domingo, 29 de agosto de 2010

Par Perfeito (Killers) - 2010




Par Perfeito
é mais uma comédia de ação da safra de últimos longas-metragem do gênero como Caçador de Recompensa, Encontro Explosivo e Uma Noite fora de série, filmes que divertem ligeiramente ao enfocar casais apaixonados em turbulentas enrascadas movidas a adrenalíticas perseguições, um clima de romance com brigas com DR - discussão de relação. Estrelado pelos belos, carismáticos e experientes em comédias Ashton Kutcher e Katherine Heigl e com direção de Robert Luketic que já havia trabalhado com Heigl em A Verdade Nua e Crua, Par Perfeito enfoca o início de relacionamento entre Jen Kornfeldt (Heigl) e Spencer Aimes (Kutcher) ao se conhecerem na inspiradora Nice Francesa e a perigosa jornada de fuga desses 'Killers'. Ela acabara de levar um fora do ex-namorado nerd e viaja com os pais, Mr e Mrs Kornfeldt interpretados por Tom Selleck e Catherine O'Hara. Como um conto de fadas, Jen dá de cara com o Apolínico Spencer, um homem inteligente, educado e boa pinta que a convida para um encontro. Ambos são atraídos um pelo outro, tem momentos românticos, e logo adiante já se encontram casados em cena há mais de três anos, morando em um planejado bairro no subúrbio americano.





Tudo parece perfeito para Jen. Marido bonito e carinhoso com o bel prazer do sexo diário, o que ela não esperava era ver sua vida e sua casa virar do avesso ao descobrir que Spencer é um matador profissional. Cenas de ação serão desenvolvidas na narrativa com a costumeira perseguição ao casal que briga mas não se desliga, e ainda tem que lidar com uma nova situação no casamento. Par Perfeito é clichê de comédia de ação que começa bem e termina mal. As primeiras locações resgatam belas paisagens da Cotê D'Azur Francesa, um belo casal com deliciosa química, cenas explosivas com o gostoso macho do enredo e um romance que parece um milagre afetivo. Seu início indicava que tudo daria certo, mas o roteiro não consegue desenvolver ações eletrizantes ao extremo, e muito menos a potencialidade cômica da dupla, além do desastroso final que, pasmem, afunda o enredo na mais insossa imperfeição. Muito de sua baixa temperatura no into action do casal é que Spencer e Jen são perseguidos por seus vizinhos e conhecidos que se tornam os vilões da história, tudo porque foi colocado uma recompensa para matá-lo; então as fugas são previsíveis e banalizadas, não há vilões perigosos, matadores ultraprofissionais e nem uma boa carga de suspense e intriga para ressaltar a emoção das ações, logo o roteiro é um desperdício de Heigl e Kutcher com uns coadjuvantes bem esquecíveis e dispensáveis, e resta ao expectador se divertir com algumas piadas e contemplar o carisma do casal.






O que é minimamente perfeito no filme? Se há que apontar a rara perfeição, ela é muito mais sugerida do que bem desenvolvida, ou seja, o que mais chega ao perfeito é a relação leal entre Jen e Spencer como se eles fossem feitos um para o outro desde que se conheceram, tanto que Spencer só se sente um homem 'normal' ao lado dela e isso é bonito de se ver mesmo que ele oculte o seu mortal ofício. O fato dela aceitá-lo como ele é: um matador e um mentiroso faz com que o casal seja perfeito, pelo menos dentro da limitação da película já que o amor fala mais alto. O que é fatalmente muito imperfeito no filme? O desfecho apressado, mal elaborado que é capaz de transformar mais uma overdose de comédia de ação em uma viagem cinematográfica que o expectador mais exigente fará questão de nunca mais voltar; uma pena
acontecer isso porque Heigl e Kutcher tem uma boa dose de talento, beleza e simpatia e mereciam estar em uma comédia mais que perfeita, mas o roteiro é o movie killer em ação.



Avaliação MaDame Lumière



Título Original: Killers
Origem: EUA
Gênero(s): Comédia, Ação
Duração: 109 min
Diretor(a): Robert Luketic
Roteirista(s): Bob De Rosa, Ted Griffin
Elenco:
Ashton Kutcher, Katherine Heigl, Tom Selleck, Catherine O'Hara, Katheryn Winnick, Kevin Sussman, Lisa Ann Walter, Casey Wilson, Rob Riggle, Martin Mull, Alex Borstein, Usher Raymond IV¹, Letoya Luckett, Michael Daniel Cassady, Larry Joe Campbell

O Pôster de Filme da Semana: Chinatown (Chinatown) - 1974



Por que este é o pôster da semana?

Assim como Roman Polasnky criou um clássico ao dirigir Chinatown, o filme por si só criou um belo e clássico pôster ao estampar uma arte gráfica elegantemente conceitual em linha com os dois protagonistas J.J. Gites (Jack Nicholson) e Evelyn Mulwary (Faye Dunaway) e o colorido vibrante encontrado nas Chinatows espalhadas em alguns países. Um pôster que representa arte em estado puro assim como este clássico obrigatório, ganhador de melhor roteiro original no Oscar de 1975.

