domingo, 31 de outubro de 2010

Mostra SP 2010: Machete (Machete) - 2010

"They just fucked with the wrong Mexican"


Pauleira ultraviolenta, hilária diversão, eletrizante ação do começo ao fim e a ascensão de um super herói latinoamericano definem bem o porquê Machete, o longa-metragem de Robert Rodriguez e Ethan Maniquis é um filmaço engraçado e que não se afasta de sérias questões sócio-políticas polêmcias como a imigração ilegal de mexicanos e o conflito com a polícia norte-americana, os interesses gananciosos e antieticos de políticos e narcotraficantes e a intolerância étnica com imigrantes latinoamericanos. Assim, os roteiristas realizam um filme muito bem recortado e completo que entretem e agrega massa crítica à audiência, usando recursos que combinam com o estilo Robert Rodriguez de ser, como bom amigo de sangue de Quentin Tarantino, ele abusa da violência, do humor e da sensualidade, e toda esta mistura é bombástica.






Machete (Danny Trejo) é um ex-agente federal mexicano ultraviolento que é traído pela organização corrupta a qual pertence. Tendo desavenças com o chefão do tráfico de drogas Torrez (Steven Seagal), Machete se torna seu inimigo número 1, e como todo super herói, Machete tem perdas terríveis que o tornam um homem paralelo na sociedade, sem país, sem família. Ele é contratado por Michael Booth (Jeff Fahey) para matar um senador inescrupuloso John McLaughlin (Robert De Niro) o qual defende a proibição total da imigração de mexicanos e extermínio de qualquer um deles que cruzar a fronteira dos Estados Unidos. Machete acaba sendo traído de novo e será perseguido pelos bad guys da história, incluindo o matador chefe de polícia da fronteira, Von Jackson (Don Johnson). Porém, Machete não está sozinho, ele é apoiado pela "Rede" que é uma organização clandestina de defesa dos mexicanos, liderados pela revolucionária She (Michelle Rodriguez). Além de Rodriguez, complementam o time de beldades a policial da imigração, Sartana Rivera (Jessica Alba) e a filha drogada e safada de Michael, April Booth (Lindsay Lohan).






Machete é um filme de ação muito bem construído no roteiro e direção, com uma trilha sonora tensa e arrebatadora e uma montagem concisa que dá uma velocidade fantástica à ação. O filme é envolvente para quem aprecia o gênero e apreende a atenção com tensão. A forma como o humor é mesclado à violência arranca risadas nervosas e a teia que tece o suspense com o entretenimento e a crítica à ganância é genial. Há cenas imperdíveis como a do intestino, a do tiroteio em uma paróquia ao som de Ave Maria, a de um assassinato como a crucificação de Cristo, a do explosivo confronto final, a de uma morte em uma cerca elétrica, a de um ménage a trois e, pasmem, Lindsey Lohan vestida de freira. De fato, os diretores brincam com o sério sem deixar de passar uma mensagem séria. O texto é bem articulado para rir e refletir sobre o contexto. Basta observar, por exemplo, as propagandas políticas de
John McLaughlin que são uma caricatura sarcástica de como ele é um sacana intolerante e hipócrita. A forma como a propaganda é feita parece um comercial de sabão em pó no qual ele quer varrer e lavar o chão dos Estados Unidos expulsando por completo os imigrantes mexicanos. Robert de Niro, mais uma vez, é brilhante e provê um timing cômico que o põe no trono dos políticos palhaços. Jessica Alba e Michelle Rodriguez, queridinhas do diretor são mulheres bonitas e de atitude e, como as mulheres de Tarantino, mostram o poder feminino capaz de sangrar canalhas.






Danny Trejo é um heroi que combina coragem, humildade, objetividade, seriedade, cavalheirismo e violência. Mesmo com sua brutal feiúra e sua sanguinária habilidade de matar, suas atitudes o torna um protagonista bonito e divertido e ele foge totalmente do convencional de super herois engravatadinhos e bonitinhos que existem, ainda assim, isso não o deixa menor, pelo contrário, Machete era o melhor agente federal na ação. Ele é um ogro musculoso e cheio de tatoos e pega as moças gostosas do filme, o que o torna ainda mais viril e deixa mítica incógnita: O que será que o Machete tem de bom? Por que ele se chama Machete? Melhor não responder ... E, o mais engraçado é que ele não se esforça nem um pouco, fica na dele e se torna irresistível. Com Machete, Robert Rodriguez cria um super heroi latino americano como uma nova ordem mundial, a solução para as injustiças sociais que assolam a região e este é mais um grande diferencial do filme. Machete é um homem do povo e os corruptos tem que saber que é melhor não mexer com ele e nem com o povo. Machete voltará e matará de novo!






Avaliação MaDame Lumière





Título original: Machete
Origem: USA
Gênero: Ação
Duração: 105 min
Diretor(a): Robert Rodriguez , Ethan Maniquis
Roteirista(s): Robert Rodriguez, Alvaro Rodriguez
Elenco:
Danny Trejo, Robert de Niro, Michelle Rodriguez, Jessica Alba, Don Johnson, Steve Seagal, Jeff Fahey.

sábado, 30 de outubro de 2010

Mostra SP 2010: 10 Finalistas ao Troféu Bandeira Paulista


Os organizadores da 34ª Mostra anunciaram neste sábado, dia 30 de outubro, os filmes mais votados pelo público, que concorrem ao Troféu Bandeira Paulista. São 12 longas-metragens de ficção, que serão analisadas pelo Júri Internacional, composto pelo crítico francês Michel Ciment, o diretor britânico Alan Parker, o escritor e realizador Carlo di Carlo, o ator e realizador armênio Serge Avedikian, a cineasta brasileira Ana Luiza Azevedo, o ator sérvio Manojlovic e o diretor israelense Samuel Maoz.
Além destes, sete documentários finalistas ao prêmio serão julgados pelo arquiteto Felipe Tassara, o documentarista alemão naturalizado sueco Rainer Hartleb e o realizador Wolney Atalla, que formam o Júri de Documentários.
Os vencedores serão anunciados na Cerimônia de Encerramento da 34ª Mostra, nesta quinta dia 4 na Cinemateca Brasileira.

