sábado, 31 de julho de 2010

MaDame Loves: 10 Filmes Inteligentes e Orgásmicos

Inteligência é afrodisíaco!
Inteligência cinematográfica e´orgásmica!



Hoje é dia do Orgasmo, mas orgasmo deveria ser comemorado todos os dias assim como o Cinema, não é mesmo? Afinal, são prazeres! O Orgasmo e o Cinema têm muito mais em comum do que imaginamos. Ambos liberam esta energia pulsante do prazer, esta libido cinematográfica. Não a toa que o Cinema utiliza amplamente o hedonismo desta relação libidinosa e erotiza a Arte e os corpos, explicitamente ou mais implicitamente. Pensando neste dia muito especial, MaDame Lumière preparou uma seleção de 10 filmes que não oferecem cenas sensuais somente gratuitamente. Alguns são suspenses, outros são dramas, romances, etc e tem muito mais a acrescer do que só o Erotismo. São filmes que unem a sedução, sensibilidade e a inteligência ao roteiro, e por diferentes razões, são excelentes películas para um prazer a dois, todos os dias!

Tema: Inteligência+Sensualidade+Sensibilidade no Cinema
=(é igual a)
Orgasmo cinematográfico







10º Perdas e Danos (Damage,1992)
de Louis Malle

Jeremy Irons é Dr. Stephen Fleming, político de vida estruturada. Juliette Binoche é Anna Barton, noiva do filho dele e a outsider que chega à vida de Stephen e faz mudanças irreparáveis. Eles se envolvem em uma arrebatadora relação, povoada por intenso desejo e obsessão. Como o título original 'damage', o sentido de causar dano é o que acontece quando uma relação amorosa afeta a harmonia e a tranquilidade familiar, ou seja, é ganhar ou perder, mas o sexo e o amor enlouquecidos faz perder a cabeça, e até a família.




9º Lucía e o sexo (Lucía y el sexo,2001)
de Julio Medem

Paz Vega é Lucía, uma sensual e inteligente garçonete que é abandonada pelo namorado, o escritor depressivo Lorenzo (Tristán Ulloa) e parte em uma solitária viagem de descobertas e recordações.As esferas de realidade e imaginação se misturam à história de ambos que é construída como uma poesia na tela, e o sexo funciona como uma escrita para contar sobre o amor, a decepção, o abandono, a solidão, etc.





8º Henry e June
(Henry & June, 1990)
de Philip Kaufman


Henry & June é baseado no erotismo e na biografia de Anais Nin, logo é um filme bastante sensual em cada olhar insinuante, em cada toque excitante. Em plena Paris da década de 30, a película nos leva a uma jornada erótica à relação entre Anais Nin (Maria Medeiros), Henry Miller (Fred Ward) e sua esposa June (Uma Thurman ) na qual Anais tem uma irresistível atração lésbica por June, o que traz uma forte tensão erótica ao filme e evidencia que o desejo pode não ter orientação sexual, ser bissexual em sua mais liberal natureza, principalmente, com a câmera de Philip Kaufman que já filmou o sensual A insustentável leveza do ser (1988).




Desejo e Perigo (Lust, Caution, 2007)
de Ang Lee


Neste suspense de espionagem de Ang Lee, durante a ocupação Japonesa na China na segunda Guerra Mundial, uma jovem espiã da oposição, Wong Chia Chi (Wei Tang) se envolve com um homem influente Mr Lee (Tony Leung) porque ele é o inimigo que ela deseja matá-lo. A relação sexual não só captura o coração do poderoso homem, como também todo o seu corpo obsessivo e, enfim, aproxima-os como um analgésico nesta época de perda de referências nacionais.




6º E sua mãe também (Y tu mamá también, 2001)
de Alfonso Cuarón


Um encontro inesperado entre os jovens amigos Tenoch (Diego Luga) e Julio (Gael Garcia Bernal) com a desconhecida Luísa (Maribel Verdú) se transforma em uma viagem de estrada ao México, rumo a uma ilha paradisíaca. Divertida e realista e com uma base da realidade social e política do país, a jornada traz autoconhecimento a este trio que se envolve afetivamente e compartilha sonhos e realidades, principalmente os amigos que descobrem o desejo sexual entre eles.






5º A insustentável leveza do ser
(The unbearable lightness of being, 1988)
de Philip Kaufman


Baseado no livro obra prima de Milan Kundera, Tomas (Daniel Day-Lewis) é um médico que tem aversão a relações amorosas sérias e estáveis; ele tem várias amantes, uma delas é a sexy Sabina (Lena Olin). Ele conhece a doce Tereza (Juliette Binoche). Os três acabam se envolvendo, entre a amizade e o prazer e Tomas, pego pelo destino do amor, não consegue mais viver sem Tereza.O filme traz a questão como os amantes se envolvem em uma relação, com compromisso ou não, se são indomáveis ou não, e muito do peso da obra recaí na mudança emocional de Tomas, o home que 'tem a leveza do ser', livre leve e solto.





4º Carne Trêmula (Live Flesh, 1997)
de Pedro Almodóvar


Victor (Liberto Rabal) se apaixona loucamente à primeira vista por Elena (Francesca Neri). Ele a visita em sua casa, mas ela não o deseja. Ele saca um arma e acaba atingindo o policial David (Javier Bardem). Quatro anos mais tarde, David já está em uma cadeira de rodas, impotente e casado com Elena. Victor saí da cadeia e os reencontra, o que desdobra o drama em um suspense noir bem almodovariano com o incontrolável desejo que se mescla ao amor, à vingança, à obsessão e à fatalidade do destino deste trio.





O último Tango em Paris
(The Last Tango in Paris, 1972)

de Bernardo Bertolucci



Paul (Marlon Brando), um americano de meia-idade cuja esposa acabara de se suicidar, conhece Jeanne, jovem e desconhecida parisiense (Maria Schneider). Eles dão início a uma libertária e casual relação sexual sem citar seus nomes e se encontram somente entre quatro paredes. O último Tango em Paris foi uma indecência na década de 70, porém é o retrato de um homem solitário, cheio de questionamentos sobre a morte fatal da esposa e que mergulha no sexo e no gozo imediato para tirar-lhe a dor.





2º Vicky Cristina Barcelona
(
Vicky Cristina Barcelona, 2008)
de Woody Allen



Woody Allen e sua honestidade com a contemporaneidade dos relacionamentos amorosos e as neuroses dos amantes está neste belo, divertido e sexy filme que conta com os ultra bonitos Javier Bardem (Juan Antonio), Scarlett Johansson (Cristina) e Penélope Cruz (Maria Elena) e ainda Rebecca Hall, como Vicky. As amigas Cristina e Vicky são bem diferentes. Cristina é sexualmente liberal. Vicky é a tradicional e está noiva. Ambas conhecem o Don Juan Juan Antonio e se envolvem com ele, mas ele tem uma ex-mulher transtornada, possessiva e passional que, mais tarde, tem um relacionamento em trio com o ex-marido e Cristina. No troca - troca, muitas verdades sobre os sentimentos afetivos, transitando entre a liberdade, a convencionalidade e a sensualidade.