O pôster tem o diferencial de ser uma arte em forma de drawing (desenho) que, quando relacionada com o enredo do filme, evoca a figura do detetive interpretado por Jack Nicholson trazendo à tona a estética do policial noir presente no filme e também ilustrado em HQ's de tramas detetivescos. Há uma atmosfera que, ao mesmo tempo, é elegante e misteriosa e que, de forma fascinante, é harmonizada com o colorido do cartaz sem invalidar o noir. A beleza se torna ainda mais deslumbrante quando a fumaça nebulosa do cigarro de J.J.Gites é também a forma dos cabelos de Evelyn Mulwary que na arte se tornam tão voluptuosos em uma aura sensual com os seus olhos delicadamente intrigantes com cílios bem marcados e lábios rosados bem delineados, tão próprios das divas de filmes noir. Essa forma do 'smoke/hair' que é parte de Gites e de Mulwary conecta a ambos em uma aura de mistério, como aquela névoa que impede de se ver o que realmente é, ou seja, a dissimulação do gênero que se apresenta tão intríseca nesse primoroso policial.
Um pôster que é o próprio deslumbre de tanta genialidade!

sábado, 28 de agosto de 2010

Kick Ass - Quebrando Tudo (Kick-Ass) - 2010


I can kick your ass/ eu posso chutar o seu rabo.
Este kick ass pode render alguns spoilers


Quem nunca pensou em virar super herói e dar um chute no rabo de quem não vale nada? Isso não é mérito só de crianças e adultos que adoram comics e lêem gibis de grandes heróis. O desejo de sair do anonimato e fazer justiça com as próprias mãos já esteve no imaginário de muitas pessoas por idealismo, vingança ou simplesmente por diversão, afinal, ser herói é ser forte e imbatível, um escape que dá poder ao mais frágil e simples mortal. Por causa dessa premissa, Kick-Ass, a violenta e 'cult' série em quadrinhos lançada pela Marvel Comics, escrita por Mark Millar e ilustrada por John Romita Jr virou um filme cool e bem recebido pelos cinéfilos; é um longa-metragem com roteiro fluído e com ótimas cenas de ação que transforma o mais excluído dos adolescentes em um super herói sem poder algum. O início do filme é um kick na cabeça de qualquer pessoa, exatamente por ser honesto com a audiência e lembrá-la de uma verdadeira afirmação: "Qual é, sejamos sinceros, em algum ponto de nossas vidas, já desejamos ser super heróis."




Com direção de
Matthew Vaughn, o longa-metragem tem a sua força em inverter o conceito do herói que vemos em outras comics cineséries como Homem Aranha e Super homem, e por ter se transformado em um elemento imperdível da cultura pop atual aproximando Kick-Ass ao heroísmo que está na veia de cada indivíduo com todas as suas vulnerabilidades em um ordinário dia a dia. Mesmo que Peter Parker e Clark Kent sejam introspectivos e inseguros em suas identidades secretas, assim como o excluído adolescente Dave Lizewski (Aaron Johnson) que interpreta Kick-Ass, a diferença é que não é dado super poderes a Dave. Ele somente torna real o desejo de ser herói, mesmo que corra o risco de ter o corpo arrebentado pelos vilões, parar em um hospital e passar vergonha com as surras que leva. Anda pelas ruas vestindo sua roupa verde que mais parece de mergulho e mal costurada, ou seja, ele é um herói comum e por sê-lo ele é bem mais próximo ao mundo real.






Como um garoto que tem uma vida apática, claramente filmada com todos os clichês de excluídos adolescentes como cenas de masturbação, de rejeição da garota gostosa da escola de participação em um pequeno grupo de amigos igualmente rejeitados, etc, Dave tem o seu momento de fugir da normalidade de seus dias chatos: o momento de
'mandar ver, eu prefiro morrer'. Transforma-se em uma celebridade que tem até página no myspace e aparece nos noticiários, no entanto o interessante é que ele não é um cara egoísta, metido a alcançar essa notoriedade de super star, este não é o seu propósito desde o início, nada foi premeditado nem essa é a intenção. Essa espontaneidade de ser Kick-Ass a qual ultrapassa o senso do ridículo e transforma o filme em uma diversão violenta, porém tragável é um outro pilar das fortalezas do longa-metragem. É um roteiro bem articulado para misturar ação com objetividade e senso de humor, por isso é uma comédia de ação envolvente; é inevitável não rir quando Kick Ass diz ao bandido que tem um affair com Katie (Lindsy Fonseca), a garota pela qual Dave é apaixonado: "Eu sou Kick-Ass, procure-me na internet, e esse sou eu te dando um recado, deixe a Katie em paz... ou então eu vou voltar e quebrar a porra das suas pernas." É evidente que ele está com um certo medo da gangue de bandidos e a cena parece uma piada, mas ele diz mesmo assim como se apertasse a tecla 'dane-se' a ele mesmo e a todos ao redor e reafirmasse: "Eu sou Kick-Ass e vou chutar seu traseiro".






