sexta-feira, 30 de abril de 2010

Um Filme, uma canção: Réquiem para um sonho (Requiem for a dream - 2000), Requiem for a dream, de Clint Mansell)

Um filme, uma canção por Madame Lumière
a combinação inesquecível para uma nostálgica emoção





Poucas músicas na trilha sonora de um filme conseguem dar conta do significado dele, e pouquíssimos canções tema conseguem ser tão evocativamente sublimes a ponto de criar musicalmente as imagens chave que vemos no longa-metragem. Definitivamente, é raro encontrar a música que é o próprio filme em si. Requiem for a Dream, composta por Clint Mansell e parte do "drogatício" filme Réquiem para um sonho é uma dessas raridades, do começo ao fim. Sem dúvidas,uma das melhores canções em score da históra do Cinema. Desde o seu exótico, dramático e insano início que mais parece uma ode à incontrolável jornada alucinógena que leva a uma angustiante, deprimente e infinita "viagem" sem volta, rumo ao descontrole total do psíquico, até os ápices da harmonia musical que são como clamores de morte delirante tensionados pelos sons das cordas e das batidas, musicalizando um caminho de preparação para a entrega fatal à destruição de si próprio.





O magnífico drama dirigido magistralmente por Darren Aronofsky e estrelado por Ellen Burstyn e Jared Leto é um filme que fala sobre os vícios em drogas que, como qualquer droga, levam a um caminho enganoso de prazer, de escape da realidade, de analgesia das dores do mundo e, enfim, ao delírio, à insanidade e à morte. Por ser poderosamente forte e complexo, tão contemporâneo na realidade das dependências químicas destrutivas atuais como por exemplo o vício em anfetaminas para emagrecimento e drogas pesadas como heroína, Réquiem para um sonho terá seu lugar essencial por aqui para uma conscientização desse mal. Por agora, é importante mencionar que a musicalidade da canção de
Clint Mansell está totalmente alinhada à dramatização do filme e da própria realidade do vício. É uma canção que não é depressiva em si, ela é uma canção forte como um vício que controla o psicológico e o físico de uma pessoa. Nela, há uma sedutora atmosfera de horror e delírio que atraí, uma fuga necessária como se a destruição do indivíduo fosse um momento épico, trágico e lírico, como se a música pudesse incentivá-lo a se drogar mais e mais. É uma canção que traduz bem o efeito de uma droga que cria um mundo paralelo, brutal porém cheio de emoções, do prazer à violência. É uma canção que vai crescendo e é poderosa, como se não houvesse saída, como se a entrega ao vício fosse intensa e ilimitada e a canção estivesse em sintonia com isso até sua finalização a qual se assemelha a trilha sonora de um suicídio, de uma morte que encontrou uma vida devastada que aceitou devastar-se. O momento final é como um impiedoso golpe mortal.





quinta-feira, 29 de abril de 2010

As melhores coisas do mundo - 2010



As melhores coisas do mundo, da excelente diretora brasileira Laís Bodanzky abre o nosso coração para lembrar das melhores coisas quando se é adolescente ( e também das não tão boas), mas ainda assim incríveis de serem vividas porque ser adolescente é simplesmente ser, ter uma linguagem própria, angústias e sonhos aflorados em um mundo ainda desconhecido e no qual ele precisa aceitar e ser aceito sendo ele mesmo, sem máscaras, sem estereótipos. Mesmo com toda a crueldade que cada jovem está vulnerável a sentir durante essa fase de passagem, imerso na ansiedade da primeira transa, na solidão do quarto, no bullying dos imaturos colegas da escola, na expectativa de ser desejado e amado, de estar na moda, de ser o centro das atenções, de ser querido pelos amigos e compreendido pela família, ainda assim, ser adolescente é uma fase única na vida de qualquer pessoa e que infelizmente não volta atrás, mesmo que seja difícil aceitar tal afirmação. Quando amadurecemos para a vida adulta, descobrimos que ser adolescente era bom, era uma das melhores coisas do mundo.







Com elenco que inclui o ótimo estreante Francisco Miguez, o atual ídolo Fiuk, os experientes Denise Fraga, Caio Blat e Paulo Vilhena e um elenco de jovens talentosos, As melhores coisas do mundo é baseada na série de livros de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto que priorizam os valores da adolescência com um certeiro projeto educativo para jovens: amor e amizade, respeito à diversidade, sexualidade afetiva, valorização da família, entre outros, ou seja, uma proposta pedagógica que contempla a necessidade não só do jovem mas do ser humano como um todo. São valores universais. Na prática, o filme enfoca Mano (Francisco Miguez), um adolescente de 15 anos e que tem como irmão mais velho, Pedro (Fiuk), ambos filhos de Camila (Denise Fraga) e Horário (Zé Carlos Machado). Mano está apaixonado por um garota bonita e popular, Pedro atravessa uma fase ruim, os seus pais estão se separando. Uma série de desdobramentos giram em torno desses jovens e seus amigos, permeando os valores acima e também os principais dramas adolescentes que interfaceam em relacionamentos com famílias, amigos, escola, etc. As melhores coisas do mundo é um filme a ser revelado, degustado, nostalgicamente apreciado.








Com ótimo roteiro contemporâneo de Luiz Bolognesi, uma ótima e realista fotografia de Mauro Pinheiro Jr. e destaque para a música As melhores coisas de Arnaldo Antunes e BID, As melhores coisas do mundo enfoca jovens da classe média paulistana e surpreende por expor os dramas adolescentes de uma forma espontânea, realista, agradável, fugindo completamente da banalização caricata da vazia adolescência apresentada em programas como Malhação, por exemplo. O longa-metragem nos convida a entrar no dia a dia de jovens como se pudéssemos cumprimentá-los e ter uma prosinha com eles, sem levantar bandeiras moralistas e explanar discursos educacionais que os orientem com imposição, afinal, conhecer o adolescente é se colocar no lugar dele e ver que ele não é tão diferente dos adultos que somos.