1º Os Sonhadores (The Dreamers, 2003)
de Bernardo Bertolucci


A ode erótica ao Cinema dirigida por Bertolucci é um fantástico trabalho metalinguístico com a sétima Arte, mesmo que o aflorar sexual entre 3 jovens em pleno começo da década de 70 fascine os amantes do Erotismo. Os irmãos Theo (Louis Garrell) e Isabelle (Eva Green) conhecem o estudante americano Matthew (Michael Pitt) e durante 1 mês entregam-se aos prazeres de um delicioso mènage a trois em um filme que fala de Cinema, mas é também a perda da inocência e a necessidade de deleitar-se no hedonismo das descobertas em uma dolorosa época revolucionária.



sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Bem Amado - 2010




O Bem Amado
, obra icônica da teledramaturgia Brasileira e escrita por Dias Gomes foi um marco como novela no seu lançamento em 1973, em cores em caráter inédito. Baseada na obra teatral do mesmo autor, Odorico - O Bem Amado (1962) criou um tipo de político corrupto, verborrágico, mentiroso e engenhosamente adepto a planos astutos para privilégios próprios: Odorico Paragaçu, a figura legendária do prefeito de Sucupira, interpretado formidavelmente por um dos melhores atores da TV, Paulo Gracindo. A atemporalidade e funcionalidade de O Bem Amado para os dias atuais está em seu conteúdo satírico, de branda crítica política do Brasil, considerando que Odorico Paragaçu é tão bem amado que têm seguidores políticos até hoje cujos comportamentos enganadores e fraudulentos refletem os ensinamentos do prefeito de Sucupira.








Encabeçam no time de produção, direção e roteirização desta renovada adaptação para o Cinema, respectivamente, a toda poderosa produtora Paula Lavigne, o diretor de núcleo da TV Globo e cineasta Guel Arraes e o roteirista Claudio Paiva (de A Grande Família). Complementando a equipe, o elenco tem competência e experiência em Cinema Brasileiro e a maioria é cria do staff Global: Marco Nanini (Odorico Paragaçu), José Wilker (Zeca Diabo), Matheus Nachtergaele (Dirceu Borboleta), Andréa Beltrão, Drica Moraes, Zezé Polessa (as irmãs Cajazeiras), Tonico Pereira (Wladimir), Caio Blat (Neco), Maria Flor (Violeta), Bruno Garcia (Ernesto) e o bêbado Moleza (Edmilson Borges, ótimo). No enredo, localizado cronologicamente entre a Ditadura Militar e as Diretas Já, Odorico Paragaçu vence as eleições de Sucupira e assume o poder local. Cria um projeto de construir um cemitério na cidade, porém não consegue inaugurá-lo porque não morre ninguém em Sucupira. À procura de um defunto para o coletivo mausoléu surucupiano, Odorico Paragaçu elabora uma série de artimanhas para cumprir o seu retórico discurso corrupto e vazio, impregnado da verborragia de novos adjetivos e advérbios que matam a Língua Portuguesa gratuitamente, com muita lorota. Longe de substituir o Odorico de Paulo Gracindo, Marco Nanini, como um excelente ator Brasileiro, se esforça bastante em personificar um homem metido à esperto mas preso à preguiga governamental e ao seu escritório na prefeitura. Ele derrama toda a sorte de neologismos em cena por falta de um texto mais criativo e menos cansativo, no final, fatiga o expectador não por incompetência interpretativa mas porque o colocaram em um papel ingrato, o de um político oportunista, farsante e predador social que não tem nada a acrescentar ao discurso, e muito menos à ação deste roteiro.









O Bem Amado tem uma previsibilidade como material cinematográfico não porque advém de uma referência prévia e bem sucedida da teledramaturgia Global, mas porque tem o estilo barroco Nordestino de Guel Arraes que já produziu comédias, com base metalinguística no Teatro como as adaptadas obras o Auto da Compadecida (2000, de Ariano Suassuna, e um excelente trabalho) e Lisbela e O Prisioneiro (2003, de Osman Lins), todas com produção da Natasha Filmes, e as já costumeiras parcerias da Globo Filmes, Petróbras e outras empresas patrocinadoras. Com a apaixonante veia de trazer as obras teatrais e valorizar o legado linguístico e cultural do Brasil à tela grande, Guel Arraes é um cineasta que se conecta afetivamente com os Brasileiros que apreciam suas comédias de ligeiro entretenimento, por isso, para os já avisados e adoradores da filmografia de Arraes, O Bem Amado é diversão leve e garantida, capaz de tirar-lhes algumas risadas mesmo com a limitação do roteiro que tem muito de TV e que se sustenta por um prefeito ridículo que persegue um defunto para um cemitério ao invés de correr atrás de seu papel como homem eleito pelo povo. O que esperar de uma projeção desta? Muito pouco, a não ser rir da própria fatalidade da política Brasileira e como Odorico Paragaçu a representa. Para isso, Claúdio Paiva foi escalado porque ele faz ótimo humor, como em TV Pirata, Sai de Baixo e A Grande Família; O Bem Amado precisava muito mais de um humorista e de nenhum experiente roteirista de Cinema.








O bem da verdade é que a fórmula de Guel Arraes é como a faca de dois gumes Funciona a favor ou contra, corta para os dois lados. Se por um lado, agrada por incluir o expectador neste saudosista ambiente nordestino (novamente), cheio de dizeres tão locais, a caracterização de um cenário escapista de risos debochados, uma viagem a uma cidadezinha interiorana cuja primeira parada é em uma locação de novela global ; por outro lado, frusta os mais exigentes e que esperam mais do Cinema Brasileiro, principalmente sua separação das referências da telenovela e de roteiros fracos que não aprofundam tramas e reflexões (por conta do registro da obra cinematográfica que ainda é muito novelístico). Em O Bem Amado, a faca de dois gumes se torna uma peixeira de dois gumes porque há uma obra forte na teledramaturgia que foi bem funcional para a TV, e não precisava ir para o Cinema com um orçamento de 8 milhões de Reais, que poderia ter sido investido em um material 100% inédito. A novela fez história, contou com um Paulo Gracindo espetacular, um Emiliano Queiroz e Lima Duarte idem, e embora o filme de Guel Arraes não é um remake da Sétima Arte, comparações existirão e elas não servem para nada. Por que?