Apesar da ótima interpretação de
Aaron Johnson, quem rouba a cena do filme é a Hit-Girl (Mindy MacCready) intepretada por pela atriz Chloe Moretz . Ela é filha de Big Daddy,um ex-policial (Nicolas Cage em uma excelente e hilária ponta vestindo roupa fake de Batman). Ambos são super heróis letais, bem treinados para avançar em um plano de vingança contra o criminoso Frank D'Amico (Mark Strong, o rei da vilania no Cinema Moderno)que não tem nada de amigo. A violência praticada por uma criança de 12 anos causou um ruído básico na mídia já que Hit-Girl é muito mortal e performa extrema violência, porém a participação de Chloe é fundamental para dar energia ao enredo e coesão ao final do filme com a ação conjunta entre Kick-Ass e esses seus novos amigos, além disso a química de filha e pai entre ela e Cage confere ao roteiro uma das mais emotivas cenas da fita, e sua presença é mais verossímil com a violência do HQ original cujas páginas são um derramamento de sangue. Para fechar o entretenimento do filme, surge um novo adolescente trajado de herói em quadrinhos, Red Mist (Chris D'Amico, o filhinho do papai Frank) interpretado por Christopher Mintz Plasse, que tem um papel interessante em ação. Sendo um filho mimado, um garoto isolado e sem amigos, e que não se envolve nos negócios ilegais do pai, Red Mist é um anti herói com roupa de super herói já que ajuda o pai a sacanear com Kick-Ass, no entanto há uma ingenuidade nele que se mistura com a vilania herdada pelo pai e há momentos em cena que indicam que ele não queria ter sido tão traíra com Kick-Ass, afinal ambos têm o isolamento adolescente em comum.




Com um
comics muito bem elaborado pela dupla Millar e Romita, Kick-Ass tem todo o apelo pop e cômico para ser cultuado em uma franquia que já tem continuação programada e em fase de produção sob a direção de Matthew Vaughn, um cineasta que está tão bem cotado no universo Marvel comics que também dirige o aguardado X-Men: First Class. Com um belo desfecho, uma contagiante trilha sonora, uma soberba fotografia, um roteiro direto ao ponto de ação com elementos da modernidade do mundo web midiático, o tom de paródia de super heróis como Batman e narrativas em off e em flashbacks, Kick-Ass já começou quebrando tudo para construir uma nova história do mundo ficcional HQ's no Cinema.




Avaliação MaDame Lumière




Título Original: Kick Ass
Origem: EUA, Inglaterra
Gênero(s):
Ação, Comédia
Duração: 117 min
Diretor(a):
Matthew Vaughn
Roteirista(s):
Jane Goldman, Matthew Vaughn. Adaptação do HQ Kick Ass de Mark Millar, John S. Romita Jr.
Elenco: Aaron Johnson, Garrett M. Brown, Clark Duke, Evan Peters, Deborah Twiss, Lyndsy Fonseca, Sophie Wu, Elizabeth McGovern, Christopher Mintz-Plasse, Stu 'Large' Riley, Johnny Hopkins, Ohene Cornelius, Mark Strong, Michael Rispoli, Corey Johnson

domingo, 22 de agosto de 2010

O Amor Acontece (Love Happens) - 2009



O título de O Amor Acontece, drama romântico com Aaron Eckhart e Jennifer Aniston diz tudo o que não acontece no filme, pelo menos, não na sua completude. Na verdade, tem um pouco de propaganda enganosa nesse título, e falta mais romance. O longa que marca a estreia de Brandon Camp na direção é muito mais um drama 'água com açucar' de um homem em processo de redenção. Embora Eckhart e Aniston tenham um primeiro encontro que somente o destino clicherizado das comédias românticas permite, não há uma relação amorosa construída ou em crescente desenvolvimento para divertir o expectador e fazê-lo suspirar o romance em tela, fato que dá uma outra dimensão para este filme que conta a história do viúvo Burke Ryan (Aaron Eckhart), renomado autor de best-seller de auto ajuda, que perdeu a esposa em um acidente de carro e não consegue superar essa perda.





Ao invés de assumir publicamente o sofrimento da perda e lidar com a vulnerabilidade desse sentimento, ele entra em um processo de negação da dor, se torna um escritor 'celebridade' e palestrante de workshops fazendo muito sucesso com um livro que relata como lidar com as perdas: o A-Okay (Estou legal). Este livro transmite uma visão otimista através de uma série de capítulos que não são praticados pelo autor, logo Burke age como um hipócrita vendedor de receitas prontas de auto-ajuda em seus workshops, e espera que seus leitores tenham um comportamento de superação o qual ele mesmo não incorpora em suas atitudes. Durante um workshop em um hotel em Seattle, cidade onde vive os pais de sua falecida esposa, ele encontra a florista Eloise (Jennifer Aniston), encanta-se com ela e eles se aproximam em uma amizade que ajudará ambos em suas carências. Ela, uma mulher sem sorte no amor que acabara de ser traída pelo ex-namorado músico, ele, um viúvo que mente a dor que sente e se afastou de amigos e familiares após a morte da esposa. Nesse cenário, Eloise é uma peça fundamental para fazer com que Burke inicie o seu processo de redenção e resolva as pendências que tanto o amarguram, ela se transforma em um ombro amigo que percebe que ele esconde uma dor dilacerante e é a primeira mulher pela qual ele se interessa após a morte da esposa.