A bela idéia de As melhores coisas do mundo é simplesmente adentrar o sincero mundo do adolescente em um filme que não é só para adolescentes, e os valiosos e essenciais temas destacados no filme são abordados com bastante objetividade, franqueza e sem nenhuma frescura. Temas que, pelo menos, alguma vez na vida foram e são vivenciados em nossos contextos sociais e até mesmo em nossas vidas e com nossos amigos e familiares como: a primeira relação sexual, fofoca e (cyber)bullying no colégio, o desejo de morrer, a separação dos pais, o preconceito contra o homossexualismo, o fim de um namoro, a paixão por um(a) professor(a), a velocidade e proliferação de informações digitais em blogs e celulares, o envolvimento com drogas e álcool, diversão em baladas, a descoberta do amor, brigas com família, solidão e depressão, a participação em chapas e/ou grêmios escolares e a luta por igualidade e justiça, a dedicação à arte e a música, o respeito à diversidade, etc.
As melhores coisas do mundo é um mundo, moderno e sincero e, muito, muito nostálgico.





Foi exatamente essa nostalgia que senti durante toda a exibição de As melhores coisas do mundo. Durante aqueles minutos, atenta ao filme de uma maneira muito leve e natural, meus pensamentos foram longe e eu lembrei da minha adolescência, até do professor pelo qual eu nutri um amor platônico no cursinho. E ele era professor de geografia ao qual eu poderia dar o mapa do meu coração se ele o quisesse. Nessas horas vi o poder desse filme em sua simplicidade e é na simplicidade que residem as melhores coisas do mundo. Lembrei até do pátio do colégio, do barulho da hora do recreio, do menino mais bonito da escola, da turminha de amigos e de como eu também me sentia uma estranha no ninho, como eu também tinha meus momentos "girassóis no escuro" de sofrimento no silêncio e na intensa e vívida passionalidade dos meus desejos. Bons e velhos tempos que só voltam nas minhas memórias... e minha alma ainda tem um A de adolescência, um A de As melhores coisas do mundo.




Avaliação MaDame Lumière


Título Original: As melhores coisas do mundo
Origem: Brasil
Gênero(s): Drama
Duração: 117 min
Diretor(a): Laís Bodanzky
Roteirista(s): Luiz Bolognesi, baseado em série de livros de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto
Elenco: Francisco Miguez ,Fiuk ,Denise Fraga,Zé Carlos Machado,Gabriela Rocha, Gabriel Illanes , Gustavo Machado, Caio Blat, Paulo Vilhena, Júlia Barros

A Emblemática Citação da Semana: O curioso caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button) - 2008


"Some people, were born to sit by a river. Some get struck by lightning. Some have an ear for music. Some are artists. Some swim. Some know buttons. Some know Shakespeare. Some are mothers. And some people, dance..."

"Algumas pessoas nascem para sentarem na beira do rio. Algumas são atingidas por raios. Algumas tem ouvido para música. Algumas são artistas.Algumas nadam. Algumas entendem de botões. Algumas conhecem Shakespeare. Algumas são mães. E algums pessoas...dançam."



(Benjamin Button interpretado por Brad Pitt
no fabuloso O curioso caso de Benjamin Button
de David Fincher)

MaDame Lumière dança até nos sonhos atemporais.
Qual dama nunca desejou dançar um pas de deux com seu amor?

29 de Abril - Dia Internacional da Dança

O Pôster de Filme da Semana: O Iluminado (The Shining) - 1980

No MaDame Lumière,
um pôster de filme vale por mil roteiros


"Wendy? Darling? Light, of my life. I'm not gonna hurt ya"
(Jack Nicholson como Jack Torrance
no horror "O iluminado")




quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cine Família : Assista "A Sogra" com sua Sogra





Hoje é o dia da sogra e farei o possível para sensibilizar noras e genros (e também os companheiros(as) deles) que se identificarem com esse post nesse dia especial, afinal, sogra também é mãe e, não importa se você ama ou não a sua sogra, pelo menos, respeite-a; se você hoje está do lado do seu(sua) bom(a) ou mau(má) marido(esposa), amando-o ou não, sua sogra carregou o bebê 9 meses e criou esse ser que você escolheu como sua outra cara metade, ela não tem culpa dos seus problemas matrimoniais e nem qualquer relação com eles, então o conselho serve para ambos os lados. Se ela é uma mulher difícil, seja tolerante e influencie-a para uma boa relação, mas não seja falso(a), seja íntegro(a), honesto(a) e reconstrua o relacionamento familiar com ela com dignidade. Não há pior coisa do que ver o "circo pegando fogo dentro de casa" e, acredite, no final, é a família que coloca o nariz de palhaço.






