quarta-feira, 31 de março de 2010

Cadê os Morgans? (Did you hear about the Morgans?) - 2009



O diretor Marc Lawrence é mais um cara das comédias românticas. Em seu background de direção estão Amor à Segunda Vista (com Hugh Grant e Sandra Bullock), Letra e Música (com Hugh Grant e Drew Barrymore) e, agora, o mais recente lançamento em exibição no cinema: Cadê os Morgans? com Hugh Grant (de novo!) e Sarah Jessica Parker, ambos carismáticos em romances do riso, bem sucedidos e elegantes na medida certa para encenar o casal Paul e Meryl Morris (os Morgans), habitantes da ultra cosmopolita Nova York. É notável que Marc adora trabalhar com o ator britânico, Mr. Grant, que tem o charme cômico e os olhos românticos circulados pelas rugas mais sensuais do Reino Unido. Nesse longa metragem, Marc assina também o roteiro e diferente dos outros trabalhos de apaixonados solteiros que se encontram em suas solitárias vidas, em seu mais novo trabalho o diretor e roteirista aborda o casamento em vias de fracasso que tem chance de ser recuperado, basta uma ajuda fatal do destino.






Meryl (Sarah Jessica Parker) é uma corretora de imóveis bem recomendada em Nova York. Preside a própria empresa, participa em eventos sociais e filantrópicos, é uma lady moderna apaixonada por Manhattan que ama roupas, smartphones, internet e todo a praticidade e diversão que uma cidade como Nova York oferece. Separada de seu marido Paul (Hugh Grant), um bem sucedido e requintado advogado, eles ainda hesitam em se encontrar pois o casamento foi abalado por uma traição. Embora a confiança do casal foi quebrada, ainda há uma lacuna em aberto que pode uní-los novamente pois Paul sugere uma terapia de casal e deseja reconquistar Meryl. Após um jantar a dois, eles são testemunhas de um assassinato e, eis que a vida de ambos muda do vinho para o leite de vaca, de Nova York para o interior distante de Wyoming pois eles são obrigados a protegerem suas próprias vidas e integram o programa de proteção a testemunhas para fugir do assassino que está em seus encalços.





De todas as comédias românticas de Marc Lawrence, Cadê os Morgans? está comparativamente aquém das demais porque Hugh Grant e Sarah Jessica Parker poderiam render uma comédia muito mais robusta e com muito mais romance, inspirando os corações da audiência. Como são bem queridos, a expectativa é sempre maior, mesmo que o gênero do filme já é por sí próprio um clássico clichê. Isso acontece porque a idéia do enredo é boa mas não se trata de um casal que acabou de se conhecer e se apaixonar mas tem a dramaticidade de um casal que já construíu uma história, está ferido e se vê em uma situação que os obriga a encarar-se diariamente e salvarem seu casamento, além disso ambos saem de seus habitats normais e vão redescobrir o amor no fim do mundo. Cadê os Morgans? ainda garante boas risadas com um Hugh Grant romântico e previsível e uma Sarah Jessica Parker idem. Basicamente eles interpretam a eles mesmos. Grant muito educado até para o riso, garantindo aquele seu clássico senso de humor com ótimas e inesperadas tiradas e Sarah Jesssica Parker com a faceta clássica da mulher moderna voltado a assuntos como casamento, amor, carreira, filhos, e embalada também pelo gene que a une à eterna Carrie Bradshaw e seu insano amor à vida Nova Yorkina.





Os pontos altos do filme são a oportunidade de ver esses atores juntos performando exatamente o estilo que os consagrou e, analisar a importância de redescobrir o amor e dar uma chance ao perdão em um casamento que parece fadado ao fracasso. Sob esse último aspecto, Cadê os Morgans? serve-se de uma variável cômico trágica, ou seja, um casal que testemunha um assassinato e abandona todo o luxo de suas vidas para ir a um lugar desprovido de internet, telefone e tantas outras necessidades básicas para uma melhor socialização. Essa mudança de vida poderia ser deprimente, mas não o é porque, desprovidos de suas agendas muito ocupadas e de seus secretários que acompanham o passo a passo de seus compromissos, Paul e Meryl têm tempo de sobra para conversarem sobre seu relacionamento e curarem suas feridas, sem dúvidas, essa é a grande sacada do filme: tempo e espaço em uma paisagem bucólica para valorizar aquilo que é importante além do rush da cidade grande. Uma oportunidade única para uma reflexão fundamental: "Cadê minha real vida"? "Cadê o que realmente importa viver"?.



Avaliação MaDame Lumière



Título original: Did you hear about the Morgans?
Origem: EUA
Gênero: Comédia romântica, Comédia, Romance
Duração: 103 min
Diretor(a): Marc Lawrence
Roteirista(s): Marc Lawrence
Elenco: Hugh Grant, Sarah Jessica Parker, Natalia Klimas, Vincenzo Amato, Jesse Liebman, Elisabeth Moss, Michael Kelly, Seth Gilliam, Sándor Técsy, Kevin Brown, Steven Boyer, Sharon Wilkins, Sam Elliott, Mary Steenburgen, Kim Shaw

terça-feira, 30 de março de 2010

Duplicidade (Duplicity) - 2009



Resenhar Duplicidade, segundo filme de Tony Gilroy (de Conduta de Risco) não é uma tarefa fácil, não é nem pela complexidade do suspense mas é porque me despertou uma certa ambiguidade: bem dirigido e com um argumento contemporâneo porém nada empolgante na minha experiência cinematográfica. O longa-metragem, estrelado pelos charmosos Clive Owen e Julia Roberts em um diferente reencontro pós Closer tem a elegância da câmera de Gilroy com flashbacks bem cadenciados e um bem estruturado roteiro para a temática, o da espionagem corporativa entrelaçada com comédia romântica e suspense, porém em momento algum o filme foi-me apaixonante, salvo abordar a questão da desconfiança, que na película está em uma esfera dos relacionamentos tanto amoroso quanto institucional. Nesse ponto, considero o filme inteligente e bem roteirizado com esta faceta híbrida.