Considerando as limitaçõs do roteiro, Aaron Eckhart comprova mais uma vez que é um ator de primeira grandeza e eleva a qualidade dessa fita. Ele é altamente responsável com sua atuação que harmoniza os dois extremos: o palestrante motivacional e o angustiado viúvo Burke. Jennifer Aniston está apagada, subutilizada na película porque o timing cômico da atriz, que é o que a promove no Cinema desde a série Friends, não é importante aqui. Ela não dá vida nem à sua faceta romântica e carismática nem a sua faceta humorística, então o roteiro não favorece o seu papel, e quem segura o filme é o personagem em foco: Burke Ryan. O Amor Acontece é um filme descontraído e pasteurizado para ser um drama romântico que move o personagem de Eckhart para um outro nível de amadurecimento, o de recomeçar a sua vida. O fato dele agir como um ator ao ministrar suas palestras e workshops evidencia que ele precisa mais de ajuda do que seus leitores e alunos. E ele não tem culpa de mentir sobre sua dor e fazer sucesso com isso; existem várias pessoas por aí que fingem todos os dias o quão dilaceradas estão. Na verdade, superar as perdas é um processo doloroso e cada um reage de uma forma, tem o seu tempo de permanência na negação até atravessar todo o deserto e dizer sim para uma nova vida. Muitas vezes, para lidar com as perdas e recomeçar uma nova vida, precisamos encontrar o amor de um(a) amigo(a), um familiar, um(a) namorado(a)ou qualquer pessoa que nos faça enxergar que vale a pena virar a página e seguir a jornada com superação, resiliência e otimismo, por isso, apesar dos clichês, O Amor Acontece não é um longa-metragem descartável e é recomendado a quem gosta de auto-ajuda; ele age como um espelho de que cada ser humano precisa perdoar a si próprio e alcançar a redenção, esta é a melhor ajuda da auto-ajuda.



Avaliação MaDame Lumière



Título Original: Love Happens
Origem: Canadá/EUA
Gênero(s): Drama, Romance
Duração: 109 min
Diretor(a): Brandon Camp
Roteirista(s): Brandon Camp, Mike Thompson
Elenco:
Aaron Eckhart, Jennifer Aniston, Dan Fogler, John Carroll Lynch, Martin Sheen, Judy Greer, Frances Conroy, Joe Anderson, Sasha Alexander, Clyde Kusatsu, Anne Marie Loder, Tyler McClendon, Panou, Michael Kopsa, Michelle Harrison

sábado, 21 de agosto de 2010

Salt (Salt) - 2010



Angelina Jolie, mãe, esposa, atriz, embaixadora da ONU e diva moderna e sensual tem o dom de elevar qualquer produção cinematográfica muito em função de sua multifacetada imagem, beleza e profissionalismo. Não é que ela não seja talentosa como atriz, mas poucos de seus papéis a desafiaram em uma excepcional performance interpretativa, entre eles: Garota Interrompida, O preço da coragem e Troca que pela característica mais dramática dos personagens e do enredo trazem maior responsabilidade autoral para a musa. Com Salt, novo filme de Philip Noyce, experiente cineasta em thrillers de espionagem como Jogos Patrióticos e Perigo Real e Imediato, e com o qual Jolie já havia trabalhado em O Colecionador de Ossos, ela é a agente da Cia Evelyn Salt, acusada de ser uma espiã russa. Perseguida implacavelmente em uma série de eventos de tirar o fôlego e que contam com os agentes Winter (Liev Schreiber, excelente ator) e Peabody (Chiwetel Ejiofor), Salt tem que provar que não é a traíra da história e impedir a conspiração do Dia X.






Quem espera ver cenas quentes com Angelina Jolie como a bela agente Salt, engana a si mesmo. A atriz já não prioriza tal estereótipo acerca de seu imbatível poder de sedução. O máximo que há em cena é o seu relacionamento com o marido Mike Krause (August Diehl) que não é desenvolvido porém tem uma variável importante que é mostrar que, por trás da fria expressão da agente da CIA, há um coração sensível e que se apaixonou por um homem em um cenário que não prioriza o amor e que coloca a vida dos dois em risco. Mais uma vez, Angelina Jolie coloca em prática a sua elegância letal e habilidoso manejo de ação como uma heróina. Ela o faz muito bem e consolida de uma vez por todas que nasceu para ser uma ótima atriz de ação. Poucas atrizes o conseguem fazer com tanta competência, e principalmente com estilo e charme. No desenvolvimento dessa película, Angelina Jolie foi bem treinada para trabalhar bem as cenas de ação, as sequências de lutas, principalmente porque, no início, seu papel foi concebido para ser interpretado por um homem que teria uma forma mais truculenta de atuar, no entanto após a escalação de Angelina Jolie, o propósito era desenvolver a ação pautada em uma maior leveza corporal, feminina sem afastar-se da verossimilhança de uma perigosa agente da CIA. Angelina se saiu muito bem neste papel e demonstrou que voltou à forma física e ativa bem rápido, considerando os oito meses que separam o parto de seus gêmeos e o início das filmagens de Salt.





Salt é pura ação em um suspense eletrizante que cresce com a trilha sonora e coloca Angelina Jolie em destaque, mas é um cinema de espionagem bem diferente de tramas mais bem desenvolvidas com bastante mistério, intrigas e reviravoltas. Seu roteiro deixa a desejar no registro de um spy drama mais elaborado por isso, para quem espera um complexo thriller de espiões, Salt não é o filme certeiro neste quesito. Basicamente, Salt é acusada, foge da agência para salvar sua própria pele, e é perseguida até que o clímax revele quem é quem. O foco é colocar Angelina Jolie concentrada e fria o suficiente para provar sua inocência. O efeito é dinâmico, conciso e, portanto, não há espaços para dramáticos diálogos. Levando em conta a vantagem de ter enfocado mais em ação e menos em dramaticidade, Salt é um filme de uma agente feminina, o que dá uma bem-vinda e contemporânea leitura para o Cinema de agentes secretos, já que os mais conhecidos são homens como Jason Bourne e James Bond. Aliás, este deve ter sido o bom propósito dos produtores que, ao unirem Angelina Jolie e sua experiência de ação em filmes como Lara Croft, Sr e Sra Smith e O Procurado à personagem de uma agente da Cia puderam entregar um filme comercial com uma atriz que vende facilmente sua imagem, apostando em marketing, sucesso de bilheteria e uma nova mulher espiã.





