sábado, 30 de julho de 2011

MaDame CineFotografia: E O Vento Levou (Gone with the Wind) - 1939 de Victor Fleming

"Uma câmera na mão e uma foto de Cinema"

por MaDame Lumière








Clark Gable e Vivien Leigh como Rhett e Scarlett



quando o beijo e o desejo pelo toque desarmam todo o orgulho






O icônico casal cinematográfico Rhett Butler e Scarlett Ohara faz parte da seara de love affairs do Cinema de que, por trás da distância, das contendas, da separação e do orgulho dos amantes,há o desejo latente pelo bem querer, o de estar junto, o do amar e ser amado(a), o de precisar deste alguém que seja o encontro de uma salvação emocional, de um companheirismo necessário, de um romance arrebatador. Em uma época de dor e desespero em plena Guerra Civil Americana, Scarlett amava outro homem, exatamente o comprometido Ashley Wilkes (Leslie Howard), casado com Melanie Hamilton (Olivia de Havilland), sua melhor amiga. Ao deixar a fila andar, Scarlett pisou, pisou e pisou em Rhett, ele também lhe deu um desprezo sob medida para mulheres mimadas e manipulativas como ela, mas no fim de tudo, com alegrias e tristezas, eles foram um clássico e divertido casal, inesquecível nas cenas nas quais o romance e o desejo toma por completo a tela, e o beijo eminente desarma todo orgulho e distanciamento.


Rhett Buttler: "Você deveria ser beijada e frequentemente, e por alguém que sabe como"

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Resultado da Promoção Ganhe DVD O último tango em Paris Confira a frase vencedora







Saiu o resultado da promoção Ganhe 1 DVD do filme O último tango em Paris


e o DVD goes to...



Kamila do blog Cinéfila por Natureza




autora da frase abaixo selecionada por MaDame Lumière.



Por que você quer ganhar o DVD de O último Tango em Paris?

"Porque "O Último Tango em Paris" é um filme sensorial, que mexe com as nossas sensações, pensamentos e sentimentos, sem ter medo de ultrapassar limites na busca pela mostra daquilo que vem de dentro da gente."



Parabéns, Kamila!






Envie o seu nome e endereço completo para o email






para que eu possa te enviar este maravilhoso clássico





Agradecemos aos que participaram dessa iniciativa.


Em breve mais promoções no MaDame Lumière, afinal, Cinema é o meu, é o nosso Luxo!

domingo, 24 de julho de 2011

MaDame Western: Matar ou Morrer (High Noon) - 1952

MaDame Western:


Grandes Clássicos Bang-Bang no MaDame Lumière




Em uma das suas atuações mais emblemáticas, Gary Cooper é o delegado recem aposentado Will Kane de Matar ou Morrer, clássico do faroeste dirigido esplendidamente por Fred Zinnermann, com roteiro de Carl Foreman. No dia de seu casamento com a quaker Amy Fowler (Grace Kelly), Kane recebe a notícia de que o implacável bandido Frank Miller (Ian MacDonald) foi libertado da prisão e chegará no trem do meio-dia para vingar-se do xerife. O tenso suspense se aproxima da cidadezinha de Hadleyville já na sequência inicial quando os três capangas de Frank Miller chegam à cidade cavalgando ao som da música tema do filme: Do not forsake, oh my darling, e posteriormente em novas tomadas, são enquadrados à paisana aguardando o comboio na inóspita paisagem do Velho Oeste. O delegado Kane foi o responsável pela detenção de Miller, além de ter se envolvido amorosamente com a bela mexicana Helen Ramírez (Katy Jurado, em excepcional performance coadjuvante), dona do bar e ex-namorada de Frank Miller. Amy tenta convencer o novo marido à fuga, mas Kane permanece na cidade, disposto a contar com a ajuda do delegado auxiliar Harvey Pell (Lloyd Bridges, pai do ator Jeff Bridges) e demais auxiliares para enfrentar o violento bandido e sua gangue, porém nem tudo saí como Kane imagina, ele está sozinho, Hadleyville não está do lado de seu homem da lei.