Todo mundo tende a falar que é a sogra que é uma cobra. Falam que é ela a raiz do mal por trás do rostinho de uma senhora manipuladora, que ainda trata a(o) filhinho como um(a) bebê. Será? Eu já penso que isso é bem relativo. Nem sempre a cobra é a sogra, acreditem! Há casos e casos de família e circunstâncias que a sogra pode estar certa ou errada, até os filhos das sogras tendem a alimentar o ódio entre sogras, genros e noras, enfim, ninguém é santo, o pecado mora ao lado, a crucificação vem para todos. O mais importante é que ela é uma mãe como você é (ou será) um pai ou uma mãe, e ninguém merece as consequências das contendas, inclusive seus filhos(ou futuros filhos). O mesmo exemplo vale para a sogra. Se você não suporta seu genro(sua nora), faça um esforço para visualizar essa pessoa como um(a) filho(a) e chegue à uma harmonia com diálogo, pelo menos, tente e ofereça a chance de mostrar ao outro que você está disposta à uma verdadeira conciliação. Grande parte dos problemas com relacionamento persistem por causa da falta de capacidade de perdoar e construir um novo relacionamento virando a página de vez.





Depois de fazer as pazes, é chegada a hora de vocês rirem juntos(as). Coloque o DVD de A Sogra (Monster's in Law, 2005) , comédia dirigida por Robert Luketic (de A Verdade Nua e Crua) que é um ótimo passatempo para dar risada como vocês se odiavam no passado e evoluíram para uma relação pacífica. No longa, Janet Fonda (em excelente atuação) é Viola Fields, a sogra rica e surtada que começa a perseguir, Charlie (Jennifer Lopez), a nova e humilde namorada de seu filho Kevin (o belo Michael Vartan). Os motivos? Além do clássico ciúmes e espírito super protetor de Viola, o preconceito social é bem marcado no filme porque Viola adora humilhar Charlie, até o dia que Charlie decide aplicar a lei Nabucodonosor na sua sogra maluca, dando-lhe algumas lições básicas e bem vingativas. O filme é bastante agradável e alguns padrões comportamentais se repetem como a velha história do "se você me trata mal, eu vou te tratar mal também" e "o filho da sogra no meio da confusão sem ter uma atitude muito conciliatória, afinal, optar pela mãe ou optar pelo amor de sua vida é uma tarefa difícil, mas um pouco de energia diplomática é melhor bem vinda". Mesmo que Viola tenha atitudes de uma mulher desequilibrada, o lado bom é que Kevin não trata mal a mãe dele a ponto de abandoná-la em definitivo, o que naturalmente é um bom exemplo para filhos que tomam partido de esposas e maridos e deixam a mãe "na lama", descartando-a facilmente. Como podem ver, A Sogra é um divertido aprendizado para a harmonia familiar. Se você precisa de um cinematográfico e santo remédio para esse tipo de relação, assista a "A Sogra" com sua sogra, e aproveite e chame todo mundo que sofre com a situação parar rir da tragédia que, finalmente, se converte em pura alegria.


Avaliação MaDame Lumière



Título original: Monster's in Law
Origem: EUA
Gênero: Comédia
Duração:101 min
Diretor(a): Robert Luketic
Roteirista(s): Anya Kochoff
Elenco: Jennifer Lopez, Jane Fonda, Michael Vartan, Wanda Sykes, Adam Scott, Monet Mazur, Annie Parisse, Will Arnett, Elaine Stritch, Stephen Dunham, Randee Heller, Mark Moses, Tomiko Fraser, Rochelle Flexer, Wayne Nickel

terça-feira, 27 de abril de 2010

Batalha de Passchendaele(Passchendaele) - 2008



Não é somente trailer de cinema que pode ser uma propaganda enganosa, a capa do DVD também. Batalha de Passchendaele, filme do charmoso diretor canadense Paul Gross (que também produziu, roteirizou e atuou nesse longa-metragem) é um típico exemplo de que uma pessoa nunca deve guiar a escolha da próxima locação pelo que está escrito na capa e contrapa do DVD. Ao locá-lo, vi uma bela imagem romântica entre Paul Gross e Caroline Dhavernas e as palavras: "uma das mais sangrentas batalhas da primeira guerra mundial". Influenciada também pelo dono da locadora que ressaltou-me: "Não é somente sobre guerra, é mais um romance dentro do contexto da guerra", não pude evitar minha imediata empolgação de que esse filme pudesse ser um Pearl Harbour made in Canada a arrebatar o meu coração romântico, infelizmente, somente corpos foram arrebatados pelos explosivos nos campos de guerra em um ápice um pouco exagerado que, pessoalmente, não me emocionou como filmagem mais verídica.





Esse filme abriu o Festival de Toronto, na ocasião de seu lançamento e ganhou vários premios canadenses como o Directors Guild of Canada. Após assistí-lo, considero-o um filme mais inspirado por um nacionalismo de Paul Gross, um exímio canadense de Calgary que foi o selecionado para ser o sensual demon Van Horne na adaptação de "As bruxas de Eastwick". Batalha de Passchendaele, a "3ª Batalha de Ypres" é considerada uma das batalhas mais violentas da Primeira Guerra Mundial na qual os Canadenses lutaram contra os Alemães, então nada mais justo do que Gross mostrar o heróico sangue dos bravos soldados canadenses, distantes de suas famílias, abandonando suas amadas, vendo sua Pátria enviar jovens imaturos à Guerra e derramando o sangue de cidadãos em corpos mutilados. Até aqui, nenhuma surpresa para o gênero, mas há um enredo que não é de todo banal, tanto que explanarei sobre minha interpretação pessoal sobre ele o qual julgo que há uma mensagem de paz e de redenção, baseada no amor e na salvação do outro, mesmo que esse "outro" tenha sangue "inimigo".