Embora a ação seja bem realizada e crescente, Salt deveria ter desenvolvido melhor a trama, seu conteúdo 'intelectualizado' de espionagem, desta forma, se tornaria menos previsível e mais inteligente. O fato da divulgação Sony Pictures ter lançado um hotsite na qual há um excelente jogo SALT - O Dia X existe, baseado no dia chave do ataque dos conspiradores e que divide com o expectador uma realista experiência com Salt alimentou grandes expectativas do teor desta trama. O jogo é tão bem feito que dá para esperar por uma trama bem misteriosa e dramática, porém não é o que acontece e o envolvente jogo é mais emocionante que a película. Como é prática, o Cinema de Espionagem aqui usa as mesmas fórmulas prontas, ou seja, a oposição USA e Rússia dos tempos de Guerra Fria , a oposição USA e países árabes e o iminente conflito entre eles, e a cultura do medo americano que é exatamente a vitimização de que eles fazem na qual o presidente dos Estados Unidos pode dar início a uma guerra diplomática ou morrer a qualquer momento. Tais fórmulas prontas quando roteirizadas e filmadas com a mesma previsibilidade empobrecem o longa-metragem e não acrescentam nenhuma nova leitura fílmica, um excepcional registro. Nesse aspecto, Salt merecia mais sal para ficar menos insosso.




Avaliação MaDame Lumière


Título Original: Salt
Origem: EUA
Gênero(s): Ação, Suspense
Duração: 100 min
Diretor(a): Philip Noyce
Roteirista(s): Kurt Wimmer
Elenco:
Angelina Jolie, Liev Schreiber, Chiwetel Ejiofor, Daniel Olbrychski, August Diehl, Daniel Pearce, Hunt Block, Andre Braugher, Olek Krupa, Cassidy Hinkle, Corey Stoll, Vladislav Koulikov, Olya Zueva, Kevin O'Donnell, Gaius Charles

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Aprendiz de Feiticeiro ( The Sorcerer's Apprentice) - 2010



Jerry Bruckheimer é um versátil produtor da velha guarda Hollywoodiana que já fez muito pela Sétima Arte e tem um portfólio de produções bem variadas entre os gêneros. Começou bem com longas que caíram no gosto do público jovem da década de 80 como Top Gun - Ases Indomáveis, Um Tira da Pesada e Flashdance e ótimos filmes de ação nos anos 90 como Maré Vermelha e A Rocha. Em 2001 dedicou-se bastante ao Cinema de Guerra com memoráveis trabalhos como Falcão Negro em Perigo e Pearl Habor e, em alguns trabalhos posteriores, Bruckheimer começou a dar indícios bem claros de que produziria películas de aventura com bastante ação que resgatassem histórias mais míticas, mágicas em um enredo de heróis e vilões que correm risco no mundo em busca e/ou proteção de tesouros e relíquias, firmando ainda mais sua relação com a Disney e seu produto fantasia. Nesse contexto, entram sua parceira com Gore Verbinski na franquia de Piratas do Caribe, com John Turteltaub na franquia de A Lenda do Tesouro Perdido e com Mike Newell em Príncipe da Pérsia: As areias do tempo. Com seu mais recente filme, o produtor decide 'não mexer em um time, e nem fazer mágica' e roda mais um longa Bruckheimer Films e Disney; traz Turteltaub e Cage (de novo juntos) em O Aprendiz de Feiticeiro, que também conta com o humor nerd de Jay Baruchel (de Ela é demais pra mim).


Nicolas Cage é Balthazar Blake, aprendiz de feitiçaria do grande mestre Merlin. O grandioso Merlin enfrentou uma grande força do mal, a feiticeira Morgana (Alice Krige). O combate entre bem e mal gerou consequências para o futuro da humanidade e uma missão para Balthazar, a de encontrar o escolhido 'aprendiz' Dave Stutler (Jay Baruchel) e ensinar-lhe a arte da magia em plena moderna Nova York. Ambos lutam contra o arquinimigo Maxim Horvath (Alfred Molina) para evitar que as forças maléficas de Horvath destruam o mundo. Com tanta testosterona de bruxos, O Aprendiz de Feiticeiro não deixa de ter um mágico toque feminino: a bela Monica Bellucci como a feiticeira Veronica, amada de Balthazar, e Teresa Palmer como Becky Barners, a garota dos sonhos de Dave.