O thriller começa com um bom apelo à audiência: unir os bonitões Julia Roberts e Clive Owen em um romance de espiões. Após se conhecerem em uma das lindas locações internacionais, bel-prazer dos agentes secretos, eles se envolvem intensamente ainda que não consigam confiar um no outro. Contemplar os diálogos emblemáticos entre ambos, com um flerte no ar e a provocativa tensão da desconfiança é um deleite, mesmo que falte ainda carisma ao filme. Ela é Claire Stenwick, uma ex-agente da Cia e ele é Ray Koval, um ex-MIG. Desconfiança mesmo com as excitantes aventuras da profissão, mal de espião, não é mesmo? Ainda que os lençois de ambos estejam quentes, há que analisar friamente que tanto Claire quanto Ray são espertos demais e podem enganar um ao outro. Após deixarem suas posições no serviço secreto governamental, eles passam a trabalhar na segurança industrial de empresas concorrentes do segmento de cosméticos e seus chefes, respectivamente, os executivos Howard Tully (Tom Wilkinson) e Dick Garsik (
Paul Giamatti), em perfeitas atuações, se odeiam e entram no jogo competitivo das multinacionais que pagam bem para a espionagem. A cena inicial em câmera lenta na qual ambos brigam com direito a chutes e murros de engravatadinhos é uma das cenas mais cômicas e bem filmadas por Gilroy; dá até para imaginar os presidentes de grandes corporações querendo enforcar os concorrentes com suas gravatas bem engomadas. Ética corporativa não existe em Duplicidade, afinal a idéia é ser duas caras, um ser duplo, sempre que for necessário para chegar ao topo do mercado, atropelar o concorrente com ética zero e muitos bilhões para os acionistas é essencial no filme golpista de Gilroy.





Claire e Ray não são nada bobos e, entre uma transa e outra, já nasceram para serem golpistas e se amarem, então integridade profissional não existe para eles, ainda que tentam manter a integridade do relacionamento por isso é bonito ver Julia Roberts e Clive Owen, charmosos, bem vestidos, perigosos e apaixonados. O interessante no romance entre Claire e Ray é que são como almas gêmeas que podem até desconfiar um do outro, mas são os únicos capazes de se compreenderem; por isso em um filme no qual pessoas podem ter duas caras e até mais, as máscaras dos amantes são indiferentes. Eles conseguem ser cúmplices um do outro com duas, três, quatro caras se for possível. Esta nuance amorosa é bem interessante em um contexto de espionagem corporativa porque Gilroy entrelaça o romance com o ofício do casal, o de roubar a fórmula secreta de um novo produto, além disso reforça que, para um espião do cinema, relacionar-se afetivamente nunca foi tarefa simples, há que encontrar alguém compatível com este mundo secreto que, por trás de sua fortaleza e glamour, deixa qualquer espião também vulnerável, principalmente com relação à solidão e ao amor. Afinal, existe lealdade e amor neste contexto? Até onde vai a confiança e começa a desconfiança ou vice e versa? No final, a identidade da própria duplicidade será revelada.


Avaliação MaDame Lumière



Título original: Duplicity
Origem: EUA, Alemanha
Gênero: Suspense
Duração: 125 min
Diretor(a): Tony Gilroy
Roteirista(s): Tony Gilroy
Elenco:
Clive Owen, Julia Roberts, Tom Wilkinson, Paul Giamatti, Dan Daily, Lisa Roberts Gillan, David Shumbris, Rick Worthy, Oleg Stefan, Denis O'Hare, Kathleen Chalfant, Khan Baykal, Thomas McCarthy, Wayne Duvall, Fabrizio Brienza

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sete Vidas (Seven Pounds) - 2008



Para quem assistiu o filme À procura da felicidade (2006) com o talentoso Will Smith e se emocionou com a tocante história de esperança e determinação de um pai e seu filho já pode considerar-se qualificado para encarar Sete Vidas (2008), que foi produzido pela mesma equipe e ainda tem o ator americano como protagonista e o italiano Gabriele Muccino na direção. A parceria entre o ator e o diretor é tão intensa e lírica que o cinema de ambos juntos se torna mais belo à medida que nos envolvemos na forma madura como Will atua e na forma harmônica como Gabriele orquestra esta película sem cair no melodrama. Sete Vidas é uma história de redenção extremamente comovente, tão poderosa em arrancar lágrimas que será impossível o filme passar desapercebido pela sua sensibilidade, a não ser que o seu coração seja de pedra ou já esteja endurecido precisando perdoar e amar os outros e a si mesmo. Confesso-lhes que Sete Vidas é um filme tão comovente que eu chorei bastante passado o suspense inicial. Sensibilizei-me demais com o ato de coragem do protagonista interpretado por Will Smith (e ambiguamente também com seu ato de covardia), além de ter sido tocada pela poesia de seu sofrimento que se encontra com várias formas de amar. Não pretendo contar-lhes o desenvolvimento do filme porque é uma película para ser revelada até sua catarse, até seu efeito devastadoramente emotivo, por isso estas minhas linhas são muito mais um breve desabafo reflexivo de quem pretende guardar este filme para sempre na alma e no coração. Sete Vidas para uma vida que é como a do poeta, infinita enquanto dure.





Sete Vidas relata o drama pessoal de Ben (Will Smith) que decide cumprir uma missão após passar por um terrível trauma: ele decide ajudar sete vidas. Para isso, ele precisa ter certeza que estas pessoas são boas e merecem ser ajudadas, entre elas o cego Ezra (Woody Harrelson) e a jovem cardíaca Emily Posa (Rosario Dawson, em ótima performance). Ben é um funcionário da Receita Federal, pelo menos, esta é a identidade que ele usa para abordar estas pessoas e dar-lhes um tempo para acertar as contas com o Leão. Mas seus propósitos com estas pessoas estão acima de qualquer pendência fiscal, Ben precisa salvá-las então há um aspecto messiânico neste protagonista que combina bem com os Messias que ajudam a humanidade, no entanto, o formidável e oculto aspecto deste protagonista é que é ele que precisa ser ajudado ainda que a história não enfoque isso. Ao conhecer Emily, cheia de vida, fica evidente o quanto Ben é vulnerável e merece ser feliz.