Já usando um advérbio em homenagem à Odorico Paragaçu, 'primeiramente e muito emboramente', Guel Arraes não inova em seu estilo de fazer Cinema, se embrenha em retalhar o roteiro com material jornalístico da época de Jânio Quadros, João Goulart e Tancredo Neves, coloca algumas cenas soltas e dispensáveis como a do romance de Maria João e Caio Blat e das irmãs cajazeiras correndo atrás do prefeito viúvo e mulherengo, usa como muleta um texto que prioriza à exaustão o tom verborrágico de Odorico Paragaçu, o argumento de O Bem Amado é nobre mesmo em sua caricatura e fragilidade. O fato de Odorico Paragaçu se empenhar tanto em um projeto tolo e inútil de construção de cemitério não está relacionado somente às fraudes como desvio de verbas e propinas,mas porque é exatamente o que acontece no Brasil até hoje, ou seja, não se coloca esforços governamentais em questões de interesse público, de desenvolvimento sócio-econômico; além disso as esferas de direita e esquerda já têm tênues ou nenhuma fronteira ideológica, mandatos dos políticos são conduzidos como meros trampolins individualistas e cada um deles cuida de seu próprio feudo, dane-se o povo. A ironia é ver que a imprensa, representada por Wladimir do jornal A Trombeta (Tonico Pereira) também se corrompõe, o bandido matador de aluguel Zeca Diabo (José Wilker) é o anti-herói regenerado da história e vira um mocinho, e o alcoolizado coveiro Moleza (Edmilson Borges) apoia o prefeito quanto mais a cachaça desce guela abaixo e uns trocados extras no bolso; por isso, o estereótipo de Odorico Paragaçu é contemporâneo e seu projeto de governo é uma piada o levando a ridicularização extrema até o tiro sair pela culatra, e comprova que ele fez escola a ponto de descobrirmos que Sucupira não é nada mais que a metáfora do Brasil. Com este elemento de que a Arte imita a vida (e a vida imita a Arte), e em véspera de eleições, O Bem Amado - O filme pode ser bem amado, nos fazer rir do nosso país e ainda mostrar mais uma vez que, ao longo de décadas, o Brasil não evoluiu quase nada em seus perfis de políticos e muito menos em quem votar.



Avaliação MaDame Lumière




Título Original: O Bem Amado
Origem: BRA
Gênero(s): Comédia
Duração:
110 min
Diretor(a):
Guel Arraes
Roteirista(s): Guel Arraes e Claúdio Paiva , baseado na obra de Dias Gomes 'O Bem Amado'
Elenco: Marco Nanini, Andréa Beltrão, Zezé Polessa, Drica Moraes, Matheus Nachtergaele, Tonico Pereira, Maria Flor, Caio Blat, Bruno Garcia, José Wilker

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Emblemática Citação da Semana: Casablanca - 1942


"We'll always have Paris"
"Nós sempre teremos Paris"
"Siempre nos quedará Paris"
"Nous aurons toujours Paris"
"Avremo sempre Parigi"

"Wir haben immer noch Paris"
.
.
.
(Rick Blaine, intepretado por Humphrey Bogart
no esplêndido clássico romântico Casablanca)






Casablanca, Romance, Paris, Cinema, sempre,
em diversas línguas do Amor!




quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Pôster de Filme da Semana: Kill Bill: Vol.2 - 2004


Por que este é o pôster da semana?
Um das tarefas mais difíceis é selecionar qual pôster de Kill Bill merece estar aqui, de tão conceitualmente geniais, todos mereceriam esta homenagem, porém este pôster da cult obra prima de Quentin Tarantino une a poderosa expressão de raiva e vingança da Noiva e sua audaz postura frontal na arte, segurando sua fiel companheira, a espada Samurai Hattori Hanzo, com destaque para o vestido angelicalmente branco destacado de forma alongada e de frente (diferente do lindo pôster na qual o vestido aparece de perfil e com sombreamento em dourado) e ainda tem belo acabamento de bordados na saia, tudo para ressaltar qual 'linda, delicada e adorável' é a Noiva. O relevo em forma de tatoo, difícil de ser apagada e esquecida é a marca desta revanche, 'Kill is love', com um coração ferido com 2 espadas atravessadas em formato de X e que juntas são como o golpe mortal e vingativo, cravejado com a habilidade da noiva em mais uma luta, o nocaute final da Mamba Negra, um desfecho que feriu também seu coração como a de uma história de amor, afinal 'Kill is love', and sometimes Love is also be killed...by L.O.V.E.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Shrek Para Sempre (Shrek Forever After) - 2010



Com o lançamento de Shrek para sempre, quarto e último filme sobre a saga do adorável ogro, a Dreamworks finaliza mais uma franquia de sucesso que não conseguiu superar a hegemonia geral da Disney/Pixar na competitiva indústria de animação, porém adicionou um toque de humor irreverente à uma inesquecível "quadrilogia" ao usar a metalinguagem dos contos e personagens infantis consagrados pela Disney e a junção de elementos mais pop satíricos para subverter a animação de uma forma mais cool e despojada, e dar um tom simpático à paródica crítica aos estúdios Disney/Pixar usando um casal que inverte o conceito de beleza física do herói e da bela princesa: Shrek e Princesa Fiona, dois ogros corajosos e rebeldes, donos de um caráter virtuoso, mas feios de doer. Diferente da Pixar, a Dreamworks ainda não tem a habilidade de humanizar a animação e roteirizar questões mais intimistas como fez a Pixar em Toy Story 3, logo Shrek incomoda mais o background ' de histórias idealizadas' da Disney, mas ironicamente não se afastou do happy end familiar no último capítulo de Shrek.






Em Shrek para sempre, o ogro (Mike Myers), pai de três filhos, tem uma crise de identidade em meio a um bem estabelecido casamento com Fiona (Cameron Diaz). Sente falta da época em que era solteiro e temido por todos e se entristece com aquela vida familiar a qual não consegue mais valorizar. Decide ser um Shrek Faustiano e assinar um acordo com Rumpelstitskin (Walt Dohrn), um invejoso vilão com um plano diabólico, obscuros poderes mágicos e uma lábia sedutora que influencia Shrek a ter a vida que tinha antes. De forma ingênua, Shrek assina o pacto com este diabinho, perde tudo o que tinha, inclusive sua família e amigos. O reino tão tão distante está em trevas e é dominado por Rumpelstitskin que o habita com suas bruxas horrorosas. Fiona não reconhece Shrek como seu amado e é uma guerreira da resistência que luta pela libertação dos ogros. Ao perceber a burrada que fez, Shrek tenta recuperar sua Fiona e sua vida de volta e aprende a valorizar a família.






