição tem a força da gama de longas apresentados em 2010 e perdemos o idealizador e criador da Mostra, Leon Cakoff, porém continua um grande e imperdível evento, com uma atmosfera que oxigena a mente, libera emoções e injeta uma dose incrível de mais e mais amor pela sétima Arte.

Inté!

MaDame Lumière

domingo, 16 de outubro de 2011

Amizade Colorida (Friends with Benefits) - 2011




Justin Timberlake está de volta aos Cinemas, com seu corpo sarado, charme e carisma sedutores. Para acompanhá-lo em Amizade Colorida, nova comédia romântica dirigida por Will Gluck, colocaram Mila Kunis, a beldade que teve um momento gaylicious com Natalie Portman em Cisne Negro e, agora, adentra os romances com sua sexy docilidade. Ambos são bonitos, simpáticos e têm uma química sexual envolvente, a qual coopera para que o público torça pela sua felicidade, na cama ou fora dela, e exercita a sua verve voyeurista com risos e suspiros.

O viés do filme é explicado pelo próprio título: Amigos com benefícios, em inglês, ou com o brasileiro termo "amizade colorida". Dylan (Justin) e Jamie (Mila) se conhecem em um aeroporto quando ele sai de Los Angeles, sua cidade natal, e é contratado para trabalhar como editor em uma revista em Nova York. Ela está desapontada com os relacionamentos e acabara de levar um fôra do ex, que colocou nela vários defeitos. Ele também levou um 'chega pra lá' da namorada Kayla (Emma Stone, em rápida aparição), que comenta que ele tem traumas para se envolver com uma mulher. Após alguns encontros, Dylan e Jamie cedem à mais simplista das idéias do sexo contemporâneo: "Vamos transar sem compromisso"? A partir daí, começam cenas quentes e divertidas que só são válidas porque os protagonistas agradam e são bonitos de ver.





O roteiro trabalha com a linearidade esperada para este tipo de filme, a de que antes vem o sexo e depois nasce a chance para um promissor amor . Justin e Mila são, no mínimo, "fofos em cena" e o desejo é dizer-lhes: "Transem muito e se envolvam afetivamente pra valer!" Além do mais, o roteiro e direção não pecam e cansam em demasiado como em outros longas do gênero, e entregam uma comédia que cria uma empatia com o público jovem, que acredita em sexo e romance bons. Para completar o recheio do filme, há uma trilha sonora bacana com regravações de Boys don't cry, do The Cure, com voz de Grant Lee Philipps, New York, New York com interpretação de Ray Quinn, e as agrabilíssimas Take a Bow do Greg Laswell e Closing Time do Semisonic. Participações bem especiais e competentes acontecem para dar um toque mais degustativo ao longa e criam momentos legais: Woody Harrelson é Tommy, Editor de esportes da Revista e gay, e Richard Jenkins é Mr. Harper, pai de Dylan, que em poucos minutos de cena, já demonstra porque é um maravilhoso ator.





Para quem assistiu Sexo sem compromisso com Ashton Kutcher e Natalie Portman, verá semelhanças no enredo, a fórmula não é novidade. A idéia é: o sexo casual, um disk sex entre amigos, transa boa, divertida e satisfatória, pessoas que fogem de relacionamentos estáveis e a negação de que há um sentimento mais amoroso no ar. Justin Timberlake não é um super ator, mas é mais verossímil e menos forçado que Ashton Kutcher, além de estar em ótima forma física, que poderá ser conferida com os closes em seu lindo bumbum. Ao vê-lo transando com Mila Kunis, é possível que alguém diga: "Até eu poderia querê-lo como um amigo com benefícios". Por outro lado, a experiência de encenar uma comédia é bem vinda para Mila, pois é uma forma dela se envolver em outros nichos e potencializar sua disponbilidade para outros trabalhos já que a vida lhe deu de presente a beleza e a sensualidade. Certamente, há uma distância exorbitante entre um filme como Cisne Negro, um filmaço de Darren Aronovsky, e uma palatável comedia romântica como Amizade Colorida, porém para Mila, que caiu nas graças de Hollywood, ela tem que aproveitar as oportunidades e encher o seu cofrinho.


No geral, o filme é divertido e não é tão vazio. Há cenas bem sentimentais com Dylan e Jamie em Hollywoody e Mr Harper e Dylan em uma conversa franca de pai para filho, nestes momentos vemos a emoção do longa. Dylan é um cara legal que está se adaptando à loucura de Nova York, encontrar Jamie, uma garota carente e mente aberta não é nada mal. Ambos tem a ausência de um dos pais e tem pouco diálogo com os que permaneceram. Dylan foi abandonado pela mãe. Jamie não conheceu o pai. Dylan tem um pai com Mal de Alzheimer e Jamie tem um mãe com síndrome de sumiço temporário. Este é um ponto interessante na comédia porque, o fato do relacionamento de seus pais não terem dado certo, pode refletir na forma como eles encaram suas relações e é um contraponto bem mais reflexivo para que cada um identifique até que ponto segue os mesmos padrões dos pais ou de outros relacionamentos passados, além disso o filme faz a gente pensar nas fronteiras entre amor e amizade e vale como benefício.