Basedo na história "The Tin Star" de John W. Cunningham, Matar ou Morrer é um fascinante western, roteirizado, dirigido e editado de forma brilhante, assim como muito diferente da estrutura pura do faroeste Americano, normalmente mais caricata e preconceituosa no trato com as mulheres, índios e negros e com mais ação. High Noon desenvolve mais questões morais que de entretenimento, mais questões sócio-políticas que bang-bang. No longa, o conflito em suspense, o drama psicológico de um herói solitário, o retrato de uma sociedade Americana nos anos 50 são fatores mais relevantes na narrativa do que a corrida por riquezas e a expansão progressista das fronteiras nos Estados Unidos. O filme é muito mais intimista, existencial e, portanto, é um formidável western, mais denso em sua personalidade fílmica e psicológica. O herói interpretado por Gary Cooper é um homem da lei, solitário e destinado a enfrentar o violento inimigo. Mesmo tendo sido o melhor delegado que Hadleyville já teve, Kane não pode contar com seus cidadãos. Sua jornada antes que o relógio toque o meio-dia e o trem apite é buscar auxiliares para ajudá-lo no confronto com Frank Miller. Essa busca por ajuda não é meramente pessoal, para defendê-lo de suas rixas com o bandido, pelo contrário, é uma busca pelo coletivo, motivada pelo zelo por Hadleyville, a de lutar com ela e por ela até o fim. Kane diz à Amy: "Essa cidade é minha. Eu tenho amigos aqui", assim não é só o orgulho de um homem viril que sustenta o embate que se aproxima, mas a corajosa escolha de não abandonar a cidade ao qual se dedicou há anos. A atuação de Gary Cooper é magnífica porque não caí no sentimentalismo e desespero de um delegado em apuros e no machista clichê de um homem da lei. Aqui ele não manda na cidade e não resolve tudo na base do tiro ao alvo, na briga física e na ameaça man datória. Ele tem humildade para buscar auxiliares, para demonstrar que está sozinho e que precisa de ajuda.















Tecnicamente, o longa é uma obra prima, merecedora de seus vários Oscars, entre os quais de melhor ator para Gary Cooper. Excelente direção com belos enquadramentos, poderosos close-ups e planos gerais, e precisos cortes que o tornam um formidável trabalho de montagem assinado por Elmo Williams e Harry Gerstad, com um apurado ritmo temporal. Até o ponteiro do relógio chegar ao meio-dia, a narrativa ocorre em tempo real, com uma fantástica demonstração de como fazer um excepcional Cinema, digno de ser Clássico. O xerife caminha pela cidade nos apresentando os seus personagens: a ida à delegacia, ao saloon, à casa do amigo, à igreja, ao antigo delegado, etc, com isso, a narrativa dá conta de mostrar o microcosmo político desta sociedade Americana, que dá as costas aos seus heróis, sem argumentar muito do porquê da autocensura, sem questionar o terror que os fragiliza e assola. Até hoje, o longa é controverso e rende discussões. Especula-se que é uma alegoria cinematográfica que critica o período de 'Caça às Bruxas' do MaCarthismo nos anos 50, que perseguia grupos favoráveis ao Comunismo e suspeitos de atividades anti-norteamericanas. A censura silenciou e acovardou muita gente, assim como o silêncio dos moradores de Hadleyville. Se esse foi o propósito de Foreman e Zinnermann, o filme é um primor ao executar, com discrição porém colocando luz à covardia da população, a crítica a esse período de Trevas.









Outras virtudes técnicas contribuem para a qualidade diferenciada de Matar ou Morrer: A fotografia de Floyd Crosby, fascinante no plano geral à espera do trem, a proximidade dos trilhos e o fundo das montanhas distantes, cortando para os planos em close de alguns habitantes da cidade e de planos detalhes no relógio e na cadeira de réu é um primoroso trabalho narrativo de direção e cinematografia, um deleite para os admiradores da decupagem clássica do Cinema. Assim como quando Kane fica sozinho à espera de Miller, um travelling no centro da cidade vazio, um corte para o rosto do delegado, posteriormente, outros cortes para os closes dele, de sua esposa e de sua amante e, finalmente, mais adiante, a beleza cinematográfica de um plano com Kane na qual a grua se afasta e lá está ele, mais solitário, único a lutar contra Miller no vazio de Hadleyville. Igualmente a trilha sonora, com a recorrente canção-tema Do not forsake me, oh my Darling de Tiomkin e Ned Washington que se torna um personagem no elenco, acompanhando o herói Kane em toda a via crucis até o confronto final.




As atuações de Grace Kelly, bela e graciosa como sempre, e a imponente e marcante preesença de Katy Jurado reforçam que Gary Cooper estava muito bem acompanhado. As duas simbolizam as duas mulheres da vida do delegado, opostas no semblante e no jeito de ser: Amy, americana, loira, esposa delicada, trajada de figurino claro. Helén, mexicana, morena, ex-amante (e uma suposta grande paixão de Kane), trajada de figurino negro. A primeira, uma quaker, pacifista. A segunda, uma ex-mulher de bandido, corajosa, de passional personalidade. Elas representam um interessante e evolutivo contraponto da presença feminina em comparação aos convencionais westerns, um gênero que é por excelência machista. Logo,em se tratando do gênero faroeste, elas são um avanço da mulher que, agora, colabora para definir os rumos da narrativa de Matar ou Morrer. Basta observar como o encontro de ambas e, posteriormente, a separação, contém o cerne de desdobramentos que são importantes para a ação e para a vida de Kane. Também convém observar que tanto a mulher como o homem permanecem na sequência na igreja, quando as crianças são retiradas e, portanto, a mulher tem direito à palavra assim como o homem, bem diferente das mulheres que cozinham, passam e lavam roupas em acampamentos do Velho Oeste. Matar ou Morrer é muito mais que um simples western, é o cinema faroeste em evolução.