Confira os finalistas:

Ficção

- A ÁRVORE (The Tree, França/Austrália), de Julie Bertucelli
- A VALSA DAS FLORES (Ryabinoviy Vals, Rússia), de Alyuona Semenovam, Alexander Smirnov
- ABEL (Abel, México), de Diego Luna
- AZUL DA COR DO MAR (Viola Di Mare, Itália), de Donatella Maiorca
- BEYOND (Svinalängorna, Suécia/Finlândia) , de Pernilla August
- HERMANO (Hermano, Venezuela), de Marcel Rasquin
- IRMANDADE (Broderskab, Dinamarca), de Nicolo Donato
- PEEPLI AO VIVO (Peeplilive, Índia), de Anusha Rizvi
- QUANDO PARTIMOS (Die Fremde, Alemanha), de Feo Aladag
- ROSA MORENA (Rosa Morena, Brasil/Dinamarca), de Carlos Oliveira
- SOU TERRORISTA (Ich Bin Eine Terroristin, França), de Valérie Gaudissart
- TERCEIRA ESTRELA (Third Star, Reino Unido), de Hattie Dalton



Documentários:

- A ROTA DAS TINTAS (La Voie de l´Encre, França), de Pamela Valente
- CAMPONESES DO ARAGUAIA - A GUERRILHA VISTA POR DENTRO (Camponeses do Araguaia – A Guerrilha Vista por Dentro, Brasil), de Vandré Fernandes
- EXIT THROUGH THE GIFT SHOP (Exit Through the Gift Shop, Reino Unido), de Banksy
-JARDIM SONORO (Niel Giardino Dei Suoni, Suiça), de Nicola Bellucci
- O SAMBA QUE MORA EM MIM (O Samba que Mora em Mim, Brasil) , de Georgia Guerra-Peixe
- OS DOIS ESCOBARES (Two Escobares, EUA/Colômbia), de Jeff Zimbalist, Michael Zimbalist
- SINFONIA DE KINSHASA (Kinshasa Symphony, Alemanha), de Claus Wischmann


(Fonte: Mostra.Org)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mostra SP 2010: História de Kyoto (Kyoto Uzumasa Monogatari) - 2010


História de Kyoto é um filme sobre o Amor ao Japão em várias de suas facetas. Do amor carnal de homens e mulheres, do amor à família e sua dedicação ao trabalho de geração a geração, do amor ao Cinema de Akira Kurosawa, do amor aos sonhos jovens de ser o que se desejar ser, do amor à tradição dos valores e costumes japoneses que superam escolhas individuais. No início da projeção, o cineasta Yoji Yamada apoiado pelo co-diretor Tsutomu Abe esclarece: Esta é uma história de amor. E, assim, o longa fluí delicadamente, singelamente com uma câmera realista que enfoca o cotidiano dos habitantes de Uzumasa, na Cidade de Kyoto, começando em uma narração em off que dialoga metalinguisticamente com a história do Cinema Japonês e sua época de ouro: nos estúdios Daiei em Uzumasa foram rodadas imagens de grandes clássicos de Kurosawa como Rashomon (homenageado este ano na Mostra) e Mizoguchi's Ugetsu Monogatari (Contos da Lua Vaga). Posteriormente, Yamada utiliza o recurso de filmar depoimentos do elenco, do dono de uma loja de tofu a jovem bibliotecária da universidade local, neles emerge traços do Japão para uma ode cinematográfica de amor ao país.





História de Kyoto também homenageia o Cinema de Kurosawa


O argumento não se envereda a criar um épico, pelo contrário, História de Kyoto não pertence ao gênero e se ajusta muito mais a uma drama de amor que ultrapassa a esfera do relacionamento do triângulo amoroso da história, composto por Kyoko, Kota e um professor de linguística de Tóquio. Kyoko ( Hana Ebise) é filha do dono da lavanderia, bibliotecária da universidade e namorada de Kota. Kota é filho do dono da loja de tofu e um aspirante a comediante stand-up. O professor, que está de passagem pela cidade,acaba conhecendo Kyoko e se apaixona loucamente por ela. O trio é discreto e não há intimidade física, porém o que é interessante na cultura Japonesa, inclusive em livros literários que expressam o seu amor passional é que há uma passionalidade mesmo em meio a discrição. Kyoko é extremamente dedicada e fiel a Kota, ainda que o namorado não se interesse em dialogar com ela sobre os sentimentos dela. Kota é o jovem imaturo que só pensa em realizar os seus sonhos e não se interessa pelo negócio do seu pai. Sua aspiração ao humor é tão importante que ele não se dá conta que não é engraçado. O professor é a figura passional na atuação, ele é a passionalidade exacerbada japonesa da Literatura a Escrita, isso explica bem porque ele é o homem das letras, o homem anônimo, intenso e divertido. Ele mal conhece Kyoko mas é tomado por uma obsessão fragilizada, ansiosa. Ele é o homem maduro, autosuficiente e culto que sabe escrever até poemas em ideogramas chineses. Ele encanta Kyoko por ser um japonêns 'estrangeiro' e cheio de conhecimento. Não a toa que Kyoko se sente vulnerável a iniciar um verdadeiro triângulo amoroso. Ela é a expressão do jovem japonês tradicional dividido pelas suas emoções.