Avaliação MaDame Lumière

35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo


Está chegando a hora da 35ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que acontece de 21 de Outubro a 03 de Novembro, com a exibição de cerca de 250 filmes em 22 salas de Cinema. Neste ano, cinéfilo que é cinéfilo, sentirá alegria e tristeza no coração, na emoção mais contraditória que possa existir: a alegria de celebrar mais uma Mostra, um evento de grande renome cultural para a cena cinematográfica Brasileira, da qual temos que nos orgulhar e comemorar a sua existência, mas também a dor de saber que seu idealizador, Leon Cakoff, faleceu em 14 de Outubro, às vesperas de mais um evento do fantástico e visionário legado que ele mesmo criou.



Para homenagear todos os esforços de Leon Cakoff, mesmo com a tristeza pela perda deste grande jornalista e crítico de Cinema, prestigiar a Mostra é o melhor presente que podemos dar a ele, continuamente amar e celebrar o Cinema em sua expressão mais caledoscópia de várias cinematografias, de beleza universal e deleite visual . Assistir a Fausto, de Aleksander Sokurov, vencedor do Leão de Ouro de 2011, dar risadas com O Palhaço, de Selton Mello, babar diante das versões restauradas de Taxi Driver, de Martin Scorsese e de Laranja Mecânica de Stanley Kubrick e se emocionar com os clássicos de Elia Kazan e com a música de Nino Rota em célebres obras como La Dolce Vita, de Fellini e O Leopardo, de Visconti. Isso é Mostra de Cinema, é disfrutar do mundo cinematográfico que estará por aqui por duas semanas e ter a certeza que a jornada será inesquecível e de valor incalculável.

Passeando pelo Conjunto Nacional na Avenida Paulista durante a semana, local onde há o stand de venda dos ingressos para a Mostra, clicks exclusivos por MaDame Lumière foram registrados com as imagens de "esquenta" para o grande evento. No cartaz deste ano, a Mostra ganhou a carismática Arte do desenhista Mauricio de Sousa, que o compôs com o personagem Piteco, simpático homem da idade das Pedras, criado pelo cartunista em 1964. A idéia de incluir o personagem foi do próprio Leon Cakoff e já cria um vínculo emocional entre o cartoon e o publico. Ao ver o sorriso do Piteco e o gesto com sua mão, há uma genuína homenagem declarada: no mais primitivo de todo o homem, já impera o gosto pela luz e sombra, pelo atemporal Cinema.












Visite o site da Mostra


sábado, 15 de outubro de 2011

Obrigada, Leon Cakoff. Obrigada pelo Cinema sem Fim




O visionário criador da Mostra, Leon Cakoff faleceu em 14 de Outubro. O Cinema fica mais órfão destes grandes pais que com suas idéias empreendedoras movem a Sétima Arte a patamares de evolução. É triste, é sempre difícil receber notícias como esta porque o Cinema é uma grande família, na qual a gente enxerga em outro cinéfilo uma parte de nós, a do amor e da dedicaçao pelo Cinema, e assim, a gente abraça o outro com tanto carinho mesmo sem nunca tê-lo visto.


Sempre me lembro do Leon Cakoff quando assisto a filmes do Abbas Kiarostami e do Akira Kurosawa, quando vou à livraria Imprensa Oficial e vejo exposto o livro 30 anos de Mostra, quando um professor de Cinema cita os diretores Wim Wenders e Manoel de Oliveira, quando lembro da primeira Mostra que participei e assisti ao inesquecível filme Alemão O Tunel, quando desejo ter todo o tempo e dinheiro do mundo para assistir a todas as Mostras... mas lembro muito mais dele quando vejo os seus livros Cinema sem Fim e Filmes da minha vida.




Sabe aqueles livros que dá vontade de colocar bem junto ao coração? Combinam com o seu criador, a de um homem que colocou energia e paixão para fazer com que o Cinema fosse visto por mais gente, o Cinema Nacional e Internacional em solo Brasileiro, o Cinema Universal, de tantos países, de tantas propostas estéticas e almas apaixonadas pela imagem, som e movimento que nos cativam em tantos momentos...Agora vou lembrar dele muito mais; lembrar de Leon Cakoff é lembrar de histórias de gente que faz e ama Cinema, gente como ele, que faz a diferença, que encanta com seu conhecimento e sua ação em contínuo movimento para trazer o melhor do Cinema para o Brasil!


Obrigada, Leon Cakoff. Obrigada por me mostrar o Cinema sem Fim.