domingo, 31 de janeiro de 2010

Breves Reflexões, Profundos Aprendizados: Fale com Ela (Hable con Ella) - 2002

Breves Reflexões, Profundos Aprendizados
através do Cinema




Breves reflexões, Profundos Aprendizados através do Cinema, uma única dose para curar algo de nós, talvez o coração, reduto de dores além de sua própria ou, simplesmente, dar espaço a uma nova forma de olhar a vida aprendendo com o Cinema. Sempre um filme com uma rápida dica para reflexão, consequentemente, o recomendando. Sugestões de Filmes e Sessões de Cinema à parte, prometo voltar aqui para explorar bem melhor os longas integrantes desta série, como de costume. Especificamente este post de Fale com Ela tem um claro spoiler para justificar a reflexão de uma faceta do filme. Caso não tenha assistido o filme ainda, somente prossiga a leitura se assim o deseje.



Tenho pensado muito no amor. Não no amor romântico, das cartas de amor. Eu tenho pensado no amor incondicional, no amor dos loucos, no amor que transita entre os extremos: o do amor e o da loucura.
Quando penso neste amor, penso sempre no belíssimo Fale com ela (Hable con ella, do maestro Pedro Almodóvar). Um filme que você deve assistir e (re)assistir, uma obra prima do Cinema Almodovariano. Um filme fundamental, sublime, sensível, polêmico. Ele fala de amor de uma forma que eleva este sentimento e também o choca com o que idealizamos como amor. Dois homens se conhecem em um hospital e apaixonam-se por duas mulheres que estão em coma, a partir de suas vivências dramáticas junto a estas mulheres questões de amor e comunicação no relacionamento serão tratadas. Fale com ela é profundamente reflexivo e, exige um post somente para falar sobre estes dois homens e suas amadas o qual terei um tempo oportuno para elaborá-lo mais adiante. Agora, o propósito é pincelar o tema do amor e da loucura e o conflito moral que este amor traz ao espectador através de um único personagem, Benigno (Javier Cámara). O filme é incrivelmente inteligente e controverso ao abordar o amor, a solidão e a loucura através de Benigno, o enfermeiro que, supostamente (e isso é uma incógnita) viola Alicia (Leonor Watling), estudante de balé e seu grande amor que está em coma. Só Almodóvar é capaz de despertar em nós certas ambiguidades. Odiar Benigno ou não? Ter piedade dele ou não? De fato, ele é culpado ou inocente? Este é um dos maiores e mais duvidosos impasses na minha história de cinéfila.





Se considerarmos que Benigno tem um amor incondicional que beira a loucura, mas uma loucura sincera e terna, se considerarmos que é um indivíduo à margem da sociedade 'padrão' que temos - um cara introvertido, com sexualidade questionada, que passou adolescência cuidando de sua mãe, enclausurado quando podia ter curtido sua vida social, que quer se casar com uma paciente em coma (será isso loucura ? ou será esperança?), que simplesmente "Fala com ela" e cuida dela - não podemos entender este suposto estupro de forma "racional" - embora o estupro para nós seja um crime hediondo, imperdoável. Tenho certeza que Almodóvar incluiu este elemento para chocar valores - como um acontecimento (im)provável que era necessário para os fatos subconsequentes: a maternidade acorda Alicia do coma. O amor salva? Sob quais condições? Os fins justificam os meios? Isso é tão louco na mente do espectador que quando assisti pela primeira vez, fiquei pasma. Fiquei dividida assim quando assisti Medéia de Eurípedes no teatro e pensei: : "Meu Deus, Medéia foi traída, abandonada e rejeitada e matou os próprios filhos, ela é réu, ela também é vítima. Pobre, Medéia"- o espectador fica dividido entre a acusação do réu e também a piedade por ele. Esse é o objetivo da tragédia como tantas outras. Na minha opinião, Fale com ela se aproxima também de despertar este sentimento no espectador - Acreditar que Benigno é um ser tão entregue ao amor por Alicia, que é louco de amores e dedicação que beira à perfeição do amor genuíno mas é réu a despertar a acusação e a piedade como se disséssemos: ele a violou mas a amou, ele a violou mas a salvou, ele a violou mas a despertou novamente para a vida. É totalmente pertubador pensar assim, afinal será este sentimento de Benigno amor ou loucura ou amor e loucura? Será Benigno um criminoso por amar assim ou simplesmente um louco que deveria estar em um hospital psiquiátrico? Os loucos amam verdadeiramente? Será o amor louco mais genuíno? O que é mesmo o amor? Estes questionamentos só podem vir à tona com o Cinema de Almodóvar - de fato, ele quis abordar o amor louco, o amor marginal, o amor fora do padrão social e talvez o mais autêntico Amor. Bom Filme e saudações cinéfilas da MaDame Lumière.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Invictus ( Invictus ) - 2009


"I dream of an Africa which is in peace with itself."
"Eu sonho com uma África que esteja em paz com ela mesma".
(Nelson Mandela)



O que faz um homem ser um líder? Saber valorizar as pessoas? Saber influenciá-las? Saber inspirá-las? Saber movê-las a um propósito maior? Ser um líder é saber tudo isso e, muito mais. É, acima de tudo, colocar-se no lugar do outro e, harmoniosamente, identificar o que os outros têm de valor e onde elas são capazes de chegar juntas para um bem coletivo. É saber tolerar os indiferentes e os resistentes, traçando estratégias genuínas para conciliar as diferenças. O que faz um líder é humildade, carisma, espírito visiónario, influência, superação e inspiração e, Nelson Mandela, um dos maiores líderes estadistas do mundo à frente da presidência da África do Sul, um país torturado pelo preconceito racial herdado do apartheid é definitivamente um dos melhores líderes da História, símbolo de inspiração de que um homem pode mover multidões em favor de um mundo melhor. Reconhecido como carismático e influente líder, Nelson Mandela conquistou sua liberdade após 27 anos preso, chegou à Presidência com as primeiras eleições diretas da África do Sul e foi essencialmente o líder em busca de paz e tolerância, vencendo o apartheid, perdoando aqueles que o colocaram na prisão.



Em Invictus, novo filme do supremo Clint Eastwood, Nelson Mandela é a inspiração, a transpiração e a ação. Baseado no livro Conquistando o inimigo, Nelson Mandela e o jogo que uniu a África do Sul (Playing the enemy : Nelson Mandela and the game that made a Nation) do jornalista John Carlin, o longa-metragem ambienta o espectador nos bastidores presidenciais e esportivos antes e durante a Copa do Mundo de Rúgbi em 1995, o esporte preferido dos sul-africanos brancos, fanáticos pelo time de Springboks (Brokke) a nação esportiva Rúgbiana tão representativa da África do Sul. Nelson Mandela (Morgan Freeman, excelente) saíndo da prisão e confrontando-se com a segregação racial e social em seu país, precisava de uma estratégia influente que desmoronasse os muros da intolerância entre negros e brancos. Ele poderia usar a oratória carismática em seus discursos mas isso não seria suficiente, ele precisava servir-se de exemplos práticos, inspiradores, emocionalmente catalisadores para uma união além dos discursos políticos. O real desafio de Nelson Mandela era criar uma nova identidade para o povo Sul-Africano, a identidade de uma nova nação, sem o apartheid. E, ao invés de focar diretamente nos negros, naturalmente aliados, ele se adentrou em seu espírito visionário a traçar um plano de influência no campo inimigo, servindo-se do esporte rúgbi, paixão e ponto fraco dos brancos sul-africanos a fim de conquistá-los e, consequentemente, também despertar nos negros a paixão nacional que uniria o seu povo em uma nação multirracial. Mas como fazê-lo se o time de Rúgbi nacional era um real desastre? Como levar um time fiasco à elite internacional do Rúgbi? Como fazê-lo ganhar uma Copa do Mundo em território Sul-Africano criando este ambiente altamente produtivo de celebração da união entre brancos e negros através do esporte? Nelson Mandela apoia o time de Rúgbi, a campanha pré temporada dos jogos e, para isso, conta com um aliado, o capitão do time François Pienaar (Matt Damon) que é o líder da seleção nacional inspirado pelo estadista líder nacional.