Yoji Yamada é homenageado com o Berline Camera no Festival de Berlim 2010


O que é muito bonito em História de Kyoto e seu diferencial como produção cinematográfica é a homenagem ao Japão, apreciável em detalhes do dia a dia da cidadezinha e de como os japoneses mais tradicionais, representados aqui como os pais de Kota e Kyoko são a expressão de um Japão que se reconstruiu através do trabalho duro. Para tal Yamada e Abe dividiram o amor japonês até em sua direção, ou seja, o filme é um projeto experimental conjunto entre eles e estudantes da Universidade de Ritsumeikan por isso o resultado é positivo, com vibes orientais todos os lados. É louvável ver traços da cultura como a culinária com close-ups em tofu, macarrão, arroz; os festivais coloridos e ao ar livre, as bicicletas estacionadas na rua, as construções típicas, os livros com ideogramas, o passado e o presente expressos pelo trem antigo e o trem bala. Há imagens que exigem total introspecção para concluir o quão sublime é contemplar cada cultura em sua singularidade, principalmente a japonesa. Em um dos melhores depoimentos, a dona de um restaurante comenta nostalgicamente quando servia a equipe do Cinema dos estúdios Daiei. Uma belezura ver e imaginar se ela serviu um delicioso prato japonês a Kurosawa entre uma filmagem e outra. Outra beleza da história está na camada relacionada a como questões individuais como loucos sonhos de carreira e amor não são desenvolvidos pelos jovens devido ao apego à tradição. Os jovens japoneses tem estes dilemas bem impregnados na cultura, tanto que há um grande número de suicídios no país devido a rigidez imposta. Embora o filme não se enverede à tragédia, ele transmite uma melancolia e uma passionalidade ao mesmo tempo. Kyoto é uma jovem que segue a tradição. Trabalha arduamente na biblioteca e na lavanderia, apoia o namorado e chora diante dele ao ser ofendida, fica indecisa para fugir com outro homem para se manter ao lado da convencionalidade da sua relação. Kota é o jovem que quer incluir o riso constante em sua vida, a plena realização da alegria, mas ninguém quer rir com ele. Ele se torna a própria piada.



Hana Ebise: jovem no impasse entre a escolha libertária e a tradicional

História de Kyoto é Amor ao Japão, apesar dos seus pesares como qualquer país, afinal nenhuma cultura é perfeita mas todas afloram únicas belezas, seja com felicidade ou tristeza, esta é uma história de amor e como todas as grandiosas histórias de amor, há o silêncio que cala, o beijo que não é dado, a lágrima que sufoca, o adeus que não é dito... apesar dos pesares, há a esperança de um novo amanhã, a esperança de se realizar no amor com todos os seus defeitos e qualidades.


Avaliação MaDame Lumière


Título Original: Kyoto Uzumasa Monogatari
Origem: Japão
Gênero(s): Drama
Duração: 90 min
Diretor(a):
Yoji Yamada,
Tsutomu Abe
Roteirista(s):
Yoji Yamada, Sasae Tomoaki
Elenco: Hana Ebise, Tanaka Sotaro

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mostra SP 2010: 10 Filmes Imperdíveis para assistir no Circuito Comercial

34ª Mostra Internacional de Cinema





Em tempo de Mostra Internacional de Cinema, todo apreciador de boa Arte Cinematográfica não quer perder a sessão da maioria dos grandes filmes, principalmente aqueles que são de diretores carimbados como Woody Allen e Sophia Coppola e que esgotam ingressos. Ainda há uma parcela dos que têm que lidar com dilemas já esperados como: não posso tirar férias agora, não posso sair mais cedo do trabalho, não posso viajar a São Paulo, não tenho dinheiro para torrar na Mostra. Neste cenário, entra o velho e bom senso: saber selecionar os filmes a serem vistos e/ou, para aqueles que não puderam participar da Mostra, saber esperar os lançamentos no Circuito Comercial. Pensando nisso, o MaDame Lumière selecionou 10 Filmes Imperdíveis para ver depois da Mostra nas salas de exibição comerciais. São filmes que saem da seara ultraindependente, são estrelados por elencos já bem conhecidos e consagrados do público e prometem trazer boa história e entretenimento. Prepare-se para assistí-los!





Atração Perigosa (2010)
Direção: Ben Affleck

Depois de Medo da Verdade, mais um filmaço dirigido por Ben Affleck está nas telinhas. Desta vez, além do cineasta, sua Boston está em foco de novo, como uma das cidades americanas que mais tem assaltos a bancos. Doug MacRay (Ben Affleck) é o líder da bandidagem local, responsável por um grupo de assaltantes de bancos altamente qualificados. No entanto, um acontecimento com um das reféns (Rebecca Hall) se torna um divisor de águas, trazendo novos questionamentos à vida de MacRay e sua relação com o crime e sua família de bandidos. Previsão de estreia 29/10/2010





Sentimento de Culpa (2010)
Direção: Nicole Holofcener

A vida melancólica e neurótica de mulheres de Nova York é o novo material de trabalho no filme de Nicole Holofcener, sustentado pela atuação de Catherine Keener que mantém ótima parceria com a cineasta e eleva o sentimento de culpa aos mais difíceis de lidar nas emoções humanas. Elenco atrativo com a presença das belas Rebecca Hall e Amanda Peet. Previsão de estreia 29/10/2010




Minhas mães e meu pai (2010)
Direção: Lisa Cholodenko


Estrelado por Juliane Moore(Jules) e Annette Bening (Nic) como um casal de lésbicas, cujo casamento e relações familiares são abaladas quando seus filhos, intepretados por Joni e Laser (Mia Wasikowska e Josh Hutcherson) decidem procurar o pai doador de esperma, Paul (Mark Ruffalo). Além do triângulo amoroso entre Jules, Nic e Paul, o filme retrata assunto bem contemporâneo como a inseminação artificial em mulheres homossexuais e o relacionamento com os filhos em famílias com pais gays. Previsão de estreia: 12/11/2010




Machete (2010)
Direção: Robert Rodriguez,Ethan Maniquis


Após o seu obscuro Sin City, Robert Rodriguez está de volta com mais um filme de ação violento e bem humorado. O herói sanguinário é Machete (Danny Trejo) que é contratado para assassinar um político corrupto interpretado por Robert de Niro. Desta vez, temos a ascensão de um herói latino com toda a ultraviolência que é tão peculiar ao cineasta, amigo de sangue de Tarantino. Previsão de estreia: 12/11/2010





Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (2010)
Direção: Woody Allen

Com grande elenco e grande diretor, Você vai conhecer o homem dos seus sonhos é mais uma comédia dos relacionamentos bem a la Woody Allen. Anthony Hopkins faz o papel do côroa que se relaciona com uma mulher mais jovem, ex-prostituta. Gemma Jones é a esposa divorciada após o fim de um casamento de 40 anos. Naomi Watts é a mulher que não engravidou por conta dos problemas com o marido e Josh Broslin é mais um profissional frustrado. Em Woody Allen, nenhum relacionamento é perfeito e é bem provável que o homem/a mulher dos sonhos só exista nos seus sonhos. Previsão de estreia: 26/11/2010.