Avaliação MaDame Lumière




Título Original: High Noon
Gênero: Faroeste, Western
Diretor: Fred Zinnermann
Roteirista: Carl Foreman
Elenco: Gary Cooper, Grace Kelly, Katy Jurado, Lloyd Bridges

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Metalinguagem no Cinema: Sindicato dos Ladrões (1954) e Touro Indomável (1980)

A Sétima Arte pela Sétima Arte





O grande mestre Martin Scorsese nunca escondeu a sua admiração pelo formidável Cineasta Elia Kazan, realizador de obrigatórias obras-prima como Sindicato dos Ladrões e Uma Rua Chamada Pecado. No documentário em homenagem a Kazan, Uma Carta para Elia (2010), é a voz e a inteligência enciclopédica de Scorsese que nos conduzem a se envolver afetivamente pela filmografia de Kazan ou, no mínimo, despertam o nosso interesse por seus maravilhosos filmes. Uma das metalinguagens mais sublimes da História do Cinema une no tempo fílmico do espectador duas décadas, a de 50 e a de 80, respectivamente, com duas magníficas realizações, Sindicato dos Ladrões(1954) de Kazan e Touro Indomável (1980). No clássico de Scorsese, o boxeador Jake la Motta (Robert de Niro) reproduz o emblemático discurso do ex- boxeador Terry Malloy (Marlon Brandon) em um dos mais belos, sinceros e dramáticos desabafos da Sétima Arte.









No discurso, frases próprias da decadência de um homem como "eu podia ter classe", "eu poderia ser um competidor" ,"eu poderia ter sido alguém ao invés de um vadio", marcam como Terry e Jake tem dramas existenciais mais parecidos do que a gente imagina, além da emoção do verdadeiro desabafo a Charlie, o irmão de Malloy que poderia ter ajudado o irmão a ser alguém. Essa proximidade entre ambos só enfatiza que o Cinema é um organismo vivo em crescente diálogo através da sua poderosa linguagem. A força da metalinguagem entre essas 2 cenas é tão especial e diferenciada que um espectador só poderá compreendê-la em sua beleza imagética e textual se conhecer bem o clássico de Kazan, se saber que Scorsese fez essa cena para homenagear o maravilhoso Kazan, se está sensível de que o Cinema é toda essa magia atemporal, que nos deixa sem palavras, encantados.








Para assistir à cena de Touro Indomável, clique aqui

segunda-feira, 18 de julho de 2011

72 Horas (The Next Three Days) - 2010




Paul Haggis, premiado diretor de Crash - No limite está de volta com o remake 72 horas, um dramático thriller estrelado por Russsel Crowe e Elizabeth Banks que atuam como um casal que tem sua vida virada do avesso quando a esposa é incriminada por um assassinato. Baseado no seu antecessor Pour Elle, de Fred Cavayé, o longa é um excelente exemplo de como cidadãos comuns se tornam "foras-da-lei" quando buscam realizar justiça com as próprias mãos, tomados por amor e desespero pela causa. John Brennan (Crowe) é um professor, pai de família e tem uma vida tranquila ao lado da bela esposa Lara (Banks). Em uma manhã como outra qualquer, eles têm a casa invadida por policiais. Começa o pesadelo na vida do casal: Lara é condenada por homicídio e detida em um presídio de segurança máxima.





O roteiro desenvolve uma narrativa que demonstra o anonimato de um homem que chega ao limite quando não há muita esperança para a esposa encarcerada. Tudo é colocado para que esse limite se aproxime. Inicialmente nos planos fílmicos da terrível notícia, há uma brutalidade psicológica e uma invasão da vida privada na forma abrupta como ela foi retirada de casa. Posteriormente, não há como recorrer à sua liberdade. Logo mais, não julgamos as ações de John, somente observamos que ele é um homem apaixonado, sensível e inteligente, obrigado a criar o filho sozinho e a não ter nem mesmo visitas íntimas com a esposa. Também é perceptível que ele se mantém fiel à mulher e dá indícios de uma vulnerabilidade psíquica e emocional. Ele é desgarrado de sua vida conjugal, da completude familiar, com isso, tem brechas para surtar na mais perigosa das intenções: a de elaborar um plano estratético e arriscado para libertar a esposa em 72 horas. Tudo por ela (pour elle), como diz o título do filme de Cavayé.





Para o padrão Paul Haggis de fazer Cinema, 72 Horas não é uma obra cinematográfica capaz de obter o caloroso reconhecimento do público como seus trabalhos anteriores de cineasta e roteirista, porém é um filme dirigido com vigor para o suspense sem se esquivar do drama de um homem que perde o controle, além de trazer esse aspecto mais 'viril,apaixonado e paterno' de Russel Crowe e uma boa trilha sonora com Moby. No geral, ainda que John aja contra a lei, somos envolvidos por esse infortúnio familiar e a não vê-lo como o bandido da história. Pelo contrário, o mal está na deficiente investigação que, propositalmente, não é inserida no roteiro em detalhes, tal que possamos verificar que essa justiça silenciosa também pode condenar inocentes e fazer vítimas na sociedade; ela pode tomar uma decisão errônea e duvidosa que impacta essas vidas para sempre. Na projeção, nós torcemos por John mesmo que não aprovemos suas ações. A reflexão mais inevitável é pensar sobre o desespero e a paixão que leva homens comuns a fazerem loucuras criminais, a refletir se não existem outros Johns por aí, se as Laras são realmente culpadas. Em toda a narrativa, não sabemos se a esposa dele é homicida, talvez ela seja, talvez não. O que vale é a aposta de John, a de acreditar na inocência da mulher. O foco é acompanhá-lo em seu plano de fuga.