Invictus não é o melhor filme de Clint Eastwood e apresenta-se como bom porém sem diálogos muito perspicazes e impregnados de um conteúdo inteligente como outras películas do diretor. A emoção do argumento é que deve ser levado em conta para se extrair o melhor desta produção. Embora a idéia do roteiro seja inspiradora entrelaçando temas como liderança e paixão, política e esportes, Invictus deve ser observado sob a persepctiva da estratégia de Nelson Mandela em sua campanha pacífica contra o apartheid e de seu perfil como líder, capaz de perdoar aqueles que o fizeram muito mal ao invés de usar uma liderança rancorosa e ditatorial capaz de aflorar ainda mais o ódio entre raças. Ele usou o inimigo positivamente. O Springboks simbolizava uma das bandeiras da segregação racial. Logo, qual a diferença entre um líder bom e um líder ótimo? O líder ótimo não conquista só aqueles que já estão ao seu lado, ele conquista também aqueles que o odeiam e o faz de forma conciliatória para um propósito bem mais edificante. Esta seja talvez uma das habilidades de liderança mais dificéis de se encontrar, perdoar o inimigo, tolerá-lo e ver a importância dele para um bem comum. Em Invictus, Morgan Freeman tem uma ótima atuação porque incorpora este humilde carisma de Nelson Mandela de se colocar perante os outros de forma igual e não hierárquica e, para tornar o registro mais verossímil, interpreta muito bem Nelson Mandela na linguagem corporal e oral, desde a forma como anda e sorri, até o sotaque manso com inglês pausado. Matt Damon incorpora bem a truculência de um jogador de Rúgbi, viril e bem encorpado fazendo contraponto com uma expressão que reúne força, mansidão, humildade e superação, tão necessárias a um capitão de equipe. Tanto Morgan Freeman quanto Matt Damon têm um elo no qual valorizam ambos e isso torna Invictus um trabalho de dois líderes de estilos distintos mas que se convergem para um único propósito. Nelson Mandela confia em François Pienaar e o incentiva de que a África do Sul ganhará a Copa do Mundo. François Pienaar recebe o voto de confiança de Nelson Mandela e, pouco a pouco, se sensibiliza que o presidente é um grande exemplo para ele, um homem que, preso durante 27 anos, foi capaz de perdoar aqueles que o prenderam. Dada esta introspecção de François Pienaar e, sendo branco, ele se torna um excelente exemplo de quebra de qualquer preconceito entre raças. Esta mesma quebra de intolerância também se dá com a guarda presidencial de Nelson Mandela, que une brancos e negros que aprendem a trabalhar juntos e se respeitarem. São os seguranças do presidente que garantem ótimos momentos de aceitação das diferenças entre as duas raças.








Invictus pode não ser engenhoso, porém Clint Eastwood garante mais uma vez um filme para a reflexão social a partir de uma faceta histórica, assim como o fez em Gran Torino. As cenas de esporte ainda são as melhores cenas do filme, câmeras bem manipuladas que registraram a luta pela vitória, o esforço dos atletas, a torcida febril do povo. Há momentos tocantes como a cena solidária em que o time de Rúgbi treina meninos de uma favela e, quando fica evidente que Nelson Mandela tem fragilidades como qualquer ser humano independente de posição social, exemplificadas rapidamente através de seus problemas familiares. Como lacunas, além do roteiro ser mais linear, Invictus poderia ter um discurso mais inspirador através da ação dos personagens e, não digo, por só palavras, mas por ações muito além das gentilezas do presidente, sua visão e discurso e dos brados motivacionais de François Pienaar. Refiro-me a inspirar a ação (inspiração) como se o filme tivesse poros e transpirasse liderança e união; neste ponto, Invictus poderia ter sido potencializado cinematograficamente e, principalmente, plasticamente porque unir liderança, esportes e um povo dividido pelo preconceito é um desafiador e nobre tema para torná-lo um organismo vivo na própria tela de cinema. Não nego que esperava um filme no qual sentisse-o emocionalmente como se o suor dos atletas fosse o suor de nossas vidas contra à intolerância. A inspiração que inspira e transpira ficou mais nítida nas cenas mais finais relacionadas aos jogos de Rúgbi. Esta luta por uma vitória que simbolicamente é a vitória do povo Sul-Africano contra o apartheid é belíssima e o meu desejo foi levantar-me da cadeira do cinema e ser uma seguidora de Mandela em meus pequenos nichos de atuação. Ser ainda mais "a mestre do meu destino, a capitã da minha alma" assim como Invictus de Clint Eastwood e Invictus de William E. Henley.


Avaliação Madame Lumière


Título original: Invictus
Origem: EUA
Gênero: Drama
Duração:
133 min

Diretor(a):
Clint Eastwood
Roteirista(s):
Anthony Peckham. Baseado na obra da John Carlin

Elenco: Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgoroge, Patrick Mofokeng, Matt Stern, Julian Lewis Jones, Adjoa Andoh, Marguerite Wheatley, Leleti Khumalo, Patrick Lyster, Penny Downie, Sibongile Nojila, Bonnie Henna, Shakes Myeko, Louis Minnaar

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Foi apenas um sonho (Revolutionary Road) - 2008

Qual o peso de desistir de um sonho na iminência de sua materialização e, conformar-se com um presente vazio e com falta de esperança? E se o sonho é a verdade que queremos viver e sempre somos impedidos de vivê-la, acomodando-se à mentira de estar feliz em uma rotina que, sabemos, nos aprisiona, mata pouco a pouco o lúdico dos mais intensos desejos entregando às nossas vidas apenas um prêmio de compensação que é a zona de conforto de uma vida incompleta, os papéis que desempenhamos em contextos familiares e profissionais, carregados de muitas responsabilidades e poucos sonhos, o comodismo em sua mais realista forma . April Wheeler (Kate Winslet), uma atriz fracassada que se tornou dona de casa no estilo de vida americana nos anos 50 resume bem o filme Foi Apenas um Sonho (The Revolutionary Road, de Sam Mendes) ao dizer ao marido Frank (Leonardo di Caprio) a mais real das verdades a qual somos impelidos a não lembrar, naturalmente movidos por uma atitude paliativa para atenuar a dor da não concretização dos nossos mais loucos sonhos: "Ninguém esquece a verdade, Frank! Apenas mentem melhor!"



