domingo, 11 de setembro de 2011

Metalinguagem no Cinema: Truffaut, Os Incompreendidos (1959) e Visage (2009)


Após trinta anos do lançamento de Os Incompreendidos, obra prima de François Truffaut que marca a parceria extraordinária do cineasta com o talento Jean-Pierrre Léaud, o Tailândes Tsai Ming-Liang estreoou o seu longa Face (Visage, 2009) em Cannes, um filme que recupera o mito de Salomé e traz um elenco de peso Francês: a deslubrante top model Laetitia Casta e vários ícones Truffautianos: Fanny Ardant, Jean-Pierre Léaud, Jeanne Moureau, Nathalie Baye, Mathieu Almaric. A narrativa é sobre um diretor que quer filmar a história de Salomé no Museu do Louvre. No cast principal, Fanny faz o papel de uma produtora de Cinema e o mítico Jean-Piere Léaud intepreta a si mesmo como o Rei Herodes, um encontro emblemático que deve ser constantemente contemplado.


Face é um filme metalinguístico por excelência, uma celebração do Cinema através do Cinema, uma evocação das referências cinematográficas Francesas que traz à experiência com o filme o que somente a Sétima Arte poderia realizar: diminuir a zero e com belos côrtes a distância que separam filmes de filmes, fazendo com que nos emocionemos com o poder do Cinema na nossa memória afetiva. O elenco traz os visages (rostos) de vários atores e atrizes que trabalharam com Truffaut, um encontro apoteótico e saudosista.

Uma das imagens selecionadas da bela sequência de Face é um poderoso exercício metalinguístico em Truffaut. Acompanhamos na cena Fanny Ardant filmada em um ângulo de câmera baixa e estática que remete a como Truffaut enquadrou algumas cenas com a beleza sedutora de suas mulheres; mais adiante contemplamos a atriz encantados pela nostalgia cinematográfica em cena: Ela folheia um flipbook de Léaud em Os Incompreendidos, uma tomada criativa de profunda comoção à medida que o rosto de Léaud se aproxima em close e lembramos do jovem incompreendido e rejeitado pela família. Mais esplêndido é o corte desta cena, um corte cronológico de trinta anos na vida real, porém narrativo de microsegundos. Lá está Jean-Pierre Léaud, mais velho e agindo como um rei louco, o Grande Herodes. E, em mais um momento sublime, um corte para a fotografia de Truffaut, envolvido por uma aura carismática, dentro de um livro, que foi uma das suas grandes paixões. A criatura Léaud dá espaço para nos apaixonarmos pela figura de seu criador e pelo poder metalinguístico no Cinema.






Fanny Ardant e Jean-Pierre Léaud, para sempre lembrados através de Truffaut.




Assista o trailer de Face

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cinema & Publicidade: Charlize Theron meets Grace Kelly, Marlene Dietrich and Marilyn Monroe








Somente uma marca luxuosa como Dior poderia unir a beleza de divas do Cinema em uma propaganda arreabatadoramente atemporal. A atriz Charlize Theron, rosto oficial do perfume J'adore, foi filmada no esplêndido Palácio de Versailles por Jean-Jacques Annaud e teve o privilégio de encontrar Grace Kelly, Marlene Dietrich e Marylin Monroe nos bastidores de um desfile fabuloso. Mais uma vez, a publicidade bebe da fonte das deusas da Sétima Arte e divulga mundialmente uma campanha de deslumbrante elegância e requinte. A idéia de unir um elenco estelar com lendas do Cinema Clássico evoca o poder da imagem audiovisual que, com um mero corte, é capaz de unir tempo e espaço, vida e morte, refinamento e beleza de diferentes e inesquecíveis épocas e, novamente, o Cinema e a Publicidade.








domingo, 4 de setembro de 2011

Cinema e Música: Wagner Moura, O Renato Russo do Cinema Brasileiro



Uma escolha recorrente que deu muito certa em dois filmes recentes do Cinema Brasileiro Vips e O Homem do Futuro foi colocar seus protagonistas, respectivamente Carrera e Zero, interpretados pelo carismático e talentoso ator Wagner Moura para cantar Renato Russo e sua atemporal e saudosíssima Legião Urbana, dessa forma, trazendo à narrativa um momento nostálgico e arrebatadoramente contagiante para a platéia. Não foi só o Cinema que celebrou o quão incrível é relembrar a banda de Rock Brasileira que deixou saudades, mas recentemente até a publicidade, ao lançar o comercial da Vivo para o Dia dos Namorados, fez uma homenagem aos Eduardos e Mônicas de todo o país. Certamente, não haverá surpresas se surgirem novas películas ao som da banda, afinal, Legião Urbana nunca vira clichê, sempre é um momento único da música Brasileira.







Wagner Moura já pode ser chamado carinhosamente de o "Renato Russo do Cinema Brasileiro". Ele tem toda a pegada de ser querido, engajado e um grande ator do Cinema Nacional, que consegue se jogar na interpretação e dar muita vida aos personagens, logo é intenso e divertido vê-lo dançando e cantando como se fosse o próprio cantor-poeta. A forma como as cenas são dirigidas por Toniko Melo (em Vips) e por Claudio Torres (em O Homem do Futuro) projetam aquela idéia de envolvimento com a cena e com a música, é como estar em um show particular com Wagner Moura, erguendo os braços, batendo palmas e cantando junto com ele em uma festinha descolada, descontraída e nostálgica; é como imaginar que todos no set de filmagem começaram a pular e cantar em uma só voz e toda esta incrível energia foi canalizada na composição da cena. Ao interpretar canções emblemáticas como Será e Tempo Perdido, é como se naquele momento cinematográfico, a tela se congelasse para que as emoções dos anos 80 e 90 fossem vivenciadas vivamente pelo espectador. Uma tomada do filme se torna igualmente emblemática e dá uma nova direção do significado daquele momento à experiência com o Cinema. A música não saí da cabeça mesmo após a sessão de Cinema. A vontade é levantar da poltrona, cantar e dançar com Wagner Moura, é curtir a música da Legião Urbana continuamente, é viver um novo tempo do Cinema Brasileiro que resgata o que temos de melhor em nossa cultura.