Turteltaub e Cage não evoluem nesta nova parceria. Diferente de A Lenda do Tesouro Perdido que, mais inspirada em Indiana Jones, é uma aventura bem mais divertida e, como tentativa, traz à memória a nostalgia da famosa franquia lançada por Steven Spielberg e George Lucas, O Aprendiz de Feiticeiro é mais como um livro de fantasia que a Disney desejou ver materializado em imagens fílmicas. Está distante da qualidade e do carisma de O Príncipe da Pérsia também lançado este ano, o que indica que Bruckheimer deveria ter parado no herói Dastan. Com a presença de Baruchel, o longa-metragem tenta ser engraçado e aproximar-se de um público mais jovem, mas não consegue nem conquistar pelo humor e muito menos pela ação, e ainda conta com um Nicolas Cage feiticeiro, de peruca e descabelado que comprova mais uma vez que ele adora interpretar os 'espiritualizados' ou não tem muito como fugir de papéis de vidente, feiticeiro, caçador de bruxas, etc. O resultado é uma aventura rica em efeitos visuais e pobre em roteiro de ação que faça a diferença no imaginário do expectador, além de uma relação entre aprendiz e feiticeiro que não é bem desenvolvida e não rende melhores resultados.O filme é bem preguiçoso com roteiristas preguiçosos, foi uma cômoda produção da Disney que poderia tê-la tornando mais encantadora, mais envolvente na relação entre Nicolas Cage e Jay Baruchel, que comportaria bem a questão do aprendizado x mentoring. Quem está um pouco melhor é Alfred Molina que tem classe para ser vilão, privilegiado pelo figurino. Nicolas Cage se diverte com as excessivas bolas de plasmas lançadas por suas mãos e faz as caras e bocas que, ora indicam que ele é pirado, ora indicam que ele combina com estes engraçados papéis que ele aceita, e Baruchel faz a interpretação básica do estereotipado nerd tolinho que se esforça em fazer umas piadas e ter coragem de confessar seu amor à garota legal, o que comprova que nem mágica faz milagre cinematográfico e que O Aprendiz de Feiticeiro merece uma bola de plasma... direto nele!



Avaliação MaDame Lumière




Título Original: The Sorcerer's Apprentice
Origem: BRA
Gênero(s): Ação, Fantasia, Aventura
Duração:
109 min
Diretor(a):
Jon Turteltaub
Roteirista(s): Doug Miro, Carlo Bernard, Matt Lopez, Matt Lopez, Lawrence Konner, Mark Rosenthal
Elenco: Nicolas Cage, Jay Baruchel, Monica Bellucci, Alfred Molina, Ethan Peck, Teresa Palmer, Toby Kebbell, Alice Krige, Omar Benson Miller, Robert Capron, Ali Khan, Peyton List, Jake Cherry, Manish Dayal, Kate Gorney

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A Emblemática Citação da Semana: Jerry Maguire (Jerry Maguire - A Grande Virada) - 1996



Show me the money!

(Cuba Gooding Jr. e Tom Cruise,
em Jerry Maguire - A Grande Virada, de Cameron Crowe)


sábado, 14 de agosto de 2010

Amelia (Amelia) - 2009


"Eu tinha que voar... o mundo me mudou"
(Amelia Earhart)


Amelia é um daqueles filmes biográficos difíceis de avaliar exatamente por faltar algo mais dramático, conflitivo, inspiracional em seus roteiros. É parte da gama dos mais contemplativos que ganham na atuação do protagonista, no figurino de época, na direção de arte e na fotografia, e deixam de desenvolver qualquer ação mais elaborada; tornam-se estranhamente medianos, permanecem como uma cinebiografia para poucos apreciadores, fãs e curiosos sobre a personalidade em evidência; no caso deste, a de Amelia Earhart, a mulher que revolucionou o mundo da aviação na década de 30, como aviadora, propagandista e militante dos direitos femininos e desapareceu misteriosamente nas águas do Pacífico em 1937. Estrelado por Hilary Swank no papel da pioneira aviadora americana, o filme tem no elenco Richard Gere no papel de George Putnam, editor, publicitário, grande incentivador e marido de Amelia, e Ewan McGregor como Gene Vidal, especialista em aviação e breve affair de Amelia.


"Todos têm oceanos para cruzar desde que tenham o coração para fazê-lo"


Amelia Earhart é uma mulher que simboliza paixão, pioneirismo, persistência, inteligência e audácia, qualidades que a tornam uma mulher-modelo em uma época machista e preconceituosa; consequentemente, ela é uma ótima personalidade para as cinebiografias Hollywoodianas que intencionam retratar indivíduos que superaram dificuldades, são inspiradores e tornaram-se mitos em suas áreas de atuação, além de ter uma singularidade: ser uma mulher na aviação, o que foi uma afronta em um universo bem masculino até hoje, basta ver a quantidade de mulheres que pilotam. Ainda são raras, por isso Amelia é uma boa idéia para elevar o reconhecimento das grandes mulheres da humanidade, principalmente daquelas que se arriscaram na aviação ou em profissões ditas 'masculinas'. Retratá-la com sua visão apaixonante foi a intenção e o foco de direção de Mira Nair, porém o roteiro não catalisa esta veia tão passional de uma forma tão emotiva, profunda, espontaneamente sublime. Apesar dos esforços de Hillary Swank, fisicamente bem caracterizada na masculinizada figura de Amelia Earhart e seu sotaque carregado, Amelia tem um viés caricato com um texto que apela para narrativas em off e citações inspiracionais que, se tivessem embutidas em um roteiro mais 'ativo, apaixonado e bem formatado', poderiam soar mais naturais e belas, menos prontas e evocativamente propositais. Mesmo as boas atuações do famoso trio de atores, sensível trilha sonora de Gabriel Yared, uma fotografia deleite de Stuart Dryburgh não fazem milagre para tornar Amelia uma cinebiografia diferenciada.