Essa é uma história que trabalha a questão da moralidade porque traz em si a essência do que motiva as pessoas a agirem em desacordo com o que elas normalmente são, e o que faz com que algumas sejam julgadas e condenadas por algo que elas não fizeram. O que vemos é um casal que não convive em um ambiente que as corrompe à criminalidade, mas, por uma fatalidade, eles acabam se envolvendo nesse ambiente que desestrutura suas vidas, que os coloca na clandestinidade da sociedade, à margem e distanciados dela como se estivessem em uma nova prisão.




Avaliação Madame Lumière



Título Original: The Next Three Days
Gênero: Suspense, crime, Drama
Diretor: Paul Haggis
Roteirista: Paul Haggis
Elenco: Russel Crowe, Elizabeth Banks, Liam Neesom, Olivia Wilde.

sábado, 16 de julho de 2011

Promoção Cinema O Último Tango em Paris - Concorra a um DVD do Filme




No início da década de 70, o Cinema recebeu mais uma obra prima em sua História: o belíssimo drama erótico O último Tango em Paris, dirigido por Bernardo Bertolucci e estrelado por Marlon Brando e Maria Schneider. O sucesso foi natural, assim como a censura e a polêmica que acabaram elevando o filme ao status de mais uma provocativa e magnífica obra Cinematográfica.








Participe da promoção de O último Tango em Paris no Blog MaDame Lumiere
Concorra a um DVD novo deste clássico imperdível do Erotismo, respondendo à seguinte pergunta:



Por que você quer ganhar o DVD


de O último Tango em Paris?


Basta seguir as regras abaixo

1. Ser residente do território Nacional


2. Responder à pergunta na área de comentários do blog MaDame Lumière:

MaDame escolherá a resposta mais divertida, criativa ou sensual para ganhar

este fantástico filme!




Respostas válidas até 24 de Julho

Resultado será divulgado em 25 de Julho

no Blog e twitter do @MaDameLumière


O vencedor da promoção deverá enviar o endereço completo para madamelumiere@gmail.com

domingo, 10 de julho de 2011

Cilada.Com (2011)




Não há pior cilada para um(a) cinéfilo do que assistir a um desastre cinematográfico desnecessário, principalmente no Cinema Nacional, uma seara que tem evoluído e tem muito a acrescentar para ensinar o Brasileiro a pensar e não só a rir desenfreadamente com piadinhas típicas de stand up de programas televisivos. Sabe aquele filme que, mesmo seguindo as receitas prontas de um humor apelativo, clicherizado e machista, consegue um efeito muito distante do bom cinema cômico? Pois é, temos agora uma nova Cilada "Pie" Americanizada made in Brazil, o mais recente exemplo de filme piadista, extensão de produto de consumo de TV a cabo. Ele é Cilada.Com, com roteiro de Bruno Mazzeo e direção de José Alvarenga Jr (de Os Normais), dois profissionais talentosos e experientes em arrancar gargalhadas da plateia porém, desta vez, exageraram no tom e entregaram um filme com excessos: um roteiro que forçou em palavrões, piadinhas sujas, situações forçadas e constrangedoras e no narcisismo do dono da Cilada, Bruno Mazzeo. Nesse aspecto, a primeira pergunta que o bom observador se faz é a seguinte: O que é humor no Brasil atual ? O que é humor no Cinema? O bom Humor é o que é apresentado na fita? O bom humor é depreciar as pessoas, etiquetá-las com estereotipos e encher o texto com baixaria e palavrões ao invés de provocar o público para uma reflexão com o mínimo de inteligência?

Cilada.Com gira em torno de uma grande cilada que se desdobra em outras ciladas. Bruno (Bruno Mazzeo) traí a namorada Fernanda (Fernanda Paes Leme) na mais ridícula e embaraçosa das situações que expoem a amada à uma vergonha assistida pelos convidados de uma festa de casamento. Ela, fazendo jus à pior vingança do mundo: a feminina, vai aos arquivos sexuais do casal e coloca o vídeozinho de uma transa deles na internet. Ao invés de uma trepada show, o que os internautas verão é Bruno transado em menos de 20 segundos na mais triste e egocêntrica das performances masculinas. Sofrerá o rapaz de uma ejaculação precoce? Nessas horas nas quais a intimidade já foi para a web, para quem já está em uma cilada aos olhos e aos risos de milhares de telespectadores, ter ejaculação precoce é um mero detalhe a ser usado para ridicularizar mais ainda o pulador de cerca. No final, a pergunta que se autocalará é: Foi bom pra você?