Há alguma coincidência entre a história de Shrek e o que acontece às pessoas na vida real? Sim. Cansadas de suas vidas enfadonhas, elas 'vendem a alma ao diabo', muitas vezes por puro desespero e se esquecem de valores básicos como a família, o casamento, etc; por isso o argumento da fita não é novo e é muito válido porque Shrek entra em um processo natural de um ser humano falho como qualquer um de nós; ele volta os seus pensamentos para o passado nostálgico, o que é muito intríseco às crises existenciais nas quais a vida presente recebe o rótulo da banalidade e nada está bom do jeito que está. Logo mais, Shrek colhe o aprendizado que é amar o que se tem de mais precioso: Fiona, seus filhos, seu lar. Este é o pro argumentativo da animação, e o contra principal? O roteiro de Shrek para sempre se dispõe a entregar a saga do ogro sem ressaltar tanto o papel do herói no filme. Shrek fica em segundo plano, quando na verdade, ele deveria dar mais vida à película e assumir o seu papel principal, derramar sua peculiar interpretação na tela com tanta força emotiva como se tivesse se emocionando ao tomar o seu último banho de lama. O
'estar em segundo plano' é tão irônico porque ele só terá a família de volta se provar a Fiona que eles são apaixonados, ou seja o amor o salvará e ele tem uma ação muito mais principal do que coadjuvante a tomar, mas ele está apagado na fita e enxergar isso é muito mais perceptível na prática, é uma questão mais de percepção durante a exibição da animação do que de concepção da história.






O filme somente se torna bom por conta das costumeiras piadas dos indispensáveis Burro (Eddie Murphy) e do Gato de Botas (Antonio Bandeiras) que dão o humor base ao longa-metragem e entregam as melhores cenas engraçadas, das referências cômicas a alguns personagens infantis como o pinóquio, os três porquinhos, as bruxas, etc e de algumas cenas românticas de Shrek e Fiona, mas de maneira geral, aliado a uma animação visualmente mais 'dark', o roteiro perde bastante no seu frescor e no seu peso afetivo, perdendo a oportunidade de fechar com chave de ouro a franquia deste estimado ogro. Tendo alcançado um grande sucesso de bilheteria no Brasil ao superar filmes como Encontro Explosivo, A Saga O crepúsculo - Eclipse e Toy Story 3, mesmo que o filme não emocione ao extremo e nem tenha a brilhante narrativa do adeus à Toy Story , a conexão afetiva com Shrek foi determinante para alçar tal topo de bilheteria, o que comprova que ninguém gosta de despedidas mas dar o último abraço é acalentador e honroso. A mensagem 'forever after' de Shrek para sempre é o final familiar que fecha a franquia com aquela felicidade de ver que Shrek encontrou o seu lar e sempre encontrará nossos lares, de braços abertos a receber este ogro que também é parte de nossas famílias.




Avaliação MaDame Lumière




Título Original: Shrek forever after
Origem: EUA
Gênero(s): Animação,Comédia
Duração: 93 min
Diretor(a): Mike Mitchell
Roteirista(s): Josh Klausner, Darren Lemke
Elenco: Mike Myers, Eddie Murphy, Cameron Diaz, Antonio Banderas, Julie Andrews, Jon Hamm, John Cleese, Craig Robinson, Walt Dohrn, Jane Lynch, Lake Bell, Kathy Griffin, Mary Kay Place, Kristen Schaal, Meredith Vieira

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Encontro Explosivo (Knight and Day) - 2010




Tanto Tom Cruise quanto Cameron Diaz já protagonizaram filmes de ação nos quais suas mortais habilidades acrobáticas e de tiro ao alvo foram testadas: Ela como a Pantera Natalie Cook de As Panteras e As Panteras detonando, Ele, em especial, como o agente Ethan Hunt da franquia Missão Impossível. Acrescidos a estas habilidades com efeitos especiais, o charme e sorriso cativantes do galã de longa data com o viés cômico da loira de comédias românticas criam em Encontro Explosivo um novo casal na gama de comédias de ação como foi Angelina Jolie e Brad Pitt em Sr & Sra Smith (2005), Jennifer Aniston e Gerard Butler em Caçador de Recompensa (2010) e o próximo lançamento nacional, previsto para final de Agosto, Par Perfeito com Katherine Heigl e Ashton Kutcher. Sob a direção de James Mangold (do ótimo Jonnhy e June), Tom Cruise e Cameron Diaz entregam uma diversão ligeira, despretensiosa e descontraída que mesmo sem um roteiro impecável, não peca na química do casal e nem no efeito cômico, e ainda entrega uma combinação de atração física imediata entre os personagens centrais, que vivenciam uma série de situações inusitadas de ação bem balanceadas com o flerte e o humor em belas locações globais como Jamaica, Espanha, Áustria, etc.







June Havens (Cameron Diaz) e Roy Miller (Tom Cruise) se conhecem no aeroporto. Ela, uma mulher comum em trânsito de viagem, tem o casamento da irmã mais nova no próximo final de semana. Ele, um agente secreto da CIA, que está fugindo da agência. A atração entre eles é instantânea e ele a usa como isca para embarcar em um avião. A partir daí, a vida dela muda da água para o vinho Bacciano(mas sem sexo), da vida ordinária de uma mulher solitária para uma perigosa e arriscada incursão ao mundo dos agentes secretos. Perseguidos pelo agente Fitzgerald (Peter Sarsgaard) sob o comando da Diretora George (Viola Davis), June e Roy viajam por um cenário repleto de locações internacionais onde páram pelas formas mais rápidas e improváveis possíveis. O roteiro forçado no inusitado da ação tem a velocidade (e a atratividade ) de funcionar como uma viagem global, embalado por esta atração deles que não é movida por uma relação amorosa oficial, pelo contrário, eles se paqueram e o que vale é a excitante companhia. June confia nele e se sente empolgada por estar próximo dele, mesmo que corra risco de ser morta a qualquer momento. Já Roy a acha uma mulher bonita, inteligente e especial e tem um senso de proteção com ela. Esta tensão amorosa na comédia de ação e como Cameron Diaz performa melhor e brilha muito mais que Tom Cruise é o que eleva a natureza qualitativa desta película considerando seu subgênero que não tem nada a acrescentar além do entretenimento fácil, por isso Encontro Explosivo é bom aperitivo cinematográfico para um fim de tarde ocioso. O expectador é presenteado com a sensualidade do 'tangotronic' do fascinante Gotan Project com as calientes Santa Maria (do tango entre Richard Gere e Jennifer Lopez em Dança Comigo) e Diferente e com a dançante canção-tema Someday do The Black Eyed Peas, além das presenças ilustres de Viola Davis e Peter Sarsgaard que, mesmo em papéis menores, legitimam a seriedade e competência de suas coadjuvantes ações.






Embora mais experiente que Cameron Diaz e com mais abertura para desempenhar a sua veia cômica neste filme (tanto que faz bem o lado 'engraçado' de Roy), Tom Cruise faz somente a lição de casa. Por culpa do roteiro? Também sim, mas, de maneira geral, o filme não agrega tanto em sua carreira. Ele já era Ethan Hunt e tem no currículo outras melhores performances de ação como Missão Impossível e de drama como Colateral e Magnólia, com isso a sensação para quem gosta dele e aprecia sua filmografia ao longo de mais de 20 anos é que Tom Cruise ou não tem selecionado melhores seus papéis de ator 'sênior' ou não tem surgido convites que não sejam de filmes de ação ou de melhor desafio interpretativo. Cameron Diaz já teve uma melhor sorte com este Encontro Explosivo. Como uma atriz mediana e com humor graciosamente infantil em alguns trabalhos prévios, ela incorpora ao já papel limitado de June Havens mais maturidade, carisma, romantismo e um toque feminino à ação de Roy. As cenas em um trem na Áustria, em um hotel em Sevilla e na praia jamaicana dão a dimensão de que ela não é relegada a um papel de mulher indefesa e tola, pelo contrário, ela é esperta e também dita a ação assim como Tom Cruise e, o melhor, ela dá o tom humorístico certo daquela mulher que está se apaixonando por um homem misterioso que a tira do lugar-comum do anonimato, daquela mulher também vulnerável que só deseja ser beijada por um bonito e corajoso agente secreto... isso sim é mais explosivo, e ainda tem Scorpions na trilha sonora para 'estremecê-la como um furacão'.