Acima de tudo, Sete Vidas é um filme sensivelmente bem dirigido que transita entre a tragédia, o suspense, o romance e o drama sem perder o fio condutor que é preparar o espectador para o intenso clímax da redenção, mesmo que este clímax demore a chegar. O enredo de Sete Vidas tem um tom de suspense tão perfeitamente entrelaçado no genial roteiro de Grant Nieporte que somos envolvidos por este homem que tem uma missão muito especial, a de ajudar sete estranhas vidas a mudarem suas vidas. Há claramente o postergar máximo do auge emocional do espectador, por isso ficamos curiosos até chegar a fase mais final do filme. Por que Ben as está ajudando? Por que ele quer dar vida a estranhos se tudo em volta de si é tão escuro, tem cheiro de morte e de abandono de si mesmo? A princípio, a razão pela qual seus atos o levam a uma missão determinada é tão pessoal e um fantasma tão difícil de lidar que, mais adiante, ficamos boquiabertos com tamanha coragem de Ben em tomar a decisão que tomou. Por que fazer isso a si mesmo? Por que a necessidade de redenção? Por que o desejo de dar vida aos outros quando tudo é morte dentro dele? De fato, a beleza deste trabalho é como o roteiro é capaz de surpreender-nos com o revelar de um trágico segredo e como dói pensar na escolha do protagonista, como dói pensar que a vida é feita de escolhas e que é necessário encontrar a paz, mesmo que a escolha de paz seja uma guerra letal dentro de nós. Em um dado momento do filme, pesou no meu ser o quanto optar pela redenção é uma decisão heróica e também potencialmente impulsiva e como é difícil ser um herói trágico que faz o bem com um fim nada heróico.





Sete Vidas
é mais do que uma história de redenção, é uma história de amor. E redenção e amor perante o sofrimento próprio e o alheio é como ter mais do que uma vida, é como ser humano em dobro mesmo que a morte e a vida estejam lado a lado.


Avaliação MaDame Lumière


Título original: Seven Pounds
Origem: EUA
Gênero: Drama, Romance
Duração: 118 min
Diretor(a): Gabriele Muccino
Roteirista(s): Grant Nieporte
Elenco: Will Smith , Rosario Dawson, Woody Harrelson, Michael Ealy, Barry Pepper, Elpidia Carrillo, Robinne Lee, Joe Nunez, Bill Smitrovich, Tim Kelleher, Gina Hecht, Andy Milder, Judyann Elder, Sarah Jane Morris, Madison Pettis

domingo, 28 de março de 2010

Maldita Sorte (Good Luck Chuck) - 2007



O ator comediante Dane Cook leva jeito para performar homens que são o playground sexual das mulheres. Em Maldita Sorte (2007) com Jessica Alba e no seu último trabalho Amigos, Amigos, Mulheres à parte (2008) com Kate Hudson, comédias muito engraçadas e com significativo apelo sexual já na própria linguagem do protagonista, ele conquista as duas belas atrizes em cena e ainda transa com uma série de mulheres que se rendem ao seu charme "pegador". O apelido de Dane deveria ser cock(opss! Tive que falar!). Não posso negar que, apesar da cara escrachada de cafajeste do ator, ele tem um abdômen espetacular com aqueles gominhos laterais bem delineados e que são difíceis de encontrar. Embora não o ache bonito, tenho que confessar que ele inspira exatamente três qualidades que combinam bem com seus papéis e que garantem diversão para mulheres que se atraem por tal tipo: descomplicadamente disponível para o sexo, corpo sarado e atrativo e cara de safado e senso de humor. Definitivamente, ele é um playground completo e, por incrível que pareça, nestes dois filmes ele se oferece às mulheres como um homem objeto, que respira e vive o sexo casual e que ainda é capaz de se apaixonar loucamente. Viva ao Dane Cock!






Ri bastante com seu último trabalho com Kate Hudson, no qual ele assina a produção, no entanto demorei bastante para assistir Maldita Sorte, ainda que seja uma comédia romântica. Parecia bem um besteirol apelativo quando li a sinopse a qual basicamente relata que Charlie Logan (Dane Cook), um charmoso e bem sucedido dentista, é amaldiçoado quando criança após rejeitar uma garota sinistra durante uma brincadeira de beijo. A maldição não parece tão má: ele terá várias mulheres mas não ficará com nenhuma delas e toda mulher com a qual ele transar, com o próximo homem que ela conhecer, ela se casará. Resumindo: Charlie está condenado a ficar sozinho sem se privar das mulheres, afinal, à medida que elas conseguem se casar após sair com ele, a famosa propaganda boca a boca fica mais dinâmica e Charlie se torna o amuleto da sorte de qualquer mulher que queira se casar Para os solteiros assumidos da contemporaneidade, esta maldição seria uma benção, mas para Charlie, virá a ser uma possível tragédia amorosa, em especial, quando ele encontra Cam Wexler (Jessica Alba) e se apaixona por ela, sofrendo as consequências de poder perdê-la após dormirem juntos.





Maldita Sorte
é um filme para entretenimento de veia cômica, mesclando o apelo sexual e romântico de um homem que se apaixona por uma mulher após ter dormido com várias outras. É um filme fadado ao estigma de ser mais uma comédia clichê, no entanto vale pela diversão. O fato de Charlie Logan ser bonito e bem sucedido e optar por transar com várias mulheres mais em função de ajudá-las a encontrar a alma gêmea do que propriamente divertir-se sexualmente torna o filme menos descartável e bastante válido para arrancar algumas risadas porque, verdadeiramente, Charlie é um homem bacana, ele só foi amaldiçoado e passa a acreditar nisso cedendo espaço a um comportamento de louco com a possibilidade de perder Cam. Eu ri bastante do cômico da situação, principalmente nos extras das posições sexuais de Charlie (a tosca sex matrix da história) e até pensei que não seria nada mal as mulheres terem um amuleto da sorte como Charlie, afinal, transar casualmente costuma dar mais azar do que sorte já que nós, mulheres, tendemos a fantasiar relações que começam a partir de um encontro descompromissado e, infelizmente, há muita decepção amorosa e falsas expectativas. Com Charlie isto não existe porque as mulheres transam com ele pensando no futuro marido que brevemente virá. Ambiguamente, ele é o foco da atenção mas não é o foco da relação. Esta idéia de amuleto da sorte, o "lucky cock", não deixa de fazer jus àquela velha citação que diz
: "Enquanto você não encontrar o homem certo, divirta-se com os errados."