Seguindo a previsibilidade da massa, o filme faz rir porque está muito aderente ao universo cultural da ala do povo Brasileiro que adora um sarrinho e uma baixaria e cultua as piadas do machismo tão intríseco no humor do país. Aqui, o herói cinematográfico envergonhado em sua intimidade vai tentar provar que é bom de cama ao invés de provar o quanto ama a namorada. Pelo menos, as primeiras iniciativas são buscar comprovar sua virilidade seja pelos testemunhos de ex-namoradas seja pela tentativa de protagonizar uma transa fenomenal sob a lente de um cineasta contratado. Oras, Bruno está disposto a enganar outras mulheres para obter o seu vídeo demonstrativo de machão homo sapiens, afinal o seu umbigo cresce a cada tomada e o seu pênis também quer. Baseando-se nessa premissa, não há como negar que Bruno Mazzeo faz um texto pertinente para atrair os telespectadores que adoram esse tipo de apelo; na sala de projeção, as gargalhadas não parám, só demonstram que mais engraçado do que ver um cara gozar em 12 segundos é gozar da cara dos outros. O povo ri do bafão da bela executiva, da namorada traída na frente da família, da bunda do cineasta obeso e negro, do bizarro comportamento do pai de santo, da cabelereira do chefe da publicidade, da empregada nordestina confundida com uma prostituta, ou seja, todos têm que passar por situações ridículas impregnadas de estereotipos humanos e sociais e fórmulas prontas do mercado do riso de apelação. Só depois do público tirar sarro dos personagens, o herói arrependido se redime no final e tem a benção do amor. E é esse o Cinema Brasileiro que pretende levar milhões de espectadores aos cinemas de forma a gerar o incremento das bilheterias do país? Mais uma cilada para a Sétima Arte.








O filme só tem um efeito positivo: a atuação carismática de Bruno Mazzeo. Mesmo com suas piadas grosseiras, ele tem um estilo sarcástico, sabe atuar e conquistar, sustentando o interessse do público pelo seu personagem. Aliás, Bruno interpreta a ele mesmo e parece ter feito o filme como um projeto que extrapola o pessoal e vai direto à massagem do seu ego na mais profunda das realizações. A direção de José Alvarenga Jr não tinha muito a acrescentar a não ser a experiência prévia com comédias, considerando que a enfâse em Cilada.Com é o seu texto fadado a gerar o riso pausterizado, o riso dejá vu e apelativo, além disso não se pode confundir o longa com uma comédia romântica, pois até algumas delas tem mais bom gosto, carisma e conteúdo do que essa fita que é capaz de gravar gozadas em um centro de terapia para ejaculadores precoce. Logo, o filme não tem muito valor como Cinema (e está bem longe do bom Cinema, ou melhor, é uma aula de Como não fazê-lo após várias conquistas de cineastas Brasileiros nos últimos anos). Ele funciona melhor como um produto de mídia fria que é a Televisão e seu poder alienante sobre o público. Aqui, o povo não tem mais nada a fazer a não ser ficar na passividade rindo à toa, de futilidades já vistas em algum outro programa. Pensar para que? O melhor é rir das baixarias, não é mesmo? Ter um entretenimento ligeirinho como uma transa de 12 segundos. Como disse sabiamente o cineasta Claudio Assis em entrevista à Cult desse mês , é triste ver que no país não há o Cinema de Reinvenção, há muito mais o de violência e o que é continuação da novela das 8 h. Portanto, Cilada.Com é muito mais um produto claro de consumo que não precisa ser exibido na Tela Grande. Seria até mais "nobre" ter ficado como seriado na MultiShow ou como um programa especial na Globo, empresas que patrocinam o longa-metragem, assim elas teriam como mantê-lo dentro de casa, gerar economias para fins mais artísticos, evitando mais uma cilada para o Cinema Brasileiro.






Avaliação MaDame Lumière




Título original: Cilada
Gênero: Comédia
Roteiro: Bruno Mazzeo, Rosana Ferrão
Direção: José Alvarenga Jr
Elenco: Fúlvio Stefanini , Thelmo Fernandes , Fabiula Nascimento,Carol Castro, Bruno Mazzeo, Fernanda Paes Leme, Augusto Madeira, Serjão Loroza

domingo, 3 de julho de 2011

Homens e Deuses (Des Hommes et des Dieux) - 2010



Vencedor do Grand Prix de Cannes 2010, Homens e Deuses do cineasta Francês Xavier Beauvois tem em sua força narrativa apresentar uma solene atmosfera religiosa, de fé, lealdade e amor a Deus e ao próximo, apoiada por uma contemplativa sequência de planos do cotidiano de oito monges em um monastério durante a Guerra Civil da Argélia nos anos 90. O enredo é sustentado pela questão da escolha do partir ou morrer em um clima de bela dicotomia: a tranquilidade da vida isolada dos monges nas montanhas do Magreb, dedicados a ajudar a comunidade local e viverem em comunhão e a tensão quando são pressionados e ameçados a deixar o país por um grupo de guerrilha da região. A possibilidade de serem assassinados a qualquer momento ou expulsos da pior e mais trágica forma propicia uma crescente tensão na película e, certamente, é a incógnita que sustenta também a curiosidade e a tensão da audiência. Formidavelmente, a ambientação tem a dualidade de ser ao mesmo tempo, o porto seguro dos monges e o lugar hostil na qual eles são estrangeiros e não são mais bem-vindos.