Paul Gross é o soldado veterano Michael Dunne que, desde o início, não banaliza a morte gratuita como muitos veteranos e autoriades de guerra o acabam fazendo. Há um senso de justiça e humanidade nele, mesmo com seu comportamento letal que o rendeu o reconhecimento do exército. Ferido e, retornando ao Canadá, ele é atendido pela enfermeira canadense Sarah Mann (Caroline Dhavernas) que, pelo sobrenome já indica que é descendente de alemães. Eles se apaixonam mas são impossibilitados de ficarem juntos porque Michael decide voltar às trincheiras a fim de proteger o irmão de Sarah, David (Joe Dinicol) , um jovem ingênuo que se alistou à guerra e foi aprovado indevidamente a lutar já que é asmático.





As cenas mais marcantes da batalha surgem mais no final do filme e se aproximam das fotos históricas sobre a batalha, pelo menos, tentam imitá-las trabalhando um pouco melhor a fotografia fúnebre da guerra. São realistas, regadas a bastante lama, explosivos e feridas abertas, mas não há uma liderança emocionante do pelotão com Paul Gross à frente, muito menos, aquela emoção da bravura genuína dos soldados, então voltando à frase " "uma das mais sangrentas batalhas da primeira guerra mundial", o longa não é acompanhado de um tom cinematográfico que ressalte: "essa sim foi uma batalha bélica sangrenta que, não necessariamente, é dramática pela quantidade de sangue jorrado de corpos sobre trincheiras". Não há o teor das imagens e interpretações clássicas Platoon, Apocalypse Now e Resgate do Soldado Ryan e o roteiro não acompanha diálogos inteligentes que expressem a importância histórica dessa guerra e o drama do incerto romance em meio à guerra o qual também fica sem ser eficazmente explorado. Em um momento do filme, há uma carnificina no campo de guerra que absolutamente força o derramar de sangue porém não consegui ver autenticidade emotiva nessa guerra, o que, por alguns minutos me fez pensar se o propósito de Gross foi filmar o "sangrento" no sentido do estúpido sangue non sense que é derramado de forma pontualmente artificial, assim como a guerra é, fake por natureza, cheia de inverdades.


Por outro lado, o filme não é um fiasco, há um esforço a ser honrado porque a iniciativa do canadense Michael defender o filho de um bavário traidor é como um ato de amor que não é só por Sarah, mas uma escolha por voltar ao inferno, defender uma vida que independe de nacionalidade, que independe de mágoas patriotas. A cena da cruz é sugestiva porque exemplifica que voltar à guerra pode ter sido uma espécie de calvário à Michael, uma forma dele salvar a humanidade como "idéia do coletivo" salvando uma única pessoa através de um ato de amor e perdão, e assim, alcançando a redenção. Será que Paul Gross usou uma metáfora cristã nos campos de guerra cinematográficos? Resta-nos a reflexão advinda das hipóteses, pois pensar também é uma guerra.


Avaliação MaDame Lumière




Título Original: Passchendaele
Origem: Canadá

Gênero(s): Guerra

Duração: 114 min
Diretor(a):
Paul Gross
Roteirista(s): Paul Gross

Elenco: Paul Gross, Caroline Dhavernas, Joel Dinicol, Meredith Bailey, Jim Mezon, David Ley, etc.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Armadilhas do Amor (Serious Moonlight) - 2009


Armadilhas de amor, com roteiro de Adrienne Shelly (de Garçonete) é a primeira direção em longa-metragem da atriz Cheryl Hines e passaria desapercebido se não tivesse Meg Ryan segurando as pontas no papel de uma mulher traída e em vias de ser abandonada pelo marido nesse típico filme o qual intitulo como "DCES" - Discussão de casal em separação. O roteiro, que envolve a infidelidade de um confuso homem casado e a negação de sua emocional mulher diante de tal triste situação, se torna um regular laboratório para observar alguns padrões que se repetem quando uma mulher vê o seu casamento começando a desabar, e também quando um homem está totalmente incerto com relação a tal prematura iniciativa. Nesse contexto, ainda que o filme não seja excelente, ele entretém a partir de uma hilária loucura de Meg Ryan (em uma eficaz interpretação) que antecipa propositalmente o que uma esposa apaixonada pode ser capaz de fazer para manter seu marido a seu lado.





Meg Ryan
é Louise, uma mulher bonita e bem sucedida, casada há 13 anos com Ian (Timothy Hutton) o qual ela sempre ajudou a ser "um homem melhor". Durante uma viagem à casa interiorana do casal, Louise descobre que Ian a trocou por uma mulher de 24 anos, Sara (Kristen Bell). Ian deseja a separação imediata pois deseja viajar à Paris com Sara e casar-se com a jovem amante. Louise não aceita tal decisão do marido e, tomada por uma atitude de raiva e inconformismo, ela resolve mantê-lo prisioneiro em sua própria casa. A partir daí, uma série de diálogos ocorrem, de momentos nostálgicos passando por confissões de mágoas e frustrações até declarações de perdão e amor. Até um caso policial entra na dinâmica do filme para dar um pouco mais de drama ao casal, com a presença de Justin Long, interpretando o papel do ladrão Todd.