O filme é uma adaptação do romance homônimo de Richard Yates, que acompanha a vida do casal Wheeler em uma triste história de amor, mergulhada em sonhos e promessas de uma vida mais intensa. Foi apenas um sonho é um drama trágico e atemporal perfeito para os loucos sonhadores que desejam trocar a vida certa pela duvidosa. Frank e April desejam deixar sua vida confortável nos USA e mudar-se para Paris com os dois filhos. Ela está disposta a sustentá-lo com um emprego de secretária em alguma agência do Governo e, com as economias do casal, Frank terá tempo hábil para pensar o que fará da vida. Frank em seus recém completos 30 anos tem um emprego burocrático e enfadonho em uma empresa na qual o pai trabalhou 20 anos sem qualquer tipo de reconhecimento. April não seguiu a carreira de atriz após um fiasco em uma apresentação e depende financeiramente do marido, insatisfeito com o próprio trabalho. E, eu, um ser naturalmente sonhador, libertário e insatisfeito, me vi no próprio filme na trágica heroína April, em especial, em momentos que desejo fugir para Paris ou qualquer lugar que se apresente mais excitante do que minha rotina cheia de compromissos. Quem nunca se sentiu assim, não é mesmo?. Convém mencionar que no drama, personagens coadjuvantes como os colegas de trabalho de Frank e os vizinhos do casal e suas previsíveis e negativas reações ao ver o entusiasmo do casal combinam com o coletivo do American Way of Life, o famoso "suas vidas estão bem como estão, porque vocês querem se mudar para Paris?", encarando Frank e April com surpreendente indignação. Além disso, Helen Givings (Kathy Bates), a simpática corretora de móveis que arranja casas bonitas para casais americanos, o lar, a expressão máxima da vida perfeitinha americana traz Kathy em uma atuação essencial para reforçar este contexto e esta mentalidade dos anos 50. Estes personagens secundários, porém altamente relevantes combinam com a sociedade vazia e acomodada da época, reagindo com ironia, inveja, indiferença aos sonhos de escapismo.




Envolvida em contemplar como os sonhos se esvaziam neste grande filme, mais um drama arrebatador de
Sam Mendes com excelente direção, principalmente de arte, elenco e figurino, surgiram muita catarse e lembranças de sonhos passados, uns que deram certo, outros que nem tanto. Na verdade, o ser humano mente muito bem, principalmente para si próprio quando há aspectos de sua vida que exigem maior realização pessoal mas, ao mesmo tempo, são zonas de conforto e de impossibilidade de mudanças imediatas. O emprego estável é uma delas e há várias pessoas como Frank que trabalham em áreas que não gostam e ainda pensam que a vocação certa ou o tão sonhado novo ofício irá surgir-lhes como num passe de mágica. Há várias mulheres talentosas e de forte personalidade como April que dependem financeiramente do marido, deixam carreiras para trás para cuidar dos filhos e, ainda que sejam boas mães, não conseguem virar a página, aceitar aquela condição de donas de casa em tempo integral, sonham com uma vida mais excitante. Poucos têm a força, a coragem e a oportunidade certa para fazer grandes mudanças e muitos até o querem mas faltam as condições e os momentos adequados (afinal todos precisam sobreviver com o mínimo de segurança e tomar decisões importantes com o mínimo de bom senso), por isso, Foi Apenas um sonho é uma formidável alegoria de que é bom sonhar com um objetivo um tanto surreal porém possível de realização, tentar concretizá-lo e se decepcionar em não torná-lo realidade. Crescemos com este processo, ainda que corramos o risco de uma jornada dramática, dolorosamente penosa e, aprendemos a mentir menos e a aceitar uma vida menos hipócrita, com menos chance de ser frustrante.



Kate Winslet (em divina atuação, chave para o sucesso do filme) só quer viver. Ela diz "Queria que voltássemos a viver". Sem dúvidas, um pensamento que passa pelo menos 1 vez na cabeça de alguém que tenha o mínimo de amor à própria vida e à necessidade de vivê-la de forma mais plena. Ter o sonho de ir à qualquer lugar que não seja onde estamos, de ter um algo a mais que ainda não nos pertence. No entanto, o que queremos, de fato? Este excelente roteiro nos move a esta reflexão: O que é suficiente para nós em nossas vidas reais? Por que esta sensação de permanente insatisfação ou de ter variadas lacunas que permanecem vazias aguardando ser preenchidas com o extraordinário da vida? Por que casais apaixonados destróem seus relacionamentos à medida que o casamento deteriora os sonhos com promessas não concretizadas? Como diz April "Nunca fomos especiais nem destinados a nada?" Para ela, não importa somente ser o casal Wheeler, admirado por todos, o casal bacana que mora na Revolutionary Road em uma bela casa. Não è a toa que a sede por algo mais excitante é tão grande que tanto Frank quanto April têm momentos adúlteros como forma de recorrer ao sexo para preencher com o casual a rotina de suas vidas , ressaltando que em momentos de vazio e dor os amantes tendem à traição, desdobramento da ânsia por uma liberdade inexistente, rápido analgésico de um casamento monótomo e em crise. Pouco a pouco, o casamento vai sucumbindo junto com o sonho frustrado. Com isso, Foi Apenas um sonho é um drama nato, extremamente contemporâneo e eficaz, com a assinatura cinematográfica de Sam Mendes que, também faz referência ao modo de vida americano no aclamado Beleza Americana (1999).



Convém mencionar que a atuação de John (
Michael Shannon, excepcionalmente magnífico), filho de Helen Givings com passagens por hospitais psiquiátricos e que passa a visitar o casal Wheeler tem um papel coadjuvante muito peculiar, interessante e de real importância como o questionador da problemática deste casal e de suas vidas. Sendo um homem considerado "insano", ele é desbocado e, sendo desbocado, ele prova que muitos loucos falam a verdade, por isso são adoravelmente loucos. Ele provoca April e Frank com suas colocações autênticas "O que aconteceu, Frank? Deu para trás? Decidiu que ficaria melhor aqui? Percebeu que é mais confortável aqui no velho vazio sem esperança? Uau" É por aí! Olhe a cara do Frank! Michael Shannon é must have actor neste drama e está brilhante em sua sã insanidade, fazendo o contraponto com o comodismo da sociedade. E, é exatamente ele que complementa o filme com um revelador desabafo "Eu estou feliz de não ser essa criança", destacando que, April estando grávida de um filho indesejado, gravidez que também contribuiu para que eles não fossem à Paris e desistissem do grande sonho francês está tão infeliz que a criança lhe é um estorvo; de forma intrigante, tal comentário faz pensar que estes são os filhos da América, crianças indesejadas de sonhadores pais frustrados. Mais interessante ainda é a eterna dúvida que pesará no pensamentos de Shep Campbell (David Harbour), o vizinho que transou com April que ficará sem saber se o filho que April abortou é seu ou de Frank, se ele é (indiretamente) culpado ou não pela fatalidade da vida dos Wheelers. Neste contexto, o drama se torna mais intenso, mais pertubador, mais supremo. O sonho americano "American Way of Life" é um grande pesadelo, o que torna Foi Apenas um sonho um filme sensivelmente dramático em seu deslumbrante roteiro, que evoca a crise existencial da modernidade, principalmente a de casais, que mostra o quanto podemos destruir nossas vidas reais quando nos frustamos com sonhos não realizados, quando estressamos os relacionamentos com quem amamos em virtude de uma vida frustrada. Foi Apenas um sonho é sublime em sua mais dolorosa e trágica verdade, principalmente a de não aceitarmos a vida que nos é dada. Vazia ou não, ela ainda é a nossa vida, temos que ter coragem de vivê-la.