Refeições e reuniões à mesa evidenciam a união, comunhão e decisão consensual dos monges.


Xavier tem uma direção bem realizada considerando à proposta e a estrutura do roteiro. A idéia é colocar a câmera onde ela deve estar, ou seja, na vida bucólica e comunitária de monges na qual vemos, nas tomadas externas, mulheres, homens e crianças doentes e sendo atendidos pelo médico, pastagens com ovelhas e áreas de cultivo, estradas inóspitas com regiões montanhosas e, nas tomadas internas, a rotina e a comunhão dos monges e suas relações com alguns habitantes locais. Dentre as cenas que remetem a essa ambientação bem elaborada, uma delas é um exercício de realizar um sublime Cinema. Ela se destaca por ser belíssima e criar uma metalinguagem dramática com a Pintura e a Música. Assistimos aos monges realizarem a A Última Ceia de Leonardo da Vinci ao som de Cisne Negro de Tchaikovski, um momento de entrega da alma à comunhão, compatível com um adeus, com o prenúncio da traição ou da morte.


Belo trabalho de fotografia sacra. Posição prostada de devoção, oração e obediência, luz que entra por uma janela de clausura. Luz, claridade divina em momentos difíceis.

O cineasta conta com dois atores sensacionais que dão um show de atuação e que tem um protagonismo e importância na fita em função de como seus personagens foram concebidos: Lambert Wilson é Christian, o líder e o mediador dos conflitos para o qual é reservado o papel de representação, influência, diplomacia e conciliação. É ele que conversa com o chefe dos terroristas, com representantes políticos e com o grupo de monges. Michael Lonsdale é Luc, o monge médico para o qual é reservado o papel mais missionário e moral, o de servir sem fazer acepção de pessoas e independente de sua própria fraqueza física já que está muito fragilizado, doente. Por ser o único médico do mosteiro, ele cuida dos monges, da comunidade e até do inimigo, se for preciso, além de ser um personagem carismático, muito leal ao seu serviço no qual aflora o talento excepcional do ator em maravilhosa atuação. Os demais monges coadjuvantes são ótimos e agregam valor à problemática em questão porque cada um tem que tomar uma decisão. A decisão não é puramente individualista, ela tem a ver com o coletivo já que eles vivem em família, a casa deles é o monastério, a vida é a própria missão. Além disso, eles aprenderam a viver tão isolados naquela região, renunciando suas vidas passadas e dedicando-se aos votos de fidelidade àquele estilo de vida. Os diálogos dos coadjuvantes com frases como " minha vida é aqui. Aqui, com você" reforçam que tirar-lhes dali é como tirar-lhes o chão. Os silêncios e olhares contribuem muito mais para o dramático realismo de cada persoangem e a exacerbada trilha sonora de cantos religiosos é bonita e necessária para criar essa ambientação sacra, mas soa cansativa aos ouvidos em determinado avance, exigindo que o expectador aprecie esse tipo de música e esteja sensível à sua função na narrativa.


Excelente elenco cria empatia com o público e sustenta o interesse no filme. Monges à serviço do bem.


Homens e Deuses se enquadra no magnífico Cinema Arte que não serve para qualquer audiência. Isso não é uma afirmação arrogante que desvaloriza o expectador adepto a blockbusters pirotécnicos e filmes facilmente digeríveis, pelo contrário, ela é sincera com o público e baseada na premissa de que cada pessoa tem gosto e grau de tolerância diferentes para cada tipo de Cinema. Quem não gosta de filmes europeus de contexto religioso, mais lento, achará um porre assistir a Homens e Deuses, que lida com conflitos sócio-políticos e é construído por um narrativa de espera que prioriza monges que cuidam do jardim, atendem à comunidade local, realizam suas preces e entregam-se solenemente aos cantos religiosos, unem-se para a refeição como em uma Santa Ceia. O cineasta o dirige para colocar o público nessa atmosfera sacra. Nem todo expectador tem paciência para ver essa beleza cênica e sua relevância estética, narrativa e cenográfica na obra, embora dar-se a oportunidade para assistir a um sublime filme como esse é um exercício de educar o olhar e abrir-se a novas experiências cinematográficas. Nesse sentido, o longa é muito eficaz porque ele coloca o público em um ambientação religiosa que não necessariamente pretende convertê-lo ao Cristianismo, criticar o Islamismo e passar a acreditar e servir a Deus. Existem algumas cenas cuidadosamente preparadas para permitir essa convivência mais diversa, do cristão com o islâmico, do monge com o líder de uma guerrilha. Essas cenas não soam hipócritas, mas dão uma dimensão que, ao fim, o mais importante é ter paz e não guerras, é poder escolher onde estar e o que fazer independente de fronteiras e bandeiras políticas, sociais e religiosas. Infelizmente, o mundo não é assim, os monges não são deuses e vivemos no planeta terra que é mais inferno do que paraíso. Não à toa que o filme é inspirado em uma triste história de desaparecimento dos monges Franceses.