"Deixe eu partilhar minha vida com você. Me deixe tentar dar o que você quiser"


Este é o maior problema de Amelia. Ao mesmo tempo que ela é uma personalidade inspiracional, ela não o é por completo da forma que o filme a conduz. Este é o estranhamento da película. Mira Nair capricha em evocar a beleza imagética do mundo da aviação e dirige seu olhar para a paixão de Amelia Earhart, dado que desde o começo do filme, Amelia é decisiva no projeto de cruzar o Atlântico, e depois dar a volta ao mundo, nem que isso custe-lhe a vida. Ela diz "Eu quero ser livre, para ser uma desocupada do ar", citação que é um formidável exemplo do espírito da aviadora pois materializa o senso de liberdade e conquista de mulheres que têm sonhos desafiadores. Infelizmente, o roteiro não a ajuda. Ele trabalha nos desafios aéreos da aviadora com excelente reprodução da época, e fundamenta-se em um texto que aflora os sonhos de aviação de Amelia e o seu romance com George Putman.


"O que os sonhos sabem sobre limites"?

George a incentiva e sofre a cada vez que ela embarca sem a certeza de sua volta, o que transmite a emoção de que não é fácil amar alguém que vive voando nos céus e persegue este sonho continuamente, além disso é interessante notar que Amelia só aceita o casamento por amá-lo e pelo comprometimento de George em incentivá-la, mesmo que isso signifique perdê-la para sempre. Ele a ama tanto.É nessa relação de amor que Amelia tem os seus melhores momentos, entre o drama e o romance, entre a espera do ir e do vir de Amelia entre uma viagem e outra e, nem mesmo o affair dela com o charmoso Gene Vidal desanda a relação. Com isso, é perceptível observar que a película não tem a intenção de criar grandes conflitos (inter)pessoais, muito menos um sólido triângulo amoroso que renderia um apetitoso caldo McGregor-Swank; Amelia é uma respeitosa homenagem fílmica à aviadora, nada mais. Ainda assim, é bonito de ver que a história de uma grande mulher pode ser muito mais fascinante quando seu amado a compreende, a apoia e luta com ela para que os mais belos sonhos se transformem em realidade. Os minutos finais fazem a biografia crescer em qualidade cinematográfica, dada a tensa dramaticidade em um clímax de doer o coração, mas aí já é tarde demais, já é hora de aterrissar no final do filme.

Avaliação MaDame Lumière




Título Original: Amelia
Origem: EUA
Gênero(s): Biografia, Drama, Romance
Duração: 111 min
Diretor(a): Mira Nair
Roteirista(s): Ron Bass, Anna Hamilton Phelan, Susan Butler, Mary S. Lovell
Elenco:
Hilary Swank, Richard Gere, Ewan McGregor,Christopher Eccleston, Joe Anderson, Cherry Jones, Mia Wasikowska, Aaron Abrams, Dylan Roberts, Scott Yaphe, Tom Fairfoot, Ryann Shane, William Cuddy, Elizabeth Shepherd,Richard Donat

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O Pôster de Filme da Semana: À Francesa (Le Divorce) - 2003



Por que este é o pôster da semana?

À Francesa é uma comédia bem mediana estrelada por duas blondies: Kate Hudson e Naomi Watts e com direção de James Ivory (de Vestígios do dia e Retorno a Howard's End), Kate é a americana Isabel Walker que vai visitar a irmã Roxeanne em Paris, a qual está grávida e foi abandonada pelo marido. Isabel acaba se envolvendo em um caso amoroso e convive neste inspirador e romântico cenário Francês que também têm diferenças de como lidar com os dramas do romance. Diferente da sensualidade do pôster, com um belo par de seios à mostra e a Torre Eiffel entre eles, À Francesa é uma comédia leve e despretensiosa e não é tão sexy assim. Porém, o fantástico pôster da semana foi selecionado por sugerir a real semiótica sexual de sua arte, que é muito mais ousada e divertida. É um exercício de imaginação altamente erótico no trocadilho de À Francesa, tradução Brasileira para o filme, para "À Espanhola", assim revelando a idéia de um ato masturbatório no qual o pênis do homem fica entre os seios da mulher. A Torre Eiffel, signo principal de Paris, assume a simbologia do pênis do amante Francês, podendo ser o de Edgard (Thierry Lhermitt) colocado entre os seios de Isabel. Um cartaz com um toque de humor erótico, como diria Nelson Rodrigues: engraçadinho e ordinário.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

MaDame Series Opina: Seriado Roma - 2ª Temporada (Rome - Second Season) - 2005-2007

MaDame Series Opina
O momento fora de série
sobre Seriados de TV
por MaDame Lumière