Avaliação MaDame Lumière




Título Original: Knight & Day
Origem: EUA
Gênero(s): Ação, Comédia
Duração: 110 min
Diretor(a): James Mangold
Roteirista(s): Patrick O'Neill
Elenco: Tom Cruise, Cameron Diaz, Peter Sarsgaard, Jordi Mollà, Viola Davis, Paul Dano, Falk Hentschel, Marc Blucas, Lennie Loftin, Maggie Grace, Rich Manley, Dale Dye, Celia Weston, Gal Gadot, Jack A. O'Connell

domingo, 25 de julho de 2010

Cine Família: A Última Música (The Last Song) - 2010



Os dois últimos best-sellers do escritor Nicholas Sparks: Querido John e A última Música emplacam a lista de mais vendidos nas livrarias do Brasil. Antes não havia livros do escritor traduzidos para o português e, para comprá-lo em pocket book em inglês, havia que aguardar uma encomenda importada. Agora Nicholas Sparks é febre editorial e na ambição comercial do escritor (e dos estúdios de Cinema), ele lançou estes livros na tela grande, com pouca diferença de tempo. Os romances do escritor emocionam multidões pela facilidade e a sensibilidade melodramática do escritor em falar sobre o amor, a doença e a família. Em praticamente boa parte de seus livros, há uma história de amor com aproximações e distanciamentos dos apaixonados e, há uma variável trágica de perda, normalmente uma enfermidade que ocasiona a morte.


Diferente de Querido John, dirigido pelo ótimo Lasse Hallström,com um casal de atores mais experiente e bonito: Channing Tatum e Amanda Seyfried, e distribuído pela Sony Pictures, A Última Música é o primeiro longa-metragem de Julie Ane Robinson, tem a distribuição da Disney que teve relevante influência na concepção dele já que a estrela da série Hannah Montana, a cantora teen Miley Cyrus é a protagonista escolhida com 2 canções: I hope you find it e o conhecido hit When I look at you, logo este é um projeto Disney e Cyrus e muito de seu resultado cinematográfico regular advém desta parceria com a inexpressiva atuação da cantora, candidata à atriz Hollywoodiana. No roteiro romântico (e com abordagem familiar), Miley Cyrus e Liam Hemsworth são Ronnie Miller e Will Brakelee, dois jovens que se conhecem em uma cidade litorânea durante o Verão Americano, período que Ronnie e seu irmão Jonah (Bobby Coleman) deixam a casa da mãe Kim (Kelly Preston) e passam férias com o pai Steve Miller (Greg Kinnear). Ronnie é uma adolescente rebelde, sem amigos e que, após a separação dos pais, tem uma relação distanciada com Steve de forma a tratá-lo hostilmente. Seu pai toca piano e, ela também é uma pianista talentosa, candidata forte à renomada escola Juilliard mas desistiu da música. Ronnie vive o primeiro amor com Will, e estando mais amorosa, ela começa a se relacionar melhor com o pai. Após uma triste notícia familiar, ela terá que assumir seus erros, perdoar e valorizar o amor e a família.






Com uma inspirada fotografia e cenografia de cidades litorâneas, tão comuns nos Sparkianos Querido John e Noites de Tormentas, e uma trilha sonora acima da qualidade do filme com cool songs de Aaron Zigman, One Republic, Maroon 5, Alpha Rev, Raveonettes e Eskimo Joe, A Última Música só mantêm estas virtudes técnicas. O longa deixa bastante a desejar em comparação a filmografia adaptada de Sparks; os namorados(na vida real) Miley Cyrus e Liam Hemsworth são tão feitos um para o outro que não têm química e muito menos o mesmo poderio de atuação, o que faz com que a emoção não seja vibrante na tela nem sob a ótima do romance juvenil e muito menos do drama familiar. Acabam usando como muleta algumas cenas clichês de primeiro amor. Basta reparar bem nas fisionomias de ambos que se mantêm congeladas entre uma cena e outra sem nenhuma variação interpretativa em viver intensamente aquele drama, e as partes mais sentimentalistas são realizadas por Greg Kinnear e Bobby Coleman, este último, uma graça e simpatia de garoto mas mal utilizado pois coube a ele todo o melodrama com closes em seu rosto rebuscado de lágrimas, capaz de cortar o coração da audiência ao ver o seu sofrimento. É bem provável que se a direção de elenco tivesse colocado uma atriz jovem, mais experiente e carismática como Dakota Fanning ou Ellen Page no lugar de Miley Cyrus, elas seriam capazes de mimetizar o drama, mais vivamente, mais verossímil . Cyrus tem muito a aprender como atriz e, deve investir sua fortuna em aulas de interpretação já que só serviu para fazer cenas de brincadeirinhas entre recém apaixonados como escrever seus nomes em uma árvore,e brincar de jogar barro um no outro e aquelas briguinhas birrentas e pueris.






Por outro lado, para desfrutar da lição de moral do filme e prestigiar os esforços de Sparks como escritor, o expectador tem que esquecer dos pontos fracos da produção. Esqueça-os para chegar ao final da película! Aquela velha história de que só nos damos conta que amamos alguém quando estamos prestes a perdê-la ou a perdemos, é o que acontece aqui e que torna A Última Música um mensageiro de que perdas são irreparáveis, o tempo não volta atrás e segundas chances são importantes, por isso é preciso estar ao lado de quem se ama, principalmente dos pais. A receita Sparkiana é a mesma: bem sentimental, tocante. O longa-metragem rende lágrimas em alguns momentos, mas muito mais em função das cenas de pai e filho(a) como aconteceu com Channing Tatum e Richard Jenkins em Querido John, a diferença é que não há um Tatum e muito menos um Jenkins, além do roteiro ter problemas de foco narrativo, ou seja, não consegue nem desenvolver o romance, nem o drama familiar e nem o aspecto musical, vira uma miscelânea de emoções interpretadas de forma superficial ou perdidas. Por exemplo, embora o argumento diga que a música aproxima pai e filha, isso é uma mentira na divulgação. Não há um desenvolvimento narrativo expresso em imagens filmícas que diga: Ronnie propicia ao expectador momentos musicais que os aproximam; o que representa uma oportunidade jogada fora, a música sempre emociona e ela é um dos personagens mais grandiosos se usada bem como um catalisador dos sentimentos humanos. Nos últimos minutos de filme, há uma manobra para isso acontecer, mas já é tarde demais e, fatalmente, a fita se envereda em dar um final musical, só que sem a grandiosidade emotiva à altura de uma linda canção.