Cenas da vida em comunidade com os habitantes locais reforçam a missão e o dom dos monges para com os próximos, em linha com ensinamentos religiosos.

O fime propicia várias interpretações a depender da experiência e ponto de vista de cada um. Um das interpretações para a fita é que o propósito maior em Homens e Deuses é universal. Ele tem a ver com as escolhas que fazemos na vida em meio às nossas aflições, o que fazemos quando somos pressionados a tomar uma decisão, a seguir um novo rumo na vida deixando para trás pessoas, lugares e vivências que não gostaríamos de abandonar. É um filme que está relacionado à espera, à resiliência, à lealdade, à fé, ao amor e à renúncia, todas virtudes que são bem enfatizadas em qualquer religião e livros de autoajuda, logo não é mérito só do Cristianismo. Por outro lado, uma das interpretações em aberto é a de que os monges nunca serão compreendidos, assim como não são compreensíveis a fé, o amor incondicional, o sacrifício e a escolha de cada um. Baseado em uma história verídica, o filme por si só é um mistério no seu desfecho no qual se questiona até que ponto uma pessoa pode sacrificar a sua própria vida por um ideal e/ou fé. Não há como julgar os monges porque não podemos condenar a fé de ninguém. Talvez eles se achavam deuses, talvez eles se achavam humanos demais, talvez faziam isso mais pelo próximo, talvez faziam isso mais por si mesmos, Xavier deixa em aberto para que o público tome suas próprias conclusões. Ultimamente, servir ao próximo e fazer o bem é algo tão raro que tem sido missão de super herói ou de Deus, além disso a fé e a dedicação de base religiosa exigem a renúncia do individuo, o "morrer para si mesmo e aceitar o autosacrifício". Nesse contexto, talvez ser humano é ser propriamente um tipo de Deus aqui na Terra. Enfim, opiniões diversas à parte, não há como negar que o diferencial de Homens e Deuses é seu tratamento cinematográfico: com primor, com existencialismo, com solenidade. Ter a oportunidade de ver e refletir sobre um filme Arte como esse é como disfrutar um manjar dos Deuses, é como questionar a própria humanidade.


Avaliação MaDame Lumière




Título Original: Des Hommes et de Diexu
Gênero: Drama
Diretor: Xavier Beauvois
Roteirista: Xavier Beauvois
Elenco: Lambert Wilson, Michael Longsdale, Olivier Rabourdin

sábado, 2 de julho de 2011

A Professora de Piano (La Pianiste - 2001)







Uma produção cinematográfica que tem status de obra de Arte está além de sua função meramente degustativa e contemplativa. Ela exige um comportamento ativo do público: o de capturar a mensagem do filme e o quanto ela é um espelho da realidade circundante, ou seja, observar e permitir-se sentir o quanto a mensagem é efetiva e agregadora para uma reflexão existencial e do mundo. Esse exercício de olhar o Cinema como um espelho pessoal e coletivo assim como prolongar a experiência cinematográfica com suas mais variadas e enriquecedoras ressonâncias é uma das mais belas dádivas da Sétima Arte. Quando o filme aborda uma temática provocativa que é primorosamente bem desenvolvida na direção, roteiro e atuação, esquecê-lo é impossível, reconhecer-se nele é factível. A ousadia do argumento é como tocar no vespeiro da complexa mente humana com seus mais ocultos medos, desejos. Dentro da gama desses filmes polêmicos, está A professora de Piano (La Pianiste), de Michael Haneke, cineasta Alemão mundialmente reconhecido por filmes como Caché, Violência Gratuita e A Fita Branca.












Baseado no contundente romance homônimo de Elfriede Jelinek, o longa traz a magnífica Isabelle Huppert atuante no difícil e denso papel de Erika Kohut, uma madura e solteira professora de piano, que vive com a castradora mãe (Annie Girardot) e tem tendências sadomasoquistas. A escolha de uma professora de piano é muito aderente pois, em teoria, é esperado que qualquer professor com esse ofício seja culto, refinado, discreto, adepto dos "bons" comportamentos. Erika mostra uma outra faceta: o lado de mulher má em dose dupla - o de mal comida e o de pervertida. Ela se envolve com o aluno Walter Klemmer (Benoît Magimel) com o qual desenvolve uma relação complicada e psicologicamente violenta. O drama é conduzido de forma a enfocar como se comporta a professora de piano, uma mulher de complexa densidade psicológica, que por trás da máscara de uma talentosa pianista que não conseguiu uma carreira de estrelato, oculta uma mulher solitária, problemática, de constantes hábitos de perversão sexual e incapaz de ter relaciomentos construtivos. Ao se apaixonar por uma sadomaso como Erika, Walter sofre na mão dela e a relação tumultuada traz graves consequências, o que é formidavelmente perceptível e bem construído na mudança comportamental de ambos. Ao fim, Erika Kohut é uma mulher repreendida em seus desejos sexuais, perdida em si mesma, um mistério a ser revelado, uma alma que precisa de compaixão.