Avaliação Madame Lumière


Título original: Revolutionary Road
Origem: EUA
Gênero: Drama
Duração:
119
min
Diretor(a):
Sam Mendes
Roteirista(s):
Justin Haythe, Richard Yates
Elenco: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Michael Shannon, Ryan Simpkins, Ty Simpkins, Kathy Bates, Richard Easton, Sam Rosen, Maria Rusolo, Gena Oppenheim, Kathryn Dunn, Joe Komara, Allison Twyford, David Harbour, John Ottavino

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Muito bem acompanhada (The Wedding Date) - 2005


Madame Lumière ama comédias românticas. Já lhes falei e, com prazer, volto a repetir porque elas estarão aqui. Chego a ter vários títulos à mão, assistindo-os repetidas vezes como um namoro que se intensifica a cada encontro. Meu alter ego cinematográfico chega a chorar rindo, um misto romântico e comportalmente vulnerável de uma mulher razoavelmente racional porém com a profundidade de uma sensibilidade amorosa. Sou uma romântica convicta, embora guarde isso para a minha intimidade e com a pessoa certa. Com comédias românticas, eu me sinto muito bem acompanhada como estar com um parceiro que me faz rir e se apaixonar ainda mais, como estar com saudades de alguém que se ama e que reecontrarei, de repente, a cada cena. Sempre estou muito bem acompanhada com estas graciosas e, talvez, dramáticas comédias apaixonadas, de encontros e desencontros e, o melhor, estou acompanhada sem exigir que a comédia seja tão perfeita como a fantasia do homem perfeito. Já sei que os enredos são previsíveis e, são os únicos clichês em cinema que minha tolerância tolera. O amor ao amor sempre tolera.


Muito bem acompanhada, estrelada por Debra Messing, Dermot Mulroney (um dos charmosos queridinhos em comédias românticas) e Amy Adams foi uma descoberta tardia. Conheci este longa-metragem dirigida pela quase anônima Clare Kilner em 2008 perdido em uma prateleira de uma pequena locadora de Salvador durante uma viagem à trabalho. Descobrí-lo e apreciá-lo foi uma experiência muito agradável e divertida com direito à uma inevitável análise de como as mulheres funcionam em suas mais trágicas inseguranças. Primeiro, por conta do enredo um tanto inusitado, porém passível de ocorrer com as mulheres mais corajosamente loucas, feridas e inseguras. Kat Ellis (Debra Messing) viaja para Londres porque sua irmã mais nova Amy Ellis (Amy Adams) se casará e o padrinho será o ex-noivo de Kat. Obviamente ela não quer aparecer sozinha em frente ao ex-noivo e muito menos diante da família, afinal ela é a irmã mais velha que ainda não casou e, como vocês devem saber, parente pode ser serpente, alguns familiares tendem a perguntar às solteiras de uma família : "Mas você ainda não casou? Está namorando? Está de "olho" em alguém?" Enfim, uma série de perguntas desagradáveis que mulheres solteiras odeiam responder. Para se prevenir contra este tipo de interrogatório, e também mostrar ao ex-noivo que está "muito bem acompanhada", Kat contrata um belo acompanhante Nick Mercer (
Dermot Mulroney), sofisticado e muito bem requisitado.


A princípio, Nick Mercer se mostra muito profissional, habilidoso na arte de ser um exímio sexy acompanhante e positivamente causa uma boa impressão aos pais de Kat, enquanto que ela mantém o formalismo do contrato equilibrando suas reações nitidamente femininas com hilárias situações que mostram ao espectador que ela é alguém muito especial e uma mulher que merece ser feliz, no entanto com a convivência familiar, eles começam a se envolver e se apaixonam, sem admitir isso facilmente. No decorrer deste enredo, também há sérias revelações sobre a irmã e o ex-noivo de Kat que dão uma dinâmica inesperada à comédia. De maneira geral, Muito bem acompanhada é encantador enquanto romance porque surpreende o espectador transformando uma relação de negócios em amor e, adicionalmente, quebrando o preconceito com relação a acompanhantes, afinal "você se apaixonaria por um(a) acompanhante?". Na verdade, tudo pode acontecer com as surpresas do coração. Sabemos que há um preconceito básico, normalmente a sociedade considera o (a) acompanhante como um prostituto(a) de luxo, mesmo que alguns acompanhantes dizem dividir bem as fronteiras entre a descompromissada companhia assexual e a obrigação sexual, fato que mais parece uma utopia sobre escorts que servem-se de companhia, mas não servem o sexo.




Outro ponto alto da comédia é perceber que mulheres como Kat, sozinhas e abandonadas por noivos ou namorados sem qualquer explicação querem realmente mostrar que superaram a dor, logo a atitude de Kat é movida por uma desesperadora insegurança, porém efetiva. Embora poucas assumam, muitas mulheres já pensaram em contratar um acompanhante ou chamar um lindo amigo para apresentá-lo à sociedade como uma companhia capaz de causar a inveja alheia, definitivamente para mostrar que estão muito bem acompanhadas, obrigada. Nenhuma mulher quer ficar por baixo diante do pavor de encarar um ex-noivo e, de quebra, a cobrança "social" no qual pessoas comentarão "Nossa, sua irmã mais nova casou, mas você ainda não". Acreditem, festas familiares podem ser altamente deprimentes para as mulheres solteiras. Não é difícil compreender a desesperadora atitude de Kat em pagar por um acompanhante e a relação custo x benefício que ela calculou para tornar sua chegada à Londres mais rentável, com menos prejuízos emocionais ainda que cercada de mentiras, afinal ninguém chegaria aos pais e falaria: "Mamãe e papai, este é meu acompanhante de luxo, seu novo genro que, a propósito, não é nada barato e só aceita pagamento adiantado".




Muito bem acompanhada apresenta uma deliciosa química entre
Debra Messing e Dermot Mulroney que fica ainda mais fascinante à medida que eles se conhecem e aprendem a ver no outro suas qualidades, independente do "acordo" de negócios, além disso apresenta valores preciosos como o amor , o perdão e a tolerância familiares. Tenho que destacar que Dermot Mulroney está muito degustável neste filme e vale o investimento. Esta comédia é , em absoluto, adoravelmente charmosa, embora não esteja entre os grandes sucessos do gênero, é uma opção de entretenimento cheia de flerte que flerta com o romântico espectador e que também aflora a angústia de sensíveis mulheres solteiras que desejam encontrar um amor e que fazem de tudo para esconder esta vulnerável tristeza de estar sem companhia. Por outro lado, celebra que o amor pode estar onde menos se espera, rompendo o preconceito e a sensação de fracasso afetivo, surpreendendo-nos com uma infinita sensação de alegria amorosa.