O Garoto de Liverpool (2010)
Direção: Sam Taylor Wood


Uma das cinebiografias mais aguardadas é a de John Lennon em O Garoto de Liverpool, que relata a infância, a adolescência e o início da carreira musical do astro do saudoso The Beatles. No papel de John, o jovem bonito e talentoso do momento Aaron Johnson (de Kick Ass), mais estiloso do que nunca e seu amigo Paul McCartney é interpretado por Thomas Sangster. O filme enfatiza também a solidão do artista e marca a estreia de Sam T Wood na direção. Previsão de estreia: 03/12/2010




A Última Estação (2010)
Direção: Michael Hoffman


Com a presença de um ilustre e talentoso elenco composto por nomes como Christopher Plummer, Helen Mirren, James McAvoy e Paul Giamatti, o filme é adaptado do romance homônimo de Jay Parini, baseado na biografia do renomado escritor russo Leon Tolstoi (Christopher Plummer), um dos expoentes máximos da Literatura Mundial com clássicos como Guerra e Paz e Anna Karenina. O filme relata as experiências de suas viagens em busca de uma vida humilde. Previsão de estreia: 10/12/2010





Não me deixe jamais (2010)
Direção: Mark Romanek


Basedo no romance Never let me go de Kazuo Ishiguro, o longa-metragem estrelado por Keira Knightley, Carey Mulligan e Andrew Garfield traz a história de Ruth, Cathy e Tommy, três jovens que foram criados juntos em um internato, e que na vida adulta enfrentam novas experiências em seus novos destinos que colocam à prova a verdade dos sentimentos que sentem um pelo outro. Sem previsão de estreia no Brasil.





Um lugar qualquer (2010)
Direção: Sophia Coppola


O vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza 2010 traz novamente o tédio e a melancolia tal comum nos filmes de Sophia Coppola como Virgens Suicidas e Encontros e Desencontros. Um ator Hollywoodiano interpretado por Stephen Dorff curte sua vida vazia pseudoglamurosa com o charme decadente entendiante, transitando entre a promiscuidade de suas relações sexuais casuais, a futilidade da riqueza, o sentimento de esvaziamento perante os compromissos sociais e profissionais e a convivência com sua filha proveniente de um casamento fracassado, interpretada por Elle Fanning (irmã da crescidinha Dakota Fanning). O tédio é uma merda, em Sophia Coppola ele é cool. Previsão de estreia: 28/01/2011





Bróder (2009)
Direção: Jeferson De

Elogiado pela crítica, Jeferson De lança seu primeiro longa-metragem e tem reconhecimento com a seleção de Bróder para a mostra panorama do Festival de Berlim 2010 e aclamado no Festival de Paulínia deste ano. Indo na contra-mão dos filmes de ultracriminalidade do cinema Favela Brasileiro, Bróder é um filme sobre a amizade de 3 jovens que cresceram na mesma comunidade mas tomaram destinos diferentes. Previsão de estreia: 03/03/2011

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mostra SP 2010 : Sentimento de Culpa (Please Give) - 2010

34ª Mostra Internacional de Cinema



Sentimento de Culpa
é mais um ótimo trabalho da cineasta Nicole Holofcener, uma das mais atuantes e renomadas no Cinema Americano Independente e uma Nova Yorkina que celebra a Arte de fazer Cinema com a neurótica e cosmopolita cidade como pano de fundo, em uma versão que podemos encarar como uma Woody Allen de saias, mas sem o ceticismo que o acompanha e sem necessariamente ser Woody Allen, afinal cada um é único e está no seu quadrado. Nicole é sensível e espontânea para digirir as neuras das mulheres, naturalmente uma cineasta que dirige o cotidiano do ser humano e seus dilemas existenciais já que este seu novo filme tem um estilo cool indie e melancólico, com espaço para o riso dramático que funciona muito bem aqui, afinal temos que rir para não chorar da nossa louca normalidade com medos, anseios, frustrações, etc.
O início do filme já dá o tom feminino e é marcado por um plano de vários seios de diversos tamanhos, formas e tipos passando por processos de mamografia. Um belo começo para trazer à memória a singularidade de ser mulher.








Desta vez, o longa-metragem brinda-nos com a presença de Catherine Keener, queridinha da cineasta e uma atriz que não precisa do sucesso dos holofotes para confirmar que é realmente talentosa e responsável pela veracidade dos papéis que interpreta, aliás, mais um bom papel para Keener que expressa divinamente o título do filme. Aqui, ela é Kate, uma mulher de meia idade, esposa de Alex (Oliver Platt) e mãe da adolescente Abby (Sarah Steele) que é dona de um antiquário que compra objetos raros de pessoas falecidas. De forma muito racional e meramente comercial, Kate seleciona móveis antigos quando os familiares desejam se livrar do legado de seus mortos, assim Kate os compra por uma ninharia e vende por uma fortuna. Tal negócio dá a impressão que ela é uma microempresária capitalista e sem coração, porém não. Ela lida com o negócio como qualquer dono lidaria com o seu, a diferença é que ela compensa sua mea culpa, visitando lugares para voluntariado e doando dinheiro aos sem-tetos, daí o título do filme: Sentimento de Culpa (Please give).





Complementam este ótimo elenco, Rebecca Hall e Amanda Peet como Rebecca e Mary, duas irmãs orfãs de mãe (que se suicidou) e que vivem com a avó rabugenta, Andra (Ann Guilbert, em perfeita e hilária interpretação). Rebecca e Mary são dois opostos. A primeira é uma jovem tímida, desprovida do sex appeal, não se dá bem com os homens e não vive a sua juventude; ela trabalha como técnica de raio-x auxiliando as mamografias das pacientes, além disso é muito dedicada à avó. Rebecca incorpora tão bem a sonsa da outra Rebecca que a vontade é entrar na tela e dizer: Querida, viva a sua vida porque você é uma boa jovem, merece ser feliz!
Mary trabalha como esteticista em um spa, vaidosa e sexualmente desejável, vive perseguindo a namorada do seu ex (para neuroticamente comparar-se e entender porque foi trocada por outra) e simplesmente odeia a avó. Em uma das raras vezes, Amanda Peet tem um papel decente que exige dela um amadurecimento como atriz. Ainda que Mary só pense nela mesmo, ela é uma mulher frágil por trás da carcaça de femme fatale, só não aprendeu ainda a aceitar isso. Oliver Platt representa aquele homem casado que já vê a esposa como amiga e se sente confuso ao sair do seu papel de marido fiel. Já Sarah Steele é o arquétipo da adolescente que sofre com a pele acnéica, se acha gorda e não consegue encontrar o jeans perfeito e muito menos a grana da sua mãe.