Avaliação MaDame Lumière



Título Original: The Last Song
Origem: EUA
Gênero(s): Drama, Romance
Duração:
107 min
Diretor(a):
Julie Anne Robinson
Roteirista(s): Jeff Van Wie, baseado no livro 'The Last Song', de Nicholas Sparks
Elenco: Miley Cyrus, Greg Kinnear, Bobby Coleman, Liam Hemsworth, Kelly Preston

sábado, 24 de julho de 2010

Um Filme, uma canção: Paixões Violentas (1984), Against All Odds de Phil Collins

Um filme, uma canção por Madame Lumière
a combinação inesquecível para uma nostálgica emoção
com resenha integral do filme




" Muitas vezes o amor é o mais perigoso jogo"


Paixões Violentas é o sensual thriller neo noir que ganhou fãs nos anos 80 por conta de duas questões principais: a incendiária química entre os atores Jeff Bridges e Rachel Ward que têm uma paixão fulminante pondo em risco suas próprias vidas e se deleitando em calientes cenas de sexo em um cenário paradísiaco, e a música título original do filme, Against all odds, composta por Phil Collins, uma das mais aclamadas no topo das paradas de 1984, indicada ao Oscar e Globo de Ouro como melhor canção e regravada por Mariah Carey. Embora o álbum da trilha sonora tenha sido indicada ao Grammy, é a canção de Phil Collins que eleva a película a uma repercussão positiva perante o público que vê em, Jeff e Rachel, um dos casais de amantes mais inesquecíveis da época, disposto a entregar-se ao tesão exacerbado e envolver-se em uma relação bastante passional, afetada por uma rede de intrigas e perseguição.


Como a maioria das perigosas paixões, o relacionamento dos amantes começa repentinamente, em um contexto que dificulta o desenvolvimento da relação amorosa. Terry Brogan (Jeff Bridges) é o ex-jogador do Los Angeles Outwards.Com uma lesão no ombro, ele é demitido, tem dívidas e precisa de dinheiro. Inconformado, ele não desiste de jogar e está empenhado em retornar ao time, porém aceita o serviço solicitado pelo amigo Jake Wise (James Woods), dono do nightclub Palace e apostador nato. Jake é obcecado pela ex-namorada Jessie Wyler (Rachel Ward) que o abandonou e ele a quer de volta, custe o que custar. Terry é contratado para descobrir onde Jessie está e trazê-la de volta à Jake. Além da missão, há uma variável conflitiva: Jessie é filha de Grace Wyler(Jane Greer), proprietária do time de Outwards e uma das mulheres mais poderosas da cidade. Grace é assessorada por um homem de confiança, Ben Caxton (Richard Widmark), padrinho de Jessie e um homem de caráter duvidoso. Jessie não suporta a mãe e não aceita viver com ela, logo é uma fugitiva tanto de Jake quanto de Grace.





"Eu te amo! Você é tudo para mim"


Terry parte em busca de Jessie, a encontra e eles se apaixonam ardentemente, o que atira o ex-jogador em um suspense que envolve políticos, empresários e advogados corruptos, e uma paixão bombástica que encontra o desafeto de Jake. Com a caracterização de uma trama obscura e corrupta na qual há uma femme fatale cínica e audaciosa e um homem desprovido de melhores oportunidades, obrigado a se atirar em atividades ilícitas para se sustentar e que está aos pés desta enfeitiçante mulher, Paixões Violentas foi inspirado no renomado filme noir de Jacques Tourneur, Out of the Past, porém está a milhares de milhas de distância do clássico em qualidade cinematográfica e, principalmente argumentista; o que eles têm exatamente em comum é a presença de Jane Greer que, em 1947 desempenhou o papel da femme fatale Kattie Moffat. A versão de 1984 é um filme novo e não deve ser considerado um bom e autêntico remake. Muito disso em função de que o roteiro e a direção entregam uma produção de baixo orçamento, com um inflamado apelo sensual e um pouco cafona. A metalinguagem é de ordem mais inspiradora do que narrativa, ou seja, eles usam somente artifícios que lembram o noir: como personagens de moralidade fraca e questionável, facilmente identificáveis como ambíguos, nada confiáveis e corruptíveis, uma atmosfera cínica, obscura e violenta sustentada por assassinatos e manobras de traição, uma mulher fatal, misteriosa e desejada que é o centro da paixão ciumenta, um homem desesperado e envolvido em um drama detetivesco. Considerando a estética dos filmes dos anos 80, estas referências no registro e o elenco chave, Paixões Violentas não é um filme ruim e nem descartável, basta esperar o seu desenvolvimento durante a exibição.



"Ele disse que a única maneira de afastá-lo de mim é se eu matá-lo"


Os personagens principais do triângulo amoroso, Terry, Jessie e Jake não fazem feio, pelo contrário, Jeff Bridges incorpora bem o ex-jogador bonito e sarado que, sem dinheiro, é empurrado para uma trama tende a prejudicá-lo e incriminá-lo. Ele relativiza a sua moralidade ao aceitar o dinheiro sujo de um gângster, tal que traga uma mulher de volta aos braços do amante que ela não seja mais. Louco de amor, Terry acaba caindo como um patinho nas mãos dela e no jogo do mal. Rachel Ward desenvolve bem o ar 'duplo' da mulher fatal, um misto de vulnerabilidade com peliculosidade, o que a torna a melhor do elenco. Todos a querem: sua mãe, seu ex-namorado, sua atual paixão. Bonita morena, sexy, apaixonada e impetuosa, ela não teme ninguém, mas ao mesmo tempo, tem aquele C maiúsculo do cinismo, disposta até a se sentar na mesa dos inimigos, mentir e matar, se necessário. James Woods tem jeito de gigôlo barato, obsessivo e ciumento. É como um brega gângster corrupto, falso e competitivo (basta ver a cena da aposta de corrida entre ele e Terry). Como um bom apostador, ele quer ganhar a namorada de novo, fazendo valer que não importa só a aposta, mas ganhá-la ao final nem que tenha que eliminar quem está em seu caminho.





"Será que alguém consegue me amar sem que isso significa vida ou morte?"