Armadilhas do Amor vale a sessão da tarde muito em função do retorno de Meg Ryan a uma comédia. Ela tem carisma e é divertida, com ou sem botox em exagero. Timothy Hutton, que é obrigado a ficar um bom tempo preso a um vaso sanitário, não compromete o papel e o faz bem; quando melhor avaliado o drama de seu personagem, sua caracterização como um homem de baixa auto estima e cara de maluco confuso reforça que ele não parece tão seguro da decisão de separação. Em termos de direção, considerando que o ambiente das atuações se reserva à casa de campo do casal e, um marido em cativeiro, não há uma complexidade nos enfoques de cena e na orquestração geral do filme, o foco é a famosa discussão de relacionamento entre agressões físicas e orais, então o trabalho de Cheryl Hines foi positivo para uma estréia; por isso o que deve ser observado são muito mais os conteúdos que são discutidos por um casal que está em processo de crise matrimonial. Percebe-se que há temas que vão além da traição em si, não são excludentes e que acabam vindo à tona com o calor da discussão, como por exemplo: a não maternidade de Louise (após várias tentativas) e a personalidade forte e independente dela que, normalmente, são problemas que podem afetar ou não um marido, a depender de como ele lida com sua esposa, suas virtudes, defeitos, dramas e dilemas; além disso o maior aprendizado é que esse casal precisa de diálogo, um diálogo que foi sendo postergado inconscientemente e que acabou acontecendo na pior das situações. Mais ao final do filme, o expectador se surpreende com duas questões: "Será que os homens casados que decidem deixar suas esposas para ficarem com as amantes estão seguros do que estão fazendo?" e "O que uma mulher casada é capaz de fazer para manter o seu casamento ?" Pense nisso, e não caía em qualquer amorosa armadilha.



Avaliação MaDame Lumière


Título Original: Serious Moonlight
Origem: Estados Unidos
Gênero(s):
Romance, Comédia Romântica

Duração: 84 min
Diretor(a): Cheryl Hines

Roteirista(s): Adrienne Shelly

Elenco: Derek Carter, Andy Ostroy, Nathan Dean,Kimberlee Peterson, Meg Ryan, Timothy Hutton,Justin Long Kristen Bell,Bill Parks,Kylan James

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Um Filme, uma canção: O casamento do meu melhor amigo (My best friend's wedding - 1997, de P.J. Hogan) , I say a little prayer for you de Diana King)


Um filme, uma canção por Madame Lumière
a combinação inesquecível para uma nostálgica emoção




I say a little prayer for you de Diana King é uma canção inesquecível não somente por ser um hit atemporal da diva soul, mas por ser totalmente vital para registrar o quão memorável é a comédia romântica O Casamento do meu melhor amigo, estrelada por Julia Roberts no papel de Julianne Potter, a amiga que se vê apaixonada pelo amigo Michael O'Neal (Dermot Mulroney) às vésperas do casamento dele com Kimberly Wallace (Cameron Diaz). Na cena em que a canção é cantada sob a liderança do hilário amigo de Julianne, George Downes (Rupert Everett, em deleitável e muito charmosa performance), I say a little prayer for you ganha uma dimensão tão energizante que todos no local começam a cantar, com uma ótima combinação de vozes entre acapella e acompanhamento musical com teclado.





No contexto do filme, George acaba tendo que se passar como o affair de Julianne para despertar o ciúmes de Michael, então durante a cena desse jantar com a presença de várias pessoas, inclusive Michael e Kimberly, George começa a contar como ele e Julianne se conheceram com revelações adoravelmente engraçadas, e engata um tipo de declaração de amor para Julianne com a letra de I say a little prayer for you. A energia empolgante da canção e sua romântica e bem humorada abordagem colaboram para eternalizar essa cena no Cinema e combinam muito bem com o tom engraçado da cena, principalmente, com a interpretação fabulosamente gay de
Rupert Everett. Um canção tão alegre e vivaz que quando ela é tocada é impossível não lembrar dessa encantadora comédia e ter vontade de se apaixonar e começar a dançar com intenso regozijo. Ela também toca no seriado Glee e não pude perder a oportunidade de incluí-la nesse nostálgico Um Filme, uma canção.


Forever and ever you'll stay in my heart
And I will love you forever and ever
We never will part and I will love you
Together, forever that's how it should be
To live without you could only mean heartbreak for me

Para sempre, para sempre você ficará em meu coração
E eu te amarei para sempre
e jamais nos separaremos oh, como eu te amarei
Juntos, juntos, é assim que deve ser
E viver sem você, apenas significaria magoas para mim







quinta-feira, 22 de abril de 2010

A Emblemática Citação da Semana: Closer - Perto Demais (Closer) - 2004




"Hello, stranger!"


"Oi, estranho!"



(Alice interpretada por Natalie Portman
no filme Closer
de Mike Nichols)



MaDame Lumière diz "oi, estranho"

Dança Comigo? Shall We Dance? (2004)




Ontem, enquanto eu escrevia o MaDame Loves com o tema Dança, não pude incluir no meu top 10 o romance Dança Comigo?, remake do japonês Shall we dansu? (1996) de Masayuki Suo, pois iria completar 11 filmes, e optei por privilegiar o Ela Dança, eu danço por ele trazer dança de rua e mostrar um jovem marginalizado que consegue mudar seu comportamento para algo melhor, no entanto assumo que esse Dança Comigo? é um delicioso e despojado romance com Richard Gere no qual ele está muito charmoso lembrando até mesmo os seus tempos áureos de "Uma linda mulher" e, melhor, ele está aprendendo a dançar, o que o torna mais cativante, dando até gosto de vê-lo na telinha.




No filme, Richard Gere é John Clark, um homem maduro, pai e marido, que está entediado com sua própria vida, a rotina que já parece não levá-lo a lugar algum. Até seu casamento com Beverly Clark (Susan Saradon) sofre desse tédio. Certo dia, ele avista uma linda jovem na janela de um prédio, Paulina, interpretada pela bela Jennifer Lopez
e, mesmo que, inicialmente, ele tenha ficado fascinado pela sua beleza, mais adiante eles não se envolvem amorosamente, pelo contrário, ela se torna a professora de dança dele, o que trará transformações em suas vidas e ajudará John Clark a canalizar suas frustrações.. Com direção de Peter Chelsom, esse filme tem a virtude de ser muito gostoso de assistir, e Chelsom repete essa atmosfera agradabilíssima como o fez com um dos meus romances preferidos, Escrito nas Estrelas, com John Cusack e Kate Beckinsale.