Tanto Rebecca e Mary quanto Kate e Abby lidam com as neuras femininas, roteirizadas e filmadas aqui de forma muito leve, com o realismo do dia a dia e belas imagens de Manhattan.
Para elevar o filme a um bom longa-metragem, a atuação de Catherine Keener é fundamental. Ela sabe como atuar vestindo a própria atmosfera indie do filme e isso só reforça o quanto ela é diferenciada e perfeita para trabalhar em filmes do Cinema independente Americano. Ela eleva o filme à seguinte premissa básica para estas produções: 'a vida é o que é e eu sou o que sou'. No geral, todos estão bem, sem estrelismos, sem extremismos, por isso o roteiro do filme não moraliza sentimentos tão humanos como o materialismo, o egoísmo, a traição, a raiva, a solidão, a culpa, a indecisão, a rejeição, etc. Pelo contrário, demonstra que estas emoções e/ou comportamentos são naturais e fazem parte da ambiguidade do ser. É exatamente isso que nos torna o que somos, e a culpa é um destes sentimentos muito humanos. Sentimos culpa nas mais variadas situações: por ter dito não quando queríamos ter falar sim; por trabalhar demais quando poderíamos se divertir; por ter enganado aquele(a) que menos merecia; por brigar com quem amamos quando gostaríamos de não tê-lo feito; por ter mentido quando queríamos ter desabafado a verdade; por ter dinheiro quando tantos outros não têm um centavo qualquer; por sentir que deveríamos ter tratado alguém melhor antes dele(a) morrer. São culpas! Não há mal em sentí-las, mesmo que isso doa demais, seja deprimente demais; o bem da verdade é que Kate representa aquele momento de nossas vidas que concluímos que nem todo o dinheiro que temos é suficiente para nos fazer felizes, que nem sempre podemos estar bem em tudo. Sempre falta algo. Sempre há um pouco de culpa em sentir-se mal com esta ausência. O que é este algo? Essa é a difícil resposta a encontrar que completa e dá sentido a todas as outras perguntas.


Avaliação MaDame Lumière





Título original: Please Give
Origem: USA
Gênero: Drama, Comédia Dramática
Duração: 90 min
Diretor(a): Nicole Holofcener
Roteirista(s): Nicole Holofcener
Elenco: Catherine Keener, Rebecca Hall, Oliver Platt, Amanda Peet, Ann Guilbert, Sarah Steele,etc

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Mostra SP 2010 : Cópia Fiel (Copie Conforme) - 2010

34ª Mostra Internacional de Cinema




O Cineasta Iraniano Abbas Kiarostami é uma daquelas raras almas sensíveis e diferenciadas que habitam a Sétima Arte, elevando o Cinema a definir o próprio conceito de Arte. Cinema é Arte e a Arte é feita de Artistas com letras A bem maiúsculas como as que iniciam o nome de Abbas. A apreciação de um objeto como Arte depende do nosso olhar, assim o grandioso diretor, ganhador da Palma de Ouro em 1997 por Gosto da Cereja, está de volta com Cópia Fiel, iniciando o filme com uma reflexão sobre a relação entre cópias e originais dentro da Arte. Estará Abbas nos antecipando como devemos contemplar a sua nova obra de Arte? Como nos confrontaremos com o sublime efeito de nos questionar se a história em questão é o original relacionamento entre um homem e uma mulher, ou uma cópia muito bem feita de um relacionamento que pode ser encarado como o estado bruto da Arte filmada em uma original película? Só há uma certeza: Cópia Fiel é um filme sensível que nos guia por uma leve discussão de relação entre a Francesa Elle, dona de uma galeria de Arte (Juliette Binoche, esplêndida atuação) e o escritor Inglês James Miller, premiado pelo livro Copia Conforme (William Shimell). Durante a divulgação do livro na Toscana, Elle e James se encontram para um passeio pelas ruelas perfumadas de uma Itália que tem cheiro de Arte.






Com um texto bem humorado de intensa sensibilidade a partir da simplicidade das palavras, uma cenografia encantadora, uma fotografia inspiradora, um roteiro belíssimo e uma interpretação divina de Juliette Binoche, Abbas entrega um filme conciso e envolvente cuja leveza consegue combinar perfeitamente com a profundidade dos diálogos, mesmo que os movimentos de câmera sejam mais limitados a planos longos e close-ups. Tal característica é muito rara em filmes pois nem todos conseguem harmonizar um texto descontraído com o peso de uma reflexão profunda sobre a vida, a arte, os relacionamentos, e ainda, presentear-nos com um jogo de espelhos entre um homem e uma mulher que passam a conversar como marido e mulher em um relacionamento de 15 anos. Aí reside o diferencial do roteiro: Elle e James são um casal? São tão originais que mesmo que sejam cópias de um casamento, eles são a expressão máxima de uma Cópia Fiel
. Um magnífico jogo intepretativo porém sem máscaras que se coloca perante nós. Pura Arte em um descontraído diálogo bem humorado entre um homem e uma mulher de personalidades bem distintas porém fascinantemente sinérgicos na conjunta atuação, assim Cópia Fiel é a Discussão de Relação que comprova que é possível enfocar uma DR no Cinema que foge da convencional banalidade.