Paixões Violentas é um filme que se pauta bastante na paixão de Terry e Jessie e nos desdobramentos deste jogo perigoso. Ele reforça bem as cenas de erotismo que chegam a ser bem ressaltadas em paradisíacos lugares do México e de Cozummel : como fazer amor em uma sauna exótica, um tipo de antiga construção com máscaras antigas em pedra que parecem voyeuristas, e Rachel Ward com o corpo suado e colado ao de Jeff Bridges derramando lágrimas enquanto goza. Os beijos são também bem apelativos que chegam a ser vulgarizados pelos closes exatamente para exacerbar esta louca paixão, por isso, apesar do romance arrebatador não deixar de ser convidativo, o filme tem uma certa breguice que é alimentada por uma trilha sonora que parece de cine privé. Chega a ser engraçado ouví-la durante as cenas sexuais, e a primeira indagação é : Onde está a música de Phil Collins para salvar o filme? Na verdade, o longa-metragem só começa a ser levado a sério quando a trama corrupta é desenvolvida com a passionalidade da relação acrescida de outros elementos noir em efeito sequencial, como por exemplo, quando vemos Terry no nightclub de Jake em direção a uma emboscada traiçoeira que tende a torná-lo ainda mais um fracassado. Logo mais, Terry já está colocando em prática sua obsessão por Jessie, em um misto de 'não vou te abandonar, o que faremos?' e 'porque você está com outro?', logo mais, ele se atraca com
a nata corrupta até o desfecho.




"Você é o único que realmente me conheceu"


A música 'Against all odds' só toca no final, com os créditos. Então por que ela é tão relevante para este filme? É exatamente por ela encerrar a película da forma que encerrou, e não ser muito utilizada não se misturando com a cafonice privé das outras canções. Ela é bela e eficaz para a trilha por conta disso, está em sintonia com a intensa paixão de Jessie e Terry, tem inestimável valor para uma geração de românticos nas décadas de 80 e 90, tendo marcado a história de amor de muitas pessoas. No desfecho, com o close emblemático no rosto de Rachel Ward que sorri a Jeff Bridges, Against all Odds marca esta história de amor com forte aproximação afetiva da audiência, é um momento romântico e esperançoso (a começar pelas últimas palavras de Jeff Bridges, pela tradução literal do título da canção, que é 'Contra todas as probabilidades' e pelo famoso refrão "So, take me look at me now"/Então olhe para mim agora" ); um momento muito relacionado ao que acontece a Terry e Jessie e que eles viveriam a partir daí; e a letra desta linda canção com o olhar de Rachel Ward diz tudo: então olhe pra mim agora, porque somente existe esse espaço vazio, e não restou nada aqui pra eu recordar, só a lembrança de seu rosto...dê uma boa olhada em mim agora, porque eu estarei esperando aqui, e se você voltar pra mim, está indo contra todas as probabilidades,
esta é a chance que eu tenho que arriscar...). Com esta romântica composição, Phil Collins não só agregou um valor afetivo à película através de uma música, como também tornou Against all odds um hit mundial 80's, tão especial que costuma ser conhecida por gente que nunca assistiu Paixões Violentas e, mesmo assim, viveu e/ou deseja viver uma grande paixão.








Avaliação MaDame Lumière



Título Original: Against all odds
Origem: EUA
Gênero(s): Drama, Suspense, Romance, Ação
Duração: 128 min
Diretor(a): Taylor Hackford
Roteirista(s): Daniel Mainwaring, Eric Hughes. Baseado no filme noir "Out of the past" de Jacques Tourneur (1947)
Elenco: Jeff Bridges, Rachel Ward, James Woods, Jane Greer, Alex Karras, Richard Widmark,Dorian Harewood

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) - 2008


"Achou que poderíamos ser homens decentes num tempo indecente?
Mas se enganou... o mundo é cruel"



Christopher Nolan, um dos jovens diretores mais promissores é um visionário da Sétima Arte. Um cineasta sofisticado, reflexivo e em crescente evolução com seu pensamento inovador conseguiu criar um clássico moderno com o lançamento de Batman - O Cavaleiro das Trevas, um fenômeno de bilheteria, aclamado pela crítica e pelo público, indicado a 8 Óscares, e cujo valor está além de dar continuidade à franquia Batman, o aclamado super herói da DC Comics. Nolan elevou a qualidade desta franquia a tal ponto que The Dark Knight tem luz própria reinando sozinho com seu brilho estelar. O cineasta recria um filme que é tão embutido de excelência técnica, argumentativa, e de reflexão sócio-filosófica que o expectador atento é projetado a vivenciar em sua experiência cinematográfica dilemas pertubadores sobre a existência humana em um mundo corruptível, amoral e desprovido de heróis. Com um roteiro muito bem estruturado e sinergizado nos pilares de ação, suspense, drama e policial, um elenco espetacular, uma montagem precisa, dinamicamente bem recortada e uma edição de som que cresce com a trama, Batman - O Cavaleiro das Trevas é um primor do cinema contemporâneo, que deixou de ser um simples filme de herói em quadrinhos e um blockbuster rentável, e tornou-se um objeto de estudo social provocativo, tão realista que a provocação será abordada aqui. É recomendável que assista o filme antes de proceder nesta leitura, para entendimento e porque alguns detalhes não serão ocultados.





"Ou você morre um herói ou vive o bastante para se tornar um vilão"



O filme retrata a tenebrosa e obscura Gothan City que recebe a visita do insano inimigo do Batman, o Coringa, The Joker (em uma interpretação icônica do ator Heath Ledger, morto em 2008 e ganhador do Oscar Melhor ator coadjuvante por esta formidável performance). Coringa está disposto a desmascarar o Batman. Essa é sua obsessão, além de pertubar a ordem vigente, corromper os homens, anarquizar a cidade e tomar o poder. Gothan City deve ser encarado como uma cidade de todos nós. Ela é uma analogia contemporânea da sociedade, e continua sendo Gothan City, a cidade dos criminosos, da máfia e dos corruptos que têm como calcanhar de Aquiles o herói mascarado Batman (Christian Bale) ainda oculto na figura do bilionário Bruce Wayne, cada vez mais bem vestido, mais galante, mais refinado e mais bem assistido por suas sofisticadas armas letais e pela sua parceira relação com Tenente James Gordon (Gary Oldman), com seu assessor 'técnico e executivo' Lucius Fox (Morgan Freeman) e seu leal mordomo Alfred Pennyworth (Michael Cane). Porém, Batman é o arquétipo do herói misterioso, de vida dupla e seu papel é questionado. Temos que ter heróis mascarados que fazem justiça com as próprias mãos e escondem a sua identidade? Não deveria o Batman ter um sucessor dentre os cidadãos ? A sociedade precisa de heróis comuns que mostrem suas caras, que representem o povo, que possam lutar perante a lei dos homens. Eis que surge uma aposta: Harvey Dent (Aaron Eckhart), o 'Cavaleiro Branco de Gothan City', promotor público, um homen íntegro e audaz que já evidencia não temer os bandidos e lutar por justiça. Ele é a esperança do novo herói social. Ao lado de Harvey Dent está sua namorada Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal), o ex-affair de Bruce Wayne que atua como assistente de promotoria. Perceba que, propositalmente, o promotor já tem uma autoridade dentro da película, como um homem da lei, capaz até mesmo de desarmar uma testemunha em plena audiência, um homem que demonstra uma agressividade natural, destemido a colocar sua vida em risco e entrar em um plano perigoso para prender o Coringa e uma quantidade grande de criminosos que dariam de tudo para metralhá-lo. Não há como negar que somente um homem com tal perfil poderia ser potencialmente um sucessor do Batman.