Dança Comigo?, estrelado por esses adoráveis atores tem 3 atrativos principais além da presença desse elenco. Embora os atrativos sejam clichês em filmes desse gênero, são clichês que merecem ser assistidos porque permitem que as pessoas se sensibilizem com relação ao que elas são capazes de fazer e mudar em suas vidas, principalmente usando a dança a seu favor. A primeira é a iniciativa pela dança, ou seja, John Clark toma a iniciativa de aprender a dançar e ficar mais descontraído e seguro como homem. De fato, os homens deveriam tomar essa decisão e dançar mais. A segunda é a descoberta pela dança, ou seja, John Clark também se descobre um homem bem melhor e menos complicado quando começa a ter aulas de dança com a exuberante Paulina e, ela também resolve os grilos que a afligiam. A terceira é o reconhecimento pela dança, que não necessariamente vem a partir de um troféu em um final de campeonato de dança, pelo contrário, John Clark obtem benefícios superiores a qualquer premiação os quais aparecem em sua vida pessoal, inclusive seu casamento. Dança Comigo ainda brinda a audiência com o talento dançante de J.Lo, e claro, a excepcional canção do tango moderno, Santa Maria, do fantástico Gotan Project.


Avaliação MaDame Lumière



Título original: Shall We Dance?
Origem: EUA
Gênero: Romance, Comédia Romântica
Duração: 90 min
Diretor(a): Peter Chelsom
Roteirista(s): Masayuki Suo, Audrey Wells
Elenco: Richard Gere, Jennifer Lopez, Susan Sarandon, Lisa Ann Walter, Stanley Tucci, Anita Gillette, Bobby Cannavale, Omar Miller, Tamara Hope, Stark Sands, Richard Jenkins, Nick Cannon, Sarah Lafleur, Onalee Ames, Diana Salvatore


quarta-feira, 21 de abril de 2010

MaDame loves: 10 Inesquecíveis Filmes de Dança

MaDame Loves :
10 filmes preferidos com 1 tema escolhido
por MaDame Lumière




Tema: Dança

Se há uma categoria de filmes que eu amo são os que giram em torno da dança, e eles não precisam ter roteiro e elenco tão surpreendentes como a habilidade dos dançarinos porque a dança, por si só, já é um personagem e é a alma do filme. Muito da minha adoração por esse tipo de filme é porque eu sempre gostei de dançar, a ponto de já ter frequentado as aulas de variadas danças, apresentar-me em festas e teatros, e adorar sair para dançar. Como eu amo tudo isso! Danço até na sala de casa e no chuveiro! O meu sentimento pela dança, a qual considero ser mais do que um entretenimento, é uma eterna história de amor e ela é uma das minhas paixões assim como o Cinema, por isso quando vejo um filme com dança, é uma bailante emoção, é como estar dançando no filme, mesmo que o enredo não seja fascinante como os passos da Dança.
Dançar me faz feliz, me faz conhecer a mim mesma, me faz estar em uma outra esfera de contentamento, me faz expressar quem sou e o que quero ser, naquele momento ou para sempre, a dança sempre será uma parte do meu eu.





E,a partir de agora, minha seleção especial do MaDame loves com 10 inesquecíveis filmes de dança. Embora não tenha sido fácil selecioná-los dentre tantos outros, empenhei-me em variar os tipos de dança (pois sou apaixonada por todos os filmes de Dança de Carlos Saura, o qual monopolizaria esse especial), e optei também por deixar os filmes musicais para um outro MaDame loves, essa seleção expressa o saudosismo dos momentos da Dança, pois cada um desses filmes fez parte de uma época da minha vida, inspirou meus movimentos amadores porém de imensa dedicação a amar esta vibrante Arte, a amar o movimento do meu corpo, simplesmente feliz.


Flamenco/ Flamenco (1995)
Direção de Carlos Saura




Por que eu amo este filme e você deveria assistí-lo?

Carlos Saura é o diretor mestre em filmar a alma flamenca e tal sensibilidade e talento permeia toda a sua filmografia. Com muito bom gosto e intimidade com a dança, ele sabe como conduzir a câmera, entende muito bem de fotografia para extrair o melhor enfoque de cada coreografia e, tal beleza, é acompanhada do drama da paixão dos amantes, por isso o diretor tem em seu background obras adaptadas como Carmen de Bizet e Salomé de Oscar Wilde. Em seus filmes os movimentos da dança substituem as palavras e ainda conseguem expressar muito mais do sentimento humano, em especial, o amor e a dor. Em Flamenco, considerado a sua obra cinematográfica mais brilhante pelos apaixonados por flamenco, tamanha a magnitude do elenco, Carlos Saura consegue unir os nomes eternos dessa dança, entre bailarinos(as) e cantores(as), tais como as esplêndidas guitarristas de Manolo Sanlúcar, Paco Lucía e Tomatito, a profunda voz dos legendários Enrique Morente e Lole y Manuel e os aclamados bailarinos como Maria Pagés, Farruquito, Manuela Carrasco e Joaquín Cortes, entre tantos outros brilhantes artistas. Definitivamente, um clássico filme antológico sobre o Flamenco.



Tango/Tango (1998)
Direção de Carlos Saura




Por que eu amo este filme e você deveria assistí-lo?