Avaliação MaDame Lumière



Título original: Good Luck Chuck
Origem: Canadá
Gênero: Comédia romântica, Comédia
Duração: 96 min
Diretor(a): Mark Helfrich
Roteirista(s): Josh Stolberg, Steve Glenn
Elenco: Jessica Alba, Connor Price , Troy Gentile, Mackenzie Mowat, Sasha Pieterse, Caroline Ford, Dane Cook, Chelan Simmons, Dan Fogler, Natalie Morris, Ellia English, Chang Tseng, Michael Teigen, Chiara Zanni, Ben Ayres, Carrie Anne Fleming

sábado, 27 de março de 2010

O Leitor (The Reader) - 2008






O inglês Stephen Daldry, diretor do excelente O Leitor, filme com uma ótima receptividade por parte das indicações em premiações do ano passado(só no Oscar 2009 foi honrado com 5 indicações e rendeu o prêmio da Academia de melhor atriz à também britânica Kate Winslet) é o diretor dos dramas contemplativos, reflexivos e degustativamente dramáticos; encabeçam também seu currículo As Horas e Billy Elliot, o que demonstra que ele é um diretor que aprecia um conteúdo cinematográfico inteligente e ainda consegue ser reconhecido recebendo indicações de melhor diretor por seus trabalhos.






Adaptado da obra de Bernhard Schlink, O Leitor é um longa-metragem peculiar em função do roteiro denso e soberbo em termos de conflitos existenciais, enfocando a questão da vergonha a qual julgo a mais relevante e interessante para dar a base do drama, além disso traz questões relacionadas ao Holocausto, à iniciação sexual de um jovem por uma mulher mais velha, à culpa, ao perdão, ao arrependimento, ao medo e uma série de feridas que são desdobradas a partir do romance de Hanna Schmitz (Kate Winslet) e Michael Berg (David Kross, formidável) em uma ambientação pós guerra. Retratado nos anos 50, após o fim da Segunda Guerra Mundial, o filme relata a história do adolescente Michael e da experiente Hanna que se envolvem amorosamente e sexualmente em uma Alemanha em reconstrução. Hanna é uma mulher solitária, isolada e estranha e acaba ajudando Michael quando este adoece, a partir daí, entre uma transa e outra, ele lê as obras clássicas para ela e, como em uma relação de troca, ela ensina a ele a arte do sexo. Michael é praticamente um adolescente inexperiente, então Hanna acaba se tornando sua grande paixão, seu primeiro amor. Repentinamente, ela desaparece da vida de Michael deixando-o devastado e somente anos mais tarde eles se encontrarão. Na ocasião, ele como um aluno de direito e ela no banco dos réus acusada de ações coniventes com o Nazismo.





O Leitor tem uma grande sacada exatamente no reencontro de ambos, e tal reencontro é acompanhado de inéditas revelações e muita dor, raiva e tristeza por parte de Michael que praticamente foi abandonado e não conseguiu esquecer de Hanna nem mesmo perdoá-la. Sendo um aluno de direito e descobrindo uma verdade que pode inocentar Hanna, ele se cala e este silêncio é um dos pontos altos do drama do Michael Berg mais velho interpretado por Ralph Fiennes que conviverá com isso durante os anos em que Hanna ficará presa e demonstrará o teor ambíguo de suas emoções. Do outro lado, Hanna é a mulher "da vergonha" que silencia o que a envergonha. Ela prefere ser condenada e apodrecer na cadeia do que revelar a verdade, logo O Leitor tem uma tensão entre Michael e Hanna, misturando questões éticas com sentimentais e existenciais. Sem dúvidas, a personagem de Kate Winslet é bem complexa porque não se deixa abater por uma vida solitária e muito menos pela vergonha que esconde. Ela é batalhadora e orgulhosa, mas não tem o orgulho da arrogância, o orgulho dela é muito mais voltado a manter uma certa dignidade em sua vida, não ser menos que ninguém mesmo que lhe falte a educação formal e o poder aquisitivo que a poderiam ter levado a uma posição melhor. Por isso, Kate Winslet, com sua competência como atriz, foi privilegiada por este papel e honrou o merecimento com uma excelente atuação cheia de nuances comportamentais. Na fase mais final do filme, Hanna dá um espetáculo de força de vontade para cobrir uma lacuna que simbolizava sua própria vergonha.






Embora o filme perca mais na ação à medida que a fita avança, O Leitor é um drama muito bem dirigido e com um elenco de primeira, em especial, a atuação do jovem David Kross que interpreta muito bem o drama do jovem inocente que descobre o amor e, logo mais, tem sua decepção amorosa que o assombrará mais tarde. Além disso O Leitor tem o louvável aspecto de ser bem reflexivo sob o ponto de vista do silêncio e da vergonha que calam indivíduos em um ambiente de guerra e que têm desdobramentos em um cenário de pós guerra, mesmo na esfera pessoal. É, acima de tudo, um filme de impacto existencial e que faz pensar como alguém agiria no lugar dos protagonistas porque polemiza conflitos morais e traz fantasmas que amedrontam indivíduos feridos pela vida. O filme consegue misturar o silêncio e a vergonha que não são só reflexo de uma sociedade que viu nazistas matando inocentes e fechou os olhos e os lábios para tais atrocidades, mas acaba sendo a base do tenso drama pessoal de Hanna e Michael, por isso o roteiro cobre aspectos do Holocausto e das cicatrizes de uma sociedade pós guerra e os coloca não abertamente no nível coletivo e histórico mas traz estes elementos para a esfera de um casal que foi apaixonado, separado, machucado, envergonhado. Esse enfoque possibilita dizer que O Leitor tem uma nova leitura sobre o Holocausto que não deixa de chegar ao espectador, porém não o chega de forma a filmar campos de concentração, torturas e assassinatos em cena, mas o Holocausto de vidas que são separadas e silenciadas para sempre, vidas que deixam de viver suas próprias vidas, como as de Hanna e Michael.