Avaliação Madame Lumière


Título original: The Wedding Date
Origem: EUA
Gênero: Drama, Comédia dramática
Duração: 90 min
Diretor(a): Clare Kilner
Roteirista(s): Elizabeth Young, Dana Fox
Elenco: Debra Messing, Dermot Mulroney, Amy Adams, Jack Davenport, Sarah Parish, Jeremy Sheffield, Peter Egan, Holland Taylor, Jolyon James, C. Gerod Harris, Martin Barrett, Jay Simon, Danielle Lewis, Ivana Horvat, Linda Dobell

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Amor sem Escalas (Up in the Air) - 2009



Está no ar Amor sem Escalas, o esperado novo filme de Jason Reitman, um dos melhores diretores da nova geração e merecidamente reconhecido por trabalhos como Juno e Obrigado por fumar. O elenco conta com as excelentes atuações de George Clooney (Ryan Bingham), Vera Farmiga (Alex) e Anna Kendrick (Natalie), todos em perfeita coesão como se cada personagem tivesse sido delineado para se ajustar a cada um deles. O roteiro foi adaptado pelo próprio Jason Reitman e Sheldon Turner a partir do livro de Walter Kirn "Up in the Air" e venceu, com louvor, o Globo de Ouro 2010. Infelizmente, o título Amor sem Escalas foi mal traduzido em português (mais uma tradução mal feita para distribuição nos cinemas brasileiros), por isso, esqueçamos o título que não diz nada sobre o filme. O brilhantismo clássico de "Up in the Air" enfocado como uma comédia dramática com o toque lúcido de Reitman dificulta qualquer tradução à sua altura, talvez a de Portugual se ajuste mais à realidade deste grandioso longa-metragem, definitivamente, um filme que repousará os seus pensamentos "Nas Nuvens", e lhes garanto que não será de uma forma muito relaxante, afinal, embora ele não seja um filme pessimista, e muito menos moralizante, ele aterrisará no mais profundo das relações humanas tristemente afetadas pela vida moderna, seja corporativa, seja pessoal. Absolutamente, a perfeição do trabalho de Reitman são as nuances entre o humor e o drama, entre a vulnerabilidade do ser humano e sua racional auto-confiança, entre o amor e a solidão.


Para protagonizar Amor sem Escalas, George Clooney foi convocado, surpreendentemente, para interpretar (quase) a si próprio. Ele o interpreta com tanto primor e realismo que chega a ser palpável aos meus olhos. Ele, o solteiro convicto, que desliza pelas mãos das mulheres e assume uma postura de ser totalmente anti-compromisso com a ala feminina, se mantem como o quarentão sexy altamente desejável e bem sucedido. Neste longa-metragem
Ryan Bingham é o consultor de uma corporação, solteirão solitário, averso a relações familiares e praticante de sexo casual que, digamos, mora "nas nuvens" viajando em todo o território americano quase os 30 dias do mês e acumulando milhas aéreas que o posicionam como um cliente Top VIP enquanto realiza o trabalho sujo que a área de Recursos Humanos das empresas apoiadas por seus gestores covardes não têm coragem de fazer: Demitir funcionários. Obviamente, isso não é uma regra no mundo real, garanto-lhes que os RH's de empresas têm coragem de demitir funcionários naquela clássica reunião de final da tarde, quando pedem ao empregado para comparecer em uma sala de reunião, o demitem sem muitos argumentos convincentes, solicitam que ele arrume seus objetos pessoais, deixe o crachá na recepção e passe no dia seguinte no departamento pessoal para assinar a demissão, no entanto Ryan Bingham é pago para não dar este penoso trabalho às empresas. Ele é o homem que demite e que o faz tão naturalmente e com a mesma precisão e sistemática que arruma a sua mala de viagem. Ele é tão importante em tempos de crise para as corporações porque racionaliza a operação de Exit sem sentimentalismos e sem direito de resposta baseado em lavagens de roupas sujas entre empregados, gestores e RH's, por isso torna seu papel bem contemporâneo e prático o suficiente para um negócio, principalmente na crise econômica que impactou muitas empresas que decidiram fazer processos demissionais em massa. Magnificamente e, olhando pelo aspecto do perfil de Ryan, ele é o homem exato para este serviço, afinal, ele tem um apartamento de enfeite para se hospedar em rápidas transições entre uma viagem ou outra, ele vive como se não tivesse família mantendo uma relação distante com as duas irmãs, ele não tem a intenção de construir uma família, ele coleciona transas casuais entre uma aterrissagem ali e outra acolá, ele ama estar nas alturas como se este fosse o seu porto seguro, o seu lar. Ryan é o homem do desapego total, com exceção do desapego ao seu trabalho habiloso(ressaltado por ele) e aos "benefícios do mesmo", a começar, o acúmulo de milhas. Ele é tão altamente focado em acumulá-las, sem dúvidas, o prêmio mais interessante que ele pode tirar, indiretamente, do orçamento da empresa após ouvir as desesperadas reações de funcionários demitidos. Ryan tem cara de homem moderno, aqueles que se identificam bem com o corporativismo insensível e com a vida pessoal sem qualquer laço afetivo. Se você se identifica com este perfil, bem vindo(a) a bordo do vôo Amor sem Escalas, com destino a você mesmo.


Mas não pensem que Ryan está sozinho. Há uma versão feminina dele. Esta é Alex, em uma excepcional performance de Vera Farmiga. Quando ambos se encontram em um dos itinerantes roteiros, de repente, um encaixe completo de duas pessoas atraídas uma pela outra além das leis da atração física. Eles adoram viajar, cartões de fidelidade, mordomias de hotel e, qualquer desapego emocional. Eles se tornam a companhia exemplar um ao outro. São bonitos, inteligentes, sensuais e a química sexual está a todo vapor. Afetividade? Só se for casual, entre lençois e uma baladinha ou outra. Posteriormente e, de forma catártica, percebe-se que Alex é tão prática e solitária quanto Ryan, filhos da modernidade de relações vazias e melancólicas que sempre parece sinalizar que "falta algo", antagonicamente, em meio à praticidade de não ter envolvimentos amorosos. Por incrível que pareça, a versão fêmea de Ryan é poderosamente eficaz em Amor sem Escalas, uma executiva viajante, amante pragmática que, após uma tempestuosa atitude de Ryan, o fará "cair na real", definitivamente e mostrando que há várias mulheres no mundo que seguem seu "versátil" estilo de vida. Por outro lado, ao conhecer Natalie, jovem executiva que propõe um sistema de demissão à Cia através da Internet o qual otimizará os custos com viagem,
Ryan descobre como é um ser vulnerável por trás da racionalidade do consultor de "transição de carreira". Natalie tem um perfil bem interessante para expressar uma faceta dos jovens talentos corporativos no mundo real, por trás da efetividade, tem o perfil dinâmico e agressivo que combina bem com os jovens trainees e estagiários de algumas empresas. Bem graduada, o sinômimo estratégico da efetividade e das grandes idéias, além da clássica "sede ao pote corporativo", a ingênua e dócil agressividade por trás de boa parte dos profissionais juniores, no entanto posteriormente, ela também "cairá na real" e fica evidente que ela é sonhadora como toda mulher que deseja unir carreira e amor. Antes disso, ela aparece como uma pedra de tropeço para Ryan. Ela o incomoda porque está "tocando" em seu precioso cargo de " porta voz da demissao". As viagens diminuiríam, as milhas também. No seu egoísmo e reativa indignação, ele a confronta até que é escalado pelo chefe para treiná-la nas demissões, mostrando o lado real e negro de ser mensageiro da emblemática frase "prezado fulano, lamentamos informar que o seu cargo deixou de existir". A convivência com Natalie durante as viagens terá um efeito catalisador em Ryan porque ele começa a avaliar o vazio de sua vida e, nas contradições de seus pensamentos e atitudes, ele tem reações inesperadas que valem a pena ser conferidas como uma consequência espontânea de seus questionamentos, logo no mínimo, o encontro de Ryan com estas duas mulheres possibilita que ele reflita sobre suas condutas e escolhas, ainda que o filme não julgue e não tome partido de nenhum lado.