Uma obra magnífica sobre o Tango e sua performática passionalidade através do baile, enfocada a partir de um triângulo amoroso e seus intensos sentimentos de paixão, amor, ciúmes e desconfiança que são expressos não somente pela bem coreografada e vívida dança, mas pelos olhares, pelos gestos e pelos embates dramáticos através dos diálogos passionais dos amantes. Em Tango, como nas outras obras de dança de Carlos Saura, a Dança é parte do drama dos amantes, e é como um recurso para contar essa história à audiência que, fascinada, é movida a ser uma testemunha da relação, além disso, há uma variedade de performances, de bastidores a palcos evocando a beleza e a tradição do Tango. Com a presença do trio Miguel Ángel Solá, Cecilia Narova e Mía Maestro, que garantem ao espectador uma das performances de Tango mais belas da história do cinema, Tango conta com uma seletiva e fantástica trilha sonora com clássicos como Tango del Atardecer e La Cumparsita. Muito Tango para lembrar do icônico e sublime Astor Piazzolla e, para eternalizar o Tango em latinos corações.



Vem dançar comigo/ Strictly Ballroom (1992)
Direção de Baz Lhurmann





Por que eu amo este filme e você deveria assistí-lo?

O primeiro filme dirigido pelo australiano Baz Luhrmann, diretor que se consagraria com o maravilhoso musical Moulin Rouge é um daqueles filmes que fizeram parte da adolescência e pré-adolescência de uma boa parte das pessoas que nasceram na década de 70 e começo da 80 e que se apaixonaram pela dança de salão do casal Fran e Scott Hastings (os atores Paul Mercurio e Tara Morice) quem encantaram tantos espectadores ao som da inesquecível canção "Love is in the air", com a grande cena final e seu híbrido estilo "gipsy ballroom" e com a persistência e a superação deles através da dança. O fato do casal ser pobre e desprovido de melhores oportunidades confirma que a dança e a auto-estima que ela traz consigo ajuda a superar o presente doloroso. Vem dançar comigo é um clássico em filmes de dança e ressalta uma característica do cinema de Baz Luhrmann: a emoção e o romantismo das histórias de amor. Ele o fez com Moulin Rouge, com Romeo + Juliet e com Austrália, por isso os casais que Baz une no cinema se perpetuam em nossos cinematográficos sonhos de amor.


Carmen/ Carmen (1983)
Direção de Carlos Saura





Por que eu amo este filme e você deveria assistí-lo?


Em Carmen, baseado na ópera Carmen de Bizet, a dança, a paixão e a obsessão se únem à tórrida dança flamenca do casal Antonio (o legendário bailarino Antonio Gadés) e Carmen ( a sensualíssima Laura de Sol). Antonio a ama além do sentimento do amor, ele ama a carne, o corpo de Carmen, com uma obsessiva atração que encontra o gozo na dança, por outro lado, Carmen tem uma personalidade selvagem, praticamente indomável, logo essa tensão é expressa na passional relação de ambos. Carlos Saura realiza um primoroso trabalho nos bastidores de uma companhia de dança com uma excelente revisitação da obra e enfocando o brilho máximo de Antonio Gadés, um icône da dança flamenca e a influência do espírito "gitano" na obra flamenca, além disso ressalta, mais uma vez, sua apaixonante habilidade para reinterpretar tragédias de grandes escritores no cinema moderno, através da dança, como ele o fez com Bodas de Sangre de Federico García Llorca, considerado o escritor dos Flamencos.



Dirty Dancing - Ritmo Quente/ Dirty Dancing (1987)
Direção de Emile Ardolino






Por que eu amo este filme e você deveria assistí-lo?

Dirty Dancing é essencial na filmografia de qualquer pessoa que aprecia o cinema dançante, descontraído e sem grandes pretensões, capaz de entregar uma linda e envolvente história de amor com direito a lindos passos de dança e uma sensualidade ímpar. Esse clássico longa-metragem dos anos 80 com excelente trilha sonora, além de ter sido eternalizado com a marcante presença do casal Frances "Baby" Houseman e Johnny Castle, interpretados por Jennifer Grey e Patrick Swayze e seu intenso amor de verão ao som de Time of my life e She's like the wind, tem uma dinâmica preciosa para ilustrar os amores passageiros e (im)possíveis que não costumam sempre "subir a serra",mas são fascinantes e sensuais o suficiente para fazer a gente perder a cabeça e o coração durante uma cálida temporada. O saudoso Patrick Swayze virou símbolo sexual de uma geração de jovens que queriam estar no lugar de Jennifer Grey (eu sou uma delas, e sempre desejei um professor como ele). Dirty Dancing se tornou a perfeita e idealista love story de um jovem homem pobre e de uma garota em melhor condição social, uma paixão irresistível, um amor de Cinema que sempre será possível nos atemporais corações românticos.


FlashDance/ FlashDance (1983)
Direção de Adrian Lyne





Por que eu amo este filme e você deveria assistí-lo?