Avaliação MaDame Lumière


Título original: The Reader
Origem: Alemanha
Gênero: Drama
Duração: 123 min
Diretor(a): Stephen Daldry
Roteirista(s): David Hare, Bernhard Schlink
Elenco: Ralph Fiennes, Jeanette Hain, David Kross, Kate Winslet, Susanne Lothar, Alissa Wilms, Florian Bartholomäi, Friederike Becht, Matthias Habich, Frieder Venus, Marie-Anne Fliegel, Hendrik Arnst, Rainer Sellien, Torsten Michaelis, Moritz Grove

sexta-feira, 26 de março de 2010

Um Filme, uma canção: Missão Impossível 2, Take a look around de Limp Bizkit

Um filme, uma canção por Madame Lumière
a combinação inesquecível para uma nostálgica emoção






Se há um filme de ação que amo após 007, este é a franquia de Missão Impossível, a qual adoro rever , uma vez ou outra a fim de ver a boa forma sexy de Tom Cruise e aquele charme investigativo do agente Hunt. Isso sempre me faz pensar que tenho uma missão muito possível para Ethan Hunt, a de encantar os meus olhos na impossibilidade de estar tão próximo a ele. Sobre a canção tema do filme, a versão clássica, esta já é uma trilha sonora do meu mp4 e também celular e sempre que a escuto, lembro bastante do filme 2, quando Ethan Hunt joga os óculos que brevemente explodirão após receber mais uma missão. Na versão de Limp Bizkit, praticamente enlouqueço com o som da guitarra com os acordes clássicos do tema do filme. Um mix de rebeldia, audácia, sensualidade e poder que aflora em meu ser que me faz simplesmente dizer: "Mr Hunt, bom dia! Eu preciso da sua ajuda, tenho uma missão bem maDame Lumière só pra você, bem entre nós! Prepare-se para múltiplas explosões! Boom me! (risos).








quinta-feira, 25 de março de 2010

A Emblemática Citação da Semana: Coração Valente (Braveheart) - 1995


"Tell our enemies that they may take our lives but they will never take our freedom"

"Diga aos nossos inimigos que eles podem tirar nossas vidas mas nunca tirarão nossa liberdade"



(William Wallace interpretado por Mel Gibson no filme Coração Valente do próprio Mel Gibson)


MaDame Lumière dá voz à liberdade em defesa da justiça.
Criminosos com os do caso de Isabella Nardoni nunca poderão tirar
a nossa liberdade de lutar contra a impunidade.
Sejamos valentes e coloquemos os criminosos na cadeia!
Sejamos valentes em favor da justiça no exercício do Direito no Brasil!


domingo, 21 de março de 2010

A Orfã (The Orphan) - 2009


Mesmo que você seja um cinéfilo como eu, nunca subestime um filme, muito menos uma criança. Durante um bom tempo fui resistente a assistir a Orfã, filme do diretor catalão Jaume Collet-Serra (de A Casa de Cera) simplesmente porque nem mesmo me interessei em ler a sinopse. Pensava que era mais um suspense tosco com espíritos malignos, no entanto ontem tomei a decisão de alugá-lo confiando na opinião do dono da locadora, e inesperadamente, tornei-me uma espécie de observadora de Esther (Isabelle Furhman, perfeitamente má), a menina russa adotada, encarnação do intenso mal que transforma a vida de uma família no verdadeiro inferno. Eu a achei tão sinistra, manipuladora, maléfica e pirada que ela chega a ser engraçada. Diverti-me intensamente, em especial, com a revelação surpreendente do suspense, afinal, de novo, nunca subestime uma criança.





O enredo enfoca a família Coleman que ainda sofre com a perda de um bebê que nem chegou a nascer. A filha Isabela de Kate (Vera Farmiga) e de John (Peter Sarsgaard) faleceu ainda na barriga da mãe Kate, uma alcóolatra em recuperação que, pelos bons comportamentos, já está liberada para adoção de uma criança. O casal pretende oferecer todo o amor que seria dado à Isabela a uma nova criança, então decidem visitar um orfanato e lá encontram a educada e talentosa Esther. De imediato, há uma empatia entre ambos e eles decidem adotá-la, a criando juntamente com os dois já existentes filhos, Daniel (Jimmy Bennett) e Max (a foférrima Aryana Engineer, ótima como surda, com uma interpretação cativante e expressiva). Logo no início, percebe-se que Esther é madura e tem uma malícia que me deixa com "a pulga atrás da orelha", não só pela esquisitice, mas por potencialmente ter algum transtorno de personalidade e também se inclinar a agradar mais o seu pai que sua mãe. Ela consegue ser muito rapidamente dócil e brilhante, mas tem a habilidade de ameaçar os irmãos, confrontar a mãe e exibir, quando necessário, uma ótima performance de vítima para o papai. Esther é tipicamente a criança problema que age como adulta e, a interpretação de Fuhrman intensifica a madura autopreservação de uma criança (que sabe planejar o que deve ser feito para não ser desmascarada), reforçando que crianças no cinema podem ser muito sinistras e amedrontadoras.