"Eu acredito que o que não nos mata só nos deixa mais estranhos"



Discorrer sobre este longa-metragem magnífico renderia páginas e páginas de análise de cenas, comportamentos, atuações, citações, etc, porém a repercussão da obra como um elemento atemporal de reflexão sobre a sociedade está centrada e é dinamizada por 2 elementos: a escolha do homem e sua suscetibilidade à corrupção. Para dar ação a tais elementos,de forma genial, Coringa é o agente provocador e tem um papel tão essencial que chega a ser mais importante que o de Batman. Na figura de um psicopata, cicatrizado pela violência doméstica e pela rejeição, ele é o homem que não tem vínculo com valores advindos das instituições bases como a Família e o Estado. Ele não tem regras, não tem planos, não tem vínculos afetivos com esta sociedade, logo ele pode manipulá-la e influenciá-la à destruição sem nenhum pingo de culpa. Ele é o agente do caos, o anarquista que detona o explosivo da corrupção e da vingança. No início do filme, rouba um banco e o dinheiro da máfia, depois negocia com a máfia que teme o Batman e quer vê-lo morto. Coringa aciona sua visão espirituosa para o mal e move as peças do jogo como um líder manipulador, e isso não é gratuito no filme, ele precisa estar ali para que o filme tenha o desfecho que tem, um final surpreendente que coloca a gente com os pés firmados no chão, céticos ou não, otimistas ou não.




"É preciso ter um ás na manga"


O Coringa gosta do Batman porque a vida do The Joker é uma piada. Ele se diverte com sua psicopatia e precisa do Batman para se entreter, então o desejo de que o Batman tire a máscara é um tipo de capricho e também o fim que justifica os meios de uma manobra corruptiva. Ao colocar em evidência um 'freak' com sabedoria, o roteiro inverte o foco de quem provocará e ditará ações de clímax: o vilão ganha destaque. Coringa provoca a polícia, a máfia, a cidade, o herói e, através de um ação mortal, ele coloca a responsabilidade da escolha do herói nas costas do Batman. Quem será salvo, Harvey Dent ou Rachel Dawes? A escolha de um homem (Batman) trouxe consequências que culminam em ódio, revolta e vingança personificados em um homem que era bom (Harvey Dent) e que teria um futuro socialmente desejável: trabalho justo e reconhecido, esposa apaixonada e uma sociedade protegida . O Cavaleiro Branco de Gothan City se corrompeu e o Coringa provou que o homem é suscetível à corrupção, mesmo que o vilão não tenha conseguido corromper e matar cidadãos civis na sua cartada normal dada por outra situação de 'escolha do homem' entre os passageiros de uma embarcação. Infelizmente na cartada final, ele jogou a carta mestra que mata o jogo: "É preciso um ás na manga" e a esperança de vitória da sociedade definhou. O que é brilhante na questão da escolha é porque o mundo funciona exatamente desta forma: tudo é uma questão de escolhas que levam ao próximo passo, e apesar de não ser factível prever o futuro, o homem ainda pode ter uma melhor sorte do que a de Harvey Dent e escolher o que quer ser, escolher o caminho do bem.




"Por que fui só eu o único a perder tudo?"


O herói já corrompido e incorporando o vilão 2 Caras braveja "Por que fui só eu o único a perder tudo?" . Enquanto repete, joga a moeda do cara e coroa à frente do policial Gordon já retomando o princípio da escolha do homem que, aqui, está lançado à sorte que leva à compaixão ou a destruição. Harvey Dent prova que quem é bom e faz bem não se conforma com a crueldade do mundo, e pode se dar muito mal; por outro lado ele já havia citado a profecia do desfecho, para ele e para Batman, durante um jantar com Bruce Wayne: "Ou você morre herói ou vive o suficiente para se tornar um vilão". Então por que ser bom? Vale a pena ser assim? O destino de heróis é a morte e a solidão? Será que o Coringa é tão vilão quanto parece ou ele deu um "empurrãozinho" para que reflitamos sobre nossa louca condição humana? Perguntas como esta são contundentes como a obra porque movem o expectador a uma angustiante reflexão. Este é o mundo que vivemos? Onde estará a nossa esperança? Onde estarão os nossos heróis?




O
mais triste é ver que há vários Harveys Dent corrompidos na sociedade contemporânea, deformados em suas caras, seja por uma espontânea ação própria e desvio de personalidade, seja por uma manipulação de outros, seja pela decepção com o mundo e o cansaço de lutar do lado do bem entregues à dilaceração pela dor, etc. Estes pegam o caminho mais fácil ou o do infortúnio: o da corrupção; e olham somente para seus egos inflados que prejudicam os outros e não priorizam o bem coletivo. Há outros homens loucos e espertos, que não amam ninguém, amorais e somente usam pessoas para alimentar suas psicopatias, como é o caso de Coringa. Já outros são como Batmen, são os heróis solitários e perseguidos; por isso, o emblemático desfecho pode ser reconfortante para uns e deprimente para outros, porque ele oculta a verdade por uma mera questão de esperança e de comodidade, ou melhor dizer, é um desfecho tão perturbador quanto o filme porque revela ao expectador que a 'verdade não basta', nem sempre os heróis disponíveis serão os que precisamos; o que leva a pensar que a sociedade corruptível não está preparada para seus heróis de verdade e talvez não os tenha em um nível de excelência 'heróica', mas ainda assim ela não pode perder a esperança, mesmo que esta seja alimentada por uma 'mentira do bem' que pode estar no discurso de um político ou num novo plano de desenvolvimento econômico que, mais adiante, poderão ser bem sucedidos (ou não). Definitivamente, um final espetacular, dúbio e muito incômodo porque é possível concordar com a decisão de Batman e de Joe Gordon que, nas melhores intenções precisavam não decepcionar a sociedade, não estampar nos jornais o ÁS vitorioso do Coringa. Certamente, veicular tal verdade traria um descontentamento em massa, a desilusão no lugar da esperança, logo, o desfecho que enobrece Harvey Dent como o herói é a de um mártir, exatamente para que a fé seja renovada, acrescida deste "tapa na cara" na vil existência desta sociedade manchada pela corrupção. Um dilema difícil que deixa os pensamentos da audiência em 'Trevas", na urgência de ter a luz que aclara os questionamentos, que ilumina o novo amanhã.



Avaliação MaDame Lumière




Título original: The Dark Knight
Origem: EUA
Gênero: Ação, Drama
Duração: 152 min
Diretor(a): Christopher Nolan
Roteirista(s): Jonathan Nolan, Christopher Nolan, David S. Goyer, Bob Kane
Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman, Monique Curnen, Ron Dean, Cillian Murphy, Chin Han, Nestor Carbonell, Eric Roberts, Ritchie Coster, Anthony Michael Hall