Definitivamente, muito do êxito da película se deve a combinação formidável: Haneke e Huppert. O cineasta coloca sua câmera onde ela deve estar de acordo com sua marca pessoal: tomadas estáticas. Ele também mantém alguns recursos que lhe são bem próprios como a montagem da sequência inicial na qual ele alterna cenas do filme com cortes para a tela escura, a naturalidade na direção de cenas polêmicas, de forte apelo violento como as brigas físicas entre Erika e sua mãe e sexuais entre Erika e Walter e o preciso uso do tempo cinematográfico nessa película. A câmera voyeur testemunha, observa, registra, logo não é necessário dizer mais nada, Haneke está no controle do action. Huppert está em cena em estado de obscura graça. Com ela, todo o erotismo doloroso de uma mulher de desejos reprimidos que gosta de observar pornografia, de mutilar suas partes íntimas, de provocar um homem sem finalizar o ato sexual, entre outras taras. É muito evidente a estética de Haneke nos longos planos-sequências porque ele quase não move sua estática câmera, o que possibilita o público ser voyeur e sentir o teor dramático e erótico da atuação silenciosa, na qual palavras não são necessárias. Ela é posicionada para encarar Erika em seus momentos de silêncio e perversão, para encarar Walter em seus momentos de obsessiva paixão, para filmar a beleza do toque das mãos nas teclas do piano, para registrar o quanto a mãe da pianista é uma velha sufocante. Quanto à fotografia, essa é bem combinada com a direção, pois a câmera de Haneke é posicionada exatamente em enquadramentos que primam pelo apuro senso estético. A trilha sonora de música clássica funciona como um fundamental personagem coadjuvante que provê intensidade dramática e beleza melódica à narrativa, mas também suaviza o forte conteúdo temático do filme.












A professora de piano faz um zumbido na cabeça por dias. É o tipo de filme forte e cru que se torna memorável por ter uma protagonista bem desenvolvida com densidade psicológica. Erika é intrigante e por sê-lo assim, ela é a personagem que serve para desmascarar o oculto que está na sociedade. Afinal, todos têm desejos que são castrados diariamente pela convencional sociedade que rejeita, julga e condena os 'esquisitos' como Erika. Com a excepcional atuação de Isabelle Huppert que tem uma entrega total ao personagem, o filme desafia cada um a pensar quem é Erika, porque ela age assim, como é a sua vida, o que ela sente, o que será de sua vida. É complexo compreender como funciona o psicológico de uma sadomasoquista que simplesmente já começa a ter uma relação assim com a própria mãe, ilustrada em cenas de embate físico e oral. Ela não suporta o controle da mãe e parece odiá-la a ponto de chamá-la de puta, porém ao mesmo tempo é a mãe que está ao seu lado, que se preocupa com a filha, que cria um laço de co-dependência. Esse é um aspecto interessante nessa relação porque a mãe de Erika não tem nome, ela é simplesmente a Mãe. Sob o ponto de vista psicanalítico, pode se dizer que a mãe, enquanto uma instituição de poder familiar e matriarcal, é uma entidade social, mandatória, rígida. Ela pode seria ser um pai, um governo, uma cultura, um individuo qualquer, uma sociedade que repreende os libertários desejos de uma pessoa. Além do mais, o comportamento sádico depende do masoquista e vice-versa. Um não existe sem o outro. O sadomasoquismo é uma relação que muitos tem com as instituições castradoras do cotidiano. Precisam delas, sofrem com elas, obtem os prazeres com elas e, também, as dores. Essa ambiguidade de sentimentos e atitudes também permeia as relações de Erika as quais ela não consegue desenvolver, assim sendo, as relações de Walter e Erika e de Erika e sua mãe são apenas artifícios para mostrar que cada individuo precisa de amor e prazer e o que encontra é dor e frustração ao lidar com suas paixões e repressões em um inevitável situação de incomunicabilidade e não realização. Ao analisar essas relações, percebe-se que eles são incapazes de se entenderem. Tendo em vista essa complexidade psicológica, o longa é um primor porque ele faz uma crítica social especificamente à Sociedade Européia, crítica que pode ser aplicável a qualquer sociedade castradora, que cada vez mais é feita de individuos problemáticos e necessitados de libertação dos mais profundos desejos.










Avaliação MaDame Lumière



Título original: La Pianiste
Genero: Drama
Roteiro: Michael Haneke
Direção: Michael Haneke
Elenco: Isabelle Huppert, Benoît Magimel, Anne Girardot