Gostei do enredo e de como o filme apreendeu minha atenção, estabelecendo-se como uma ótima opção de entretenimento para este tipo de sinopse aterrorizante familiar, somente um pouco mais de desenvolvimento na complexidade psicológica de Esther poderia vir mais à tona no roteiro tal que o filme se tornasse uma obra prima da psicopatia infantil. Neste contexto de películas de terror/suspense de diretores espanhóis, como O Orfanato de Bayona, A Orfã confirma que os espanhóis gostam de trabalhar com protagonistas crianças sinistras e isso me soa bem mais assustador do que ver adultos em terror, além disso Collet-Serra soube dar com sua câmera a expectativa do susto, aquele timing na qual o espectador diz: "eu quero levar um susto". Pode parecer óbvio e chato, mas com Esther como a maluca pertubada do filme, nada fica óbvio e chato demais. Há surpresas no enredo? Sim e obviamente deixo-lhes a surpresa do suspense, mas acima de tudo é um thriller que tem uma criança psicopata como protagonista e uma família que sofre o drama de uma adoção que sinaliza o fracasso durante todo o desenvolvimento do filme e isso é difícil de encarar. Só isso já vale uma reflexão psicológica, afinal, no plano da realidade, uma criança adotada pode não ser uma Esther, mas sempre há o risco, adotada ou não, que uma criança apresente transtornos psiquiátricos que a transformem em um ser perigosamente destrutivo. O que torna o filme interessante é pegar o mal de Esther e ver que pode ser o mal de qualquer criança ou adulto que pode ser um orfão psíquico. Não há pai, nem mãe, nem regras e nem lei e o psíquico da pessoa é tão destrutivo que ela é vítima de sua própria destruição, assim como psicopatas o são. Esther é prova disso, uma verdadeira mente perigosa.


Avaliação MaDame Lumière


Título original: The Orphan
Origem: EUA
Gênero: Suspense
Duração: 123 min
Diretor(a): Jaume Collet-Serra
Roteirista(s): David Johnson, Alex Mace
Elenco: Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, Isabelle Fuhrman, CCH Pounder, Jimmy Bennett, Margo Martindale, Karel Roden, Aryana Engineer, Rosemary Dunsmore, Jamie Young, Lorry Ayers, Brendan Wall, Genelle Williams, Mustafa Abdelkarim, Landon Norris

sábado, 20 de março de 2010

O Grande Desafio (The Great Debaters) - 2007


O grande Desafio, filme estrelado e dirigido pelo queridíssimo Denzel Washington chegou agora em março às locadoras do país. O longa-metragem não foi exibido em cinema nacional e o grande atrativo que fará com que alguém se lembre de alugá-lo é exatamente a presença de dois dos grandes astros negros americanos no cinema, Denzel Washigton e Forest Whitaker. O drama é permeado pelo drama de negros americanos em busca de seus direitos civis, ainda que, este discurso esteja muito mais no texto do que necessariamente no enredo que é baseado na história real de Melvin Tolson, um professor afrodescendente com secreta militância política que leciona na universidade de Wiley no Texas na década de 30. Ele inspira seus alunos a formar um time de debatedores que, pouco a pouco, se tornarão um dos mais brilhantes grupos de argumentadores de debate na história americana e competirão no campeonado nacional em Harvard, uma universidade reconhecida por ser escola de brancos.




Melvin Tolson retoma na cinebiografia de Denzel Washington a figura do coach e do professor mentor que o ator também fez no aclamado Duelo de Titãs, por isso o filme vale a pena ser conferido principalmente no seu conteúdo textual, que educa e inspira e também pela experiência de Denzel e sua importância como um dos negros mais bem sucedidos em uma América ainda racista. A
inda que o treinador de Duelo de Titãs é superior em interpretação e o filme seja muito mais superior em dramatização. Em O Grande Desafio, Tolson é um homem difícil de lidar e tem a resposta na ponta da língua exigindo demais de seus alunos Henry Lowe (Nate Parker), Samantha Brooke(Jurnee Smollett), James Farmer Jr (Denzel Whitaker, ótimo na cena final) e Hamilton Burgess (Jermaine Williams) e os desafiando a extrairem o melhor deles. Ainda que Denzel sempre arrase, não o achei tão inspirador como coach porém o esforço dos alunos em se desenvolverem como argumentadores e ainda lidar com o preconceito racial da época com seus fantasmas e dificuldades faz com que o filme seja uma opção de cinema com uma ótica militante e inspiradora.



Forest Whitaker interpreta Dr. James Farmer Sr e, embora seu papel não seja o principal, ele o faz com a habilidade excepcional de sempre, principalmente porque interpreta um negro bem sucedido, pastor e diretor de universidade que ainda combate o preconceito e as tensões sócio-raciais em uma dura realidade, mesmo tendo alcançado uma posição de respeito e seja um homem espiritualizado. Há cenas imperdíveis com Whitaker e sua disciplina de pai ao criar seu filho James Farmer Jr, um dos debatadores. Essas cenas demonstram que ainda que há uma juventude que se destaca na intelectualidade da época, os mais experientes como Whitaker e
Washington ainda se esforçam em colocar em ação seus conhecimentos de vida para ensinar e orientar os mais novos, além disso enfoca o cuidado de um pai para que o filho negro não seja sinônimo de fracasso e alimente o preconceituoso estigma de uma sociedade, infelizmente ainda bem ignorante, intolerante e hipócrita com relação às questões raciais.





O filme também tem uma dinâmica cristã não somente pela figura de um pastor, mas porque como é sabido, a história dos negros nos Estados Unidos tem uma base gospel, por sinal belíssima, por isso há um idealismo pela não acepção de pessoas assim como é dito na Bíblia, ou seja, todos são iguais debaixo dos ceús. Sob o ponto de vista de uma igualdade entre homens brancos e negros e, de qualquer raça, o cristianismo na história dos negros americanos é fundamental porque recupera uma humanidade nas relações que as religiões, em geral, têm como base. Por isso, o conhecimento do intelecto e da fé divina, ou seja, dois opostos são bem articulados nos personagens de Tolson e Farmer, porque um traz o elemento do conhecimento humano e o outro traz o conhecimento de Deus, além disso o filme resssalta o poder das palavras e o embate de encarar nossos adversários com a coerente argumentação, um aprendizado que nos move a um grande desafiio, o de não se calar quando se tem o direito de falar e ser a própria revolução.