Flashdance - em ritmo de embalo é também um clássico dançante dos anos 80, marcante para as garotas que começaram a fazer jazz na época e um filme inesquecível para quem viveu o ápice da juventude nessa década (inclusive parte de minha adolescência com direito a performances no colégio e disco vinil da trilha sonora na minha coleção(risos)). Na época, a maioria das garotas queriam ter a habilidade dançante e o corpo torneado de Jennifer Beals. É um filme com roteiro bem simples, porém com cenas marcantes encenadas por Alex Owens (Jennifer Beals ) com os hits memoráveis What a feeling, Maniac e Lady Lady Lady, inclusive cenas bem sensuais e provocativas que já antecipavam a estética very sexy de Adrian Lyne ao dirigir seus filmes. A propósito, Adrian Lyne, que tem no currículos filmes como Atração Fatal, Nove Semanas e 1/2 de Amor, Lolita e Infidelidade, entrega aqui um filme bem mais "inocente", mas que já ensinava as garotas jovens a serem sensuais, com dança ou sem dança. O que torna Flashdance tão especial é que fala sobre os sonhos de uma jovem garota desprovida de uma vida financeira e familiar mais estruturada, o que faz um contraponto com a vida das meninas da elite que faziam o supervalorizado ballet. Alex realizava um trabalho braçal de dia e dançava na noite, então o espectador vibra com sua conquista, afinal, nem tudo que a vida tem de bom aparece como um flash.



Salsa/ Salsa (2000)
Direção de Joyce Buñuel




Por que eu amo este filme e você deveria assistí-lo?


O filme francês Salsa, dirigido por Joyce Buñuel que tem uma larga experiência na TV não tem qualquer relação com o filme Salsa - Ritmo Quente que é estrelado pelo ex-menudo Robby Rosa. O Salsa francês é muito mais visceral e realista em termos de dança, tem uma passion story e um foco interessante com relação ao drama do personagem Rémi (Vincent LeCoeur) e sua paixão pela salsa cubana. Ele é Francês e estuda música clássica mas decide se dedicar ao que realmente é apaixonado: a salsa. Trazendo sua escolha para o plano real, de fato, não é fácil abandonar o formalismo da música clássica cujos estudos, normalmente, são incentivados por uma família que deseja que o(a) filho(a) termine esses estudos, então desejar tocar salsa em um clube cubano é uma decisão ainda mais emotiva, passional. O que torna o filme interessante é a sensualidade e visceralidade da salsa que liberta os desejos do próprio coração. É como uma droga libertina e muito bem-vinda, que toma conta do corpo no meio do salão, vibrando a latinidade de pessoas que só desejam bailar a noite toda, além de ressaltar que temos que realizar escolhas apaixonadas. Um dos raros filmes com a salsa, nua e crua, deliciosamente sensual


Uma lição de Tango/ The Tango Lesson (1997)
Direção de Sally Potter




Por que eu amo este filme e você deveria assistí-lo?

Uma lição de tango de Sally Potter é puro Tango, relatando momentos verídicos de Sally Potter frequentando as aulas de Tango com o ilustre bailarino Pablo Verón durante uma viagem à Paris. A presença de Pablo Verón embeleza ainda mais o filme pois ele é simplesmente perfeito, uma lenda em termos de técnica e elegância na dança. O filme se baseia em tango bastante realista, de bastidores nos quais o espectador aprecia a arte do Tango que está além da própria Arte e que depende de artistas que a fazem, ou seja, o amor, a dedicação, a disciplina, a criatividade, etc tão intrísecos a quem dança são ressaltados através de uma aluna (no caso Sally) que está aprendendo a dançar em seu próprio trabalho, então a diretora constrói o seu processo criativo Dança-Cinema através da metalinguagem entre ambos. Um enfoque brilhante para Milongueiro nenhum colocar defeito!


Os Embalos de Sábado à noite/ Saturday Night Fever (1977)
Direção de John Badham





Por que eu amo este filme e você deveria assistí-lo?

Esse clássico dos anos 70 tem sua força na sua influência dançante em toda uma geração. John Travolta incorporou o estilo e o desejo pelos tempos de Grease e dos embalos de sábado à noite com charme e boa forma física, brindando o Cinema com inesquecíveis movimentos ao som de Bee Gees. Até hoje, ouvir Staying Alive e lembrar de Tony Manero dá vontade de incorporar o "Saturday Night Fever" e arrasar na pista de dança até o dia raiar. Os pontos altos dos filmes são que, além da dança inspiracional que até hoje é adotada como um traço comportamental dos amantes dos anos 70, John Travolta realiza o papel de um homem que age exatamente como grande parte das pessoas que saem para dançar. Tem um trabalho chato a semana toda e não vê a hora de chegar o fim de semana para soltar o corpo e esquecer o pesadelo dos dias utéis. Continuar vivo? Só se for com uma pista de dança.


Se ela dança, eu danço/ Step up (1977)
Direção de John Badham





Por que eu amo este filme e você deveria assistí-lo?


Se ela dança, eu danço pode parecer um filme medíocre para quem odeia hip hop e filmes desse tipo, porém o que o torna uma boa opção de filme de dança é observar que a dança e a música já salvaram muitos delinquentes juvenis das ruas, Tyler Gage, interpretado por Channing Tatum é um deles e, mundo afora, há vários exemplos como esse, principalmente, no Brasil. Boa parte dos talentos artísticos são como dádivas que podem ser aperfeiçoadas, contato que as pessoas tenham oportunidades de fazer isso, e também, tenham vontade de mudar suas vidas para algo mais positivo, que lhes provê um futuro melhor. Se ela dança, eu danço está relacionado a escolhas e mudanças através da dança e, embora o filme 2 tenha sido um fiasco, o primeiro da franquia tem uma empolgante trilha sonora e ótimas coreografias que misturam passos de hip hop com jazz e ballet, embalados por uma história de amor que é construída simultaneamente com uma coreografia para a grande apresentação final. Previsível, porém inspiracional, afinal, ninguém quer dançar na vida se dançar significa "se dar mal".



Você gosta de dançar? Já aprendeu a dançar algum ritmo?
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Até o próximo MaDame Loves
com mais filmes temáticos que a MaDame ama.