Embora o sensível filme repouse a nossa alma na candura do Cinema, ele não é de todo só dócil. Nunca é dócil lidar com o tempo e a solidão das mulheres que, na origem do Diretor, remetem às mulheres do Irã, dilaceradas por simplesmente não viver o seu tempo de verdadeiro viver. Há momentos nos quais o sorriso da bela Elle oculta uma mulher solitária que só precisa sentir a mão de um homem sobre o seu ombro. Elle é uma mãe que vive com o filho na Toscana há 5 anos, e na interpretação impecável de Juliette Binoche, Elle sustenta completamente a película. Não a toa que Binoche mereceu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. O filme tem a sua beleza, a sua gentileza. Carismática, sua expressão une as duas pontas da contradição: ela demonstra a sua força e a sua vulnerabilidade, fazendo um contraponto com a racionalidade de James que, indo mais longe e sob uma perspectiva meramente social e histórica sem ser sexista, pode ser a racionalidade dos homens do Irã. Há em Elle uma necessidade de se fazer compreender, de ser amada que é totalmente ajustável à realidade de mulheres que são repreendidas em suas mais intensas emoções, no seu direito
ao diálogo, ao respeito, compreensão e amor. É possível que no jogo de espelhos de Kiarostami, Elle seja também a cópia fiel de uma original mulher Iraniana. Embora o discurso do filme não seja afirmar uma crítica à opressão sofrida pelas mulheres do Irã, há de educar o olhar para as relações da obra com a realidade circundante; eis um dos propósitos mais originais do Cinema, o de compreender o outro como em uma DR cinematográfica.





Avaliação MaDame Lumière




Título original: Copie Conforme (Certified Copy)
Origem: França, Itála, Irã
Gênero: Drama, Comédia Dramática
Duração: 106 min
Diretor(a): Abbas Kiarostami
Roteirista(s): Abbas Kiarostami
Elenco: Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière, Adrian Moore, Gianna Giachetti.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mostra SP 2010 : Rosas a Crédito (Roses à Crédit) - 2010

34ª Mostra Internacional de Cinema



O cineasta Israelense Amos Gitai deixou um pouco de lado seus filmes que enfocam as contendas entre árabes e palestinos, oxigena sua arte cinematográfica com um novo argumento sem se afastar de um contexto histórico-político, e nos transporta para uma França Pós-Guerra com seu novo longa-metragem Rosas a Crédito, baseado no romance Roses à Crédit de Elsa Triolet. No país devastado pela Segunda Guerra Mundial, emerge um nova ordem, a capitalista, que adentra as esferas do casamento da bela e vazia Marjoline (Léa Seydoux) e seu pacato marido Daniel (Grégoire Leprince-Ringuet) e o desordena com o efeito corrosivo do consumismo exacerbado. A consumista é Marjoline que trabalha em um salão de beleza, gasta mais do que recebe e tem atitudes descontroladas de comprar à crédito com inúmeras prestações, agindo como uma garota fútil, egoísta e completamente irresponsável. De uma nova máquina de lavar, passando por um colchão a molas, um carro esporte e um apartamento em Paris, Marjoline não tem limites e tem que contar com familiares que a ajudam a cobrir seus gastos desenfreados. Marjoline é a representação de uma França que caminha para o consumismo a qualquer custo, o novo sonho americano que não leva a sonho algum, somente pesadelos que destróem as relações.

Daniel é a contraparte de sua esposa. Apaixonado e de calma personalidade, ele faz tudo o que Marjoline deseja. Não questiona suas ambições, não percebe que sua esposa tem um desequilíbrio psiquiátrico. Ele herda da família uma casa bem antiga e interiorana e as rosas de seu pai. Aspirante à cientista, Daniel começa a realizar experimentos com os cromossomos das rosas, deseja prover à esposa uma vida confortável. Como toda contraparte, Daniel é a representação de uma França contrária à de Marjoline. Ele é a França dos valores familiares, das raízes na terra, do passado. Um casamento entre o passado e o futuro está fadado a sobreviver na nova ordem do Capitalismo nos escombros de uma França em Reconstrução? Saberemos mais adiante... e a talentosa Léa Seydoux dá o tom de toda a projeção com uma excelente atuação bem amparada pelo realismo da câmera de Amos Gitai. Seus close-ups introspectivos, seu comportamento compulsivo consumista, sua insatisfação com tudo que não dá a idéia de progresso, refinamento e riqueza; seu regozijo perante os catálogos de produtos para a casa, sua inconsequente atitude perante as cobranças financeiras, seu completo esvaziamento existencial são traços de uma França que perdeu a sua existência questionadora ao se dobrar aos pés do consumismo. E, no final, percebe-se que este não é um problema da França pós-Guerra, é um problema do mundo, escravo do dinheiro e do desejo desenfreado de ter e, se necessário, dever e dever para ter o que deseja. Mais um exemplo de uma crítica cortante de que a Guerra é um motor para que países devastados contraíam mais dívidas, e a Guerra é o o aqui e o agora. Nós estamos nela.


Amos Gitai realiza uma belo filme, não só pelo argumento atemporal que serve para qualquer homem em qualquer nação, mas pela forma realista que ele coloca o seu olhar, na maneira como ele dirige a película. Aliás, em filmes europeus reflexivos como este, a variável direção faz muita diferença na qualidade da produção, e no caso de Gitai, seu trabalho é fantástico. O início do filme é acompanhado por uma transmissão de rádio com a propaganda da Segunda Guerra, seguido do discurso da Resistência Francesa. Enquanto os créditos iniciais ainda tomam conta da tela, há um trabalho de arte cool que intercala as primeiras imagens e falas do elenco. Logo mais, a atmosfera familiar e bucólica do casamento de Daniel e Marjoline nos leva ao convívio com os protagonistas. Durante toda a projeção, os movimentos da câmera do cineasta são variados porém mantém uma coerência com o cotidiano de um casamento nos quais os detalhes cênicos e os silêncios primordiais substituem as palavras como, por exemplo, perceber como a casa herdada por Daniel está caindo aos pedaços e Marjoline não se dá ao trabalho de limpá-la, pelo contrário, passeia pela casa, senta para limpar o seu escarpim, lava as mãos e retoca o batom. Acompanhamos estes contemplativos momentos que guardam em si a crítica a algo bem maior. Assim, Amos utiliza da realista câmera na mão a bem enquadradas dolly, e há o primor do trabalho fotográfico de Marie-Jose Sanselme que usa bastante o foco para enfatizar de partes do corpo a meros objetos, desfocando o fundo da foto, criando um efeito de sutil e cuidadosa beleza fotográfica, e íntima aproximação conosco. De maneira geral, a câmera de Amos é para Léa Seydoux; em vários momentos, a jovem garota é filmada de uma forma que enfoca sua beleza e total futilidade que nem mesmo a beleza consegue reparar; ela nem lê livros e acha que jogar bridge em um apartamento nos Champs-Elysees após ser convidada pela dona do salão é um formidável evento, mais uma vez Marjoline encarna visualmente o constante vazio que nem os seus novos eletrodomésticos podem preencher. Dentre as ruínas de um pós guerra, ela é o vazio da coletividade do Capitalismo, que continua deixando homens nas ruínas da contemporaneidade.