Avaliação MaDame Lumière


Título original: The Great Debaters
Origem: EUA
Gênero: Drama
Duração: 126 min
Diretor(a): Denzel Washington
Roteirista(s): Robert Eisele
Elenco: Denzel Washington, Forest Whitaker,
Nate Parker, Jurnee Smollett, Denzel Whitaker e Jermaine Williams

sexta-feira, 19 de março de 2010

Um Filme, uma canção: Titanic, My Heart will go on de Celine Dion

Um filme, uma canção por Madame Lumière
a combinação inesquecível para uma nostálgica emoção




James Cameron pode não ter ganhado o Oscar de melhor diretor e filme com Avatar em 2010, mas seu vencedor longa-metragem, Titanic, uma das maiores bilheterias da história do Cinema será love story forever. A história de Jack e Rose, interpretada por Leonardo di Caprio e Kate Winslet influenciou muitos sentimentos amorosos em uma legião de cinéfilos e também apaixonados por romance. Eu sou uma delas. Recordo-me que, quando o filme foi lançado, eu estava em minha fase musical, ou seja, eu cantava em um coral e além disso gostava de cantar em karaokês quando saía com os amigos, era uma febre na época. Adotei My Heart will go on como minha canção tema por um bom tempo e cheguei até a ganhar uma competição em um happy hour corporativo(risos). Os sentimentos de amor e paixão da época me ajudavam a expressar a canção tema de Titanic e me motivavam a cantá-la profundamente, com todo o meu coração. Além disso eu adorava a cantora Celine Dion e estava fascinada por sua musicografia também em língua francesa, especialmente, amava uma música chamada J'attendais que costumava cantar durante os estudos de francês. Bons e apaixonantes tempos!





My heart will go on, com sua letra e música tem tanto a ver com Titanic pois é aquele tipo de canção que todo coração apaixonado quer vivenciar assim como o amor do filme e que marca Titanic para sempre por estar tão intimamente ligada à Jack e Rose. Há uma lealdade amorosa na música assim como o tem na relação dos dois ("
We'll stay forever this way. You are safe in my heart and my heart will go on and on"), por isso esta canção foi parte de minha vida real e minha vida através do cinema, porque ao cantá-la, era como fazer uma promessa de amor, e de alguma forma, tocar o coração das pessoas com esta verdade, reforçar este sentimento no meu. Mesmo que uma relação ou a esperança de uma relação se finde afundando no mar da vida, eu acredito que o coração sempre continua a amar, na eternidade das mais genuínas emoções.









Crédito das fotos: Fan Pop
Vídeo: YouTube

quinta-feira, 18 de março de 2010

A Emblemática Citação da Semana: Batman O cavaleiro das trevas (Batman The Dark Knight) - 2008


"Why so serious, son?... Let's put a smile on that face!"

"Por que tão sério, filho?... Vamos colocar um sorriso nesta cara!"




(O Curinga (The Joker) interpretado por Heath Ledge no filme Batman, O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan)


MaDame Lumière também é curingueira nada séria!
Sorrie, filho(a)! Não vale a pena levar a vida tão a sério!

domingo, 14 de março de 2010

Ilha do Medo (Shutter Island) - 2010



O icônico diretor Martin Scorsese está de volta em mais uma parceria com o ator Leonardo di Caprio no longa-metragem Ilha do Medo, suspense adaptado do romance de Denis Lehane. Há que reconhecer que Ilha do medo tem a marca registrada da excelência cinematográfica de Martin Scorsese, porém ele se autoinventa e oxigena seu cinema com uma miscelânea de gêneros, do drama da violência, da loucura, do medo e da tragédia até o terror, a ação, a guerra e o thriller. Ilha do Medo amedontra pelo suspense em um local sombrio e misterioso, o presídio psiquiátrico na Shutter Island, no qual ninguém sai após entrar. Também amedontra levemente por seu caratér aterrorizante, insano e alucinatório, e seus recortes em gêneros diversos podem vir a conquistar ou não o espectador. Nada mal para um diretor impetuoso e talentoso como Scorsese que sabe muito bem o risco que correu ao retornar às telas de Cinema com sua nova megaprodução que mais parecia um terror sobrenatural no trailer. Na verdade, Ilha do Medo é muito mais que um terror que pretende causar o medo na platéia, esta não é sua essência verdadeira. Ilha do Medo é o drama de um homem em encarar sua própria natureza, é o medo de encarar a si próprio, suas memórias, seus loucos atos.






A história inicia com a chegada do detetive Terry Daniels (Leonardo di Caprio) e seu parceiro Chuck Aule (Mark Ruffalo) no hospital psiquiátrico de Ashecliffe dirigido pelo Dr. John Cawley (Ben Kingsley) a fim de investigar o desaparecimento da paciente Rachel Solando (Emily Mortimer). Majestosamente, o começo da película já demonstra a insanidade do local e de Scorsese através de sinistros elementos: a chegada de balsa, a ilha isolada, a neblina assustadora, os portões pesados e as cercas elétricas, os estranhos guardas e a música de suspense que vai se tornando mais poderosa, evocativamente assustadora. A apresentação da Ilha do Medo tem uma entrada triunfal com o toque especial do exímio diretor. Posteriormente, a esquisitice de enfermeiros, médicos e pacientes reforçam que, para desfrutar do filme, é necessário enlouquecer durante mais de 2 horas de exibição. Terry é viúvo e sente a dor da perda da esposa Dolores (Michelle Williams), então à medida que investiga o misterioso caso, ele começa a ter sonhos e alucinações com ela e se envolve em uma série de situações confusas e paranóicas que levam o espectador a questionar se elas são reais ou fruto de sua imaginação. Scorsese utiliza muitos recursos para dar um ar sombrio e insano a Ashecliffe: tempestades, neblinas, penhascos, cavernas, farol, ondas agitadas do mar e alas obscuras de uma prisão, além disso resgata componentes históricos como o holocausto nazista e o estigma de que hospitais psiquiátricos funcionam para transformar homens em fantasmas à serviço das experiências científicas e governamentais, no entanto é a psicologia dos estranhos personagens que torna o filme insano e a curiosidade pelo desfecho do caso que leva o espectador a mergulhar na sábia loucura de Scorsese.