Amor sem Escalas é um filme tão limpo que não contamina o espectador com uma resposta imediata, pelo contrário, é uma comédia dramática que faz rir e faz ter medo de chorar por dentro, principalmente quando se avalia que somos Ryans, Alexs e Natalies em algum momento da vida, principalmente naqueles que optamos por abrir mão de nós mesmos para desempenhar um papel em uma corporação e/ou outro meio social ou simplesmente nos tornamos seres racionais em demasiado, precisamente frios e solitários no dia a dia, afastando-se dos valores de amizade e família. Contemplar a racionalidade de Ryan versus a emotividade dos funcionários demitidos é um dos melhores inputs para reflexão.O homem sem família de um lado e homens e mulheres comprometidos com responsabilidades familiares de outro vendo seus mundos desabarem quando a fonte de sustento lhes é tirada, enquanto Ryan segue acumulando suas milhas que lhe darão prestígio e destinos sem lar. Outros válidos inputs para reflexão é avaliar, no final do filme, a decisão profissional de Natalie assim como o comportamento de Alex após presenciar uma imprevisível atitude emocional de Ryan, ambas enfatizam quem elas são em suas essências femininas, pelo menos, em um momento de decisão. Finalmente, Amor sem Escalas é excepcionalmente bem feito, um roteiro bem entrelaçado com diálogos precisos, com o elegante humor de George Clooney assim como a suprema interpretação dele, combinando com ele mesmo e uma maravilhosa e bem selecionada cool trilha sonora. Jason Reitman nos entrega um dos melhores filmes de 2009 que expressa a contemporaneidade das relações humanas, e digo, combina bem principalmente com o meio corporativo e seus tristes desdobramentos, combina bem com o endurecimento das relações, a melancolia da solidão, o status vazio que as pessoas se apegam, a transitoriedade de empregos e dos relacionamentos. Amor sem Escalas também nos confronta com aquela inevitável identificação com as personagens. Eu mesma me vi em todos eles e em diferentes momentos de minha vida, principalmente em Ryan, por isso o filme me foi altamente eficaz, como um espelho que eu fazia questão de esconder. Não lhes nego que, em muitos momentos da minha trajetória profissional e pessoal, desejei ser Ryan e fui um pouco de Ryan, como se isso fosse a liberdade precisa de uma mulher executiva e independente, e vi várias pessoas assim nas empresas que trabalhei, ainda vejo outras por aí, destituídas de qualquer apego emocional. Homens e mulheres que desejam ser Ryans por um dia(ou talvez para sempre) com a mochila vazia nas costas pois as responsabilidades pesam demais, as relações humanas pesam demais, tolerar e amar as pessoas pesa demais, a vida com suas rotinas pesa demais. Homens e mulheres que estão qualificados a esvaziar a mochila a qualquer hora na ânsia por uma atitude de puro ego individualismo, na ânsia por um tipo de escapismo... nas nuvens, ainda que o coração, assim como o de Ryan, uma vez ou outra, ou quem sabe sempre, sinta falta do calor do outro, do calor de ter um chão, com a mochila cheia para ir a um destino que nenhuma milha pode arcar, o final, o nosso verdadeiro lar.


Avaliação Madame Lumière


Título original: Up in the Air
Origem: EUA
Gênero: Drama, Comédia dramática
Duração: 109 min
Diretor(a): Jason Reitman
Roteirista(s): Jason Reitman, Sheldon Turner . Adaptação do romance homônimo de Walter Kirn.
Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Amy Morton, Melanie Lynskey, J.K. Simmons, Sam Elliott, Danny McBride , Zach Galifianakis, Chris Lowell, Steve Eastin, Young MC, Cut Chemist, Adrienne Lamping

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Casamento de Muriel (Muriel's Wedding)-1994


Toni Colette, recentemente premiada no Globo de Ouro 2010 na categoria melhor atriz comédia por sua atuação no Showtime United States of Tara eternamente será lembrada como Muriel Heslop de O Casamento de Muriel, a jovem garota moradora da pequena cidade australiana de Porpoise Spit , que adora ouvir Abba em seus solitários momentos e tem um contagiante e memorável sorriso, digno de ser um sorriso de noiva. Muriel é premiada com uma família bem problemática, é constantemente humilhada pelo pai Bill Heslop (Bill Hunter), um vereador candidato a galgar novos níveis da vida públida, e rejeitada pelo grupo de " fúteis amigas" que sentem vergonha dela e a excluem do seu círculo social com uma cruel facilidade. Desempregada, fora do padrão de beleza e sem nunca ter namorado, Muriel só tem um único sonho: casar-se. Ela é tão alucinada por casamento a ponto de roubar, mentir, fantasiar e abrir mão da real felicidade, tudo para ver seu sonho matrimonial concretizado. Muriel, a garota má? Absolutamente não. Muriel só é uma adorável e ingênua sonhadora que sonha o sonho de várias mulheres solteiras, e que só aprende, com o tempo, a não mentir a si mesma.



A comédia dramática O Casamento de Muriel marcou a estréia de P.J Hogan (de O Casamento do Meu Melhor Amigo e Os Delírios de Consumo de Becky Bloom) como roteirista e diretor no cinema e, definitivamente, é uma das comédias hit dos anos 90. É dignamente um filme bem casado "até a morte nos separe" com a trilha sonora que tem músicas clássicas do Abba como as inesquecíveis Dancing Queen (minha música), I do, I do, I do, I do, Waterloo e Fernando e canções saudosas como We've only Just Begun do The Carpenters, Sugar Baby Love do The Rubettes e I just don't know what do to with myself da Dusty (que, por coincidência ou não, está na trilha sonora de O Casamento do meu melhor amigo),
todas formam um encantador deleite no longa-metragem que é incrivelmente hilário com o mix drama cômico de quem sonha em se casar e não é facilmente afortunada. Muriel decide fazer até o inimaginável para realizar o seu sonho matrimonial e, nesta jornada, encontra uma antiga amiga do ginásio que vive la vida loca, Rhonda Epinstalk (Rachel Griffiths) que passa a ser a amiga leal que Muriel merecia. Elas se mudam para Sidney e lá se confrontam com marcantes desdobramentos em suas vidas que colaboram com a maturidade de Muriel para valorizar a essência da vida muito além de um sonho de casamento. Embora tarde para ela amadurecer, o filme é belíssimo em expressar que "um dia, a ficha cai' e que não adianta forçar uma felicidade quando não se está maduro(a) para recebê-la. A vida real não é um sonho, exige alguns pesadelos.