Avaliação MaDame Lumière




Título Original: Roses à Crédit
Origem: França
Gênero(s): Drama
Duração: 113 min
Diretor(a): Amos Gitai
Roteirista(s): Amos Gitai, Marie-Jose Sanselme
Elenco: Léa Seydoux, Grégoire Leprince, Pierre Arditti, Valeria Bruni-Tedeschi, Arielle Dombasle

domingo, 24 de outubro de 2010

10 Belos Pôsteres de Filmes da 34ª Mostra Internacional de Cinema



MaDame Lumière prestigia mais um grandioso e tradicional evento da Sétima Arte em São Paulo, a 34ª Mostra Internacional de Cinema que acontece de 22 de Outubro a 04 de Novembro em 27 locais espalhados pela capital e com a magnitude de exibir mais de 400 fillmes. Para celebrar este momento com a beleza visual que é tão intríseca à arte cinematográfica, a sessão 'O pôster de Filme da Semana' vem em uma dose 10 x melhor, mostrando a você 10 Belos Pôsteres que encantam o meu olhar e tornam a Mostra cada ano mais encantadora, atiçando ainda mais a curiosidade do cinéfilo. Adivinhe porquê eles merecem estar aqui!






Aurora (Aurora), de Cristi Puiu
Origem: Romênia, França, Suiça, Alemanha

A profundidade da fotografia é belíssima e dada não somente na direção dos trilhos como em direção ao céu, igualmente profundo entre a sua nebulosidade e o azul fascinante. Não sabemos para onde o homem olha, ele somente segura uma bicicleta de criança a qual desconhecemos. Evoca formidavelmente a solidão, a desconhecida e ilimitada jornada de um homem.




Eu sou terrorista (Ich bin eine Terroristin),
de Valérie Gaudissart
Origem: França

Um interessante contraponto entre a afirmação do título do filme "Sou terrorista", remetendo a um assunto extremista, trágico, violento e fatal, e uma linguagem visual relacionada ao inocente e lúdico universo infantil apresentado aqui de forma mais 'adulta', com desenho de uma menina carregando uma bolsa com logo comunista e uma nota escrita em letra de mão com uma declaração " sou uma verdadeira revolucionária". Incrivelmente bem projetado!





Quando partimos (Die Fremde), de Feo Aladag
Origem: Alemanha

Uma imagem simples que expressa um mistério: respeito, devoção ou obediência? Imposto ou espontâneo? Quizás não seja nada disso. A mão não é beijada, os olhos estão tristes, pensativos, uma mulher se dobra perante um homem. Quem é este homem? Qual é a história desta mulher? Um pôster intrigante, digno de n incógnitas como 'Die Fremde' (os estranhos em alemão).





Um lugar qualquer (Somewhere), de Sophia Coppola
Origem: USA

Uma fotografia genial que isola um casal que toma sol e descansa à beira de uma piscina, e cresce para cima, dividido entre as cores de um verde florestal, o casarão branco e o céu azul o qual reflete o próprio azul da piscina. Que lugar é esse? O que se passa nesta casa? Para quem está traquilamente relaxando à beira da piscina e para quem está observando o pôster, este pode ser um lugar qualquer.





Não me abandone jamais (Never Let me Go),
de Mark Romanek
Origem: Reino Unido

Mais um belo exemplar fotográfico com uma palheta de cores muito bem combinadas na melancólica fotografia de duas crianças que correm livremente em uma direção que é aprofundada pelas linhas retas do assoalho do local. A fotografia chega a dar uma sensação nostálgica de um tempo que ficou marcado em algum momento destas vidas. Estão de costas, não vemos seus rostos, não sabemos suas histórias. Pelo título do filme, correm porque estão abandonando alguém? Ou porque foram abandonadas? Talvez nenhuma das opções, mas o que importa é a poesia deste lindo pôster.






Sentimento de Culpa (Please Give), de Nicole Holofcener
Origem: EUA


Uma linguagem visual muito bonita com um coração desenhado que pinga 'sangue' e uma jovem e um idoso logo abaixo, evocativamente levando a refletir sobre as dores deste mundo contemporâneo que sangra com indivíduos cada vez mais separados por suas diferenças. Será este senhor um mendigo? Ele pede uma esmola? Ou simplesmente é um idoso que caiu na rua? Um belo pôster com n sentimentos que afloram do coração.





Do Amor e outros Demônios (De amor y otros demonios),
de Hilda Hildalgo

Origem: Costa Rica

Sensualíssimo pôster de uma bela jovem entre as folhagens verdes próximas aos tons terrosos alaranjados. A proximidade de um homem à sua face e aos seus seios evoca ainda mais a sedução do pôster. Baseado na obra do magnífico escritor Gabriel García Marquez, Do Amor e outros demônios tem uma jovem endemoniada e um amor proibido, fatos que tornam esta imagem ainda mais imaginativa: uma jovem entre ervas curandeiras, presa a uma corda à espera de um exorcismo ou... quem sabe, um apaixonado beijo.






Cópia Fiel (Copie Conforme), de Abbas Kiarostami
Origem: França

Um pôster que conta com a delicada beleza e o charme francês de Juliette Binoche e um H de humor. Visualmente deslumbrante com um trabalho minimalista nas cores: pele alva de Binoche, um apelo bem feminino com cabelos presos negros , blusa de alcinha , e muito vermelho nos lábios e no brinco, o pôster cria um efeito fantástico colocando a atriz com o rosto mais na lateral e o destaque para um adorno. Impossível ser copiado!