Sobre Roma - 2ª Temporada: é um seriado de TV épico da HBO (EUA) em parceria com a BBC (Reino Unido) e a RAI (Itália) que dá continuidade ao dramático e conflituoso período romano e a luta política pelo poder da República. Após a morte do Imperador Romano Julio Cesar (Ciarán Hinds) em 44 a.C, seu sobrinho-neto Gaio Otávio Cesar (Max Pirksis/Simon Woods) é nomeado o herdeiro de seu Império, emancipa-se como um jovem líder e abandona o lar para criar um poderoso exército legionário e disputar o poder com Marco Antônio (James Purefoy), cônsul de Roma e amante de sua mãe Atia de Júlio (Polly Walker). Brutus (Tobias Menzie) e Cássio (Guy Henry) são exilados como inimigos do Estado e pretendem voltar ao poder apoiados pela engenhosa mente de Servília (Lindsey Duncan), mãe de Brutus e inimiga nº 1 de Átia. Após testemunhar o suicídio da esposa e sofrer com sua traição, o virtuoso soldado Lucius Vorenus (Kevin McKidd) amaldiçoa seus filhos e se corrompe como escória de Roma, começando uma jornada de podridão moral, e posterior redenção. Ao lado de seu leal amigo Tito Pullo (Ray Stevenson), eles cuidam de suas famílias, transitam no Colegiado e nos becos imundos de Roma lidando com a corrupção e a pobreza da cidade e mantendo a ordem para evitar rebeliões. A série mantém as bases desta sociedade: intrigas, poder, ambição, traições, mortes, deuses, sexo, e desta vez, conta com o lendário romance entre Cleópatra (Lyndsey Marshal) e Marco Antonio, seu poder e declínio moral em Alexandria (Egito) e o advento do Império Romano por Gaio Otávio César em 27 a. C.





Opinião Geral: Esta temporada se apóia muito mais no jogo político através dos conflitos entre Gaio Otávio César e Marco Antonio, e todos os envolvidos neste ambiente sórdido. O desvirtuosismo da arena política provida por uma sede de poder desmedida se apropria de Roma. Se por um lado, é enriquecedor observar as bases da política Romana que influenciaram o mau caratismo egocêntrico dos políticos, por outro lado o seriado perde bastante em roteiro,deixando de harmonizar os diversos pilares de drama e suspense que foram tão fascinantes no seu lançamento. Não é que estes acontecimentos deixam de acontecer, na verdade, eles ocorrem em menor grau, com menos intensidade emotiva e não são tão envolventes como na primeira série que é bem mais ágil, mítica, vibrante,emocionante, arrebatadora. Além do contexto ser bem diferente, alguns personagens deixaram de ser inspiradores ou bem diabólicos: Lucius Vorenus se torna o anti-herói, um homem antipático, bem chato e revoltado. Átia de Julio está menos má e engenhosa, mais introspectiva e depressiva.Colocaram Simon Woods como um Otávio César sem carisma de vilão e um intragável e mimado tirano em cena, Servília não tem mais a ótima influência de antigamente, nem tem mais um César que a ignore como mulher. A Cleopatra de Roma nem convence nem encanta, e desperta saudades da bela Elizabeth Taylor. Roma 2 é convidativa por conta de Marco Antônio e Tito Pullo: bonitos, charmosos, carismáticos e com algumas falas que divertem. Apesar da produção ter caído de qualidade geral, ainda é um excelente seriado.





Prós: A possibilidade de observar a arena política de Roma e como a política é feita de egos bem inflados e o simples prazer de fazer política melhor que o oponente. A presença de Ray Stevenson ilumina mais uma vez a série; mesmo sendo um soldado violento, ele tem uma nobreza de coração que é fascinante e equilibra bem o adorável perfil de Tito Pullo.

Contras: Além de ter que aguentar cenas deprimentes com personagens como: Átia, Lucius, Otávio César, etc, o seriado parece um longa-metragem com início, meio e fim. Perdeu na agilidade, diversidade, liberdade, objetividade, leveza e entretenimento de uma série. Enfocou muito o jogo político, ficou séria demais.

Cena(s) imperdível(is): Pelo registro cômico dramático: os tapas trocados entre Marco Antônio e Otávio César em uma briga 'divisora de águas'. Pelo registro lírico religioso: Brutus mergulha nu em um rio se transformando em um 'novo homem'. Pelo registro do desejo obsessivo e violento: a briga selvagem entre Tito Pullo e Gaia seguida de uma louca e 'sucia' trepada.

Por que você deve assistí-lo? Roma é uma ótima (e rara) série de TV épica, muito bem elaborada, com um elenco excelente e que bebe da fonte do maquiavélico do ser humano. Oferece uma visão geral das bases de uma política que não mudou tanto assim: o poder individual acima do interesse coletivo, o povo morrendo de fome enquanto as orgias e as estratégias de expansão de um Império ocorriam na Alta Cúpula. Roma é filmada com o seu espírito mítico e carnal, sua riqueza e sua pobreza, sua inebriante fascinação e sua terrena podridão, isso a torna uma formidável representação de uma sociedade atemporal.


Avaliação MaDame Lumière


Título original: Rome - second season
Origem: EUA, ITA, UK

Gênero: Drama, épico
Duração: 55 min/cada episódio
Criador(es): John Milius
William J. MacDonald
Bruno Heller
Diretor(a): http://www.imdb.com/title/tt0384766/fullcredits#writers
Produtores: John Milius
William J. Macdonald
Bruno Heller
Franck Doelger
Anne Thomopoulos
John Melfi
Elenco: Kevin McKidd
Ray Stevenson
Polly Walker
Kenneth Cranham
Tobias Menzies
Max Pirkis
Indira Varma
Kerry Condon
Lindsay Duncan
James Purefoy
Simon Woods