O Casamento de Muriel é, antes de mais nada, uma comédia que não traz o romance do casamento como outros filmes que usam o matrimônio como começo de uma relação ou meta de um sonho amoroso e adornam o filme com cenas românticas. O Casamento de Muriel traz o drama de se desejar um casamento e não ter ninguém à vista, nem sequer ser amada. Ele traz o drama de ser excluída afetivamente e desejar provar o contrário perseguindo um sonho sem limites sem, seriamente, pensar o que é afinal um casamento, o que é afinal o amor, o que é afinal você mesmo mentindo para si mesmo. Por mais que Toni Colette, inesquecivelmente interprete uma jovem otimista e persistente que vive no mundo da lua experimentando vestidos de noiva e tirando fotos dos mesmos para montar um álbum "Meu Casamento" fictício, este filme não é romântico, é comicamente doloroso, e neste aspecto está sua doçura, sua sincera relação com o espectador, por isso sou casada com esta comédia, uma de minhas preferidas dos anos 90. Sua espontânea expressividade é muito verdadeira porque, quem é, principalmente mulher, saberá o que estou dizendo: toda mulher deseja casar (inclusive as menos prováveis desejam ter alguém, ainda que não assinem um contrato). Muitas vezes a mulher não sabe como conseguí-lo porque não entende sequer o porquê de não ter encontrado ainda o homem certo. Não entende porque o amor não chega e o casamento junto com ele. Muriel também se sente assim, por isso chega a trocar de nome, uma nova persona "Mariel", faz isso porque ela simplesmente não consegue entender "por que ela não pode ser ela?" "Porque ela não pode ser a escolhida"?. Mariel dá a ela alguma esperança de esquecer a mulher do passado, não desejada.








No caso de Muriel, o histórico de vida dela é pessimista porque, antes de tomar uma decisão que muda sua vida para sempre, ela havia caído no ostracismo de sua própria condição de mulher solitária. Criticada pelo pai,
um homem sem muitos escrúpulos, e rejeitada por um círculo social (venenoso) que ainda assim poderia expô-la a conhecer potenciais pretendentes, ela foge desta realidade, foge de sua família e de sua pequena cidade. Embora não o faça da melhor forma, ela aprende a andar com as próprias pernas movida pelo sonho do casamento. No entanto, esta jornada vai longe demais ao casar-se, sem amor, com David Van Arckle (Daniel Lapaine) e deixar de dar atenção à mãe. Muriel é agora Mariel Van Arckle , mas não pode ignorar os vínculos do passado e os erros e acontecimentos do presente. Somente depois de sentir algumas perdas, ela percebe que pode continuar a levar sua liberdade e buscar sua realização pessoal sem cegar e nem mentir a si mesma. Belamente, Muriel descobre que tem que se casar com ela própria, em primeiro lugar, sem esquecer as bases valiosas da amizade e da família. Ela descobre que tem que ser Muriel. E, a partir daí, caso deseje, eis a receita para um potencial e posterior casamento a dois, certamente, com mais chances de ser bem sucedido.


Avaliação Madame Lumière


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Título original: Muriel's Wedding
Origem: Austrália, França
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 106 min
Diretor(a): P.J Hogan
Roteirista(s): P.J Hogan
Elenco: Sophie Lee, Rosalind Hammond, Toni Collette, Belinda Jarrett, Pippa Grandison, Bill Hunter, Jeanie Drynan, Daniel Wyllie, Gabby Millgate, Gennie Nevinson, Rachel Griffiths, Matt Day , Chris Haywood, Daniel Lapaine, Susan Prior

Minha Experiência 3D com Avatar


Hoje eu fui batizada com a exibição 3 D de Avatar, mega longa-metragem de James Cameron que é propagandeada com a premissa que a experiência 3 D é relevante para usufruir de toda a tecnologia empregada pelo diretor neste blockbuster. Honestamente, depois de ter assistido ao filme pela segunda vez, sendo a primeira vez na sala 3 D, tenho lá minhas dúvidas se esta experiência 3D Avatar é tão fantástica assim. Preciso descobrir se a culpa por tê-las é por causa da publicidade deste discurso 3 D Cameroniano, é porque o 3D Digital das salas de cinema Cinemark não valem nada (nem mesmo o preço do ingresso) ou é porque eu tinha uma alta expectativa com relação à exibição 3 D de Avatar a tal ponto que eu pudesse entrar dentro da tela e dar um beijo em Jake Sully em versão Navi erotizada.

Primeiramente, gosto de Avatar, embora reconheça muito mais o teor emotivo da fita do que só o tecnológico da sua produção. Como escrevi nesta resenha aqui, acabei nutrindo um carinho especial pelo idealismo da história evocando uma raça pautada no respeito entre eles e à natureza. Hoje, entrei no shopping e decidi assistir Avatar novamente já que havia assistido em sala de cinema tradicional. A princípio, não tinha o propósito de ir ao Cinemark pois soube que não é o melhor lugar para assistir 3 D e sim a sala 3D Imax do Shopping Bourbon São Paulo, no entanto aderi à praticidade de não me mobilizar tanto para assistir Avatar mais uma vez. Somente queria poder entrar em Pandora e tocar aquelas folhagens da floresta, contemplar de forma vivaz a árvore das almas, deliciar minha visão com o magnífico vôo de Toruk e pensar que estava na batalha lutando com os Omaticaya.


De fato, consegui vivenciar tudo isso de uma maneira mais realista, mais vívida, mais encantadora, mas ainda assim saí do cinema com a sensação que Avatar poderia ter sido bem mais vibrante em uma exibição 3D dado o efeito da propaganda tecnológica que se faz sobre ele. Confesso que não achei uma diferença ultra mega hiper gritante entre o cine tradicional e o 3D do Cinemark e lhes juro que tenho uma ótima visão. Talvez eu pense desta forma em virtude de que Avatar é tão grandiosamente técnico que não faz tanta diferença em qual formato é exibido. Ele sempre arrancará aplausos por sua nobreza tecnológica. Claramente há o mérito tridimensional em pequenos detalhes da floresta, principalmente os mais vibrantes como as luminosas sementes da Árvore da Alma, os animais e plantas exóticas, o casal apaixonado Jake Sully e Neytiri
em belos enfoques que exaltam a beleza de seus corpos pintados e os grandes momentos dos clãs Navi bravamente lutando na batalha final. Enfim, minha experiência 3 D com Avatar foi bem normal e saudosamente eu quero mais. Quero mais 3D, mas quero um super poderoso 3D. Será que ele existe?

A Emblemática Citação da Semana : E o Vento Levou (Gone with the wind) - 1939



"As God is my witness, as God is my witness they're not going to lick me. I'm going to live through this and when it's all over, I'll never be hungry again. No, nor any of my folk. If I have to lie, steal, cheat or kill. As God is my witness, I'll never be hungry again."

"Deus é minha testemunha, Deus é minha testemunha, eles não me derrotarão. Eu sobreviverei a isso e quando tudo tiver terminado, eu não sentirei fome novamente. Não, nem eu e nem ninguém da minha família. Mesmo que eu tenha que mentir, roubar, trair ou matar. Deus é minha testemunha, eu não sentirei fome novamente."