Você vai conhecer o homem dos seus sonhos
(You will meet a tall dark stranger), de Woody Allen

Origem: USA

Irresistível é uma palavra que define o quanto é irresistível este pôster. O céu estrelado, a lua gigante, o côrtes beijo de um galanteador e romântico estranho em uma arte em desenho que tem muito charme e bom humor. Com um pôster destes, Woody Allen consegue ser mais otimista que o seu costumeiro pessimismo; certamente, o homem dos sonhos está 'around' e ele é alto.





O Silêncio
(Das Letzte Schweigen), de Alemanha
Origem: Baran Bo Odar

Até mesmo Hitchcok morreria de inveja deste pôster. Em um campo de trigo, um carro com portas abertas, um corpo coberto, um homem misterioso. O suspense está diante do expectador. Um pôster formidável pela proposta visual com um plano em câmera alta. Um primor!

sábado, 23 de outubro de 2010

Cupido é Moleque Teimoso (The Awful Truth) - 1937





Muitas brigas de amor e do desenrolar da separação vêm da falta de diálogo e do orgulho e ciúme que tomam conta dos casais apaixonados. O orgulho que faz com que os amantes se afastem e não assumam a verdade dos seus sentimentos é um fator destrutivo das relações amorosas e, na comédia clássica de Leo McCarey, Cupido é Moleque Teimoso (The Awful Truth,1937), ele é tratado de forma a dar vazão ao riso, relatando as cômicas desavenças entre Lucy e Jerry Warriner (os irresistíveis Irenne Dunne e Cary Grant), um casal que está em um processo de separação mas ainda se ama muito. Até sair o divórcio em definitivo, Lucy se envolve com Daniel Leeson (Ralph Bellamy), um empresário de Oklahoma, e Jerry conhece a socialite Barbara Vance (Molly Lamont), daí começam as divertidas confusões do ex-casal Warriner já que fingem não se importar com a vida amorosa um do outro, mas as atitudes nas quais se envolvem só reforçam o quanto foram feitos um para o outro. Com uma excelente direção de Leo McCarey, ganhador do Oscar por este trabalho, esta comédia matrimonial faz jus ao seu título Brasileiro: O Cupido é moleque teimoso. Se os apaixonados se amam, nada os separará, e o Cupido há de acertá-los novamente.







Com um roteiro indicado ao Oscar, o filme apreende a atenção desde o início pois a separação de Lucy e Jerry já sinaliza que não há razões sérias para o divórcio, mesmo que ambos deixem à audiência a dúvida: Jerry traía Lucy? Lucy traía Jerry? Talvez sim, talvez não... A partir daí, a adorável simpatia de Irene Dunne e a versatilidade cômica do eterno carismático Cary Grant presenteiam o expectador com situações simples, mas com uma facilidade impressionante para o riso e com um timing irônico delicioso. O longa-metragem se torna uma arena de Lucy e Jerry, um circo conjugal montado exclusivamente para revelar que o amor está lá, basta pararem com a palhaçada que é o orgulho Em uma das desavenças, há espaço até para uma das estrelas do filme, o cachorrinho Fox Terrier Sr. Smith, que pertencia a ambos, mas que agora é disputado como se fosse a guarda de um filho. A presença do Sr. Smith dá tanta graça à comédia que a cena na qual Cary Grant faz um duo musical com ele é imperdível e inesquecível para a História das clássicas comédias do Cinema.





Após assistir este agradabilíssimo longa-metragem que recebeu 6 indicações ao Oscar, mais uma vez fica evidente do porquê não se fazem comédias tão boas como as de antigamente. Naquela época, não era necessário apelar para garantir forçadas gargalhadas e muito menos banalizar o gênero com roteiros ineficientes e desprovidos de carismática diversão. Naquela época, comédias eram roteirizadas com uma fluidez cômica e uma elegância ímpar até para o ato de rir. Naquela época, tínhamos um Cary Grant, amado pelas mulheres e invejado pelos homens, e que tinha um background cômico e experiência acrobática que já havia começado na sua terra Natal, a Bristol Londrina. Ele integrara a Trupe Bob Pender Stage que o ajudara a desenvolver ainda mais suas habilidades de comediante. Cary Grant com um roteiro objetivo, perspicaz, fun e inteligente eleva ainda mais este filme pois há cenas em que ele exerce mesmo sua habilidade física para fazer rir atráves das suas caras, bocas e demais partes do corpo e o talento de fazer comédia já lhe é natural, uma marca de nascência. Definitivamente, Cary Grant foi um dos grandes comediantes que Hollywood já teve, e o melhor de tudo, ele tem o charme e romantismo único que adere perfeitamente bem às comédias românticas.


Irene Dunne está perfeita nesta atuação, merecidamente indicada ao Oscar, porque não é fácil estar ao lado de Cary Grant e continuar brilhando com luz própria. Como Lucy, sua interpretação é interessante porque inicialmente ela mantém-se 'em cima do salto alto' como parte das mulheres que, orgulhosas, não dão o braço a torcer para seus ex-maridos; mas aos poucos percebe-se visualmente como sua expressão indica que ela é apaixonada por Jerry, se divertia ao lado dele e tem saudades dele. Irenne Dune também é uma excelente comediante e tal talento é maravilhosamente bem evocado no roteiro quando ela finge ser a irmã de Jerry, demonstrando mais uma vez que já não se fazem comediantes espontaneamente comediantes como os de antigamente. Não há dúvidas de que Cupido é Moleque Teimoso é um clássico das comédias e é irresistivelmente romântico para flechar os corações que acreditam no Amor.



Avaliação MaDame Lumière




Título Original: The Awful Truth
Origem: USA
Gênero(s): Comédia, Comédia Romântica, Romance
Duração: 91 min
Diretor(a): Leo McCarey
Roteirista(s): Viña DelmarElenco: Cary Grant, Irene Dunne, Ralph Bellamy, Molly Lamont, Alexander Darcy, Cecil Cunningham.