Confesso que esperava mais do roteiro do filme porque o trailer é eficazmente evocativo e indica que Scorsese traz algo totalmente renovador em seu currículo. Ainda que aprecie longas-metragem que misturem suspense, violência e loucura,
em um dado momento, Ilha do Medo pareceu-me totalmente sem sentido e um pouco confuso como se a intenção fosse exibir um filme alucinógeno, um narcótico visual, auditivo e mental que envolvesse o espectador em momentos insanos. Eu mesma entrei neste ritmo para vivenciar a Ilha do Medo como se eu estivesse nela. Estranhamente apesar da abordagem alucinante de algumas cenas, Scorsese consegue dar coesão e harmonia ao thriller com um terror B, o mistério e a ação, e o faz de uma forma muito competente e exclusiva quando se observa os últimos suspenses lançados no mercado. Ilha do Medo é realmente um entretenimento diferenciado e a excelente interpretação de Leonardo di Caprio apoiado pela lucidez profissional de Mark Ruffalo e o costumeiro estranho estilo de Ben Kingsley tornam-o bem melhor. Embora não tão surpreendente, o desfecho só vem a acrescentar que Scorsese sabia exatamente o que estava fazendo durante toda a película para finalizá-la na revelação da verdade por trás da Ilha do Medo, nada mais que o medo isolado em uma ilha, nada mais que o medo que nos torna uma ilha.


Avaliação MaDame Lumière



Título original: Shutter Island
Origem: EUA
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 138 min
Diretor(a): Martin Scorsese
Roteirista(s): Laeta Kalogridis, Dennis Lehane
Elenco: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow, Michelle Williams , Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Jackie Earle Haley, Ted Levine, John Carroll Lynch, Elias Koteas, Robin Bartlett, Christopher Denham, Nellie Sciutto, Joseph Sikora

sábado, 13 de março de 2010

Um Profeta (Un Prophète) - 2009



Um Profeta, dirigido por Jacques Audiard venceu o Grande Júri no Festival de Cannes 2009, diversos Césares e foi indicado à categoria de melhor filme estrangeiro 2010 no Oscar, no Globo de Ouro e no BAFTA com todos os méritos de um filme francês orquestrado por um diretor experiente que sabe filmar a realidade com a precisão e a excelência do cinema Europeu. A história, enfocada na vida de um jovem e analfabeto preso arábe, Malik El Djebena, intepretado soberbamente pelo ator revelação Tahar Rahim tem várias camadas sócio-políticas, existenciais e religiosas, explorados sem extremos e de uma forma que engrandece a vida de um imigrante que passa da condição de marginal condenado e inexperiente para a de um influente líder do crime organizado. É uma película sobre a maturidade, a evolução e a influência pessoal de um homem, que se torna herói mesmo em sua condição periférica na sociedade.





El Djebena é um árabe que é condenado a 6 anos de prisão na França. Ao entrar no presídio, entra como o frágil homem que, ora poderá servir de mulher de outros homens, ora poderá sofrer a opressão de ser violentado por gangues, já que ele é jovem e não tem proteção. O jovem árabe se mostra mais vivaz do que o espectador imagina. A princípio, El Djebena tem que seguir as ordens de uma gangue de corsos liderados pelo poderoso mafioso César Luciani (Niels Arestrup), um homem muito mau, autoritário e sem escrupúlos que, mesmo estando preso, comanda o crime organizado de toda uma região e trata El Djebena como um objeto de posse. O jovem árabe se torna o homem de confiança de Luciani e, no decorrer do filme, obtém certos privilégios por sua boa conduta na cadeia, realizando externamente trabalhos criminosos para a máfia e participando ativamente de uma rede de influências muito bem articulada por ele que, cada vez mais, o levam a uma posição privilegiada. Ele também começa a se alfabetizar dentro da prisão e também a falar a língua dos corsos de forma autodidata, o que indica que ele tem uma visão estratégica de seu próprio futuro e autodesenvolvimento e não deve ser subestimado como um árabe ignorante e massacrado pelo preconceito social e racial.





Embora bastante longo e cansativo, o filme vencedor de
Jacques Audiard é bem dirigido com uma cinematografia bem realista que equilibra as nuances visuais claras e escuras como se fosse o dia a dia real nas prisões, harmoniza a visceralidade dos ambientes mais decadentes com um excelente elenco que mimetiza a divisão social francesa entre imigrantes e europeus e o crime organizado e é enriquecido pelo roteiro e o teor veridíco dos diálogos. O ponto forte do filme é Tahar Rahim, que visualmente tem um aspecto que mistura fragilidade, simplicidade e carisma misturado ao seu comportamento influente e intencionalmente estratégico. Rahim é muito mais que um protagonista, ele é o próprio filme. Durante toda a película, El Djebena é o homem que consegue transitar entre árabes e europeus, criminosos e policiais, amigos e inimigos e consegue fazê-lo tão bem entre os diferentes pólos se beneficiando das oportunidades que o coloquem em uma posição melhor. Somente um profeta poderia ter a visão aguçada e a influência no contexto em que vive, por isso o personagem é tão rico sob o ponto de vista comportamental e Rahim consegue revelar-se um formidável ator, principalmente nas cenas de liberdade que demonstram que ele é somente um homem simples que aprecia coisas que ele nunca teve como pisar na areia da praia e conviver no ambiente familiar de um amigo. Rahim tem a empatia do público por isso o fato dele ser um criminoso é estranhamente anulado porque, enfim, El Djebena é um sobrevivente no inferno e um homem que poderia ter tido uma vida melhor como tantos outros presidiários e tantos outros cidadãos. Torcer pela sua maturidade e evolução é inevitável.



Rahim amadurece seu papel à medida que evolué no drama, com isso El Djebena cresce na história e, de forma sublime em um cinema social e reflexivo, El Djebena é um herói que também é um profeta, estabelecendo um novo olhar profético sobre o imigrante que saí da periferia de sua natureza humana, discriminado socialmente em uma Europa intolerante invadida pela imigração e se desenvolve como uma pessoa de respeito, de perspicaz esperteza, projetada para uma nova ordem, a do imigrante que se torna líder em terra estrangeira, a do imigrante que merece respeito e dignidade onde quer que pise.


Avaliação MaDame Lumière




Título original: Un Prophète
Origem: França
Gênero: Drama
Duração: 155 min
Diretor(a): Jacques Audiard
Roteirista(s):Jacques Audiard and Thomas Bidegain
Elenco: Tahar Rahim, Niels Arestrup, Adel Bencherif