(Scarlett O'Hara interpretada por Vivien Leigh no clássico E o Vento Levou)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Julie & Julia (Julie & Julia) - 2009


Depois de trabalharem juntas no drama Dúvida (
Doubt), Meryl Streep e Amy Adams estão juntas em Julie & Julia, uma comédia de base biográfica dirigida por Nora Ephron e que relata a história de duas mulheres, separadas pelo tempo mas unidas pelo amor à culinária. De um lado, Julia Child (Meryl Streep), renomada americana na Arte da Gastronomia Francesa que a estudou na famosa escola tradicional Le Cordon Bleu, escreveu diversos livros de culinária e apresentou programas de televisão como o The French Chef e, do outro lado, Julie Powel (Amy Adams), ex-funcionária pública e atual escritora americana que decidiu colocar em prática todas as receitas do livro best-seller de Julia Child "Mastering the Art of French Cooking", inaugurando um blog para contar suas experiências gastronômicas nesta jornada e intitulando sua saga experimental como cozinheira no "The Julie/Julia Project". O sucesso do blog foi tão grande que ela se tornou autora do livro Julie & Julia 365 dias, 536 receitas, publicado em 2005 que agora torna-se um longa-metragem Hollywoodiano, um raro exemplo de que ainda há esperanças para bloguistas que sonham ser famosos.




Em Julie & Julia, Julia é casada com Paul Child (Stanley Tucci) e ambos se mudam para Paris. Paul trabalha na embaixada. Julia o ama e gosta de cozinhar. Ambos formam um belo e apaixonado casal. A partir daí, Julia acaba se apaixonando pela gastronomia francesa e pela França e busca ocupar o seu tempo em algo que realmente ame, Paul a incentiva enquanto saboreia as deliciosas receitas de sua esposa. Ela ingressa na escola Le Cordon Bleu como a única mulher da sala cujo excepcional talento lhe direcionará a se unir com um grupo de amigas, Les Gourmets, para escrever um livro de culinária francesa para americanos. No trascorrer da narrativa Julia mostra seu formidável trabalho culinário, encantando os olhos do espectador com sua habilidade natural na cozinha, sua dedicação à sua paixão e seu bom humor cheio de carisma, além disso ela se vê no processo de organizar as suas receitas e ter seu livro aceito por alguma editora para publicação. Em outro plano narrativo, está Julie, uma jovem de quase 30 anos que se muda com o marido Eric Powell (Chris Messina) para um minúsculo apartamento em Queens. Julie é a típica mulher cuja vida apática e mal sucedida está afetando sua felicidade. Tem um emprego burocrático enquanto as amigas estão muito bem posicionadas na carreira. Julie precisa retomar a alegria que nem mesmo seu amoroso marido poderia proporcionar-lhe. Surge a idéia de escrever um blog e Julie encontra na culinária a possibilidade de um momento único em sua vida, afinal ela ama Julia Child, ama cozinhar e aceita o desafio pessoal de cozinhar 536 receitas em 1 ano, compartilhando as novidades da jornada com os internautas. A aventura gastronômica começa, e nitidamente Julie tem uma mudança positiva com sua experiência de cozinheira e de blogueira que lhe devolve a auto estima e a alegria.




Julie & Julia tem três grandes virtudes, começarei pelas de ordem técnica. Primeiramente, a idéia do filme é bem original na forma que o argumento foi trabalhado, em especial na narrativa em dois planos distintos de temporalidade de mulheres que se "unem" através de um livro de receita. São mulheres que amam seus maridos, amam cozinhar e procuram uma ocupação em momentos de vida que se relacionam a mudanças. Julia se muda para Paris. Julie se muda para Queens. Julia não tem um emprego. Julie tem um emprego tão ruim que é como se ele não existisse. Este encontro sem marcação cronológica cuja ponte é realizada por uma outra Arte, a Culinária e uma outra linguagem, a Escrita torna Julie & Julia uma comédia tecnicamente degustativa. Com relação à magnífica caracterização do personagem de Julia por Meryl Streep, este é mais um trabalho imperdível da aclamada e versátil atriz que incorpora perfeitamente o sotaque e a excêntrica aparência de Julia Child, cujo figurino a torna ainda mais simpática. Meryl Streep consegue ser encantadora e engraçada neste longa-metragem mesmo que, do ponto de vista mais humorístico de uma comédia, o roteiro poderia ter sido melhor trabalhado nas falas de humor (que considerei ainda deficitárias); mesmo assim a competência da atriz , que ganhou o Globo de Ouro 2010 por esta atuação, fala mais alto e com poucas palavras. Ela rouba a cena tornando esta Julia Child mais adorável do que a verdadeira.





A terceira e última virtude é de ordem mais comportamental e se refere à importância de se dedicar à algo que se gosta, seja um hobby, seja um projeto pessoal que traga bem-estar e felicidade, recupere qualidades pessoais que foram enterradas em meio ao pessimismo da vida e deixe aflorar outras habilidades (in)imagináveis. No caso de Julie, ela estava muito infeliz, sentindo-se diminuída em ter amigas bem sucedidas, em trabalhar em um cubículo ouvindo reclamações de clientes o dia inteiro. Além disso a mudança para um "apErtamento" localizado em cima de uma pizzaria veio de encontro à esta sensação de fracasso e ausência de uma melhor perspectiva de vida. A idéia de cozinhar pratos baseados em um livro de receita consagrado, abrindo mão de um tempo de descanso e de maior convívio familiar e gerenciando um tempo noturno para se dedicar a este aprendizado gastronômico torna-se uma experiência única, a princípio, uma fuga positiva ao invés de cair em depressão e se sentir ainda mais triste. Julgo a atitude de Julie inteiramente agradável e melhor que qualquer Prozac pois, independente do momento de vida, eu mesma, quando comecei a cozinhar alguns pratos em momentos oportunos, considero a culinária uma terapia gourmand que todos deveriam vivenciar. Com isso, a vida de Julia foi inspiracional para Julie e propiciou que ela tivesse este insight de que poderia abrir um blog baseado em um projeto Julie/Julia e aprender a cozinhar, no entanto, mais do que se inspirar na história de alguém, Julie amadureceu sua própria forma de encarar a si mesma, de chegar à conclusão de que ela realmente "salvou a si mesma" se dedicando a algo que gosta de fazer, e não há melhor salvação do que se dedicar aos pequenos grandes prazeres que são proporcionados por nós mesmos, afinal a felicidade está dentro de nós e também pode ser produzida por nós, de forma tão doce, como um delicioso Creme Bávaro de Framboesa.

Avaliação Madame Lumière


Título original: Julie & Julia
Origem: EUA
Gênero: Comédia, Biografia
Duração: 123 min
Diretor(a): Nora Ephron
Roteirista(s): Nora Ephron, Julie Powell, Julia Child, Alex Prud'homme
Elenco: Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina, Linda Emond, Helen Carey, Mary Lynn Rajskub, Jane Lynch, Joan Juliet Buck, Crystal Noelle, George Bartenieff, Vanessa Ferlito, Casey Wilson, Jillian Bach, Andrew Garman